quarta-feira, 1 de outubro de 2008

M15 - O TERROR DE TODAS AS GUERRAS – TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA

O TERROR DE TODAS AS GUERRAS 

TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA

O MILITAR PORTUGUÊS MAIS CONDECORADO DE SEMPRE NA HISTÓRIA DE PORTUGAL

Com a devida vénia e agradecimentos publicamos um extracto do jornal Tal & Qual, contendo uma excelente e rara reportagem sobre o maior e mais louvado e condecorado Combatente por Portugal de todos os tempos, em que Portugal se fundou como país soberano.


É uma rara entrevista que demonstra bem como o nosso país, anda tacanho, doente e envergonhado desde 25 de Abril de 1974, dominado por seres estranhos (para não dizer aqui outras coisas), não premiando os seus melhores e mais significativos Homens.

Este motivo não impede de modo nenhum, antes pelo contrário, que os restantes portugueses, que sabem, podem e devem, deixem os seus testemunhos doados ao futuro conhecimento dos nosso jovens, de quem foram os Heróis de Portugal.
Devia ser trabalho honroso do Estado, que com certeza reverteria e muito em seu favor em vários aspectos, sim a estimá-los, lisonjeá-los e dar-lhes o devido valor, mas bem sabemos todos os que andamos atentos aos movimentos dos nosso políticos, que muita coisa anda podre em Portugal.

Assim aqui fica alguma história de uma lenda viva da guerra da Guiné. 

RARO E INIGUALÁVEL...






M14 - Moedas mais usadas na Guiné nos anos 1960/70

 Moedas mais usadas na Guiné nos anos 1960/70












M13 - Notas da GUINÉ - 50$00 e 100$00 - Anos1964 e 1971


GUINÉ
Nota de 50$00 em circulação em 1964
Nota de 100$00 em circulação em 1964



Nota de 50$00 em circulação em 1971

Nota de 100$00 em circulação em 1971

M12 - Selos dos correios mais utilizados na Guiné-Bissau nos anos 1950 a 1974

Selos dos correios utilizados na Guiné, anos 1950, 1960 e 1970







Primeiros selos comemorativos do Estado da Guiné-Bissau > Setembro de 1974.



Primeiros envelope comemorativo do Estado da Guiné-Bissau > Outubro de 1974.


Fotos: © MR (2011). Todos os direitos reservados.

M11 - Postais da Guiné




MOTIVOS DA GUINÉ



FULAS BATENDO PANO


DANÇA COMPÓ

  

FESTA DA CIRCUNCISÃO

Postais: © Arquivo de MR (2011). Todos os direitos reservados.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

M10 - Um Herói da Guiné: Capitão João Bacar Jaló

João Bacar Djaló em Catió, 1967, ainda Tenente 

Um dos Herói da Guerra da Guiné
Capitão João Bacar Jaló (1929 a 1971) 



Já muito se disse no blogue sobre um dos maiores Heróis da Guerra na Guiné, o Capitão Graduado João Bacar Jaló (JBJ), Comandante da 1ª Companhia de Comandos Africanos. 

No entanto, creio que o documento que hoje aqui anexo (cuja única indicação é que é uma publicação do SPEME), onde se apresenta uma sua pequena biografia ajudará, com certeza, a complementar o nosso conhecimento daquele homem, que serviu exemplarmente mais de 22 anos o nome de Portugal e o Exército Português, tendo falecido em combate, em 16 de Abril de 1971. 

Gostava de fazer um apelo a quem melhor conheça o modo como ele morreu, para que nos ajude a esclarecer se o que me contaram é verdade, e que é a seguinte: O JBJ quando saía para uma missão levava, habitualmente, várias granadas presas no suspensório ao nível do peito. Nesse dia 16 de Abril, tal como diz na brochura, ele acorria em socorro de um dos seus homens feridos, progredindo em sua direcção e, ao passar sob uma arvorezita, um dos seus galhos engatou-se numa das argolas das granadas, acabando por a despoletar. 

Ao aperceber-se do clique da espoleta da granada, e da eminente explosão da mesma, o JBJ gritou para os homens que o rodeavam: - CUIDADO! – tendo-se lançado de imediato para o solo tentando abafar sob o seu corpo a consequente explosão.

