segunda-feira, 9 de novembro de 2009

M172 - Portugal homenageia os “comandos” guineenses (fuzilados) que combateram no Exército Português


1 -No monumento aos Combatentes do Ultramar
Portugal homenageia os “comandos” guineenses (fuzilados) que combateram no Exército Português

(…) Mas se nós, portugueses (…) nos defendemos com unhas e dentes contra uma agressão injusta e abominável, então passaremos a praticar uma política de genocídio, o que faz pôr os cabelos em pé aos próprios calvos deste mundo dementado. As coisas que se dizem sem resquícios de pudor intelectual e moral. (…)

Cunha Leal, in “A Gadanha da Morte” (1961)


Em boa hora e depois do grande esforço feito pela Associação de Comandos, ao longo de vários anos, a Liga dos Combatentes, zeladora da manutenção e conservação com dignidade, do património que é o Monumento dos Combatentes do Ultramar e do Museu do Combatente existente no Forte anexo, prestou, em nome de Portugal, a homenagem aos 53 militares “Comando” da Guiné, que foram clandestinamente fuzilados pelo PAIGC, “apenas” por se terem combatido com valor e honra, no Exército Português. Os nomes destes militares foram agora colocados nas paredes daquele Forte do Bom Sucesso, à semelhança do que já sucedera como o do Ten-Coronel Maggiolo Gouveia, fuzilado com seus companheiros de infortúnio pela FRETILIN, na antevéspera do Natal de 1975, nos arredores de Aileu/Timor.

Como considero ter havido umaa quota-parte de contribuição no esforço despendido, ao publicar em 1987, o livro “Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros; Guiné 1970-1980” (2007), quero agradecer aos dirigentes da Liga dos Combatentes, na pessoa do General Chito Rodrigues, o facto de terem considerado estes insignes militares (20 oficiais, 29 sargentos e 4 soldados) como representantes dos milhares (segundo o General António de Spínola) de guineenses igualmente fuzilados e enterrados em valas comuns pelo então novo governo da Guiné-Bissau. Tal aconteceu a outros militares dos três Ramos das Forças Armadas, milícias, autoridades gentílicas, cipaios, etc., que o General Nino Vieira, no jornal oficial do PAIGC, na sequência do golpe de Estado em que tomou conta do poder em Bissau, em 1980, considerou serem 500, enterrados em valas comuns de 35 a 38 pessoas.

A este propósito, considero que já devia ser tempo das actuais autoridades da Guiné-Bissau assumirem a suas responsabilidades históricas em relação a tais acontecimentos, antes de pedirem a ajuda humanitária ou a cooperação com Portugal. É que tal foi praticado, sem as vítimas serem julgadas nem ouvidas de acordo com os mais elementares dos Direitos do Homem. Na minha perspectiva ocorreu um autêntico genocídio.

Não quero deixar de destacar aqui e agora o grande militar que foi o meu amigo Coronel José Pais, falecido devido às sequelas dos ferimentos em combate na Guiné e que me exigiu a denúncia (em livro) do sucedido, antes de nos deixar em 2006; foi um oficial que sempre se empenhou em causas nobres de defesa dos desprotegidos e das vítimas das injustiças praticadas em Portugal e nos territórios ultramarinos.

Um genocídio em Angola e um massacre em Moçambique…

Assim como estes vergonhosos acontecimentos ocorreram durante alguns anos desde 1974, quando o PAIGC funcionava sob o “patrocínio” da então URSS (União Soviética), o genocídio que tinha caído inesperadamente sobre a populações brancas e nativas do Norte de Angola, em Março de 1961, segundo vários investigadores, terá sido apoiado pelos EUA, aquando da presidência de John Kennedy.

Nessa altura, em quatro dias de terrorismo fanático, foram levados a efeito assassínios de cerca de 7.200 pessoas (1.200 brancos), com tortura prévia, violações de mulheres e crianças e muitas mutilações de cadáveres.

