Mostrar mensagens com a etiqueta Angola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Angola. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de junho de 2012

M465 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola - 3 - Ocupação dos tempos livres


RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 3

Ocupação dos tempos livres

Nesta mensagem continuamos a apresentar as histórias, memórias e algumas das fotografias do RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971, iniciadas nas mensagems M462 e M464.

Aqui vamos mostrar que nos momentos de tranquilidade, eram proporcionados alguns momentos de lazer, em que a malta se ocupava de diversos modos procurando "matar" o tempo, o melhor que podia e sabia.

Já vimos que o futebol era um dos mais animadores e mobilizadores, mas também a leitura, a escrita de cartas aos familiares, namoradas e amigos, jogar cartas e dominó nas cantinas, etc. completavam a ocupação dos tempos livres.

Este disponibilidade de tempo era relativa conforme o local e a operacionalidade na zona, pois haviam locais em que sair para caçar era impossível devido à proximidade do inimigo, outros em que era um eminente e sério risco de morte, pois o inimigo tinha os seus espiões que controlavam todos os movimentos da nossa tropa. 

Já referimos que o RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971  a 1974, integrado na Companhia de Artilharia 3454, do Batalhão de Artilharia 3861, nas zonas de Zala e Quinguengue. 

Brevemente nos contará a parte operacional, acompanhada de algumas espectaculares fotos. 

Caçar era além de um entretimento, uma necessidade para garantir carne fresca
Pacassas, gazelas, antílopes, javalis, etc.

Em zonas sem câmaras frigoríficas era um problema manter a carne comestível, pelo que ou se comia ou  acabava por apodrecer. Outra alternativa, se houvesse sal bastante, era salgar a carne, permitindo a sua conserva. Este tipo de conservação exigia boas condições de armazenamento, com ausência de forte humidade e a  temperatura normal.


Caça grossa e pequena, tudo servia para evitar a rotina e o enjoo ao habitual rancho e rações de combate
Depois havia aqueles que dominavam mais a técnica de "apanhar" os bichos distraídos, ou a dormir... eheheheheheh...
Com o bicho morto e mais que muito "matado", quase toda a malta da companhia gostava de tirar as fotos da praxe para mais tarde recordar. 

A caça abundava na zona de Zala e por quase todo o terreno angolano
Escrever às namoradas, madrinhas de guerra, pais e  restante família, não esquecendo os melhores amigos, era um exercício obrigatório, até para manter o bom estado do equilíbrio psicológico.
A leitura de todo o género, como as histórias aos quadradinhos, era outro interessante hobby.    
Dar uns mergulhos, no rio mais próximo, onde não houvessem os tão temidos crocodilos, além de entreter, permitia refrescar os corpos tão esturricados pelo inclemente e abrasivo sol africano. 

Fotos: © Lino Ribeiro (2012). Direitos reservados.   


quarta-feira, 30 de maio de 2012

M464 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola 1971/74 - As instalações


RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 2

Nesta mensagem continuamos a apresentar as histórias, memórias e algumas das fotografias do RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971, iniciada na mensagem M462. 


Já referimos que o RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971  a 1974, integrado na Companhia de Artilharia 3454, do Batalhão de Artilharia 3861, nas zonas de Zala e Quinguengue. 


Nesta sequência de fotos podemos verificar como eram as instalações, cujos tipos eram usados, salvo raras excepções, em quase todos os aquartelamentos. 


De modo que se pode compreender perfeitamente, regra geral todos os militares, que mais não eram que os filhos desta nação (rapazes com 22/23/24 anos de idade), procurava especialmente beneficiar e alindar o mais possível todo o quartel, mas em particular o espaço que lhe era destinado como quarto ou camarata, de modo a torná-lo o mais confortável e familiar possível.  

Instalações do aquartelamento de Zala visto mais de perto
Os barracões construídos por malta habilidosa, constituíam abrigos precários, mas eram muito melhores que os que por exemplo encontraram os primeiros soldados que ali chegaram nos primeiros anos que guerra e nada tinham onde se proteger, descansar e dormir 

Nesta foto pode avaliar-se o tipo de resorts, onde não devemos esquecer viviam e sobreviviam 20 e muitos meses, jovens armados com G3 e que combatiam, como podiam e sabiam, por Portugal 
 Os longos momentos dos jogos de futebol eram um enorme escape, ou como se usa dizer hoje, um excelente descarregador do stress acumulado nas patrulhas, colunas, operações, batidas, etc.
 Os jogos raramente tinham tempo de início e fim, nem árbitros, nem jogadores certos (equipas), muitas vezes nem os golos se contavam. 
 Interessava era distrair e ocupar o tempo livre, que por vezes nem era muito.

