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quinta-feira, 5 de abril de 2012

M427 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar: Soldado Comando Raimundo, natural da Azambuja, morto em Guidaje: Presente! (8)

MORTO AO SERVIÇO DA PÁTRIA 
Soldado Comando da 38ª Companhia de Comandos 

JOSÉ LUIS INÁCIO RAIMUNDO
Natural da Azambuja faleceu em combate, como militar do Exército Português, com 21 anos de idade, em Guidaje - na Guiné -, em 1973 ! 





Esta é a 8ª mensagem, continuação das mensagens M417, 418, M422, M423, M424, M425 e M426, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, Recordamos que estas mensagens também podem ser vistas no blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/

Guiné > Brá > 1966 > Quartel dos Comandos  

 38ª Companhia de Comandos 

Uma lenda da Guerra do Ultramar 

Guiné – 1972/74 

Introdução 

Lembro ao Cor. Matos Gomes que a 38ª CCmds foi a primeira romper o cerco a Guidaje 

Conheci perfeitamente o então capitão Matos Gomes, na altura na Guiné, como meu 2º comandante do Batalhão de Comandos em Brá. Em todos os acontecimentos que tenho estado a relatar (1), nunca o capitão Matos Gomes esteve presente. E o curioso é que a minha companhia foi uma das forças que esteve sempre presente nos acontecimentos em Guidaje, em Maio-Junho 73, onde tivemos mortos, além de feridos graves e ligeiros. Ora no livro do Matos Gomes nem uma referência é feita à 38ª Companhia de Comandos. Sabe-se lá porquê! 

Quando no livro se fala no cerco de Guidaje (2) e se menciona que (passo a citar) "em 12 de Maio, chegou a Guidaje uma coluna de reabastecimento constituída pelo destacamento de fuzileiros especiais 3 e 4" (fim de citação)... Pois é, mas a minha companhia já lá tinha chegado antes: fomos a primeira companhia a romper o cerco, só que na altura não estávamos integrados no Batalhão de Comandos mas sim afectos ao CAOP 1, sedeado em Mansoa. Só esquecimento (?) - penso eu e mais 150 elementos da 38º CCmds. Quero esclarecer que a minha companhia não fez parte da operação Ametista Real. 

Soldado Comando Raimundo, natural da Azambuja, morto em Guidaje 
Presente! 

Guiné > Região do Cacheu > Gr Comb da 38ª Companhia de Comandos > Dia de Natal: 25 de Dezembro de 1972. Subindo o Rio Caboiana, afluente do Cacheu, em LDM... O soldado comando Raimundo está assinalado com um círculo, a verde. 

A foto da LDM no Rio Caboiana, faz-me reviver com amargura esse tempo, pelo facto de que, ao olhá-la, gostaria de parar o tempo. Gostaria de parar o tempo porque nela está imagem de alguém que já não está entre nós, alguém que foi uma perca muito dolorosa para todos os camaradas da 38ª Companhia de Comandos. 

Na foto o rapaz que está de camisola branca do lado direito, sentado na lateral da LDM, é o meu querido Amigo que perdeu a vida em Maio de 1973 nas valas de Guidaje  e a quem eu presto aqui a minha homenagem e a quem com as lágrimas nos olhos grito: JOSÉ LUIS INÁCIO RAIMUNDO, estarás sempre presente no meu coração e nas minhas memórias, que Deus te mantenha do seu lado direito e que, quando eu te voltar a encontrar, tenhas ainda esse sorriso tão simples e sincero que ainda hoje é lembrado na tua terra natal, a Azambuja. Descansa em Paz, querido amigo. 

O soldado comando Raimundo, morto em combate, não foi abandonado em Guidaje 

O corpo do soldado Comando José Luís Inácio Raimundo, que morreu nas valas em Guidage, foi trazido por nós, Comandos da 38ª Companhia, aquando do nosso regresso a Binta na coluna. 

Não ficou enterrado em Guidaje porque NUNCA deixamos mortos ou feridos para trás. Tínhamos o dever moral de trazer o seu corpo e só o largámos em Binta quando ficou numa urna e dali seguiu para a capela mortuária de Bissau onde foi devolvido à família. 

Recebi mensagens peguntando porque não ficou ele enterrado em Guidaje como outros; porque na nossa formação de COMANDOS foi-nos ensinado que o mais importante era o HOMEM! 

(continua) 

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes. 
Amílcar Mendes 
1º Cabo Comando da 38ª CCmds 

Texto e foto: © Amílcar Mendes (2006). Direitos reservados. 
______________________________ 
NOTA: Em Guidage ficaram os cadáveres de 3 camaradas pára-quedistas da Companhia de Caçadores Pára-quedista 121 - CCP 121 -, que lá morreram: Lourenço, Victoriano e o Peixoto, de quem, em 2008, foram resgatados os restos mortais e entregues ás respectivas famílias em Portugal. 

