domingo, 11 de outubro de 2009

M163 - TROPAS DE ELITE, por Carlos Varela (in JN de 11 de Outubro de 2009)

Tropas de elite

JN 2009-10-11, 00h08m

CARLOS VARELA

Forças especiais da PSP, GNR, Marinha e Exército vivem no anonimato. E no fio da navalha.

Dos ninjas às rusgas no Bairro da Cova da Moura, passando pelo Afeganistão e Iraque e pela luta ao Gangue do Multibanco. São quatro as forças de operações especiais. Ao todo, englobam cerca de 500 homens.

Os rostos não podem ser fotografados e escondem-se atrás de capuzes ou tintas de camuflagem e quanto aos nomes são fictícios. Seja na GNR, na PSP, no Exército ou na Marinha, esta é uma matriz corrente, uma determinação para quem vem de fora e que reflecte o secretismo a que são obrigados os homens e as acções das forças de operações especiais.

Mas, afinal, que tipo de forças são estas e para que foram criadas? E qual a diferença entre as forças de operações especiais militares e policiais? As primeiras referências históricas a missões e forças que se confundem com o secretismo que rodeia as operações especiais vêm do Japão do século XV, através dos popularizados ninjas. Diz a wikipedia que um "ninja era um agente ou um mercenário encoberto do Japão feudal, especializado na arte da guerra não convencional". O abate de adversários, a espionagem ou reconhecimento, a infiltração e a sabotagem faziam parte das missões destes homens que, pela primeira vez, surgem como uma estrutura própria e um treino à parte.

Este tipo de forças de elite surge, no Ocidente, com mais destaque público durante a Segunda Guerra Mundial, graças aos ingleses, nas operações no Canal da Mancha, no Norte de África e no Sudeste Asiático. Em Portugal, só tem expressão com o deflagrar da Guerra Colonial, entre 1961 e 1974.

Mas o purismo militar que envolve o termo forças de operações especiais - equipas com quatro a seis homens, ligeiramente armadas e muito autónomas, com capacidade para operar na retaguarda do adversário - tem mais definição durante a Guerra Fria. E, em Portugal, o conceito só começa a ser modernizado após o fim da Guerra Colonial, com a consequente reorganização das Forças Armadas, terminando com o actual Centro de Tropas de Operações Especiais, no quartel de Lamego, do Exército, e o Destacamento de Acções Especiais (DAE), da Marinha.

Na PSP e na GNR, em contrapartida, as alterações são em parte influenciadas pelo deflagrar do terrorismo na Europa nos anos 70 e 80 - em Portugal também, com as FP-25 -, mas igualmente pelo agravar dos níveis de criminalidade, nos anos 90 e seguintes, que dão origem à criação do Grupo de Operações Especiais, da PSP (GOE), e do Grupo de Intervenção de Operações Especiais (GIOE), da GNR. São também forças de pequena dimensão e altamente preparadas, mas, ao contrário das operações especiais militares, estão vocacionadas para enfrentar um inimigo interno e operam no âmbito de inquéritos, sob a tutela do Ministério Público.

A ligá-las uma certeza: as missões são sempre de alto risco.

Blindados e homens cooperam na segurança

GIOE - GNR
JN 2009-10-11, 00h10m

O Iraque e a luta ao Gangue do Multibanco são as grandes bandeiras. Estão preparados para várias missões. São cerca de 150 homens.