Recordo que normalmente os escritores e jornalistas portugueses imbuídos de uma cultura de esquerda apenas costumam salientar alguns esporádicos massacres, durante a Guerra do Ultramar - infelizmente à semelhança do que tem ocorrido em qualquer guerra ao longo dos tempos -, como o foi o de Wiriyamu, em Dezembro de 1972. Sobre este caso, uma comissão da ONU (com países então adversos de Portugal), que não chegou a ir a Moçambique, veio dizer, em 1974, que tinha sido 400 o número de mortos. Marcelo Caetano afirmara anteriormente que era menos de um quarto desse quantitativo e eu, em 1994, depois de investigar sobre o assunto, concluí ser um número inferior a metade dos indicados (entre 154 e 188). Face ao descrito se pode avaliar a perspectiva com que se fazem análises sobre alguns acontecimentos conforme o posicionamento político ou os interesses de cada grupo, movimento de libertação ou país.

Voltando à Guiné…

Cunha Leal (1888-1970), um político que vinha do tempo da Iª República, e foi sempre um elemento activo contra o regime do Estado Novo, afirmava a propósito das declarações de Amílcar Cabral ao “Le Monde”, de 14-6-1961 e transcrito no seu mencionado livro (“Gadanha da Morte”):

(…) Como se acaba de ver, mais uma vez, vem a talhe de foice a impertinente e inconcebível tese de que nós, os portugueses, é que estamos a desencadear uma guerra de extermínio contra os povos africanos. Homens armados com equipamentos vindos de países comunistas, atacam inesperadamente, matam e esquartejam os colonizadores brancos, gabando-se ainda por cima, das suas sinistras façanhas, como o fizeram a um correspondente do “Le Monde”. Isto – repito – é para o sr. Amílcar Cabral, para os seu colegas de gang e – o que é mais lamentável – para um grande sector do chamado mundo civilizado, uma operação legítima, senão humanitária. Mas se nós, os portugueses (…) nos defendemos com unhas e dentes contra uma agressão injusta e abominável, então passarem os a praticar uma política de genocídio, o que faz pôr os cabelos em pé até aos próprios calvos deste mundo dementado. As coisas que se dizem sem resquícios de pudor intelectual e moral!”

Curiosamente este estilo de posicionamento do então líder do PAIGC, Amílcar Cabral, continuou a prosperar no decorrer de toda a Guerra do Ultramar, nas designadas elites da oposição ao regime e na propaganda e manipulação da opinião pública mundial contra Portugal.

E a onda chegou até Paris, onde Mário Soares ficou imbuído do designado “espírito descolonizador”, também transmitido pelos seus amigos dos movimentos de libertação; deste modo, quando chegou a hora de descolonizar no pós-25 de Abril, desconhecendo o que na realidade ocorria nos territórios, avançou para a entrega imediata das nossas possessões africanas. Mário Soares por um lado e Melo Antunes por outro, apressaram-se a fazer a descolonização, antes designada por exemplar e que este oficial, pouco tempo antes de falecer, já a apelidava de trágica. Quero ainda recordar o grande abraço de Soares a Machel, em Lusaka, quando ainda morriam militares portugueses em operações de combate em Moçambique.

Enfim, a história isenta deste período ainda está por fazer. Espero que todos os bons portugueses, actores e observadores dos eventos, que ainda estão vivos, possam colaborar neste desiderato.

Mais uma vez endereço as minhas felicitações à Associação de Comandos por ter lutado para que os nomes dos “seus” comandos guineenses tenham sido inscritos no Memorial dos Combatentes.

Igualmente, em meu nome, dos seus familiares e dos “comandos” guineenses exilados em Portugal, renovo os meus agradecimentos públicos à Liga dos Combatentes por ter salientado os nomes destes valorosos militares, que foram clandestinamente fuzilados “apenas” por terem combatido com coragem e tenacidade (muitos ao longo de uma década), no Exército Português.

Coronel Ref. Manuel Bernardo
8-11-2009

Foto: © Jorge Canhão (2009). Direitos reservados.

2 - NOTAS DE MR:

Eu estive na Guiné, até 9 de Setembro de 1974 e, por isso, sou TESTEMUNHA VIVA dos factos e acontecimentos vividos então, bem como das palavras trocadas entre os diversos protagonistas no terreno, Tropas Portuguesas, PAIGC e população nativa.

A última missão do meu batalhão (4612/74), foi assegurar até ao fim a evacuação/retirada do dispositivo militar portugês, que assegurava a soberania portuguesa, naquele território ultramarino.

Assim,posso contar, sem qualquer tipode influência política, a horrível e dramática história dos Milícias, COMANDOS e outros nativos que prestaram SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO, no Exército Português, que foram impiedosa e barbaramente torturados e executados à catanada.
Segundo soube depois da saída total das tropas portugugesas da Guiné, não foram ASSASSINADOS com um golpe limpo e fatal, mas sim com torturas incríveis que passaram pelo corte das mãos e das pernas, e outras não menos terríveis.