1ª mensagem em 16 de Março de 2012 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

3ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

4ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

5ª Mensagem em 30 de Março de 2012 > 

6ª Mensagem em 31 de Março de 2012 > 

7ª Mensagem em 3 de Abril de 2012 > 


terça-feira, 3 de abril de 2012

M426 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar: Guidaje? Nunca mais!... (7)



Esta é a 7ª mensagem, continuação das mensagens M417, 418, M422, M423, M424 e M425, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, Recordamos que estas mensagens também podem ser vistas no blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/


38ª Companhia de Comandos 

Uma lenda da Guerra do Ultramar 

Guiné – 1972/74 


Guidaje? Nunca mais!... 

Guiné > Guidage > CCAÇ 4150 (1973/74) > Guidaje, Guileje e Gadamael: todos estes aquartelamentos começavam por G, de guerra: foram um talismã para o PAIGC, e um inferno para as NT... 

Última parte do diário de Amílcar Mendes, onde se relata a escolta que dois Grupos de Combate da 38ª CCmds fez a uma coluna auto que se dirigiu a Guidaje, vinda de Farim, com regresso a Farim, entre os dias 9 e 13 de Maio de 1973. 

13 de Maio de 1973 

Amanhece em Guidage. Logo ao alvorecer sofremos mais um ataque(o 8º).Recebemos ordem de saída para a mata. Vamos montar uma emboscada nos trilhos, já dentro do território do Senegal. Parece uma auto-estrada este trilho tal é o movimento de população. Revistamos ao acaso. Numa mulher encontramos documentação militar que apreendemos. Depois de cerca de três horas de controlo, retiramo-nos para o quartel. 

A coluna vai hoje regressar a Binta-Farim. Ao meio do dia mais um ataque ao destacamento. A meio da tarde começa-se a organizar a coluna para o regresso mas durante os preparativos sofremos mais dois ataques e é a confusão, com as viaturas paradas no meio do destacamento e a morteirada a cair. 

Assisti durante os ataques a um espectáculo insólito: enquanto durava o fogo, um oficial, nesta caso o Comandante, caminhava sereno pelo meio da confusão dando ordens e tentando manter a calma, alheio aos ataques e aos gritos. Esse senhor era o Coronel Correia de Campos, que comandava o COP3 ao qual a minha companhia ficou dependente enquanto esteve em Guidaje. 

O Comandante achou perigoso a coluna seguir nesse dia pois fazia-se noite e com certeza o IN iria estar emboscado à nossa espera. Durante a noite sofremos mais ataques. Creio que no total e no curto tempo que aqui estivemos, sofremos pelo menos 15 ataques ao destacamento. 

Logo ao alvorecer a coluna põe-se a caminho. Fazemos a picada de volta e à medida que avançamos, voltamos a passar pelos cenários de morte. Os corpos estão a caminho de esqueletos, devorados pelos urubus. O cheiro é insuportável, por vezes dá náuseas. Acho que pelo resto da minha vida nunca mais vou esquecer este local maldito! 

Ao fim da manhã já estamos a chegar a Binta quando surge mais um acidente: um militar da tropa da Província pisa uma mina, dá por ela e fica com o pé lá em cima... É uma mina de descompressão e poucas hipóteses tem de lá sair com vida. 

Põe-se areia a volta. Cobre-se o corpo de roupa mas ele salta rápido. Não morre mas fica sem o pé. Durante a minha viajem de regresso na Berliet que seguia à minha frente, ia o Filipe com a perna já em adiantado estado de gangrena. Irá sobreviver. Somos amigos, ele vive no Porto e ainda hoje recordamos esse tempo, o que nos dá vontade de chorar! 

Chegamos a Binta e o Filipe é logo evacuado! A coluna não pára. Seguimos para Farim e daí logo em direcção a Mansoa

É a alegria geral! Que saudades da rapaziada! Chegamos a casa!... 

FORAM OS PIORES DIAS DA MINHA VIDA! Pensava eu. A malta faz perguntas mas a nós não nos apetecia responder, só para não voltarmos a pensar naquele inferno. Ao diabo com Guidaje! (Como eu estava enganado, mas ainda não o sabia!). 

Comentário: Ainda hoje sonho com Guidaje! Algumas coisas do que aconteceram foram tão reais que iriam ficar gravadas na minha memória até chegar ao STRESS! 

Sentir na carne não é o mesmo que me sentar a escrever sobre um acontecimento. Isso é ficção e, pelo que vou lendo, há muitos ficcionistas que se arvoram em paladinos da verdade. Paz à sua alma!... 

(continua) 

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes. 