O blindado aproxima-se do edifício e do piso superior do veículo nasce uma escada que cresce para a janela. Num ápice, quatro homens armados e equipados, as fardas negras, trepam o parapeito e entram no interior do edifício. É apenas um exercício do Grupo de Intervenção de Operações Especiais da GNR, mas dá para ver a flexibilidade de esta força actualmente dispõe. O comandante da unidade, o major Bola, concorda e destaca ao JN a experiência internacional adquirida, "Bósnia, Timor, o Iraque, já passámos em vários teatros de operações, enquanto força constituída". O Iraque, no entanto, acabou por ser o cenário com maior nível de violência a que os Operações Especiais da GNR tiveram que fazer face e o facto de estarem integrados na Unidade de Intervenção (UI) acaba por dar uma mais-valia a nível da operação de equipamentos. O GIOE, por exemplo, é a única força de operações especiais portuguesa que está preparada para operar com veículos blindados, recorrendo às mais de vinte viaturas Iveco atribuídas à UI, que é também a única força de segurança interna a dispor deste tipo de protecção. "Tivemos essa experiência no Iraque e nunca mais a perdemos", aponta um militar. Foi assim que nasceu o blindado que em simultâneo transporta uma escada, aponta um oficial, fruto da necessidade de entrar em zonas urbanas de risco e ter acesso aos edifícios. "Temos que ter capacidade para entrar por onde for mais fácil ou de molde a garantir sempre o factor surpresa". Mas se o Iraque e Timor foram marcos no GIOE a nível de intervenção no exterior, a luta contra o Gangue do Multibanco - que operou nas áreas de Lisboa, Setúbal e Centro - "deu-nos uma enorme experiência na investigação e combate ao crime violento", sustenta o comandante do GIOE. As operações tiveram, por exemplo, como novidade a implicação dos snipers em missões de reconhecimento estático. É uma missão mais comum em forças militares de operações especiais, mas a verdade é o GIOE começou também a aplicar estas técnicas. "Os snipers podem ser também aplicados nas acções de vigilância, antes de entrarmos numa zona crítica, e têm sido também operados nesse sentido", adianta um militar. Flexível e bem equipado, incluindo já disponde snipers pesados, algo também único em forças de segurança, o GIOE prepara agora um novo salto.

Da Cova da Moura para o Iraque

GOE - PSP
JN 2009-10-11, 00h10m

Foi a primeira força de operações especiais no âmbito da segurança interna. É composta por entre 60 e 80 homens.

A equipa entra de rompante no interior da habitação, gritos e armas apontadas intimidam os alvos, em segundos a situação está resolvida. São os GOE da PSP, tão escondidos de olhares indiscretos, mas seguramente os elementos de operações especiais mais conhecidos pelo grande público, mercê das rusgas constantes em que são chamados a intervir e por via de a PSP deter a competência territorial sobre os grandes centros urbanos, ainda mais reforçada na sequência da reestruturação do dispositivo das forças de segurança. "Estamos preparados para intervir em situações de alta violência", sustenta o subintendente Ribeiro, comandante do GOE, a unidade que está integrada na Unidade Especial de Polícia. A força é normalmente chamada a intervir em acções em apoio de uma força policial de investigação, da PSP ou da PJ, ou para dominar indivíduos de alta perigosidade. E para entrar nas casas não há como a "chave universal", como os homens do GOE designam na gíria o ariete, um cilindro metálico maciço com duas pegas nas pontas. "Não há porta que resista, a 'chave universal' abre tudo", dizem, entre gracejos, os agentes do GOE, após mais um dos inúmeros exercícios que regularmente executam. Os bairros mais perigosos de todo o país, como a Cova da Moura, são deles bem conhecidos, em acções que normalmente envolvem alto risco e perigosidade, mas a investigação criminal, ao contrário do que já acontece no GIOE da GNR, está-lhes vedada, se bem que as equipas de vigilância executem trabalho de reconhecimento. "Sim, é uma das nossas funções", admite o subintendente Ribeiro. No entanto, a sua actividade não se resume ao território nacional e têm sido com frequência recrutados para a protecção das instalações diplomáticas portuguesas no estrangeiro. "Estivemos, por exemplo, no Iraque, foi um trabalho bem duro", aponta um agente, sem adiantar mais pormenores, se bem que seja conhecido o permanente ambiente de tensão em que estes homens viviam, praticamente limitados durante meses ao espaço físico da embaixada. As saídas eram apenas aquelas que eram permitidas e previstas no âmbito da escolta e protecção dos diplomatas. Hoje, essa missão de escolta e protecção no exterior começou também a ser desempenhada pelo Corpo de Segurança Pessoal, mas em situação mais áspera aí está o GOE.

Fogo real prepara forças para novas missões

CTOE - Exército
JN 2009-10-11, 00h09m

Têm tido uma presença constante no teatro do Afeganistão e no Kosovo, além de Timor e Guiné-Bissau. São cerca de 200 homens.