Nem à última "honra", a de serem fuzilados como ex-militares, tiveram direito.

Acima de tudo recomendo, aos leitores deste artigo, para terem cuidado com alguns artistas "portugueses", conotados e comprometidos com partidos políticos, e outros traidores e cobardes, que distorcem a seu bel prazer, muitas vezes astuta e ardilosamente, a VERDADE dos factos em favorecimento dos seus macabros e maquiavélicos ideais.

Os FACTOS contam-se em poucas linhas:

- Este NOSSOS ex-militares assassinados, eram BAPTIZADOS e eram detentores de BILHETE DE IDENTIDADE PORTUGUÊS.

- Aos 21/22 anos eram chamados a prestar, como PORTUGUESES, SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO no EXÉRCITO de PORTUGAL.

- Formavam ao noso lado, faziam Juramento e Continência, TAL COMO NÓS PORTUGUESES, à bandeira nacional.

Os terroristas do PAIGC (outra coisa não eram), enganaram bem esses NOSSOS HOMENS, prometendo-lhes que estivessem tranquilos e que não fugissem, pois todos juntos (eles - os PAIGCs -, as populações locais e os NOSSOS ex-militares) eram poucos para "reconstruir", em paz e progresso, a Guiné. Os incidentes da guerra eram para esquecer: Mais nada!
Mal os portugeses abandonaram Bissau iniciou-se a CHACINA, que hoje já muitos consideram um autêntico GENOCÍDIO, coforme se vai conhecendo hoje melhor a dimensão da tragédia.

Como senão bastasse aos assassínos dos ex-militares, que serviram fiel e nobremente Portugal, até os que prestaram simples colaborações aos portugueses, como os inocentes putos a quem dávamos uma moeditas, pelas simples "faxinas" (faziam-nos as camas e varriam-nos os quartos), mataram, ou mutilaram, com ELEVADOS requintes de malvadez.

Que nos reste a consolação que a quase totalidade dos autores das mortes e muitos dos seus responsáveis máximos, sofrerema idênticas e merecidas mortes em guerras e ódios intestinos.
Hoje, há vários ex-militares portuguesese que, louvavelmente, recolhem objectos e utensílios e os enviam para auxiliar aquele martirizado, desgraçado e pobre povo.

Infelizmente, também há alguns, poucos, que têm "amigos" entre os PAIGCs????
Termino deixando um preocupação minha, pessoal, PAIGC quer dizer Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde.

Ora se a Guiné já é independente desde 1974, porque é que eles mantêm esta palavra independência no partido?
Independência HOJE, de quê, OU DE QUEM?
Se o PAIGC sempre lutou na Guiné, porque é que apareceu, e continua a aparecer, ali Cabo Verde?

3 - Sobre este assunto, aonselho a leitura de um site, que alerta também para esta problemática, com os nomes dos Heróis assassinados:


4 - Último livro do Tenente-Coronel Piloto Aviador (Reformado) João José Brandão Ferreira.

Título do livro: Em Nome da Pátria

Autor: Tenente-Coronel Pilav Ref João José Brandão Ferreira

Breve apreciação do livro: O autor recusa a expressão Guerra Colonial, preferindo antes Guerra do Ultramar. Na sua análise considera vergonhoso que Portugal tenha desistido e abandonado África, concluindo que a descolonização enfraqueceu o país.

Contacto: Marina Ramos - Telf. 21 0417380 - Telemóvel: 935745556

Editora: Leya

M171 - RANGERS DE PORTUGAL - C.T.O.E. - LAMEGO - Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo 3



RANGERS DE PORTUGAL
C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais
LAMEGO
Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo


Quartel de Santa Cruz












A parada do quartel de instrução em Penude, vendo-se ao fundo as "mamas da Sofia Loren", em plena Serra de todos os suplícios RANGER. Tropas RANGER em desfile na parada do quartel de Santa Cruz












Tropas RANGER em formatura (sentido) na parada do quartel de Santa Cruz e em desfile, em sentido, perante a Tribuna de Honra

O RANGER Tenente Coronel Fonseca, acompanhando o Senhor Presidente
da Câmara de Lamego - Engº Victor Lopes

M170 - A minha poesia em África - GUINÉ (DO CUMERÉ A BRÁ)


GUINÉ - DO CUMERÉ A BRÁ

Os perigos eram muitos, mas… lá os íamos dobrando…
O maior inimigo era o tempo... interminável...
Cada dia parecia-nos um longo ano bissexto…
Mas o pior eram… as saudades… algo inenarrável!


