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sábado, 20 de agosto de 2011

M358 – Homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – UM HERÓI NACIONAL - UM COMANDO IMPLACÁVEL da GUERRA DE ÁFRICA


Com a devida vénia e agradecimentos ao jornal TAL & QUAL, publicamos hoje (texto e fotos) mais uma justa homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – O COMANDO IMPLACÁVEL da Guiné.

ESTA NARRAÇÃO NÃO É FICÇÃO HOLLYWOODESCA! 



Pior ainda, é que esses mesmos Combatentes nada fazem para ajudar a despertar as atenções e o interesse das pessoas, para esta escandalosa e triste realidade, e outros no cúmulo da indiferença, até pactuam com este estado de coisas.

UMA NOJICE de dar vómitos a todos os que serviram em armas e, orgulhosamente, sentem, vivem e ainda acreditam em Portugal! 

Hoje, felizmente, vai havendo um despertar lento para esta realidade, mas tão lento que um dia, infelizmente, será tarde de mais! 

A Guerra do Ultramar, foi um conflito à qual muitos pseudo-portugueses, cobardes e traidores fugiram com medo, "homens" esses que, ainda por cima  tiveram a distinta lata, ao longo dos últimos anos, se arvorarem, baseados nesta alta traição, de serem os seus verdadeiros heróis.


Esta rara e inacreditável desfaçatez só é permitida num país como o nosso, dado o infeliz, pacato e iletrado povo que tem.

Marcelino da Mata é SÓ o português (civil e militar) mais condecorado em Portugal em todos os tempos. É nítido hoje em dia, principalmente por motivos de dor-de-corno e inveja, o desprezo a que é votado pelas autoridades civis e militares nacionais, a todos os níveis.

Honra e Glória seja feita ao TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA, por aqueles que amam verdadeira e profundamente esta Nação, pois ele, pelos seus feitos em combate, nem ao seu país de origem - a Guiné -, pode voltar e viver descansado, apenas pelo "crime" de... COMO PORUGUÊS QUE SEMPRE SE ASSUMIU... TER USADO A FARDA E AS INSÍGNIAS DE PORTUGAL!

Repete-se: POR ELE TER COMBATIDO POR PORTUGAL! 

Marcelino conquistou-as, com muitas marcas físicas que quase lhe eliminaram a vida, em lutas ferozes e mortíferas contra um inimigo aguerrido, de igual para igual de armas na mão, que combatemos em África - na Guiné -, o P.A.I.G.C. (Partido Africano para a Indepêndcia da Guiné e Cabo Verde).

Sim, combateu por Portugal, ao nosso lado, e muitos portugueses, na condição de militares em Serviço Militar Obrigatório, hoje lhe devem a vida.

PELO MENOS AQUI NESTE CANTINHO NÃO SERÁ ESQUECIDO, COMO NÃO FOI PELO JORNAL TAL & QUAL!

Como poderão ler mais abaixo, numa excelente homenagem daquele jornal, ficarão cientes da traição e cobardia nacional que grassava, e ainda hoje grassa, neste país do pós-25 de Abril.

Esta postagem, em formato Word, contou com a colaboração do meu Camarada da Guerra na Guiné - Manuel Marinho -, a quem aqui endereçamos os nossos melhores e devidos agradecimentos por permitir uma leitura correcta e mais visível do recorte.
Ganhou inúmeras condecorações, não a polir esquinas ou botas em Portugal como muitos hoje as recebem, sem ter arriscado nada pela nação, nem ter produzido qualquer bem útil à sociedade e nacionalidade.
AO RAMBO DA GUINÉ
MARCELINO DA MATA – O COMANDO IMPLACÁVEL 


Mataram-lhe as duas primeiras mulheres na Guiné e já tentaram assassiná-lo em Queluz. É o preço que está a pagar por ter combatido ferozmente no Exército português contra os da sua cor do PAIGC.

Marcelino da Mata, com a Torre e Espada e restantes condecorações, esta semana, em Queluz.

O oficial mais condecorado do Exército português, hoje na reserva em Lisboa, não esquece as torturas de que foi vítima, no Ralis, em 1975, e promete vingança.

Foi em Madrid em 1975, que ele me disse com frio desprendimento, como se me estivesse a dizer as horas: “ O capitão Quinhones não perde pela demora. Quando o encontrar, hei-de matá-lo”.

Entendi que a afirmação fora proferida num momento de sofrimento físico e indignação moral. Pareceu-me uma ameaça excessiva, coisas de filme e que o tempo se encarregaria de dissipar a sede de vingança.

Enganei-me.

Há menos de dois meses, passados, portanto, 11 anos, ele reafirmou as suas intenções perante três juízes do Tribunal Militar de Santa Clara: “ Falta aqui um réu, o capitão Quinhones. Se ele aparecer morto, já sabem que fui eu”.

Ele é o capitão comando Marcelino da Mata, herói da guerra colonial na Guiné, interveniente em 2414 operações no mato, e o oficial mais condecorado do Exército português: uma Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1ª classe, uma de 2ª e uma de 3ª, aos louvores por actos de bravura em combate, perdeu-lhes a conta – “uns dizem que foram 47, outros 52”.

Um oficial que o conheceu bem na Guiné disse esta semana ao “T&Q”: “ Como era o Marcelino da Mata? Olhe o Rambo, comparado com o Marcelino, parece uma criança de infantário. E não estou a ser espirituoso – é verdade”.