"Ia no Humvee que foi atingido por um RPG". Mário responde com um sorriso que rasga o rosto jovem pintalgado em tons de verde. Foi numa missão no Afeganistão, no ano passado, e o sniper estava na altura integrado na companhia portuguesa destacada naquele país. "Só não houve nada de grave por acaso", aponta ao JN, mas o militar volta a responder com um sorriso e um "pois", sem manifestar a razão de ser do "acaso". Muito simplesmente, o rocket foi disparado pelo taliban a uma distância demasiado curta, não armou e acabou por perfurar o blindado, mas sem explodir, o que salvou a vida aos cinco portugueses que iam no seu interior. Mário sabe disso, mas sabe muito mais, bem mais, ele como os outros militares que compõem o Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), com casa no quartel de Lamego, o que os transforma eles próprios em alvos valiosos. Cada homem recebe primeiro uma formação geral, após o que passa para a especialização, que pode ser em transmissões, sniper, ou outra, dependendo das necessidades. Mas, no final da formação, cada homem tem capacidade de sobreviver sozinho em território hostil, uma fórmula que "reside bem mais no equilíbrio psicológico" do que numa qualquer condição de "rambo", como sustenta o coronel Veloso, comandante desta unidade do Exército. A parte física não é descurada, mas toda a actividade da unidade e da preparação das forças passa muito pelo trabalho de conjunto e a criação das equipas, a estrutura base para as operações. E muita desta preparação passa por treinos intensivos, numa repetição exaustiva de cenários, com alteração de pormenores, e muito fogo real. Mário, o jovem sniper, tinha acabado de participar num destes exercícios, que congregara os vários componentes do CTOE. Armado com uma espingarda de precisão Barrett, de calibre .50, o chamado sniper pesado, o soldado divisava uma simples fechadura. Na casa, havia um refém para salvar e a progressão da equipa foi acompanhada pela protecção do fogo de metralhadoras. Mário apontou, disparou e o terceiro tiro fez saltar a fechadura, abrindo a porta. Lançando granadas de fumo, a equipa entrou na habitação e o refém foi rapidamente salvo. Mais um treino concluído e agora já com o olhar virado para um novo cenário, este bem real: o Afeganistão.

Os militares que fazem o combate ao tráfico

DAE - Marinha
00h08m

Actuam em particular em ambiente marítimo e o número de militares está entre os 40 e os 50 homens.

Do helicóptero sai um cabo e quatro militares deslizam na direcção do convés de um navio. Em minutos, o barco é dominado, as armas apontadas, cada porta vigiada, para abrir caminho à vistoria policial, em busca de droga. É o Destacamento de Acções Especiais (DAE), a unidade de elite dos Fuzileiros, tantas vezes usada no combate ao tráfico de droga. "É uma das nossas missões", concorda o comandante do DAE, primeiro-tenente Costa Dias. Com efeito, entre as forças militares, o DAE é o único que é chamado a assegurar missões no âmbito da segurança interna, no combate ao tráfico de droga marítimo, muito por força da colaboração permanente com a Polícia Judiciária, que até agora não tem optado por outra força. A actual revisão da Lei de Defesa Nacional vincou ainda mais essas missões, estabelecendo mais balizas legais para a operação dos militares no âmbito da segurança interna. Mas a actuação do DAE não se limita ao combate ao tráfico de droga. "Temos estado empenhados em vários teatros de operações", salienta um militar, se bem que as operações no exterior estejam limitadas, um pouco por via do não empenhamento do Corpo de Fuzileiros em teatros exteriores, em particular em áereas de conflitos. No entanto, estes homens estão especificamente preparados para o reconhecimento do poder do adversário em benefício de uma força principal de desembarque. É a chamada infiltração, que "pode ser feita de várias formas", aponta um militar. O submarino é um destes meios, com o desembarque nocturno de uma equipa de operações especiais, mas os novos submarinos já estão preparados para lançar os homens para a superfície a partir de uma situação de imersão, tornando ainda mais discreta a operação. No entanto, estes homens também estão preparados para recolher informação geral sobre uma região, uma acção que precede a chegada de uma força. "É verdade, foi o que fizemos há três anos no Congo", avança Costa Dias. A operação geral foi precedida pela chegada de operações especiais de vários estados ocidentais, entre os quais o DAE. Mas na primeira fase não iam fardados e sim à civil, "para melhor poder recolher informação sobre o ambiente no Congo". Era um meio disfarce, porque se sabia que trabalhavam no âmbito da ONU, mas o carácter aparentemente civil ajudou à missão.


