domingo, 11 de outubro de 2009
M163 - TROPAS DE ELITE, por Carlos Varela (in JN de 11 de Outubro de 2009)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
M162 - 31 CONVÍVIOS DA ASSOCIAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS & DIA DA UNIDADE - C.T.O.E.
domingo, 4 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
M160 - Armas e equipamentos emblemáticos do Exército Português

M159 - PARA ALÉM DO PALUDISMO
Fiel aos factos e à verdade
É além de uma questão de honra
Um dever, justiça e lealdade
2
Assim, sobre diversos aspectos
Já se falou, debateu e escreveu
Sobre políticas e estratégias
Mas algo um pouco se esqueceu
3
Por isso dedico estas linhas
Aos seis sentidos d’um combatente
Aos actos vivos que o atormentam
Num passado sempre presente
4
Àquele que penou na picada
Que ficou marcado p’ra toda vida...
Como traduzi-lo...em palavras
Sem lhe abrir de novo a ferida
5
Que conste na nossa História
Sem salamaleques... com coragem
Que ali... na guerrilha... no mato
Cada dia... é uma contagem
6
Nas folhas dum calendário
Risca-se mais um dia que passou
Mede-se assim o pesadelo
E, ali... o fim... mais se aproximou
7
Lá se foi uma porção da vida
Nos longos dias até ali riscados
Esfumou-se de vez a juventude
Em factos na memória cicatrizados
8
Porque a guerra é muito mais...
É a lenta progressão na lama
É o mistério da mata densa
É o pressentimento do drama
9
É sobreviver no lodo do rio
É o calor... a chuva... o vento
É o suor e o pó no rosto
É o odor do corpo... nojento
10
É o peso das armas e munições
É a mochila, o cantil e o bornal
É o comer... o dormir nos covões
É as rações de combate... sabem mal
11
É o chilrear da bicharada
É sentir os mosquitos a picar
É o cintilar das cobras e dos lagartos
É as sanguessugas no corpo a sugar
12
É o pousar das botas no solo
É o terror de tropeçar na mina
É o abandono do ser racional
É o poder da adrenalina
13
É o emperrar do pensamento
É o cheiro diferente no ar
É a observação... olhos atentos
É um subtil movimento notar
14
É um galho fresco partido
É um ruído anormal captar
É uma pegada... um objecto caído
É um brilho fugaz detectar
15
É dado o alerta... e de repente
É o romper do silêncio... tolhe
É o cheiro da pólvora queimada
É a morte que chegou... e escolhe
16
É logo saltar... correr... rastejar
É o som da metralha infernal
É o explodir seco das bombas
É o deflagrar das granadas...mortal
17
É o turra?... Quantos?... Não se vê!
É algo que no capim se esconde
É responder aos tiros... cuidado!
É uma armadilha ali... onde?
18
É a sina; morrer ou matar!
É o alvo que surge numa fracção
É premir o gatilho… o tiro certeiro
É o momento da redenção
19
É quando as armas se calam
É ouvir os gemidos... regelar!
É a agonia dos feridos tombados
É o assistir à carne a rasgar
20
É o sangue do amigo... irmão!
É os buracos dos estilhaços
É a angústia... o desespero
É o vê-lo morrer... nos meus braços
21
É aquele eterno minuto a escoar
É a impotência... a frustração
É mais um’eterna noite d’insónia
É tempo de mais uma oração
22
É um pedaço meu... que morre também
É a família... um breve recordar
É a revolta das emoções
É um lamento mais... escutar
23
É um inacabar de missões
É a incerteza do fim... que sorte?
É passar ao lado das balas
É viver a par com a morte!
24
É contar o tempo que falta
É o sonho com o regresso ao lar
É recontar os dias que passam
É uma contagem... por acabar!
RANGER Magalhães Ribeiro
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
M158 - POR AÍ NÃO... ESTÁ TUDO MINADO!

A mina, era a mãe de todos os pesadelos
Um temor... quando nos deslocávamos na picada
Um flagelo constante para a nossa tropa
Qu’assim era traiçoeiramente estropiada
I
O progresso na modernidade
Nas sociedades normais e sadias
Evoluindo em paz e liberdade
Seria a perfeita das harmonias
II
Mas os ódios no mundo radicados
Racismos, ditaduras, religiões…
Quezílias de terras e políticas
Geram conflitos e confrontações
III
Que por vezes degeneram em guerra!