Em Maio de 1975, no rescaldo do 11 de Março, com o país a guinar bruscamente à esquerda, o Ralis (Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa) era uma unidade revolucionária. No juramento de bandeira, os recrutas, barbudos e desalinhados, prometiam estar “ sempre, sempre ao lado do povo”, contra os reaccionários, os fascistas, os capitalistas, os imperialistas.

Comandava a unidade o coronel Leal de Almeida e era sua vedeta principal o capitão Dinis de Almeida, cognominado o “ Fittipaldi das Chaimites”. O general Spínola havia fugido de helicóptero para Espanha juntamente com um punhado de oficiais considerados reaccionários, e ali fundara o MDLP, um movimento dedicado a derrubar o comunismo em Portugal, corporizado no primeiro-ministro Vasco Gonçalves.

Iguais objectivos tinham o ELP (Exército de Libertação de Portugal, também sediado em Madrid mas mais político do que militar).

Foi neste pano de fundo que o então alferes comando Marcelino da Mata, um guineense trazido para Portugal para não ser fuzilado pelo PAIGC, foi preso por Dinis de Almeida e levado para o Ralis. – “Queriam saber que ligações o coronel Jaime Neves tinha com o ELP” – disse-me esta semana Marcelino da Mata. E rememorou: Estive um dia inteiro nas mãos de dois militares, o capitão Quinhones e o furriel Duarte, de dois civis, cujos nomes nunca soube, e de uma mulher de cabelos compridos, calças de camuflado, uma camiseta que dizia COPCON e uma pistola Walter com o coldre aberto.

Foi ela quem comandou as sessões de tortura: bateram-me com cadeiras de ferro e partiram-me costelas, a bacia e atingiram-me a coluna: por ideia dessa mulher, que ainda não sei quem é, deram-me choques eléctricos no nariz, nos ouvidos e nos órgãos sexuais, o que me deixou impotente durante três anos. Soube depois que na operação estiveram envolvidos elementos do MRPP. Identifiquei o capitão e o furriel Duarte porque o coronel Leal de Almeida os chamou pelo nome enquanto me espancavam”.

Depois de sete meses preso no forte de Caxias, Marcelino da Mata escapou a uma tentativa de rapto na sua residência em Queluz e fugiu para Espanha, onde foi acolhido pelo MDLP. Foi tratado por um médico espanhol e outro francês e trabalhou como mecânico em Talavera. Afirma nunca ter sido operacional do MDLP.

Nesse verão quente de 1975, eu deslocara-me a Madrid para fazer uma reportagem sobre o que era aquele movimento spínolista de que tanto se falava em Portugal, sem que alguém se lembrasse de lhe bater à porta e fazer as perguntas que entendesse.

Num primeiro andar da Calle Lagasca, no centro de Madrid, o seu chefe operacional, o comandante Alpoim Calvão, conduziu-me a um quarto. Sobre a cama, sem se poder mexer, estava Marcelino da Mata a recuperar dos espancamentos sofridos no Ralis.

Foi quando me disse que havia de matar o capitão Quinhones.

Esta semana, passados 11 anos, perguntei-lhe se o tempo havia cicatrizado essa ferida.

“ De maneira nenhuma. Ainda em Julho passado o reafirmei no Tribunal de Santa Clara, no julgamento do coronel Leal de Almeida” – foi a inesperada resposta dada com a mesma convicção de 1975, apenas amaciada por um ligeiro sorriso.

“ Assim que eu voltei de Espanha, o furriel Duarte soube e fugiu para o Canadá. O capitão Quinhones? Um dia hei-de encontrá-lo”.

Contactado anteontem pelo “T&Q” no seu novo regimento, o agora major Quinhones disse-me.” Não estou autorizado a falar, mas sempre lhe digo que não tive nada a ver com isso. Nunca bati no Marcelino da Mata nem em ninguém”.

Regressado em 1976 a Portugal, o oficial guineense, ainda alferes, foi integrado no Regimento de Comandos, na Amadora. Executava todos os deveres de um oficial do quadro permanente sem ser… português.

“Agora já sou, mas foi um problema enorme para me darem a nacionalidade; eu, que na Guiné jurei bandeira como português comentou”. Há muitos militares guineenses a quem ainda não deram a cidadania.

Estão há anos à espera, mas aos “fotocópias” deram num instante.

Fotocópias? “Sim, os “monhês”, os indianos; nós chamámos-lhes “fotocópias” porque têm aquela cor, não são pretos nem brancos”. E continua a recordar, revelando uma memória de precisão: “Sofri muitas pressões para sair da tropa. Estou convencido de que foi devido a manobras do PAIGC. Como oficial do Exército português, era embaraçoso para eles eliminarem-me, mas assim que saí começou a dança (ver caixa).

Um dia fui chamado a um brigadeiro do Serviço de Pessoal. Queria que eu assinasse um papel, pedindo a passagem à reserva. Disse-lhe que não assinava. Ameaçou-me de não me deixar sair e chamou um alferes e um tenente que entraram no gabinete. Eu lembrei-lhe que ele sabia muito bem que eu sairia quando quisesse. E para pôr ponto final no assunto, puxei pela pistola: o alferes dirigiu-se imediatamente à porta, abriu-a e eu saí ”.

Finalmente, em 1979, conseguiram dá-lo como “não apto”, devido a um ferimento num braço que nunca o impediu de ser o terror do mato guineense.

Ultrapassados há muito os prazos de promoção, saiu com o posto de capitão, auferindo a respectiva reforma, mais cerca de 18 contos como deficiente.