JN 2009-10-11, 00h08m

CARLOS VARELA

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

M162 - 31 CONVÍVIOS DA ASSOCIAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS & DIA DA UNIDADE - C.T.O.E.

As Confraternizações Anuais da A.O.E. (Associação de Operações Especiais), têm contado, ao longo dos últimos 31 anos, com a imprescindível e preciosa e indispensável colaboração da sua estimada Unidade de origem, o C.T.O.E. (Centro de Tropas de Operações Especiais). 

Sempre que isso lhe tem sido possível, o CTOE, tem realizado o seu festivo dia anual da Unidade, conjuntamente com a festa anual da AOE. 

Esta comunhão tem permitido que os ex-RANGERS, possam conviver com os novos RANGERS que vão concluindo os seus cursos na actualidade e, ao mesmo tempo, manter os elos que os ligam a esta sua Unidade de formação, não só em termos militares, como muitas vezes, também, complementa das suas formações pessoais em deveres cívicos e pátrios, hoje tal maltratados pelos energúmenos, néscios, bandidos e todo o tipo de anti-patriotas. 

Além disto, permite ainda que os ex-militares do CTOE, assistiam e aplaudam a festa da sua Unidade, fundamentalmente aos que vivem e residem longe da bela cidade de Lamego, cujo povo muito tem acarinhado. 

Assim num mesmo dia tem sido possível harmonizar os festejos.


































Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

domingo, 4 de outubro de 2009

M161 - Armas e equipamentos modernos do Exército Português














































































Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

sábado, 3 de outubro de 2009

M160 - Armas e equipamentos emblemáticos do Exército Português



Armas e equipamentos emblemáticos


Utilizados pelo Exército Português


Bandeira Nacional e Guiões do C.I.O.E. - Centro de Instrução de Operações Especiais (actual C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais)


























À esquerda vê-se as metralhadora HK 21 e a Uzi. À direita a célebre G3 equipada com mira telescópica, 4 porta-carregadores, a pistola Walter P-36, uma faca de mato e uma bússola. Todos foram usada em quase todo o conflito do Ultramar




























À esquerda vê-se um morteiro de 60 mm e uma metralhadora MG 42 de Origem alemã. À direita estão diversos rádios




Alguns artigos de primeiros socorros
























À esquerda vêem-se diversos rádios. À direita estão meios de deslocação amfíbea



Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

M159 - PARA ALÉM DO PALUDISMO

PARA ALÉM DO PALUDISMO

1 Escrever sobre a guerra d’África
Fiel aos factos e à verdade
É além de uma questão de honra
Um dever, justiça e lealdade

2
Assim, sobre diversos aspectos
Já se falou, debateu e escreveu
Sobre políticas e estratégias
Mas algo um pouco se esqueceu
3
Por isso dedico estas linhas
Aos seis sentidos d’um combatente
Aos actos vivos que o atormentam
Num passado sempre presente

4
Àquele que penou na picada
Que ficou marcado p’ra toda vida...
Como traduzi-lo...em palavras
Sem lhe abrir de novo a ferida
5
Que conste na nossa História
Sem salamaleques... com coragem
Que ali... na guerrilha... no mato
Cada dia... é uma contagem

6
Nas folhas dum calendário
Risca-se mais um dia que passou
Mede-se assim o pesadelo
E, ali... o fim... mais se aproximou
7
Lá se foi uma porção da vida
Nos longos dias até ali riscados
Esfumou-se de vez a juventude
Em factos na memória cicatrizados

8
Porque a guerra é muito mais...
É a lenta progressão na lama
É o mistério da mata densa
É o pressentimento do drama
9
É sobreviver no lodo do rio
É o calor... a chuva... o vento
É o suor e o pó no rosto
É o odor do corpo... nojento

10
É o peso das armas e munições
É a mochila, o cantil e o bornal
É o comer... o dormir nos covões
É as rações de combate... sabem mal
11
É o chilrear da bicharada
É sentir os mosquitos a picar
É o cintilar das cobras e dos lagartos
É as sanguessugas no corpo a sugar

12
É o pousar das botas no solo
É o terror de tropeçar na mina
É o abandono do ser racional
É o poder da adrenalina
13
É o emperrar do pensamento
É o cheiro diferente no ar
É a observação... olhos atentos
É um subtil movimento notar

14
É um galho fresco partido
É um ruído anormal captar
É uma pegada... um objecto caído
É um brilho fugaz detectar
15
É dado o alerta... e de repente
É o romper do silêncio... tolhe
É o cheiro da pólvora queimada
É a morte que chegou... e escolhe

16
É logo saltar... correr... rastejar
É o som da metralha infernal
É o explodir seco das bombas
É o deflagrar das granadas...mortal
17
É o turra?... Quantos?... Não se vê!
É algo que no capim se esconde
É responder aos tiros... cuidado!
É uma armadilha ali... onde?