Amílcar Mendes 
1º Cabo Comando da 38ª CCmds 

Texto: © Amílcar Mendes (2006). Direitos reservados. 
Foto: © Albano M. Costa (2005). Direitos reservados. 
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1ª mensagem em 16 de Março de 2012 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

3ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

4ª Mensagem em 27 de Março de 2012 > 

5ª Mensagem em 30 de Março de 2012 > 

6ª Mensagem em 31 de Março de 2012 > 


sábado, 31 de março de 2012

M425 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar (5): Guidaje, Maio/Junho de 1973: a 38ª CCmds, na História da Unidade



Esta é a 6ª mensagem, continuação das mensagens M417, 418, M422, M423 e M424, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, Recordamos que estas mensagens também podem ser vistas no blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/




38ª Companhia de Comandos


Uma lenda da Guerra do Ultramar


Guiné – 1972/74 



Extractos (Cap. II, pp, 29, 30 e 31) da História da Unidade, a 38ª CCmds. Documentos fornecidos, em suporte digital, pelo Amílcar Mendes. Repare-se na linguagem lacónica, seca, telegráfica, descarnada, dos nossos documentos classificados, contrastando com as notas dramáticas, pessoais, curtas, ainda hoje sofridas, do Amílcar Mendes (1)... 




9 de Maio de 1973 - Escolta à coluna auto Mansoa - Farim - Mansoa.


Força executante - 2 Gr Comb


Resultados obtidos - 2Gr Comb ficam retidos em Farim por ordem de Sua Excia o Brigadeiro Adjunto Operacional. A 10 de Maio de 1973, às 6h00, 2 Gr Comb da 38ª CCmds partem com destino a Guidage (sic), escoltando coluna auto saída de Farim. Às 15h00 é accionada uma mina antipessoal de que resulta um ferido grave e um ferido ligeiro, pertencentes à 38ª. Às 18h00 desse dia, os dois Gr Comb chegam a Guidaje com a coluna auto.


A 12 de Maio de 1973, às 16h00, durante a flagelação com armas pesadas a Guidaje ficou ferido um elemento da 38ª CCmds. À noite, às 23h15, durante a flagelação com armas pesadas a Guidaje foi morto um elemento da 38ª e um elemento C.A.R. [condutor auto-rodas] do CAOP -1. CONFIDENCIAL



Em 13 de Maio de 1969, às seis da manhã, incia-se a escolta Guidaje - Binta - Farim. Às 18h00 do mesmo dia chega a Mansoa, a coluna auto da 38ª CCmds. (...)


A 25 de Maio, esta companhia é deslocada para Farim. E a 26 segue para Binta, a fim de escoltar uma coluna auto com destino a Guidaje... 29 de Maio: Escolta à coluna auto Binta-Guidaje, com início às 6h00. Há contacto com o IN, que terá tido baixas prováveis. Por parte da NT, há um ferido grave e sete ligeiros... É capturado ao IN o seguinte material: uma granada de RPG-2 e uma granada de mão F1... CONFIDENCIAL. 


Durante o mês de Junho de 1973, registe-a se a seguinte actividade operacional na região de Guidaje:


- A 7 de Junho, patrulhamento ofensivo, com emboscadas, na região de Cufeu. Força executante: 38ª CCmds. Resultados obstidos: sem contacto (com o IN).


- A 10, recebe ordens para escoltar a coluna de regresso a Binta. Parte às 6h00 de Guidaje. Pelas 16h00, a 38ª CCmds fica emboscada na região de Alabato, enquanto a coluna segue para Binta. Resultados obtidos: sem contacto.


- A 11, regressa a Binta e escolta o regresso da coluna a Farim (...).


- A 15, é concedida à 38ª CCmds uma licença de 15 dias para descanso operacional em Bolama... A 19 parte para Bolama...


(continua)


Um grande abraço para todos os ex-Combatentes.
Amílcar Mendes
1º Cabo Comando da 38ª CCmds


Texto e fotos: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados.


Fotos: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados. Fotos alojadas no álbum de Luís Graça > Guinea-Bissau: Colonial War. Copyright © 2003-2006 Photobucket Inc. All rights reserved.

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Do mesmo autor veja também as mensagens:

1ª Mensagem em 16 de Março de 2012 > 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

3ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

4ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

5ª Mensagem em 30 de Março de 2012 > 



sexta-feira, 30 de março de 2012

M424 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar: Uma noite nas valas de Guidaje (5)



Esta é a 5ª mensagem é a continuação das mensagens M417, 418, M422 e M423, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, Recordamos que estas mensagens também podem ser vistas no blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/



38ª Companhia de Comandos


Uma lenda da Guerra do Ultramar


Guiné – 1972/74

Uma noite, nas valas de Guidaje


Guiné >Região do Cacheu > Guidaje > Novembro de 2000 > Romagem de saudade, dos tugas...