Hoje, com 46 anos, Marcelino da Mata suplementa a reforma com uns biscates aqui e ali, para sustentar a mulher e 15 filhos. Presentemente olha pelo físico do proprietário de um restaurante lisboeta. “Estive quatro meses a fazer a segurança da firma Tomás de Oliveira, no parque onde guardam as máquinas pesadas no bairro das Galinheiras” – conta. A Associação de Comandos arranjou-me o lugar porque ninguém queria ir para lá. A gatunagem prendia os guardas às árvores e roubava gasóleo para depois vender. Eu ainda andei lá aos tiros mas não houve mais roubos. O meu ordenado era de 100 contos mas a Associação ficava com 50. Cortei com eles”.

Mesmo assim, Marcelino da Mata considera-se um privilegiado. Ele acha injusto que outros guineenses, ex-militares do Exército português, não tenham a nacionalidade portuguesa nem qualquer reforma do Estado. “ Eles vivem em condições miseráveis”- acusa ele, sem nunca fundamentar os seus desabafos em considerações políticas ou ideológicas. No passado dia 21 de Agosto, Marcelino da Mata foi notícia por ter encabeçado uma manifestação à porta do Estado-Maior General das Forças Armadas, em defesa dos guineenses desprezados pelo Exército.

Na altura ninguém lhes deu ouvidos, mas na passada segunda-feira o ministro da defesa chamou-o. Logo a seguir, o general Almeida Bruno, comandante-geral da PSP e ex-combatente na Guiné, contactou-o pedindo-lhe uma lista de todos os ex-militares guineenses para que lhes seja concedida a nacionalidade portuguesa, condição essencial para que possam ser reformados ou reintegrados, igualmente lhe pediu uma lista das viúvas de guineenses mortos em combate para que lhes seja atribuída a respectiva pensão de sangue.

Marcelino da Mata está agora mais confiante no futuro dos seus camaradas guineenses em Portugal. “ Mas levou tanto tempo”- diz com indisfarçável amargura.

UMA MÁQUINA DE GUERRA

Marcelino da Mata tinha 19 anos quando um seu irmão, que havia faltado à incorporação militar, lhe pediu que fosse ao Centro de Recrutamento em Bissau saber em que situação se encontrava. Marcelino foi e o sargento não perdeu tempo.

“O teu irmão faltou mas tu ficas cá”.

Assim começou a sua carreira militar que, por sinal só não durou apenas dois anos por culpa dos guerrilheiros nacionalistas: “Já eu tinha 21 anos quando decidi fugir e aliar-me ao PAIGC, que na altura se chamava FLING (Frente de Libertação para a Independência Nacional da Guiné)”- conta Marcelino da Mata”. Mas eles decidiram exercer represálias por eu estar no Exército português e fuzilaram o meu pai e a minha irmã, que estava grávida de oito meses. Fiquei do lado português”.

As represálias do PAIGC intensificaram-se à medida que a eficácia militar de Marcelino da Mata ia espalhando o pânico entre as foças nacionalistas. “ A minha primeira mulher foi morta quando seguia num barco civil não armado. O PAIGC separou-a de umas vinte mulheres que iam a bordo e fuzilou-a” – recorda. A minha segunda mulher foi morta quando saía do mercado. Tinha ido às compras. Encostaram-lhe uma pistola à cabeça e dispararam. Estou de novo casado e tenho 15 filhos dos três casamentos. Estão todos comigo, aqui em Queluz”.

O capitão comando diz eu desde o derrube de Luís Cabral na Guiné nunca mais foi alvo de atentados. O oficial que o conheceu no mato guineense sintetiza: “ O PAIGC tinha como objectivo prioritário, eliminá-lo, compreende-se: o Marcelino era uma implacável máquina de guerra que causava estragos diabólicos ao inimigo. A acção dele foi muito importante na guerra colonial, independentemente da justeza da posição portuguesa. Ele fez coisas que ainda hoje parecem irreais”.

Marcelino da Mata fala da sua acção militar na Guiné, exceptuando duas coisas: as operações secretas que cumpriu em casos selectivos de eliminação física e o comportamento menos corajoso de alguns oficiais portugueses, hoje muito conhecidos. Ele fala da invasão da Guiné – Conakry em1971,comandado por Alpoim Calvão e aprovada por Spínola. (“ Falhou a tomada da emissora, mas libertamos os 28 prisioneiros portugueses”), duas incursões no Senegal em missões de busca e destruição de acampamentos inimigos (“Dávamos-lhes nos cornos e trazíamos o armamento aprendido”) e dos oficiais portugueses “ com eles no sítio”; o capitão António Ramos, ex-ajudante dos generais Spínola e Eanes, o general Carlos Azeredo, comandante da Região Militar Norte, e o coronel Carlos Fabião, hoje colocado num posto administrativo.

Descrição de uma operação típica:

- Quando sabíamos de um acampamento do PAIGC com, por exemplo, 20 ou 30 homens, eu escolhia três ou quatro do meu grupo e lá íamos.

- Só três ou quatro?

- E chegavam. Um deles era o corneteiro.

- ?!...

- Quando estávamos perto do acampamento eu mandava tocar a corneta. Quando lá chegávamos, os do PAIGC já estavam preparados, mas aquilo era um instante.

- Mas porquê avisá-los com a corneta?

- Porquê?!... Para lhes dar uma oportunidade. Não se encosta a arma a um gajo que está a dormir. Dá-se-lhe uma oportunidade para se defender.