18
É a sina; morrer ou matar!
É o alvo que surge numa fracção
É premir o gatilho… o tiro certeiro
É o momento da redenção
19
É quando as armas se calam
É ouvir os gemidos... regelar!
É a agonia dos feridos tombados
É o assistir à carne a rasgar

20
É o sangue do amigo... irmão!
É os buracos dos estilhaços
É a angústia... o desespero
É o vê-lo morrer... nos meus braços
21
É aquele eterno minuto a escoar
É a impotência... a frustração
É mais um’eterna noite d’insónia
É tempo de mais uma oração

22
É um pedaço meu... que morre também
É a família... um breve recordar
É a revolta das emoções
É um lamento mais... escutar
23
É um inacabar de missões
É a incerteza do fim... que sorte?
É passar ao lado das balas
É viver a par com a morte!

24
É contar o tempo que falta
É o sonho com o regresso ao lar
É recontar os dias que passam
É uma contagem... por acabar!

RANGER Magalhães Ribeiro
Furriel Mil.º da CCS
Batalhão 4612/74
Mansôa - Guiné

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

M158 - POR AÍ NÃO... ESTÁ TUDO MINADO!


POR AÍ NÃO... ESTÁ TUDO MINADO!

A mina, era a mãe de todos os pesadelos
Um temor... quando nos deslocávamos na picada
Um flagelo constante para a nossa tropa
Qu’assim era traiçoeiramente estropiada


I
O progresso na modernidade
Nas sociedades normais e sadias
Evoluindo em paz e liberdade
Seria a perfeita das harmonias
II
Mas os ódios no mundo radicados
Racismos, ditaduras, religiões…
Quezílias de terras e políticas
Geram conflitos e confrontações

III
Que por vezes degeneram em guerra!
Entram os militares em acção!
Soldados, armas, estratégias...
Até que haja uma rendição!
IV
Por vezes, os fins justificam os meios
E os métodos que são utilizados
Nem sempre respeitam as "regras"
Tornando-se mesmo animalizados

V
Bem no meio desta salgalhada
Existe uma raça, os "guerreiros"
Aqueles que primam pela luta leal
Que no combate são os primeiros
VI
Formam uma estirpe elitista
A quem dá Honra e Orgulho pertencer
E pautam o seu ser pela divisa…
O firme; “Antes quebrar que torcer!”

VII
Amam a Pátria, a Paz, a Família
E s’algum dos três é posto em perigo
E eles têm que recorrer às armas...
Cuidem-se de tamanho inimigo
VIII
Detestam tudo o que denote
Indícios de cobardia e traição
E esgotam todos os seus recursos
Para atingir a sua supressão

IX
Uma das traições mais frequentes
Qu’estes audazes querem derrotar
São as armadilhas “sujas” e desleais!
Das quais as minas são primeiro lugar
X
Na Guerra do Ultramar… em África
De todos os temores, o mais terrível
Era a mina dissimulada no chão
Traiçoeira... funesta... invisível

XI
Dizem: “- É uma arma de baixo custo!”
Que causava grande desbastação
Entre as pessoas e as viaturas
Podiam ser de sopro ou fragmentação
XII
Existem no mundo vários modelos
E por todas as Nações são usadas
Aqui vou falar das “anti-pessoal”
Criminosas e desumanizadas

XIII
Montam-se com bastante facilidade
Estuda-se no terreno um ponto
Uma cova... põe-se a mina... tapa-se…
Arma-se o detonador e... pronto!
XIV
Disfarça-se a superfície à volta
Do melhor modo camuflado
E deixa-se ali ficar, "a ratoeira"
Á espera d’um desgraçado