Entram os militares em acção!
Soldados, armas, estratégias...
Até que haja uma rendição!
IV
Por vezes, os fins justificam os meios
E os métodos que são utilizados
Nem sempre respeitam as "regras"
Tornando-se mesmo animalizados
V
Bem no meio desta salgalhada
Existe uma raça, os "guerreiros"
Aqueles que primam pela luta leal
Que no combate são os primeiros
VI
Formam uma estirpe elitista
A quem dá Honra e Orgulho pertencer
E pautam o seu ser pela divisa…
O firme; “Antes quebrar que torcer!”
VII
Amam a Pátria, a Paz, a Família
E s’algum dos três é posto em perigo
E eles têm que recorrer às armas...
Cuidem-se de tamanho inimigo
VIII
Detestam tudo o que denote
Indícios de cobardia e traição
E esgotam todos os seus recursos
Para atingir a sua supressão
IX
Uma das traições mais frequentes
Qu’estes audazes querem derrotar
São as armadilhas “sujas” e desleais!
Das quais as minas são primeiro lugar
X
Na Guerra do Ultramar… em África
De todos os temores, o mais terrível
Era a mina dissimulada no chão
Traiçoeira... funesta... invisível
XI
Dizem: “- É uma arma de baixo custo!”
Que causava grande desbastação
Entre as pessoas e as viaturas
Podiam ser de sopro ou fragmentação
XII
Existem no mundo vários modelos
E por todas as Nações são usadas
Aqui vou falar das “anti-pessoal”
Criminosas e desumanizadas
XIII
Montam-se com bastante facilidade
Estuda-se no terreno um ponto
Uma cova... põe-se a mina... tapa-se…
Arma-se o detonador e... pronto!
XIV
Disfarça-se a superfície à volta
Do melhor modo camuflado
E deixa-se ali ficar, "a ratoeira"
Á espera d’um desgraçado
XV
É que… por incrível que pareça
O seu objectivo não é matar...
Mas bem mais tenebroso e macabro
Ferir o corpo humano... retalhar!
XVI
Assim, a sua face mais infausta
É o medo dos graus de destruição
Tanto físicos como psicológicos
Que nas vítimas provocarão
XVII
Será uma perna atingida... um pé?...
Enfim, que partes do corpo colherá?...
Um ou dois olhos... os braços... as mãos?
Só a “sorte” ou o “azar” o dirá!
XVIII
Basta um pé no sítio “errado”
E... está accionado o detonador!
Uma explosão... terra e pó no ar…
O resto... são os queixumes de dor…
XIX
O sangue na terra… a vida por um fio
Quanto sofrimento e agonia
Corpo dilacerado... pedaço de vida
Qu’ali deixa mortos sonhos e alegria
XX
Uma mina!... É o pânico geral!
Onde está uma, podem estar mais!
Quantas, duas, três?... uma incógnita!
Uma incerteza… qu’arrasava os demais!
No cuidadoso planeamento das operações
Era tudo extremamente bem delineado
Nos mapas evidenciavam-se zonas riscadas…
A vermelho… com avisos...: - Local Minado!
RANGER Magalhães Ribeiro
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
M157 - Filosofia do “Caçador Especial”
O mais perspicaz e cumpridor executivo
O mais objectivo e eficaz dos matadores
O objectivo supremo na guerra
A alcançar por um qualquer guerreiro
É exterminar o inimigo
Antes que ele o faça... primeiro
Em combate... ou mata ou morre
Arrisca o seu mais precioso bem
Que é, senão, a sua própria vida
Basta um erro… e a morte sobrevem
Por isso, só um caçador nativo
Com uma “dose” de sorte pessoal
Aliada à sua arte e talento
É na guerra, um temido imortal
É o “gerado” artificialmente
Através de treino específico
Estipulado cientificamente
Não é ensejo para qualquer um!
Dada a gama de faculdades selectiva
Qu’além de numerosa e ingénita
Se torna… como veremos… restritiva
Pelo que... um Caçador Especial
É um invulgar perfeccionista
Com dotes acima da média
Patriota, Leal e Vanguardista
Possui inteligência subtil
É perspicaz e audacioso
Em acção é ágil e versátil
E p’ró inimigo é... impiedoso
Dos seus dons naturais sobressaem;
Um poder de observação raro…
Bom auto-controle da adrenalina…
E discernimento muito claro!