Marcelino da Mata apenas lamenta os oficiais negros fuzilados pelo PAIGC após a independência.”Eles eram portugueses e bateram-se por Portugal. O Mário Soares, o Eanes e o Cavaco Silva pediram há dias ao governo de Bissau que não fuzilassem um guineense condenado à morte. Na manifestação junto ao EMGFA, eu perguntei-lhes por que razão não tinham intercedido a favor dos portugueses negros que o PAIGC fuzilou. O apelo que fizeram agora foi uma ingerência nos assuntos internos de outro país, ou não foi”?

Marcelino da Mata vive hoje com dificuldades. E se pudesse voltava para África. “ Para a Guiné não posso ir, mas gostava de ir para um país africano onde pudesse ser instrutor militar. Ainda sou novo e podia viver sem tantas dificuldades. Vamos a ver…”.



Mas, segundo Marcelino da Mata, o PAIGC não desistiu de eliminá-lo, já em Portugal. “Já tinha deixado o Regimento de Comandos e passado à reserva, quando uma noite, vinha eu para casa, um carro galgou o passeio e tentou atropelar-me. Desviei-me e anotei a matricula que dei à judiciária. Era falsa. Pouco tempo depois, também à noite, ouvi um tiro vindo de uns arbustos e senti a bala passar-me por cima. Era um básico que não sabia atirar à cabeça. Deu outro tiro e nada. Eu fiz fogo duas vezes para os arbustos mas o tipo fugiu”.

Pelos contactos e conversas que mantemos com a juventude de hoje, facilmente nos apercebemos que a Guerra do Ultramar é para os jovens portugeses um completo tabu, coisa que não admira dado o país de ignorantes e hipócritas em que vivemos, por um lado, e, por outro, o ostracismo a que foram votados os ex-Combatentes por Portugal, resultado de políticas anti-patrióticas adoptadas nos últimos 37 anos pelos diversos (des)governantes deste descambado país.

É do conhecimento geral que às novas gerações, há muitos anos, foi vedado nas escolas o acesso à História de Portugal, pela politicalhada e seus apaniguados do pós-25 de Abril de 1974.

Há rapaziada hoje, que diz que o 25 de Abril foi feito pelo Salazar e que Salgueiro Maia foi ponta-direita do Benfica!?

É UMA VERGONHA NACIONAL... INADMISSÍVEL E REPUGNANTE... que parece passar ao lado dos actuais políticos, que assobiam para o lado como nada se passasse e tenha a ver com eles. 

Também muitos dos que combateram nessa guerra fazem de conta que não sabem e vêem nada sobre esta matéria, por interesses políticos e outros bem mais obscuros.

domingo, 29 de maio de 2011

M340 - Separata do jornal "Voz da Guiné" nº 203 de 30 de Junho de 1973

COMANDOS NA GUINÉ


Separata do Jornal "Voz da Guiné" dedicado ao Batalhão de COMANDOS, parte do meu espólio pessoal de guerra.


BATALHÃO DE COMANDOS NA GUINÉ

UMA LENDA CONSTRUÍDA POR HOMENS DE BARBA RIJA

UM MARCO NA HISTÓRIA DE PORTUGAL
Documentos históricos: © MR (2011). Direitos reservados.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

M330 - RANGER Manuel Abelha do 1º Curso de 1972 e instrutor do 2º curso do mesmo ano



RANGER Manuel Abelha


1º Curso de 1972 e instrutor do 2º curso do mesmo ano


Consoante os nossos Camaradas RANGERS vão tomando conhecimento deste nosso blogue e são convidados a juntar-se neste nosso cano cibernético, mostram logo o seu interesse em dar a cara, quanto mais não seja com a esperança que a malta do seu tempo de tropa dê sinais de vida.


Recordo que para isso basta mandar um e-mail para: magalhaesribeiro04@gmail.com, ou deixar no fundo de cada uma destas mensagens um comentário mostrando esse interesse, que será comunicado atempadamente ao visado.


Assim, mais um RANGER se junta a este nosso clube, desta feita o Manuel Abelha Carvalho, que foi Furriel Miliciano, e cumpriu a sua comissão militar no Pelotão de Reconhecimento da Companhia de Comandos e Serviços do Batalhão de Artilharia nº 6520/72, na zona de Tite – na Guiné -, em 1972 a 1974.
O Abelha enviou-nos várias fotos do seu álbum de memórias, tendo ficado de, brevemente, nos contar alguns dos episódios mais marcantes, de que ainda se lembra, da sua comissão em Tite.

Aquartelamento de Tite





Com elmentos do PAIGC, na fase pós 25 de Abril, aquando da entrega do aquartelamento 

Emblema de colecção particular: © Carlos Coutinho (2011). Direitos reservados.
Fotografias: © Manuel Abelha (2011). Direitos reservados.

M329 – RANGER Jorge Coutinho do 2º Curso de 1973

RANGER Jorge Coutinho
3º Curso de 1973

Fotos do Juramento Bandeira em fins de Setembro de 1973


Mais um Camarada RANGER aceitou o convite para se juntar a nós, neste nosso blogue - o Jorge Manuel Magalhães Coutinho -, que cumpriu a sua comissão militar como Alferes Miliciano na Companhia de Comandos e Serviços do Batalhão de Caçadores Nº 4610/73, que esteve em Piche e Bissau - na Guiné -, em 1974.


Vindo de Mafra, concluiu com êxito, no CIOE, o 3º curso de 1973, tendo seguido para o RI 16, em Èvora, e aí foi mobilizado para o Ultramar.