XV
É que… por incrível que pareça
O seu objectivo não é matar...
Mas bem mais tenebroso e macabro
Ferir o corpo humano... retalhar!
XVI
Assim, a sua face mais infausta
É o medo dos graus de destruição
Tanto físicos como psicológicos
Que nas vítimas provocarão

XVII
Será uma perna atingida... um pé?...
Enfim, que partes do corpo colherá?...
Um ou dois olhos... os braços... as mãos?
Só a “sorte” ou o “azar” o dirá!
XVIII
Basta um pé no sítio “errado”
E... está accionado o detonador!
Uma explosão... terra e pó no ar…
O resto... são os queixumes de dor…

XIX
O sangue na terra… a vida por um fio
Quanto sofrimento e agonia
Corpo dilacerado... pedaço de vida
Qu’ali deixa mortos sonhos e alegria
XX
Uma mina!... É o pânico geral!
Onde está uma, podem estar mais!
Quantas, duas, três?... uma incógnita!
Uma incerteza… qu’arrasava os demais!


No cuidadoso planeamento das operações
Era tudo extremamente bem delineado
Nos mapas evidenciavam-se zonas riscadas…
A vermelho… com avisos...: - Local Minado!


RANGER Magalhães Ribeiro
Furriel Mil.º da CCS do Batalhão 4612/74
Mansôa/Guiné

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

M157 - Filosofia do “Caçador Especial”

Filosofia do “Caçador Especial”

A mais engenhosa e maquiavélica das artes
O mais hábil e temível dos predadores
O mais perspicaz e cumpridor executivo
O mais objectivo e eficaz dos matadores


O objectivo supremo na guerra
A alcançar por um qualquer guerreiro
É exterminar o inimigo
Antes que ele o faça... primeiro


Em combate... ou mata ou morre
Arrisca o seu mais precioso bem
Que é, senão, a sua própria vida
Basta um erro… e a morte sobrevem

Por isso, só um caçador nativo
Com uma “dose” de sorte pessoal
Aliada à sua arte e talento
É na guerra, um temido imortal

Outro excelente tipo de caçador
É o “gerado” artificialmente
Através de treino específico
Estipulado cientificamente

Não é ensejo para qualquer um!
Dada a gama de faculdades selectiva
Qu’além de numerosa e ingénita
Se torna… como veremos… restritiva


Pelo que... um Caçador Especial
É um invulgar perfeccionista
Com dotes acima da média
Patriota, Leal e Vanguardista

Possui inteligência subtil
É perspicaz e audacioso
Em acção é ágil e versátil
E p’ró inimigo é... impiedoso


Dos seus dons naturais sobressaem;
Um poder de observação raro…
Bom auto-controle da adrenalina…
E discernimento muito claro!

Pratica em cenários virtuais
Audaz e meticulosamente
Onde se afere com rigor, dureza, e…
S’instrói multi-disciplinarmente


Auto-disciplina e carácter firme, são…
Atributos de índole fundamental
Que complementam a personalidade
Dum elitista Caçador Especial

Preparado, sobrevive e resiste;
A ambientes hostis e adversos...
Ao sono, ao cansaço e à fome…
E a outros incómodos diversos!

Ultrapassa condições inditosas
Climatéricas e territoriais
Mantendo níveis físicos e psíquicos
Acima da média d’outros mortais

Conhece os hábitos do inimigo...
A sua estratégia e acção...
As suas capacidades logísticas...
E o seu ânimo e determinação!

As características do terreno...
A constituição da fauna e da flora...
O tipo de clima e as doenças!
Pormenores qu’estuda e decora!


Está altamente especializado;
Em explosivos, armadilhas e minagem…
Todos os tipos de armamento, e…
Técnicas de combate e camuflagem!

Deve ser atirador de “um só tiro”
Porque em várias ocasiões
O segundo tiro pode nunca partir
E não haver lugar a repetições


No planeamento das operações
Analisa e pondera a certeza…
Da concretização exacta e plena
Usando o factor vital... a surpresa

E uma condição ele sobrepõe
Acima do seu valor máximo... a vida
Por garante do código de honra:
É o dever da: «Missão cumprida!»


O inimigo está ali, algures, no mato…
Tenho que o ver... antes que ele me veja a mim…
E… eliminá-lo o mais rapidamente possível…
Sem dó nem piedade... ou pode ser o meu fim!