 Mas os maios "viciados" e craques aproveitavam todos os tempinhos para correr atrás da bola, o que lhes permitia manter a boa forma física.

  Foto 8
 Outros momentos de laser eram passados no bar, também se jogava cartas, dominó, dados, etc.
 Em Quinguengue, as instalações eram que se pode ver e dispensam mais comentários.
Como os fins-de-semana eram passados entre o arame farpado e o calor era um companheiro permanente permitia ao menos que o pessoal andasse desportivamente de sapatilhas e calções. 


Mini-guião: © Carlos Coutinho (2012). Direitos reservados.  
Fotos: © Lino Ribeiro (2012). Direitos reservados.  

domingo, 27 de maio de 2012

M462 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola 1971/74


RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74

Nesta parada virtual onde vamos formando aqui, lado a lado, independentemente das idades e dos cursos (todos serão bem-vindos).


Hoje apresenta-se o RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971.

No tempo em que Portugal travava guerras nas suas províncias ultramarinas de Angola, Moçambique e Guiné - 1962 a 1975, o RANGER Lino cumpriu a sua parte como era exigido então a todo o cidadão português que atingia a maioridade, o Serviço Militar Obrigatório.

Tocou-lhe uma comissão militar em Angola, entre 1971 a 1974, integrado na Companhia de Artilharia 3454, do Batalhão de Artilharia 3861, nas zonas de Zala e Quinguengue.

Desses conturbados anos tem um vasto memorial fotográfico, que disponibilizou para colocar neste blogue.

Nesta mensagem expõem-se algumas fotos, que dão uma ideia exacta do tipo dos aquartelamentos portugueses, em África, durante o curso da guerra. 


Malange > Forte República > A indicação da localidade é ainda hoje usual em várias localidades do nosso país
A indicação das localidades mais "próximas" (uns 7.000 e tal quilómetros) também se viam à saída de muitos quarteis


 As placas memoriais com os emblemas e guiões das unidades, eram os testemunhos que tinham passado por ali em anos anteriores


Mais um belíssimo memorial


Nambuangongo > Alguns dos memoriais eram autênticas obras de arte
A mobilidade era então um apanágio dos militares que, carregando os seus tarecos às costas, em muitos casos lhes permitia conhecer outras localidades e outros povos, com os seus interessantes costumes e usos



As instalações, salvo raras excepções, eram resorts fabricados por soldados muito habilidosos dados os escassos recursos postos à disposição, mas eram muito visitados por cobras, lagartos e insectos de toda a espécie  

O aquartelamento de Zala, vendo-se da lado direito um acampamento improvisado, que serviu de abrigo aiuma companhia de Comandos que ali estacionou, na véspera da concretização de uma grande operação conjunta de tropas
O numeroso parque de viaturas, que se vê estacionado em linha, dá bem a ideia da quantidade de pessoal movimentado
Zala depois da saída das viaturas
Outro aspecto do quartel
Uma das partes mais estimada do quartel, pela malta mais desportiva, era o campo de futebol onde se começavam "peladinhas", com muitos jogadores supelentes (uma companhia tinha cerda de 150 homens e, geralmente, mais de metade gostava de jogar à bola) e só tinham fim ao escurecer - normalmente até à hora de jantar -, ou quando inimigo resolvia acabar com as "jogatinas", desestabilizando a paz e serenidade com os seus habituais "prazenteiros" ataques. Gandas malandros! 


MINI-GUIÃO: © Carlos Coutinho (2012). Direitos reservados.  
Fotos: © Lino Ribeiro (2012). Direitos reservados.  


domingo, 19 de fevereiro de 2012

M406 - RANGER Manuel Anselmo F. G. Vieira, do 4º Curso de 1968


Nesta imensa e fraterna parada virtual, todos os RANGERS podem formar lado-a-lado e enviar-nos as suas fotos dos tempos da tropa e textos, para aqui serem publicados. 



Hoje apresenta-se o RANGER Manuel Anselmo F. G. Vieira, do 4º Curso de 1968 


Entrei nas Caldas da Raínha para a recruta (como instruendo) em 15/07/1968 no RI 5, no curso de sargentos milicianos e o meu número era o 3.600, tanto que na brincadeira os nossos camaradas de recruta mais próximos apelidaram-me de “português suave”, porque o preço desses cigarros era 36$00 (escudos) que se dizia na época 3600 “reais”.
Quase ao final da recruta lá nas Caldas da Rainha fui escolhido/selecionado para fazer as provas de admissão de passagem ao curso de oficiais e fui classificado.