Embarcou então em Abril de 1974 no navio Niassa e desembarcou em Bissau, tendo seguido para o Cumeré onde o seu batalhão ficou instalado, destinado a frequentar a habitual instrução que era dada a todos os Homens que seriam colocados em zonas de alto risco de combate e que era designado por IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.

Duas semanas depois, deu-se o 25 de Abril e, após alguns dias, foi destacados para fazer a segurança em Bissau, tendo aí acampado durante uns 15 dias.

Em seguida, o pessoal do seu batalhão seguiu para o cumprimento das missões para que tinha sido criado, render as companhias do BCAÇ 3883/72, que se encontravam aquarteladas no sector de Piche e que tinham terminado o seu tempo de serviço.

Porque lhe foram atribuídas funções de adjunto do Capitão - Oficial de Operações -, ficou em Bissau, tentando arranjar transporte para um pelotão da 3ª CCAÇ. A situação ali estava muito complicada devido à grande movimentação de tropa, que se havia gerado com a entrega dos aquartelamentos ao PAIGC e as consequentes retiradas das Unidades para a capital, a fim de aguardarem embarque para a Metrópole.

Ao fim de quase um mês, conseguiu o embarque numa LDG, rumando a Bafatá e, de lá, para Nova Lamego de avião. Daí partiu para Piche em Berliets (diz ele que viu naquele percurso tanta desgraça que jamais esquecerá!).

Em Piche, foi designado para adjunto do Comandante da Companhia e Chefe da Contabilidade (a sua especialidade civil), cabendo-lhe a tarefa de organizar a Cantina, o que lhe levou um mês, até vir de férias em Julho.

Infelizmente não teve muita oportunidade para estabelecer grande camaradagem e união com os homens do seu pelotão, tendo-se dessa parte encarregado os 3 furriéis RANGERS. Diz ele que também no RI 16, quase não conviveu com eles por ter de preparar as operações de instrução.

Quando regressou ao batalhão, este encontrava-se em Bula e, dali, deslocou-se para Bissalanca (nos arredores de Bissau), após o que ficou instalado nos Adidos.

Finalmente, embarcou no Uíge de regresso a Portugal, em 14 de Outubro de 1974.

Em Lisboa, ainda permaneceu mais uns 3 ou 4 meses, a ultimar a comissão liquidatária, juntamente com o 1º Sargento Afonso e com o Alferes Subhashandra Manishanker Bhatt (nome que nunca esqueceu, porque achou sempre interessante ele ser de origem indiana - um homem impecável e de quem lamenta ter perdido o contacto!)

No fim do curso quando regressava a casa, num velho combóio da CP

Já na Guiné - Cumeré -, em Abril de 1974

Fotografias: © Jorge Coutinho (2011). Direitos reservados.


sábado, 1 de janeiro de 2011

M299 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (3) – Estória de um Combatente da Guiné - Manuel Maia


O VALOR E VALENTIA DO SOLDADO PORTUGUÊS
Guerra do Ultramar
Guiné - 1963 a 1974
Amigos e Camaradas RANGERS, nas mensagens M284 e M287 tem-se vindo a abordar uma matéria, que diz respeito ao Valor e Valentia do soldado português, e que muitos portugueses, por incrível que pareça, nem sequer sabem, ou querem (o que é mais grave e criminoso) valorizar.
Os motivos para este tratamento tão infeliz como cobarde (com cheiro a traição aos visados, que, tal como nós, se bateram o melhor que puderam e souberam e ao bom nome de Portugal), são diversos, mas o pior de todos, na minha opinião pessoal, é o que serve apenas e meramente interesses partidário-políticos.

Hoje vamos falar dos nossos amigos militares não RANGERS, mas não menos soldados e guerreiros que nós.

Um dos meus Amigos e Camaradas-de-armas, chama-se Manuel Maia (MM) - foto da direita -, e foi Furriel Miliciano Atirador de Infantaria, tendo cumprido a sua comissão na Guerra do Ultramar na 2.ª Companhia de Caçadores 4610/72, enfiado em autênticos buracos na Guiné (Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine), entre 1972 e 1974.
Não foi RANGER, nem recebeu instrução mais adequada para enfrentar uma guerra cruel, traiçoeira e sem regras como é a guerrilha no mato, como nós éramos submetidos intensamente no C.I.O.E., quase sempre sob fogo real, que, se mesmo assim, não se comparava com a realidade de se estar debaixo de fogo inimigo como é óbvio com objectivos mortais, já nos dava uma pequena ideia do que seria tal baptismo.
Esta insuficiente preparação só viria a ser ultrapassada ao longo da experiência adquirida já em plena acção no terreno, quase sempre debaixo de massivos estrondos das detonações e explosões das granadas inimigas, muitas vezes com consequências mutiladoras e mortíferas, que se mais não provocassem, pelo menos o tão temível, degradante, desgastante e fatal pós-stress traumático de guerra.
Stress este que se mantêm em muitos dos nossos soldados, ainda nos dias de hoje, e que só terminará, infelizmente, com as suas mortes físicas (pois psiquicamente já estão “mortos” há muito).
Por tudo o que acabei de dizer, creio bem que aqueles Homens a quem distribuíam uma G3 e eram enviados para a guerra sem a melhor preparação, desculpem-me os meus amigos e valorosos RANGERS, assumem para mim um VALOR fraterno e acrescido.
Se dúvidas restarem do que acabei de narrar, observem atenta e pormenorizadamente as fotos que o Manuel Maia me autorizou a publicar, abaixo, e avaliem bem as condições em que uma boa arte dos nossos militares eram colocados e eram designados, superior, pomposa e requintadamente por aquartelamentos.
Meses e meses a fio, chegando a passar os 24 meses.
Além dos inimigos do P.A.I.G.C. (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), combatia-se as doenças, a humidade e a lama no tempo das grandes chuvas, o pó no tempo quente africano, as bolanhas (zonas lodosas), as péssimas instalações em que tínhamos que sobreviver e combater, as cobras, os mosquitos (que além das incómodas picadas, transmitiam o paludismo ou malária) e até as formigas nos eram hostis.
Segundo as palavras do próprio Manuel Maia, sobre a sua experiência em Cafal Balanta:
"Estávamos todos disseminados pelas covas/túmulos, como aliás seria óbvio, e às quais o "homem do monóculo" mandou retirar os troncos de palmeira, as chapas de bidão espalmadas e a terra, alegando que se nos sentíssemos seguros não saíamos para defender a posição, permitindo nas coberturas apenas folhas e panos de tenda...
O facto dos graduados não se encontrarem juntos era para evitar que, se acaso caísse uma "ameixa" onde se encontrassem, não se perdesse duma assentada o comando... e se hipoteticamente isso acontecesse, "ab" e todos os heróis, perdidos nos "matagais" de Bissau, não aceitariam ir viver para aquele "bem bom" onde nos encontrávamos, habituados que estavam às "dificuldades" de Bissau, aí sim, verdadeiros buracos."