RANGER Magalhães Ribeiro
Furriel Mil.º da CCS
Batalhão - 4612/74
Mansôa/Guiné

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

M156 - Culatra atrás... bala na câmara


Culatra atrás... bala na câmara









O sucesso d’uma operação
Além do cumprimento dos objectivos
É a grata constatação geral
Que no regresso, voltam todos vivos

Uma falha no planeamento
Uma ligeira distracção na picada
Por vezes... é mais que suficiente
P’rá vida valer tanto... como nada!


1
Na Guerra do Ultramar, em África
A rotina mais fina e delicada
É aquela que sempre antecede
Qualquer saída p’rá picada

2
Palavras mil vezes repetidas
As mil e uma recomendações
Sobre os cuidados a observar
Caso surgissem complicações
3
Eras um dos habituais factores... vital…
Para o sucesso de qualquer acção…
D’uma patrulha, emboscada, ou…
D’um bem planeado golpe de mão!

4
Nesta fase, quem mais se sobressai
Pela sua inequívoca raça
São os perspicazes batedores
Estimados “perdigueiros” de caça
5
Estes potentes observadores
Têm um “sexto” sentido aguçado
Vão na frente e abrem caminho
“Farejam” o inimigo acoitado

6
Na selva lêem como num livro
São exímios na guerrilha no mato
“Adivinham” armadilhas invisíveis
Uma falha e… a morte... é um facto!
7
Ao restante grupo de combate
Transmitem firmeza e confiança
E, colaboram nos preparativos
Com experiência e segurança

8
A inspecção ao equipamento
A vistoria às armas e munições
Tudo bem seguro e apertado
O cantil e o bornal com as rações
9
Ofuscar os objectos brilhantes
Qu’os seus reflexos vêem-se a milhas
Além de perdermos o factor surpresa
O inimigo cerca-nos d’armadilhas

10
São as últimas recomendações;
- Olhar atento... olfacto apurado…
Pois o perigo não avisa... e surge...
De surpresa... de qualquer lado!
11
- Cuidado com os fios na picada...
Não pegar num objecto abandonado...
Seguir as pegadas dos batedores…
Pode estar tudo armadilhado!

12
- Galho ou folha partida de fresco…
Uma pegada no chão... recente…
Uma pequena alteração na paisagem…
São sinais que... por ali passou gente!
13
- Não progredir muito juntos...
Contacto visual... à frente e atrás…
Suspeitar das anormalidades…
Um movimento... um ruído e... zás!

14
- Uma mina ou uma armadilha…
Traiçoeiramente escondida…
Ludibria o instinto supremo…
Qu’aqui… é a preservação da vida!
15
Em todos os pensamentos presentes
Uma interrogação sobrevêm
Intocável!... Fundamental!... Única!...
- Meu Deus hoje haverá mortos... quem?

16
- Arma p’ra cima... Culatra atrás...
Pôr o carregador... Culatra à frente...
Atenção grupo... Está tudo O.K.!?
Ordena o Comandante firmemente!

RANGER Magalhães Ribeiro
Furriel Mil.º da CCS do Batalhão 4612/74
Mansôa - Guiné

terça-feira, 22 de setembro de 2009

M155 - Do meu Amigo Pedro Silva (Sargento do Exército Francês)


Um dos meus Amigos, chama-se da Pedro Silva e é Sargento do Exército Francês.

É um grande entusiasta de tudo quanto é Raide Radical a nível mundial.

Já me confessou que para participar neste tipo de provas, para manter a sua boa preparação psíquica e física, não olha ao número de quilómetros que encontra pela frente, e não são tão poucos como isso.

Já veio participar aqui em Portugal, em várias iniciativas, empenhando-se sempre com o melhor esforço e exigindo aos restantes componentes das suas equipas igual empenhamento.

Muito recentemente enviou-me uma foto de uma das suas últimas participações num Raid internacional, onde se pode ver pessoal de diversos países, jovem e menos jovem, que comungam com um espírito de camaradagem e alegria indescritíveis, que só os intervenientes sabem sentir e dificilmente descrever.

Imagem & Foto: Pedro da Silva (2009). Direitos reservados.

M 154 - CINCO AVOS PARA UMA SÓ

Nos RANGERS de Portugal em 1973, a 1ª e única Companhia de Instrução, era constituída por 125 elementos, dividido em 5 Grupos de Combate de 25 homens.