11 de Maio de 1973
(continuação)

Chega a noite. Mais um ataque. Desta vez e canhão sem recuo e morteirada. O IN sabe que esta uma Companhia de Comandos na vala e vai tentar a todo o custo causar-nos baixas, o que infelizmente vai conseguir. Nas valas, em estado de alerta, é impossível dormir. De bom em Guidaje só o facto de não haver mosquitos.

12 de Maio de 1973 

Cerca das três horas da manhã rebenta um violento ataque ao destacamento que é de meter medo. O IN deve ter as coordenadas das valas pois o fogo acerta todo dentro das valas. O barulho rebenta com os ouvidos. Dura cerca de 30 m. São centenas de projécteis. É de dar em doido! 

A nossa artilharia responde ao fogo e lá se consegue parar o ataque. Terminado o ataque vamos fazer a contagem e duas vozes não respondem. Um, o Soldado Comando Raimundo, meu camarada de grupo, um moço da [Azambuja], a quem nunca mais ouvirei a sua voz; outro, um soldado condutor que tinha vindo connosco. Ficaram os dois desfeitos na vala com morteirada 120 mm. 

Ainda durante a noite iremos sofrer novo ataque mas mais ligeiro. 

Com a chegada da manhã os rostos de tristeza vão-se descobrido mas é preciso reagir. Com um ano de Guerra, o factor morte já não nos afecta assim tanto, já aprendemos a conviver com ela de perto, só temos de arranjar maneira de a ir iludindo. 

Recebemos ordens para sair para a mata.Vem outra coluna a caminho, escoltada pelo Fuzos e nós vamos ao seu encontro para lhes dar apoio ate Guidaje. Antes de sair, fui ao abrigo-enfermaria (?) ver o Filipe: continua inconsciente, a perna começa a gangrenar e tem que ser evacuado com urgência, mas isso está fora de questão pois os mísseis Strella estão à espreita da nossa aviação. 

Fomos ao encontro da coluna e assim que chegamos ao destacamento, novo ataque. Pelas minhas contas terá sido o 6º. Com a noite voltamos para as valas. 

O nosso estado psicológico era tal que quando no silêncio se ouvia um barulho de alguma coisa a bater corríamos logo para a vala. No ataque à chegada dos fuzileiros, o furriel Marchão do meu grupo ficou crivado de estilhaços mas sobreviveu. 

(continua) 

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes. 
Amílcar Mendes 
1º Cabo Comando da 38ª CCmds 

Texto: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados. 
Fotos: © Albano M. Costa (2005) . Direitos reservados. 

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Do mesmo autor veja também as mensagens:

1ª Mensagem em 16 de Março de 2012 > 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

3ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

4ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

terça-feira, 27 de março de 2012

M423 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar (4): De Farim a Guidaje: a picada do inferno (II Parte) (4)



Esta é a 4ª mensagem é a continuação das mensagens M417, 418 e M422, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, Recordamos que estas mensagens também se encontram narradas no blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ 



38ª Companhia de Comandos 


Uma lenda da Guerra do Ultramar 

Guiné – 1972/74 


Região do Cacheu > Guidaje > Bolanha de Cufeu > Maio de 1973 > A caminho de Guidaje, os comandos da 38ª CCmds deparam-se com um espectáculo pesadelo... Cadávares de combatentes das NT e do IN abandonados, na sequência da batalha de Guidaje... Nesta imagem, brutal embora de má qualidade, está patente toda a violência da guerra: o cadáver de um combatente (provavelmente da CCAÇ 19) apresenta um enorme orifício, no lado direito do peito, do tamanho de um punho (assinalado a vermelho)... 

11 de Maio de 1973 
(continuação) 

(...) A coluna, à saída da bolanha do Cufeu (2), pára. Ouve-se ao longe tiros e rebentamentos. A companhia que vinha ao nosso encontro, caiu numa emboscada na ponte. Pelo rádio ouvimos o oficial que comanda a companhia emboscada pedir apoio aéreo, porque o IN é em muito maior número e ele diz que está a ser dizimado. Chegam dois Fiats e tentam dar cobertura à companhia emboscada mas dizem que é impossível porque o IN está demasiado próximo... 

Ouço então o apelo mais dramático ouvido em toda a minha vida: Pela rádio o oficial que comandava a companhia emboscada apela à aviação: 

BOMBARDEIEM TUDO! A NÓS, INCLUINDO! A SITUAÇÃO É DESESPERADA! ESTAMOS A SER TODOS MORTOS, POIS OS GAJOS SÃO EM NÚMERO MUITO SUPERIOR! 

A aviação nega-se a cumprir o apelo. Nós estamos a cerca de 3 km da emboscada. Nem pensar em lá chegar para ajudar. Demasiado longe num local cheio de minas e outros obstáculos. Os Fiats sobrevoam-nos e avisam-nos de que o IN está próximo. Faz isso para evitar ser bombardeado. 