O labirinto das trincheiras e a preparação de um buraco, para construir o futuro "quarto" para dois furriéis milicianos

O formidável "quarto" de dois sargentos - furriéis milicianos -, cavado no chão e coberto apenas de folhas e panos de tendas, visto do lado de fora, digno do Robinson Crusoé, o desconforto e a improvisação são notáveis nesta foto
O "quarto" dos furriéis - visto por dentro - São evidentes o desconforto e a improvisação

A lguns momentos de lazer à volta de uma mesa, onde se jogavam umas cartas, se comiam as refeções e, quando havia alguma peça de caça, se petiscava

Os bidões que levavam o vinho, azeite e óleo, para o aquartelamento, serviam depois de vazios para outras utilizações. Na foto, vêm-se bidões que serviam para depósitos de água. Quase todos os materiais disponíveis eram reaproveitados para cobertos, abrigos e outras protecções



Ao fundo pode ver-se uma instalação chapeada em cima e nos lados, com restos de bidões que foram cortados e endireitados, e tapados com colmo

Quando as fardas se acabavam, iam para lavar, ou o calor derretia tudo e todos aqui está como um homem se desenrascava

A entrada para um abrigo
Preparando uma refeição, à base de enlatados, que muitos problemas gástricos provocaram no pessoal

Para ver as primeiras mensagens sobre esta matéria, siga as indicações:

20 de Novembro de 2010 > M284 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (1), pelo RANGER António Barbosa
4 de Dezembro de 2010 > M287 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (2), pelo RANGER António Barbosa (2)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

M297 – GUINÉ-1974 – Desminagem pelo RANGER António Inverno




GUINÉ-1974 – Desminagem pelo RANGER António Inverno

Uma das "artes" ensinadas no C.I.O.E. aos RANGERS era a instalação e levantamento de campos de minas.
Já foi dito, aqui neste blogue, que o RANGER António Inverno, cumpriu a sua comissão militar como Alferes Miliciano nas 1.ª e 2.ª Companhias de Artilharia do Batalhão de Artilharia 6522 e no Pelotão de Caçadores Nativos 60, na região de S. Domingos -, na Guiné, nos anos de 1972 a 1974.


Do seu álbum de fotos e das suas memórias operacionais, enviou-nos a estória do levantamento de um campo de minas que ele próprio havia implantado no terreno, algures no início da sua comissão em 1972, numa zona entre S. Domingos e Susana.
Aqui está ele em Ponta Varela, equipado com a sua inseparável AK 47, ao fim de mais um dia na Guiné


Conta-nos ele:
A seguir a este texto vê-se uma sequência de fotos de uma desminagem, efectuada por mim num campo de minas anti-pessoal, que eu havia montado numa zona descampada e que servia de protecção estratégica contra eventuais e infiltrações do IN, por aquela parcela de terreno entre S. Domingos e Susana.
A instalação do dispositivo foi concretizada seguindo os habituais ensinamentos assimilados na instrução prática e teórica do C.I.O.E., partindo de um ponto de referência seguro e obrigatoriamente de fácil identificação no terreno, para melhor permitir em dias futuros, também de modo perfeitamente seguro, o posterior efeito de levantamento.
A selecção de um ponto de referência único e inequívoco, e o desenho de um preciso e claro croqui, foi sempre a minha principal preocupação, pois podia dar-se o facto de não ser eu, quando necessário fazê-lo, a efectuar a sua desinstalação ou levantamento, com queiram chamar-lhe.
A instalação do campo em apreço, decorreu normalmente, mina a mina, calculando e preservando sempre o perigoso risco que representava o cumprimento rigoroso de uma missão destas.
Este sistema havia sido montado aquando da nossa chegada a Susana, em fins de 1972, e teve que ser levantado antes da nossa retirada em Setembro de 1974.
Penso que não era preciso dizer aqui, que se a montagem foi, de algum modo, facilmente implantado no terreno, já não posso dizer o mesmo quanto ao acto de levantamento.
Quem sabe e, ou, viu os efeitos físicos e psíquicos num ser humano do rebentamento de uma mina anti-pessoal sabe do que eu falo.
Assim, lá parti para o terreno ciente que não podia errar, pois o lema que aprendera em Lamego com o monitor de Minas e Armadilhas, dizia que, com os explosivos deste género, só se podiam falhar 3 vezes: a primeira, a única e a última!
Tomadas todas as precauções e apesar da adrenalina e dos suores frios que nos causavam estes “trabalhinhos”, tudo correu bem felizmente.
Na última foto podem ver um buraco com as ossadas de um pequeno animal, que morrera ao fazer detonar umas das minas. 