I
O avião aterra lentamente
Lá fora vejo... uma tabanca?
Não!... aquilo ali, era Bissau!
O aeroporto de Bissalanca

II
Desci os degraus e olhei em volta
Terra estranha de tom encarnado
Paisagem monótona e agreste
Céu cinzento todo enevoado
III
O ar quente e muito húmido
Estava sereno e agradável
Era Julho de setenta e quatro
O ambiente turvo... insondável

IV
Embarcamos rumo ao Cumeré
Numa coluna de viaturas
E... pelo caminho... tudo igual!
Diferentes, só as criaturas…
V
Pretos e pretas com o peito ao léu,
Trouxas à cabeça e filhos em redor
Aqui, e além, malta fardada
Ao longe, o rufar de um tambor

VI
Encravado na ruidosa “Berliet”
Observei curioso aquela terra
E imaginei os sacrifícios
Daqueles onze anos de guerra
VII
Os múltiplos cursos de água…
A vegetação densa e rasteira…
E... a bolanha... negra e insalubre!
Qual deles a maior ratoeira?

VIII
Futa-Fulas, Balantas, Mandingas…
Como diferenciar o inimigo?
Papéis, Futas, Manjacos, Bijagós…
Serão os Fulas, o maior perigo?
IX
Mas se confusas eram as etnias
Maior era a divisão com as religiões
E, assim, uns milhares de negros
Pareciam-me demasiados milhões

X
Animistas, Muçulmanos e Cristãos
Dos quais alguns eram senegaleses…
Pelo meio… muitos cabo-verdianos…
Além de sírios e libaneses!
XI
Os abutres a esvoaçar por cima…
Os mosquitos na pele a picar, e…
Os répteis por ali à nossa volta…
Não aliviavam o mal-estar

XII
As temíveis doenças tropicais
O paludismo tão debilitante
As disenterias e as hepatites
Qual delas a mais fulminante?
XIII
Enfim, surge um aglomerado
De pavilhões pré-fabricados
“Cumeré” dizia uma placa
Havia mato por todos os lados

XIV
Após alojado e alimentado
Acerquei-me da cerca de arame
E pelo que vi, constatei arrepiado;
“Isto aqui era o nosso Vietname”
XV
Dei umas voltas pelas tabancas
Naqueles dias de aclimatação
Os “velhinhos” gozavam e diziam;
- Viv’à liberdade de circulação!
XVI

E, continuavam com as “bocas”;
- Ó “periquitos” que por aí andais...
Aí fora, há umas semanas atrás...
O “turra comia-vos” tal com’estais!
XVII
Aqueles “velhinhos” enrugados
Tez enegrecida e voz de “bagaço”
De idade, vinte e poucos anos
Pareciam talhados de puro aço

XVIII
Um dia, novo destino: Mansoa!
Er’a hora de rendermos o Batalhão
Depois... entregar tudo ao PAIGC!
Foi a nossa derradeira missão!
XIX
Sacos às costas, novo local: Brá!
Pr’ó Batalhão de Engenharia
Lá se passaram mais uns dias, e…
O regresso, breve acontecia

XX
Já a bordo do “UÍGE” medito;
«África atrai de modo anormal…
Aventura?... Novos horizontes?…
Julguei que, saudades, só de Portugal!»
XXI
O povo, os seus costumes, a terra?…
A mística atracção africana?
Tanto se fala dela, ninguém a vê!
Descrevê-la? Talvez p’ra semana!

XXII
Caramba! Mas se era assim tão mau!
Para quê, falar tanto... naquela Guiné?
Porquê saudades?... Voltarei ali um dia?!
Doença... tara... ou que raio isto é?!