Continuamos a caminho de Guidaje. Quem ainda seguia nas viaturas salta para o chão. Ouve-se um rebentamento! Foi uma mina! O 1º cabo Filipe ao saltar pisou uma mina! Ficou logo ali sem um pé! Recebe os primeiros cuidados na picada e é posto numa viatura. 

Seguimos, seguimos a um ritmo alucinante para chegar antes da noite. 

Mais um morto na picada. Pisou uma mina. Ficou irreconhecível, metade do tamanho. É enrolado num poncho, posto no estrado de uma viatura. E continuamos (Esse morto mais tarde iria ser sepultado em Guidaje onde ficou). 

Uma viatura pisa uma mina mas só ficou sem o rodado e continua assim mesmo. 

Chegamos ao local da emboscada da CCAÇ 19. Só encontramos mortos. Mortos e mais mortos. Nossos e do IN. Ficam para trás. E ali irão ficar para sempre. Já andamos há cerca de 10h na picada e Guidage já não está longe. 

Já com Guidaje à vista subimos para as viaturas e eu sigo naquela só com três rodados, e onde segue o morto. 

Chegamos a Guidaje! É a primeira coluna a chegar de há três semanas a este tempo. A população vem receber-nos com gritos de alegria, dá-nos água, trata-nos com carinho, sentem que o isolamento acabou. 

Assim que entramos no destacamento, somos brindados com um ataque de morteirada. Com a noite vamos para as valas, que é onde se vive em Guidaje! O Filipe está num abrigo a soro, fui vê-lo e ele delirava a chamar pela família. 

Durante a noite iremos sofrer mais 4 ataques e um deles será mortal (3). 


(continua) 

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes. 
Amílcar Mendes 
1º Cabo Comando da 38ª CCmds 

Texto e fotos: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados. 

Fotos alojadas no álbum de Luís Graça > Guinea-Bissau: Colonial War. Copyright © 2003-2006 Photobucket Inc. All rights reserved. 
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Do mesmo autor veja também as mensagens:

1ª Mensagem em 16 de Março de 2012 > 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

3ª Mensagem em 25 de Março de 2012 > 

domingo, 25 de março de 2012

M422 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar (3)



38ª Companhia de Comandos 

Uma lenda da Guerra do Ultramar 

Guiné – 1972/74 

A vida de um comando na Guerra do Ultramar (3) 

"2ª coluna a 4 companhias, a caminho de Guidage - 29/05/1973" é um artigo da autoria do Furriel Miliciano COMANDO João Ogando e do 1º Cabo COMANDO Amílcar Mendes, que foi publicado na revista MAMAE SUMME da delegação de Almada - Associação de Comandos, que aqui reproduzimos com a devida vénia e agradecimentos aos seus mentores.

Esta mensagem é a continuação das mensagens M417 e 418, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, que foi 1º Cabo Comando da 38ª CCmds (Os Leopardos) (Guiné, Brá, 1972/74).



Em Maio de 1973, a 38.ª C. Cmds estava sedeada em Mansoa, na região central da Guiné, tendo a NW a região do Morés, e a SW, o Sara – Saruol. Na altura, devido à abertura de uma estrada entre Mansoa e Portogole (nas margens do Geba) a companhia fazia operações de reconhecimento ofensivo nas zonas por onde, no futuro, iria passar essa via, no sentido de impedir que quaisquer incidentes atrasassem os trabalhos. 

Em certo dia dos princípios de Maio, quando me encontrava numa destas missões fui informado, via rádio, pelo meu adjunto, na altura Alferes Agostinho B. Saraiva da Rocha, de que fora solicitado à companhia uma escolta entre Bissau e Farim, para transportar reabastecimentos para Guidage. Então já se começavam a sentir os problemas operacionais acima mencionados, mas ainda não se tinha realizado a missão a Cumbamori. 

Respondi-lhe que accionasse os meios no sentido do cumprimento da missão, apesar das limitações em material anteriormente referidas. Realizou-se a acção até Farim e, à chegada, o Alferes Rocha, foi confrontado com a ordem/pedido de integrar uma coluna para tentar chegar a Guidage, já que as anteriores tentativas de reabastecer aquela posição tinham falhado. 

Sobre esta missão, quem estará melhor habilitado para falar é o Coronel na Reserva Saraiva da Rocha. No entanto quero, desde já, salientar os seguintes factos: durante o trajecto foi accionado uma mina/armadilha que atingiu gravemente o 1.º Cabo “Comando” Filipe Tavares, sofrendo amputação da parte anterior de um dos pés e do indicador da mão direita. Este militar deu provas de uma inexcedível coragem, pois, por falta de evacuações aéreas e de cuidados médicos apropriados no local, os ferimentos gangrenaram. Nunca se deixou ir abaixo, chegando, inclusive, a animar outros feridos em estado relativo melhor que o dele. Dado o atraso no recebimento de socorros, o 1.º Cabo Tavares teve necessidade de sofrer corte da perna a nível do joelho e não apenas da parte do pé, como teria acontecido se tivesse sido evacuado atempadamente. Esteve nesta situação de espera durante vários dias até que foi evacuado para Bissau. 