Mais me contaram, que todas as outras granadas que ele transportava, explodiram também por “simpatia”, tendo-lhe mutilado horrivelmente o corpo. 











Foto e legenda: © Benito Neves. Direitos reservados.

M9 - Em memória de um "COMANDO AFRICANO"


Em memória de um "COMANDO AFRICANO"

10SET1974 – Brá (Guiné)

Esta é uma daquelas histórias que só o mero acaso desta vida origina, apesar de se contar em poucas palavras, e não deixar de impressionar, quer pelas três décadas que entretanto decorreram, quer pelas estranhas coincidências do destino.

Na Guiné, decorria o ano de 1974 e havia já sido entregue, pela minha companhia - a CCS do batalhão 4612 -, em 9 de Setembro, o aquartelamento de Mansoa, que foi um dos mais importantes e significativos, do dispositivo das nossas forças armadas naquela ex-província ultramarina, através duma cerimónia de que damos conta noutra página deste jornal.

Estávamo-nos, então, no batalhão de Engenharia, em Brá, a cerca de 3 quilómetros da cidade de Bissau, cujas instalações faziam paredes meias com o batalhão de COMANDOS.

E foi ali, num belo dia em que eu me encontrava de serviço, mais precisamente de "Sargento da Guarda", que veio ter comigo um daqueles que eu considerava, em todo o seu ser, um "Herói da Guerra do Ultramar": o "COMANDO" de nome Joaquim Gomes que, se a memória não me falha, era da 2ª Companhia de Comandos Africanos.

Trazia nas mãos uma imaculadamente alva, velhíssima e esburacada camisola, e um crachá dos COMANDOS, e para o meu espanto e petrificação disse-me emocionado:

- Meu amigo furriel Magalhães Ribeiro, peço-lhe encarecidamente um favor simples, do fundo do meu coração; que guarde consigo estas duas peças que eu usei como soldado e combatente do exército português com muito orgulho e honra. Foram-me entregues por soldados portugueses, e não quero que, de modo nenhum, caiam em mãos de gente menos digna.

Imaginem a minha estupefacção. Quem era eu para ser fiel depositário daquele espólio que, desde logo me apercebi, era considerado por um dos meus heróis um dos seus maiores tesouros pessoais? Que usara e defendera arriscando a morte em renhidos e mortíferos combates! Quantas vezes? Recordei-me que a última companhia de COMANDOS, a 38ª, havia já retirado da Guiné. Olhei para aquele envelhecido e amargurado Homem e, atrapalhado e sem jeito, retorqui:

- Amigo Joaquim, quem sou eu para ficar com estes teus símbolos COMANDO, que tão bem mereceste, prestigiaste e dignificaste em inúmeros combates, e que, como bem vejo nessa tua lágrima, são para ti um naco da tua vida, senão mesmo do teu corpo?

Mas, não havia nada a fazer, o Joaquim estava firme, decidido e inabalável naquela decisão e eu, para não o melindrar e desiludir, sequer mais um segundo, aceitei com uma estranho sentimento de fiel e firme guardião.

Guardei durante cerca de 30 anos, como duas preciosidades, a camisola e o emblema, até que há poucos meses atrás a primeira, que tão velhinha que já estava, quer pela passagem dos anos, quer pelas necessárias lavagens acabou, infelizmente, por se desfazer.

20OUT2003 – 29 Anos depois

Até aqui tudo não passaria de uma história "normal" mas, aconteceu que, no passado dia 20 de Outubro, desloquei-me a Lisboa para assistir à belíssima e sentida celebração do "Dia do Combatente”, que decorreu junto ao forte do Bom Sucesso, em Belém, num autocarro organizado pela A.P.V.G, que partiu da cidade do Porto.

Esta celebração decorreu como estava previsto, com a presença do Sr. Secretário de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes, o Sr. General Avelar de Sousa, convidados, entidades religiosas, civis e militares, e milhares de ex-combatentes, e foi já no fim da cerimónia, cerca das 13h00, que eu me perdi do resto do pessoal, que ali se deslocou no autocarro do Porto.

Como era tempo de almoço, procurei caras conhecidas junto do autocarro que nos tinha levado a Lisboa e nada. Fui então até junto dos outros autocarros, que se deslocaram à mesma cerimónia, tentando arranjar companhia para o almoço.