Pratica em cenários virtuais
Audaz e meticulosamente
Onde se afere com rigor, dureza, e…
S’instrói multi-disciplinarmente
Auto-disciplina e carácter firme, são…
Atributos de índole fundamental
Que complementam a personalidade
Dum elitista Caçador Especial
Preparado, sobrevive e resiste;
A ambientes hostis e adversos...
Ao sono, ao cansaço e à fome…
E a outros incómodos diversos!
Ultrapassa condições inditosas
Climatéricas e territoriais
Mantendo níveis físicos e psíquicos
Acima da média d’outros mortais
Conhece os hábitos do inimigo...
A sua estratégia e acção...
As suas capacidades logísticas...
E o seu ânimo e determinação!
As características do terreno...
A constituição da fauna e da flora...
O tipo de clima e as doenças!
Pormenores qu’estuda e decora!
Está altamente especializado;
Em explosivos, armadilhas e minagem…
Todos os tipos de armamento, e…
Técnicas de combate e camuflagem!
Deve ser atirador de “um só tiro”
Porque em várias ocasiões
O segundo tiro pode nunca partir
E não haver lugar a repetições
No planeamento das operações
Analisa e pondera a certeza…
Da concretização exacta e plena
Usando o factor vital... a surpresa
E uma condição ele sobrepõe
Acima do seu valor máximo... a vida
Por garante do código de honra:
É o dever da: «Missão cumprida!»
O inimigo está ali, algures, no mato…
Tenho que o ver... antes que ele me veja a mim…
E… eliminá-lo o mais rapidamente possível…
Sem dó nem piedade... ou pode ser o meu fim!
RANGER Magalhães Ribeiro
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
M156 - Culatra atrás... bala na câmara

O sucesso d’uma operação
Além do cumprimento dos objectivos
É a grata constatação geral
Que no regresso, voltam todos vivos
Uma falha no planeamento
Uma ligeira distracção na picada
Por vezes... é mais que suficiente
P’rá vida valer tanto... como nada!
Na Guerra do Ultramar, em África
A rotina mais fina e delicada
É aquela que sempre antecede
Qualquer saída p’rá picada
2
Palavras mil vezes repetidas
As mil e uma recomendações
Sobre os cuidados a observar
Caso surgissem complicações
3
Eras um dos habituais factores... vital…
Para o sucesso de qualquer acção…
D’uma patrulha, emboscada, ou…
D’um bem planeado golpe de mão!
4
Nesta fase, quem mais se sobressai
Pela sua inequívoca raça
São os perspicazes batedores
Estimados “perdigueiros” de caça
5
Estes potentes observadores
Têm um “sexto” sentido aguçado
Vão na frente e abrem caminho
“Farejam” o inimigo acoitado
6
Na selva lêem como num livro
São exímios na guerrilha no mato
“Adivinham” armadilhas invisíveis
Uma falha e… a morte... é um facto!
7
Ao restante grupo de combate
Transmitem firmeza e confiança
E, colaboram nos preparativos
Com experiência e segurança
8
A inspecção ao equipamento
A vistoria às armas e munições
Tudo bem seguro e apertado
O cantil e o bornal com as rações
9
Ofuscar os objectos brilhantes
Qu’os seus reflexos vêem-se a milhas
Além de perdermos o factor surpresa
O inimigo cerca-nos d’armadilhas
10
São as últimas recomendações;
- Olhar atento... olfacto apurado…
Pois o perigo não avisa... e surge...
De surpresa... de qualquer lado!
11
- Cuidado com os fios na picada...
Não pegar num objecto abandonado...
Seguir as pegadas dos batedores…
Pode estar tudo armadilhado!
12
- Galho ou folha partida de fresco…
Uma pegada no chão... recente…
Uma pequena alteração na paisagem…
São sinais que... por ali passou gente!
13
- Não progredir muito juntos...
Contacto visual... à frente e atrás…
Suspeitar das anormalidades…
Um movimento... um ruído e... zás!
14
- Uma mina ou uma armadilha…
Traiçoeiramente escondida…
Ludibria o instinto supremo…
Qu’aqui… é a preservação da vida!
15
Em todos os pensamentos presentes
Uma interrogação sobrevêm
Intocável!... Fundamental!... Única!...
- Meu Deus hoje haverá mortos... quem?
16
- Arma p’ra cima... Culatra atrás...
Pôr o carregador... Culatra à frente...
Atenção grupo... Está tudo O.K.!?