No período de permanência em Guidage, o aquartelamento foi continuamente atacado pelos mais diversos meios. Os abrigos existentes eram insuficientes para os efectivos concentrados, havendo, ao longo do perímetro, uma trincheira que não devia chegar ao metro de altura e a um de largura. Numa dessas valas o Soldado “Comando” Raimundo foi atingido por estilhaços de morteiro, vindo a falecer. Como atrás referi, esta primeira escolta da 38.ª C.Cmds a Guidage, não poderá ser pormenorizada, pois não estive lá. 

No entanto o meu Adjunto, se for contactado, poderá esclarecer aspectos desta acção, nomeadamente das forças integradoras da coluna, quem a comandava etc. (3) Convém ressaltar que, ao contrário de escoltas/colunas anteriores, o reabastecimento chegou ao seu destino e não foi abandonado no campo de batalha. A companhia sofreu pelo menos um morto e um ferido grave e nada mais acrescento pois não possuo documentos que mo permitam fazer.


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Do mesmo autor veja também as mensagens:

1ª Mensagem em 16 de Março de 2012 > 

2ª Mensagem em 18 de Março de 2012 > 

quinta-feira, 22 de março de 2012

M420 - Faleceu o RANGER Abílio Lucas do 4º curso de 1973

HOMENAGEM ao RANGER Abílio Lucas do 4º curso de 1973 

Soubemos muito recentemente que faleceu o RANGER Abílio Lucas do 4º curso de 1973.


Anadia, a norte da famosa Mealhada, ficou mais pobre com a precoce partida deste popular e muito estimado cidadão daquela localidade.

Um RANGER que ficou conhecido pela seu comportamento exemplar, correção e educação.

O RANGER Lucas foi Furriel Miliciano, nos anos de 1973 e 1974 e ofereça-se em princípios do ano de 1974, para uma rendição individual, no Regimento de Infantaria 16 - em Évora, a fim de substituir um furriel falecido em combate do Batalhão de Caçadores 4610/73. 

Quando questionado sobre porque se oferecera para a Guiné, quando as notícias que nos chegavam daquela frente de guerra, eram as piores, pois as mortes em combate e dos efeitos das perversas e destruidoras minas anti-pessoais e anti-carro, que os nossos inimigos usavam amiudamente naquele território, respondeu: "Quando mais depressa eu me livrar disto (o Serviço Militar Obrigatório) melhor, para retomar a minha vidinha civil.. eheheheheheh!" 

Ficam as boas recordações de um amigão e as suas fotos da tropa, bem demonstrativas do seu habitual ar patusco e descontraído.
  Os RANGERS não te esquecerão Camarada e Amigo.
Que Deus permita... descanses em paz e... ATÉ BREVE!

domingo, 18 de março de 2012

M418 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar (2)


38ª Companhia de Comandos 

Uma lenda da Guerra do Ultramar 

Guiné – 1972/74 


A vida de um comando na Guerra do Ultramar (2)

Continuação da mensagem M417, onde se iniciou a publicação de algumas das memórias de guerra de Amílcar Mendes, que foi 1º Cabo Comando da 38ª CCmds (Os Leopardos) (Guiné, Brá, 1972/74).

Começo esta mensagem pelo envio de 6 fotos, sendo as 3 primeiras elucidativas de um dia de Natal "comemorado" na mata de Cubiana-Churo. 


Dia de Natal: 25 de Dezembro de 1972. Na foto de cima, no Rio Cacheu, a caminho de uma operação, em LDM... Assim se passava mais um dia de Natal na Guiné
Em operações na mata da Cubiana-Churo, na região do Cacheu
Em primeiro plano, o comandante da nossa companhia, o então capitão Pinto Ferreira. Em segundo plano, eu próprio.
Na foto de cima, o Gr de Combate do 1º Cabo Mendes, o 3º a contar da direita, com boina. 
Progressão da coluna auto na picada de Guidaje... 
Uma vista da bolanha do Cufeu, com destroços de viaturas...

De Farim a Guidaje: a picada do inferno (I parte) 

A CAMINHO DE GUIDAJE 

Resumo: 

9 de Maio de 1973 
O 2º e o 4º grupos [da 38ª Cmds] vão hoje fazer uma escolta a uma coluna de Mansoa para Farim

13 de Maio de 1973 
Regressei hoje a Mansoa. Cinco dias fora. Meu Deus, foram os piores dias da minha vida. Irei tentar descrever tudo o que passei. Os horrores da guerra! Nunca pensei que fosse possível acontecer o que vi. Terrível de mais para ser verdade. 