Foi assim que na viatura de Braga encontrei 2 companheiros. Não os conhecia, mas não hesitei, minimamente, em convidá-los a virem almoçar comigo, já que só inevitavelmente é que almoço sozinho.

Depois de me apresentar, soube que os seus nomes eram Carlos Costa e Silva e João Gomes, tendo o primeiro serviu a Pátria em Moçambique e o segundo em Angola.

Estes dois amigos tinham levado farnel e começavam a preparar a mesa existente no autocarro, pelo que pensei: "Nada feito estes já estão desenrascados".

Mesmo assim disse-lhes:

- Desculpem amigos procuro companhia para ir almoçar, já que detesto comer sozinho.

Logo me responderam unanimemente:

- Não senhor, nós temos aqui comida que chega para os três. Sente-se aqui e faça-nos você companhia que é bem-vindo!

Verifiquei que realmente eles iam bem "equipados" e anui em juntar-me a eles, pelo menos digeria qualquer coisa acompanhado, o que eu considerei óptimo:

- Ok, muito obrigado, sendo assim junto-me a vocês com todo o prazer.

Enquanto debicávamos o faustoso farnel começamos a conversar das nossas vidas no Ultramar. Pensava eu com estive na Guiné e assim cada um de nós tinha estado numa ex-província diferente da do outro, pouco teríamos em comum além de sermos os 3 ex-combatentes.

A certa altura diz o João Gomes:

- Eu combati em Angola mas sou natural da Guiné, mais precisamente de Santa Luzia (localidade à saída de Bissau que se estende quase até Brá). Pertenço à etnia "Papel". Olha Magalhães Ribeiro, o meu irmão era COMANDO, chamava-se Joaquim Gomes. Foi assassinado tempos depois, na Guiné, pelo simples facto de ter combatido pela sua nacionalidade: Portugal.

Senti-me a cair das nuvens. Seria que eu estava frente ao irmão do Homem que me confiara uma "parte" da sua vida, desconhecendo, naturalmente, que o seu fim já estava traçado, e que eu guardara religiosamente durante os últimos 30 anos.

Contei-lhe então a minha "história com o Joaquim. Descrevi-o fisicamente e fisionomicamente. Tudo coincidia com as características do seu falecido irmão. É claro que o João, espantado foi ligando os factos e comovido perguntou-me:

- Magalhães sabes quantos "Joaquim Gomes", africanos, haveria nos "COMANDOS".

- Não faço ideia João. Mas se calhar só havia um! Sossega amigo João, que eu vou fazer o seguinte. Dadas as grandes probabilidades de que o Joaquim de que eu falo seja mesmo o teu irmão, vou entregar ao teu cuidado o emblema que tenho na minha posse, pois creio que fica muito bem entregue nas tuas mãos.

12JAN2004 – O “regresso” à família


Assim aconteceu no princípio do mês de Janeiro, do corrente ano, e com o testemunho do Presidente da nossa Associação - o RANGER Cutinho Bastos, o João tomou posse daquele velhinho e esmurrado crachá "COMANDO", que eu mantive imaculadamente guardado na minha vitrina de relíquias da guerra.
Quanto à história do assassinato em massa, traiçoeiro e deshumano de cerca de 21 mil homens que serviram no Exército Portugês, muitos deles baptizados na religião católica como portugueses, com B.I. português, que vestiram uma farda portugesa, juraram, tal como nós, fidelidade à bandiera Nacional, cumpriram ordens de militares Lusos e foram abandonados à sua sorte, escreverei noutra mensagem.

Um testemunho deixo já aqui, é que eu sei e muitos centenas/milhares de ex-Combatentes, pois ouvimos clara e inequivocamente, já depois de concedida a independência à Guiné-Bisau, os elementos do P.A.I.G.C. garantirem àqueles que vieram a assassinar, para estarem confiantes e sossegados que nada lhes irira acontecer e que todos juntos não eram de mais para recsonstruir o seu país.

Assim foram traídos na sua boa fé os nossos incomparáveis, bravos e fiéis ex-Comandos Africanos, ex- Fuzileiros Especiais, ex-Milícias e restantes africanos que serviram nas tropas portuguesas.

M8 - Principais Etnias da Guiné-Bissau

Principais Etnias da Guiné-Bissau
(segundo o Director: Carlos Fontes da LUSOTOPIA)

Os guineenses na sua esmagadora são de raça negra e originários de cerca de 40 etnias. Um verdadeiro mosaico de povos e culturas.