Cada Grupo de Combate (25 homens) era subdividido em 5 equipas de 5 elementos.


RANGER Magalhães Ribeiro – Soldado Instruendo nº 114


CIOE - Penude - 4º Turno/1973


3ª Equipa - 4º Grupo de combate


CINCO AVOS PARA UMA SÓ


Geraldes, Bexiga, Vareta, Ferreira e Magalhães


Em Penude s’uniram num elo de amizade profundo


Um quinteto d’escol, dinâmico e divertido


São RANGERS! Quer dizer: Fizeram-nos seres d’outro mundo


I


Na instrução no quartel em Penude


Apenas havia uma “Companhia”


Repartida em grupos de combate


Qu’em cinco equipas se subdividia


II


Por sua vez, cada uma delas


Era constituída por cinco homens


Mas, no quarto grupo, terceira equipa


Estava a “elite” daqueles jovens


III


Eram os cinco da minha equipa;


O Geraldes, audaz e destemido…


O não menos audacioso Bexiga


O Vareta, robusto e descontraído…


IV


O baixinho e valente Ferreira


E, eu, o Magalhães, discreto e “pacatão”


Todos diferentes... um mesmo fim…


Honrar a equipa com distinção!


V


E assim o fizemos... com afinco


Mas fisicamente éramos distintos


Cada qual com as suas qualidades


Embora dotados de bons instintos


VI


O Geraldes além de consistente


Era o “rei” da sobrevivência


Comia de “tudo” com satisfação


E gozava com a nossa renitência


VII


O Bexiga era o “pápa-léguas”


Em corridas batia todo o “plantel”


Arrancava nas partidas e... “voava”


Só o reavistávamos no quartel


VIII


O Vareta era o nosso Hércules


Preparação física d’excelência


Jogava rugby nos tempos livres


Fazia da dureza uma ciência


IX


O Ferreira era o mais divertido


Era o “Miss Puta 74”


Além de cumprir com o exigido


Era um óptimo actor de teatro


X


Eu, tal como o Ferreira, enfim;


Dávamos à equipa o que podíamos


Esforçávamo-nos até à exaustão


Dia a dia, lá nos excedíamos


XI


Mas o grande “segredo” da nossa força


Era a sadia camaradagem


Que unia nos momentos difíceis...


Foi p’ra mim uma nova aprendizagem


XII


Este punhado de “apanhados”


Transpunham as provas com pertinácia


Na dureza nunca mediam esforços


Deslumbrava a sua eficácia


XIII


Mas... confirmando a excepção à regra


A casmurrice... por defeito... era comum


Pelo que se perdia muito tempo


Para que nunca se zangasse nenhum


XIV


Na instrução a nível de equipas


P’ra combinar um plano de acção


Demorava mais um “acordo” final


Do que a sua total execução


XV


Quando as provas metiam bússola


Cada um o seu azimute tirava


E, discutia-se... - Quem está certo?


Qu’alegria se alguém concordava!


XVI


Na travessia do rio com barco


Cinco novas técnicas de remar


Era giro viajar em ziguezague


Duma margem p’ra outra... a agoniar


XVII


Era o “bonito”... nas encruzilhadas...


- Palpita-me que é em frente... vamos!


- À direita é que é o caminho!


- Não, é pela esquerda... sigamos!


XVIII


Quando um s’esgotava... propunha;


- Paremos aqui para descansar!


- Eu não estou cansado... mais adiante!


Enfim... só nos restava uma opção... votar!


XIX


Diz o direito... respeitar a maioria


Um por todos... todos por um lado


Mas... se uma minoria vinha a verificar;


«Vamos mal!». Estava o caldo entornado!


XX


No fim... debatiam-se os erros;


- Ó pá... somos teimosos como burros!


Prevalecia o bom senso e o humor


Objectivo: Missão cumprida... sem murros!




Além do explicável... da narração... das simples palavras...


Mesmo esmiuçando a mais pura das filosofias...


O indiscritível e fraterno “elo” da família RANGER....


É um subtil e sublime ”tabu”... só nosso... todos os dias!





Foto (Pôr do Sol - Serra das Meadas - Lamego): Bigotte de Almeida (2009). Direitos reservados.