9 de Maio de 1973 
Saímos de Mansoa com destino a Farim, com uma coluna que leva abastecimentos para a fronteira. Íamos só com a missão de chegar a Farim e voltar. Passámos a noite em Farim, mas fala-se já que não iremos voltar. A coluna que viemos acompanhar, destina-se a Guidaje

Guidaje, onde nenhuma coluna consegue chegar. Fala-se aqui que da última coluna que tentou passar: ficaram pelo caminho mais de 20 mortos. Guidaje onde a situação é caótica, onde a aviação já não dá cobertura. 

Em Farim assisti à chegada do que restou da última coluna que tentou passar. Vi militares chegarem a pé, sozinhos, completamente aterrados com o que passaram. 

10 de Maio de 1973 
Continuamos em Farim e com a chegada da noite ficamos a saber que somos nós quem vai seguir com a coluna para Guidaje. 

11 de Maio de 1973 
Saímos de madrugada de Farim com destino a Guidaje. Primeiro a Binta onde os picadores se irão juntar aos nossos grupos. Daí entramos na maldita da picada. Os picadores seguem na frente. 

Nota-se na picada o efeito das minas, autênticas crateras. Serão 16 km de picada até Guidaje. Um pelotão de Binta irá connosco até meio do percurso, depois iremos sós. Na frente os picadores lá vão detectando e rebentando minas, a cada hora apenas andamos para aí 2km. Sabemos que de Guidaje saiu a CCAÇ 19, africana, para vir ao nosso encontro. 

Ao passar na bolanha do Cufeu é impossível descrever o que encontramos sem sentir um aperto na alma: dezenas de viaturas trucidadas pelas minas. Os cadáveres pelo chão são festim para os abutres. É uma loucura. Pedaços das viaturas projectadas a dezenas de metros pela acção das minas. Estrada cheia de abatizes. Tentamos não olhar. Nunca vi tanto morto, nossos e do IN, deixados para trás ao longo da picada. 

A coluna, à saída da bolanha do Cufeu, pára. Ouve-se ao longe tiros e rebentamentos. A companhia que vinha ao nosso encontro, caiu numa emboscada na ponte. Pelo rádio ouvimos o oficial que comanda a companhia emboscada pedir apoio aéreo, porque o IN é em muito maior número e ele diz que está a ser dizimado. Chegam dois Fiats e tentam dar cobertura à companhia emboscada mas dizem que é impossível porque o IN está demasiado próximo. 

(continua)

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes.
Amílcar Mendes
1º Cabo Comando da 38ª CCmds 

Texto e fotos: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados. 

Fotos alojadas no álbum de Luís Graça > Guinea-Bissau: Colonial War. Copyright © 2003-2006 Photobucket Inc. All rights reserved.

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mensagem em 16 de Março de 2012:

M417 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar 


sexta-feira, 16 de março de 2012

M417 – 38ª Companhia de Comandos – Uma lenda da Guerra do Ultramar (1)



38ª Companhia de Comandos
Uma lenda da Guerra do Ultramar
Guiné – 1972/74

Que o poder político português ostracize e banalize a Guerra do Ultramar, que durou entre 1962 e 1974, e mobilizou quase toda a nossa sociedade de então e a juventude em particular, é um problema que pode ser considerado, alem de uma cobardia inqualificável, alta traição para com todos aqueles que se fardaram com as cores nacionais, juraram bandeira e deram o seu melhor, como podiam e sabiam, por vezes sabe Deus como e com que sacrifícios.

Suor e Sangue, que vitimaram uns milhares de jovens lusos, voluntariosos e corajosos como poucos por esse mundo além.

Nesta mensagem vamos dar início a uma singela e justa Homenagem a uma das Unidades mais esforçadas e martirizadas das 3 frentes da guerra; Angola, Moçambique e Guiiné.

Com os devidos agradecimentos à disposição e colaboração em que nos colocou as suas memórias, ao nosso grande Amigo Amílcar Felício Pereira Mendes, que foi 1º Cabo Comando da 38ª Companhia de Comandos e à disponibilidade do Dr. Luís Graça, fundador e mentor de um dos blogues dedicados à Guerra do Ultramar – Guiné, onde se encontram narradas também estas memórias e mantém diariamente um grande afluxo de visitas: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/

A 38ª Companhia de Comandos (CCmds) teve como unidade mobilizadora o CIOE (Centro de Instrução de Operações Especiais) – em Lamego. Esteve no TO da Guiné entre Junho de 1972 e Abril de 1974. Fui a penúltima CCmds, de origem metropolitana, a ser mobilizada para este território. A última CCmds a prestar serviço na Guiné foi a 4041ª, formada também em Lamego, e que ali chegou em Maio de 74, cumpriu a sua fase operacional em Teixeira Pinto.