Agrupamentos étnicos da Guiné-Bissau.

1. Paleossudaneses e outros povos:
Grupo litoral : Balantas (Balantas manés, Cunantes e Nagas), Djolas (Bbaiotes e Felupes), Banhuns, cassangas e Cobianas, Brames, Majancos e Papéis, Bijagós, Biafadas, Nalus, Bagas e Landumãs. Grupo Interior: Pajadincas (Bajarancas) e Fandas

2. Neo-Sudaneses.

Grupo Mandinga: Mandingas, Seraculés, Bambarãs, Jacancas, Sossos, Jaloncos. Grupo fula: Fulas forros (fulacundas) fulas pretos, futajoloncas (Boencas, futa-fulas e futa-fulas pretos), Torancas (Futancas ou Tocurores).

Os grupos mais importantes são os balantas (30% da população), os Fulas (20%), Maníacas (14%), Mandingas (13%), e os Papéis (7%) (dados de 1996). No litoral predominam os Balantas que cultivam arroz e gado bovino. Os Bijagós, que habitam no arquipélago com o mesmo nome, formam uma sociedade matriarcal. O Interior é ocupado pelos Fulas que são nómadas, dedicam-se à criação de gado e à agricultura itinerante.

Os cultos tradicionais são predominantes (45,2%), seguindo-se os islâmicos (39,9% e os cristãos (13,2%, sendo os católicos 11,6%, outros 3,8%, dupla filiação 2,2%).O número dos que se afirmam sem religião ou ateus é mínimo (1,6%) (dados de 2000).

Carlos Fontes (LUSOTOPIA)

M7 - GUINÉ - VICTÓRIA ou DERROTA?


GUINÉ - VICTÓRIA ou DERROTA?

Uma questão polémica que se levanta nas conversas, de vez em quando, entre aqueles que de algum modo se interessam pelo tema; "Guerra do Ultramar - Frente da Guiné", é se a tínhamos perdido militarmente no terreno, ou não.


Felizmente, são vários os intervenientes neste conflito que têm vindo a participar com as suas experiências e os seus testemunhos escritos e fotográficos, com o estudo e análise literária de relatos, estórias, fotos, etc., na catarse desta face da guerra que atravessámos em África.
Na minha modesta opinião pessoal, atrevo-me a dizer que qualquer esboço de uma resposta a esta dúvida, permanecerá eternamente inconclusiva, felizmente para mim por motivos óbvios (caso a guerra continuasse eu estava condenado a estar na Guiné pelo menos nos anos de 1974 e 1975), já que, como todos sabemos, todas as hostilidades naquela pequena parcela de terra, terminaram com o "25 de Abril de 1974".

Para basear a afirmação contida no parágrafo anterior, exponho aqui 2 documentos que fazem parte da diversa documentação que eu possuo no meu arquivo pessoal, sobre este conflito da recente História de Portugal, que vem ganhando foros controversos e míticos.

Muito agradecido ficava que me comunicassem, se alguém conhece algum desmentido, ou contestação oficial, oral ou escrita, sobre as afirmações contidas nestes documentos aqui publicados, pelas entidades máximas da Guiné-Bissau pós-libertação.


Não que se duvide da íntegra veracidade destas declarações, mas à sempre alguns idiotas, incrivelmente no nosso meio, que insistem em derrotar as valentes e competentes tropas portuguesas na frente da Guiné baseados em NADA, a não ser por motivos tacanhos, políticos, cobardia, traição, ou, à falta de qualquer um destes, na sua estupidez e burrice nata.

Importante é que se interprete o silêncio mantido pelas autoridades guineenses, desde sempre, sobre esta matéria  como um sim inequívoco à sua aceitação histórica.
No entanto, dada a clarividência das entrevistas, muito bem narradas nos artigos pelos jornalistas, deixo à análise e conclusão pessoal de cada um, a evidência histórica dos factos relatados, pouco ou nada explorados nos debates, colóquios e seminários a que tenho assistido.

O primeiro recorte (em 3 partes) é da autoria do jornalista José Paulo Fafe, do jornal "Tal & Qual", com data de 14 de Maio de 1999, e o segundo (em 2 partes) não assinado do jornal "O Diabo".