Melhor que uma excelente picagem, e tínhamos homens altamente especializados nessa matéria, era ter um detector de minas (metais)

Rapidamente começamos a descobrir (Eu, o Fur Mil Ferreira, o Sold "Castiço" e o Mulata) a primeira das piores e mais traiçoeiras assassinas da guerra

Passa-me aí uma faca se f.f.

Aqui está uma mina... com cuidado... muito cuidado! Uma falha e PUM!Vou sacá-la... afastem-se!

Aqui está ela fora da terra, vou retirar-lhe a espoleta e pronto, já não fará mal a ninguém

Esta não preciso levantá-la. Só um buraco e uns ossitos, como último sinal de que aqui acontecera uma morte

Um abraço,
RANGER António Inverno

Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
Fotos: © António Inverno (2010). Direitos reservados. 


sábado, 4 de dezembro de 2010

M287 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (2), pelo RANGER António Barbosa

O soldado português, pela sua valentia, bravura e poder de sacrifício, vencendo todos os obstáculos que lhe são levantados, são considerados por muitos peritos e estudiosos mundiais destas matérias, entre os melhores do mundo.
Já na mensagem M284 apresentei uma resumida descrição da preparação e instrução ministrada aos jovens portugueses, com 21/22 anos de idade, nos anos 60 e 70, transformando-os em soldados portugueses, para combater em África, na Guerra do Ultramar, num dos piores cenários conflituosos: a selva africana.
Também falei em algumas das condições de vivência e convivência com as populações locais, com que os mesmos se deparavam no meio das mais profundas matas africanas.
A guerra arrastou-se entre 1961 (início das hostilidades em Angola) e 1975 (retirada dos últimos soldados portugueses de Angola), tendo provocado cerca de 10.000 mortos entre as tropas portuguesas, derivados de várias origens desde acidentes a doenças, minas anti-pessoais e anti-carro e ferimentos em combates.
Ao iniciar estas novas considerações vamos saber quantos tipos de Homens existiam naquele período:
- os que fugiram da guerra (em relação aos quais apenas vou tecer um comentário);
- os que se apresentaram nos quartéis e cumpriram o melhor que souberam e puderam;
- os que se apresentaram nos quartéis e sabiam que estavam bem protegidos por altas e seguras cunhas (fossem de carácter militar ou civil e em relação aos quais, do mesmo modo, apenas vou tecer um comentário).
Em relação àqueles que fugiram cobardemente da guerra, e em menor grau de cobardia aqueles que estiveram sempre na certeza, comodidade e tranquilidade de estarem bem protegidos por altas e seguras cunhas, excluindo-se de se solidarizarem com os seus restantes conterrâneos no esforço conjunto do cumprimento daquilo que sempre se chamará, em qualquer país do mundo, ontem, como hoje e amanhã, o dever de um cidadão para com a sua Pátria, apenas registo um desejo é que continuem a viver sem remorsos, nem problemas de consciência, com toda a comodidade e tranquilidade que a vida lhes possa permitir!
Sobre aqueles que se pronunciam e escrevem sobre a Guerra do Ultramar, ou de África, infelizmente constata-se que há também vários tipos de Homem:
- os idiotas e, ou, ignorantes, que não sabem o que dizem;
- os traidores e cobardes que deturpam os factos e acontecimentos, e inventam fantasiosas e ofensivas cenas, e falsas declarações para fins pessoais, jornalísticos ou políticos;
- os “calimeros”, que se reconhecem facilmente em frases como: “Eu fui um desgraçadinho, coitadinho de mim, fui obrigado a fazer tropa… infeliz… ao frio… à chuva… ao sol… fui obrigado a ir pr’à guerra.” Não apresentam sequer um qualquer beliscão desse tempo!
- os honestos, leais, verdadeiros.
Os idiotas e ignorantes, que não sabem o que dizem, mais lhes valia estarem quedos e mudos, informarem-se e estudarem melhor este capítulo da nossa história recente, para puderem fazer jus aos factos e acontecimentos, em nome da verdade, lealdade e justiça.
Estes imbecis ainda podem merecem as nossas piedosas desculpas, pois mais não atingem intelectualmente que a sua reduzida visão e saber dos factos históricos, podem provocar pequenas mossas históricas (mesmo assim torpes), em quem lhes dá credibilidade, quem é da mesma conveniência, cobarde, traidor à Pátria e, ou, serve interesses politicamente nojentos e obscuros.
Outros há bem mais perigosos, os cretinos ressabiados, e destes já não se pode dizer o mesmo. Distorcem os factos e andam sempre à procura nas entrelinhas de falhas e, ou, incorreções para explorarem e dissecarem, a fim de se servirem deles para os seus miseráveis e execráveis interesses - principalmente políticos -, usam e abusam da mentira, da falsa fé, da deturpação criminosa, do mal-dizer, etc.
A finalidade é avespinhar a Pátria e, ou, destruí-la como Nação, jamais pensam nos nossos mortos e nos nossos heróis, que tudo deram de si e nada pediram em troca.