Assim fui colocado no CIOE (RI 9) e lá estive de Setembro a Dezembro de 1968, tendo passado no curso em 15º lugar com uma nota de 15,18 valores.

Em 06/01/1969 (data oficial da promoção a aspirante) fui colocado do Regimento de Cavalaria 7 (Caçada da Ajuda – Lisboa).

Alí formámos a companhia de cavalaria nº 2563, que depois da instrução foi mobilizada para Angola como companhia independente, e embarcámos em 21 de Julho de 1969 no navio Vera Cruz, 164 homens pois não levávamos o 15º que seria o médico, que nunca tivemos.

Estivemos no Campo Militar do Grafanil em Luanda cerca de duas semanas à espera de saber onde íamos ser colocados, fomos até vacinados contra a doença do sono (picadura da mosca tsé-tsé) e achamos que iríamos para o norte, lugar onde existia essa doença.

Ao 11º dia de estadia no Grafanil vimos chegar uns camiões civis e militares (berliets) com uma série de caixões com mortos e na ordem do dia desse dia soubemos ter sido mobilizados para de onde vinham aqueles mortos (MUNHANGO), lá para o leste, um pouco antes do LUSO, deslocamento feito em camiões militares e civis demorando três dias para lá chegar e lá estivemos 27 meses.

Como eu era o comandante do primeiro pelotão, quando o então capitão se ausentava por motivos diversos (e eram muitos porque ele era um medroso e cobarde), era eu que comandava a companhia.

Como o exército quis fazer uma experiência com tropa a cavalo, fui colocado (apenas para treinamento) junto com 60 soldados no Grupo de Cavalaria 1 (Dragões) na cidade de Silva Porto (hoje chama-se KUITO) na província do Bié, tendo depois voltado ao Munhango e lá construido duas cavalariças, uma de pau a pique e coberta de capim e outra de tijolo, para albergarmos os cavalos.

A história dos cavalos não evitava que de vez em quando não fizéssemos na mesma as operações a pé.

Como tínhamos um Grupo Especial (autóctenes voluntários e pagos pelo exército português) que usávamos como tropa (treinamo-los melhor do que estavam) e não como carregadores como muitos camarados nossos (não na minha companhia) fizeram ants e depois de nós, era eu o comandante deles.

Voltámos a Portugal (e eu a comandar a companhia) com 160 homens (três soldados morreram e o capitão ficou em Angola castigado por se “desenfiar” porque eu fiz queixa dele), passei à disponibilidade em 18/10/1971 e fui promovido a tenente miliciano na disponibilidade em 01/12/1972.

Se olharem algumas fotos minhas daquele tempo verificarão que, na boina que na época era castanha, usava as armas (espadas) da unidade onde estava, mas nunca coloquei o número desse regimento ou da companhia e sempre as letras COE acima das espadas.

Cumprimentos,
Anselmo 


 Em Penude

Com o furriel também OEs


Um ranger é capaz de fazer tudo

domingo, 18 de dezembro de 2011

M391 - RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972. Foi Furriel Miliciano na 2ª CCAÇ do BCAÇ 4210 - Parte 4


RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972


Nas mensagens M382, M385 e M386, pode ver-se a sua apresentação neste blogue e várias das suas fotos, recolhidas em 1973 e 1974, durante a sua comissão militar no período em que decorreu a Guerra do Ultramar (1962 a 1975).


Nesta mensagem apresentam-se mais algumas fotos do álbum de memórias do RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972, desta feita da vila e do quartel que lhe tocou na sorte - Teixeira de Sousa, Angola -, na 2ª Companhia de Caçadores do Batalhão da Caçadores 4210. 


Memórias de uma terra que marcava quem por lá passava e que deixou saudades.


Ainda hoje, sobre todos os portugueses, África impõe-se pelas suas belezas naturais e pelo seu modo místico de vida... ainda por cima atractiva e estranha, e irritantemente... indescritível.  


VILA TEIXEIRA DE SOUSA – ASPECTOS DA VILA E DO QUARTEL EM 1973


Aspecto aéreo da pequena, airosa e acolhedora vila
 Outro ângulo aéreo da pequena, airosa e acolhedora vila
 Vista aérea do quartel
 Parada do quartel 

Fotografias: © Cândido Teixeira (2011). Direitos reservados.