Apresentamos o 1º Cabo Comando Amílcar Felício Pereira Mendes
1º Cabo Comando
38ª Companhia de Comandos
(Guiné, Brá, 1972/74)
AUDACES FORTUNA JUVATE
[em latim, A Sorte Protege os Audazes]


Vou-vos falar um pouco de mim. Assentei praça no longínquo ano de 1971 no antigo RAL 1, em Outubro. Ofereci-me para os Comandos onde cheguei em Dezembro de 1971 (CIOE/ Lamego). Completei o curso em Junho de 1972, mês a que cheguei à Guiné, a 26. Iniciei a 2ª parte do curso em Mansoa, na mata do Morés, onde tive o primeiro contacto com o IN. Recebi o crachá de Comando em Agosto, com o posto de 1º cabo.

Em Fevereiro de 1974 terminei a comissão mas só regressei a Portugal em Julho de 1974, a minha companhia foi a 38ª Companhia de Comandos, os Leopardos.

A listagem dos camaradas mortos da minha Unidade:

- Soldado Comando Idílio da Costa Moreira, natural do Bonfim, Porto, faleceu no HM 241 em 15JUL72 por motivo de acidente com arma de fogo

- Soldado Comando Francisco José Matos da Silva, natural de Terena, Alandroal, faleceu no HM 241 em 08AGO72 vítima de ferimentos recebidos em combate (Mansoa)

- Fur Mil Comando Artur Jorge Tavares Pignateli Fabião, natural de Seia, faleceu no HM 241em 21NOV72 vítima de ferimentos recebidos em combate (Caboiana)

- Soldado Comando Mário Branco da Costa Chaves, natural de São Sebastião, Setúbal, faleceu no HM 241 em 21NOV72 vítima de ferimentos recebidos em combate (Caboiana)

- Soldado Comando Cecílio Manuel Ferreira Franco, natural de Milharado, Mafra, faleceu em 01FEV73 vítima de acidente com arma de fogo

- 1.º Cabo Comando José Joaquim Teixeira Simão, natural de Rio Maior, faleceu em 01FEV73 vítima de acidente com arma de fogo

- 1.º Cabo Comando Luís Manuel Oliveira Barreiras, natural de Aldeia Velha Santa Margarida, Avis, faleceu em 01FEV73 vítima de acidente com arma de fogo

- Soldado Comando José Luís Inácio Raimundo*, natural de Vila Nova de São Pedro, Azambuja, faleceu em 12MAI73 vítima de ferimentos recebidos em combate (Guidage)

- 1.º Cabo Comando Amândio da Silva Carvalho, natural de Sarzedo, Arganil, faleceu no HM 241 em 10MAR74 vítima de ferimentos recebidos em combate (Sector de Bissau)

- Soldado Atirador José Alexandre Costa, natural de Soio, Vinhais, faleceu no HM 241 em 27ABR74 vítima de ferimentos recebidos em combate (Cantanhês)

A vida de um Comando na guerra


Guiné > Região do Oio > Agosto de 1972 > O 1º Cabo Comando Mendes, em operações no mítico Morés.

Guiné > Região do Cacheu > Guidaje > Maio de 1973 > Cadáveres de soldados africanos da CCAÇ 19, abandonados no campo de batalha. A 38ª Companhia de Comandos participou na batalha de Guidaje. O Amílcar tomou notas, no seu diário, destes longos dias de inferno, em Maio de 1973, e vai-nos dar a conhecer esta terrível e mortífera fase da guerra numa das próximas menagens a publicar aqui.


Nos já longínquos anos 72, 73 e 74, como o tempo era muito, fui escrevendo muita coisa do meu dia a dia na guerra. Como muito do que escrevi poderá ser um pouco violento.

Muito do que tenho está nas mãos de uma jornalista que ainda não sabe o que irá fazer mas isso é outra história. Aqui vão fotos. Atenção, são fotos verdadeiras. São fotos de elementos da CCAÇ 19 que estavam em Guidaje. Foram enterrados na bolanha do Cufeu por nós (2).

Tenho o cuidado DE NÃO MANDAR AS FOTOS DOS PORTUGUESES.

Após regressar a Portugal em 74, voltei ao serviço militar, em 1975, como convocado no Regimento de Comandos da Amadora. Aí estive em todo o chamado período quente até Fevereiro de 1980.

Estive sempre colocado no corpo de instrução onde era instrutor de tiro. Dei vários cursos de Comandos e fui louvado pelo Coronel Jaime Neves várias vezes.


(continua)

Um grande abraço para todos os ex-Combatentes.
Amílcar Mendes
1º Cabo Comando da 38ª CCmds

Texto e fotos: © Amilcar Mendes (2006). Direitos reservados.

Fotos alojadas no álbum de Luís Graça > Guinea-Bissau: Colonial War. Copyright © 2003-2006 Photobucket Inc. All rights reserved.