Muitos ignoram, não lhes interessa sequer saber, ou deturpam, basicamente aquilo que os verdadeiros portugueses atentos e estudiosos SABEM, foi que:

O ULTRAMAR PORTUGUÊS ERA UM LEGADO HISTÓRICO DA EXPANSÃO PORTUGUESA, ANCESTRAL, REGADA COM O SACRIFÍCIO, SUOR E SANGUE DE REIS, DESCOBRIDORES, AVENTUREIROS E GUERREIROS, DESTEMIDOS, OUSADOS E VALENTES, QUE PERCORRERAM O MUNDO, LÉS A LÉS, DESCOBRINDO NOVOS MUNDOS, NOVOS POVOS, NOVOS PRODUTOS, MATERIAIS, ETC. E QUE, AO LONGO DOS SÉCULOS, FOI SENDO POVOADO E DESENVOLVIDO POR MILHARES DE PORTUGUESES, OUSADOS E DESTEMIDOS TAMBÉM ELES, À PROCURA DE UMA TERRA QUE LHES DESSE O QUE NÃO ERA DADO NO CONTINENTE, PARA SI E SEUS FILHOS E, ACIMA DE TUDO, MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA.

Uma das matérias mais evitadas pelo pessoal que foi mais operacional é a parte que respeita às decisões políticas (incorrectas e erradas), que levaram à origem desta guerra.
Muitos portugueses culpam o 1º Ministro que em 1962 governava o país - Prof. Dr. António de Oliveira Salazar -, por ele não ter tomado a decisão de, um vez posto ao corrente do início do terrorismo em Angola, a que se seguiu Moçambique e a Guiné, não ter tentado uma solução política optando pela via da guerra.


Uma das medidas preconizadas pelos agentes práticos que acompanhavam a evolução dos factos no terreno, era simplesmente o de integrar (arranjar empregos decentes), para os nativos oriundos de Angola, Moçambique e Guiné, que concluíam nos nossos institutos e faculdades, com sucesso, os seus cursos superiores.


Sabe-se que os movimentos de libertação foram altamente reforçados e até comandados por indivíduos com cursos superiores, de que são exemplos: na Guiné – Engº Amílcar Cabral, em Angola - Dr. Agostinho Neto, que muito notabilizaram e credibilizaram as acções anti-portugueses.
Outra medida teria sido o da autodeterminação das populações locais, em que, atempadamente e com clama, se tivesse, através de eleições políticas, decidido um futuro melhor para aquelas ex-províncias ultramarinas.
Assim não foi e ao fim de 12 anos de guerra, em 3 frentes, com milhares de mortes de ambas as partes, foi um povo desgastado e cansado de ver os seus filhos a morrer, que em 25 de Abril de 1974 saiu para as ruas a festejar e reforçar irreversivelmente um golpe que depôs o regime de Salazar e Caetano, de que resultou o imediato fim da guerra.


Entregaram-se à sua sorte, veloz (a fugir de quem? uma interrogação que muitos portugueses hoje gostavam de saber uma resposta), e incondicionalmente, as ex-províncias portuguesas, sem auscultar minimamente o pulsar e inclinações das populações e o resultado foi o que se sabe… os diversos movimentos digladiaram-se selvática e intestinamente em sanguinárias e mortíferas guerras civis, levando à morte milhares de pessoas.
3 incontestáveis e historicas fotos da terrível guerra civil que assolou Luanda (Angola), vendo-se corpos de pessoas brancas, mulatas e negras
Desta matéria fala-se pouco, ou quase nada, pois não interessa ao poder político em Portugal, um parte porque sempre apoiou a retirada total dos portugueses de África, outra porque após o 25 de Abril pactuaram com tudo o que fosse feito para “livrar-nos” daquelas possessões.
Recorde-se que viviam e tinham a sua vida completamente organizada (toda e qualquer riqueza que tinham estava investido naquelas terras), perto de 200 mil pessoas em Angola, 100 mil em Moçambique e algumas centenas na Guiné.
Com a “cavalgada” da fuga dos militares, a quase totalidade desta gente ficou sem nada, de um dia para o outro, e foram despachados aos molhos, em barcos e aviões, para o Continente, apenas com a roupa que tinham vestida.
Muitos fugiram para países vizinhos que os acolheram, sendo o mais escolhido a África do Sul.
Resumindo e concluindo: o povo e os soldados estavam cansados e desgastados pela guerra, que durou mais ou menos 13 anos em Angola, 12 em Moçambique e outros tantos na Guiné, levando-os a juntarem-se aos revoltosos no 25 de Abril de 1974.
Foi este onda que reforçou sobremodo o dispositivo dos militares que constituiam o golpe militar e que viria a concretizar-se nas ruas de Lisboa.
Além da dezena de milhar de mortos na guerra, muitos foram aqueles que ficaram estropiados e com stress pós-traumátrico de guerra, que só serão sanados com a morte.

Mas mesmo assim os militares portugueses sabiam improvisar, adaptar-se, desenrascar-se e deram lições de valentia, dureza e de grande esforço, unidos pela camaradagem que ainda hoje perdura e é bem latente entre os ex-Combatentes vivos.

VIVA PORTUGAL!


Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
Fotografias: © António Barbosa (2010). Direitos reservados.