Ordena o Comandante firmemente!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
M155 - Do meu Amigo Pedro Silva (Sargento do Exército Francês)
M 154 - CINCO AVOS PARA UMA SÓ
Nos RANGERS de Portugal em 1973, a 1ª e única Companhia de Instrução, era constituída por 125 elementos, dividido em 5 Grupos de Combate de 25 homens.
Cada Grupo de Combate (25 homens) era subdividido em 5 equipas de 5 elementos.
RANGER Magalhães Ribeiro – Soldado Instruendo nº 114
CIOE - Penude - 4º Turno/1973
3ª Equipa - 4º Grupo de combate
Geraldes, Bexiga, Vareta, Ferreira e Magalhães
Em Penude s’uniram num elo de amizade profundo
Um quinteto d’escol, dinâmico e divertido
São RANGERS! Quer dizer: Fizeram-nos seres d’outro mundo
Na instrução no quartel em Penude
Apenas havia uma “Companhia”
Repartida em grupos de combate
Qu’em cinco equipas se subdividia
II
Por sua vez, cada uma delas
Era constituída por cinco homens
Mas, no quarto grupo, terceira equipa
Estava a “elite” daqueles jovens
III
Eram os cinco da minha equipa;
O Geraldes, audaz e destemido…
O não menos audacioso Bexiga…
O Vareta, robusto e descontraído…
IV
O baixinho e valente Ferreira…
E, eu, o Magalhães, discreto e “pacatão”
Todos diferentes... um mesmo fim…
Honrar a equipa com distinção!
V
E assim o fizemos... com afinco
Mas fisicamente éramos distintos
Cada qual com as suas qualidades
Embora dotados de bons instintos
VI
O Geraldes além de consistente
Era o “rei” da sobrevivência
Comia de “tudo” com satisfação
E gozava com a nossa renitência
VII
O Bexiga era o “pápa-léguas”
Em corridas batia todo o “plantel”
Arrancava nas partidas e... “voava”
Só o reavistávamos no quartel
VIII
O Vareta era o nosso Hércules
Preparação física d’excelência
Jogava rugby nos tempos livres
Fazia da dureza uma ciência
IX
O Ferreira era o mais divertido
Era o “Miss Puta 74”
Além de cumprir com o exigido
Era um óptimo actor de teatro
X
Eu, tal como o Ferreira, enfim;
Dávamos à equipa o que podíamos
Esforçávamo-nos até à exaustão
Dia a dia, lá nos excedíamos
XI
Mas o grande “segredo” da nossa força
Era a sadia camaradagem
Que unia nos momentos difíceis...
Foi p’ra mim uma nova aprendizagem
XII
Este punhado de “apanhados”
Transpunham as provas com pertinácia
Na dureza nunca mediam esforços
Deslumbrava a sua eficácia
XIII
Mas... confirmando a excepção à regra
A casmurrice... por defeito... era comum
Pelo que se perdia muito tempo
Para que nunca se zangasse nenhum
XIV
Na instrução a nível de equipas
P’ra combinar um plano de acção
Demorava mais um “acordo” final
Do que a sua total execução
XV
Quando as provas metiam bússola
Cada um o seu azimute tirava
E, discutia-se... - Quem está certo?
Qu’alegria se alguém concordava!
XVI
Na travessia do rio com barco
Cinco novas técnicas de remar
Era giro viajar em ziguezague
Duma margem p’ra outra... a agoniar
XVII
Era o “bonito”... nas encruzilhadas...
- Palpita-me que é em frente... vamos!
- À direita é que é o caminho!
- Não, é pela esquerda... sigamos!
XVIII
Quando um s’esgotava... propunha;
- Paremos aqui para descansar!
- Eu não estou cansado... mais adiante!
Enfim... só nos restava uma opção... votar!
XIX
Diz o direito... respeitar a maioria
Um por todos... todos por um lado
Mas... se uma minoria vinha a verificar;
«Vamos mal!». Estava o caldo entornado!
XX
No fim... debatiam-se os erros;
- Ó pá... somos teimosos como burros!
Prevalecia o bom senso e o humor
Objectivo: Missão cumprida... sem murros!
Além do explicável... da narração... das simples palavras...
Mesmo esmiuçando a mais pura das filosofias...
O indiscritível e fraterno “elo” da família RANGER....
É um subtil e sublime ”tabu”... só nosso... todos os dias!