RANGER Magalhães Ribeiro Furriel Mil.º da CCS BCAÇ 4612/74
Mansoa/Guiné

sábado, 31 de outubro de 2009

M169 - Aminha poesia em África - Mistifório guinéu


M i s t i f ó r i o g u i n é u

Nas longínquas terras da Guiné
Uma das coisas que mais me intrigava
Er'a estranha mescla populacional
E como esta em paz coabitava

Entre as trinta etnias naturais
Viviam cabo-verdianos e libaneses
Velhos e respeitáveis colonos
Sírios e uns tantos senegaleses

Movendo-se todos na maior das calmas
Cambiando... comerciando... traficando
Numa amálgama de expedientes
Havia por ali de tudo... nada faltando

Ainda hoje sinto ecos de saudade
Dos artistas apregoando o artesanato
“- Manga de ronco... cem pesos! Compra um?”
Dum "shandy"... do "Ronda"... dum boato

E dos amigos e conhecidos qu'ali deixei
Quase todos personagens enigmáticas
O Marinho... a Maria sua mulher...
“Almas” aventureiras... esquemáticas

Vultos misteriosos... lendas vivas
Sobrevivendo naquele agreste meio
Punham-me ao rubro a curiosidade...
Como viviam, ali… sem qualquer receio?

No Cumeré num dia rotineiro
Emergiu das profundezas do mato
Um viajante de aspecto andrajoso
Cujo olhar vidrado o tornava caricato

Tez rugosa... curtida por “mil” sois...
Alguém disse: - É o Figueiredo “O cigano”!
Um ex-soldado português degredado
Qu’errava por ali há muito ano

Temido e desprezado pelos “velhinhos”
Constava que matara a tiro de G-3
Um superior qu’um dia o punira
Por qualquer coisa qu’ele um dia fez

Tal como surgiu... assim se esfumou
Adensando a mística da sua existência
Pediu algumas moedas e um pouco de pão
E sumiu pelo mato fora... na sua penitência

Assim se formava a mística africana
Dos insondáveis e invisíveis laços
Que prendem e apaixonam o viajante
À sua beleza e aos seus suaves traços

Legenda:

“Manga de ronco” – signifacava muito artesanato (no dialecto dos crioulos locais).
“Shandy” - era uma bebida refrescante vendida em Bisau, em latas de 0,33 l.
“Ronda” - era um conceituado e frequentado café situado junto ao porto de Pidjiguiti, em Bissau.
“Marinho” - era o encarregado do sector de construção civil do Batalhão de Engenharia, em Brá.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

M168 - Heli-Assalto em 1967 - Salto de Treino


RANGERS - 1967

Salto de Treino - Heli-Assalto - Salto de Treino


Uma fotografia que nos foi enviada pelo RANGER António Brandão, obtida no seu baptismo de vôo em helicóptero - um velhinho Halouette II.

Estava-se em meados de Novembro, ou Dezembro, de 1967, no decorrer de um treino de saltos em pleno Aeródromo de Chaves.

O fotógrafo foi um Capitão do BCAÇ 2837, que viria a ser o Comandante de Companhia da CCAÇ 2321/22 ou 2323 (coisa que o Brandão não pode precisar).

Foto: © António Brandão (2009). Direitos reservados.

RANGER A. Brandão

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

M167 - RANGERS DE PORTUGAL - C.T.O.E. - LAMEGO - Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo 2




RANGERS DE PORTUGAL - C.T.O.E. - LAMEGO

Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo II
RANGERS DE PORTUGAL

C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais

O Dia da Unidade - 16 de Junho
O dia mais festivo

O símbolo máximo de respeito de uma nação que se digna e honra é a sua Bandeira Nacional.



















Ser RANGER é uma dose de qualidade de vida e um dote pessoal. É um modo diferente de estar nesta vida. É um Homem sentir-se preparado física e

mentalmente, para a defesa da sua Pátria, se necessário, até às últimas

consequências. RANGER não é quem quer... é quem pode e quem luta por isso... até à última gota de suor... até ao último sopro de força . É gente com Vontade e Valor.













Os emblemas RANGER complementam um ser humano, como um super combatente, pronto para todas as missões, em qualquer momento, em qualquer lugar do mundo, em quaisquer meio e circunstâncias.












O Dia da Unidade - 16 de Junho - é sempre o dia mais festivo do C.T.O.E. e de todos os RANGERS, de todas as gerações.


RANGERS ATÉ AO FIM!


Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

M166 - No âmago da acção

No âmago da acção

Um dia reli no bloquito de notas
Umas frases de uma anotação
Duma história inacabada... dizia:
Nome de código: Operação Ficção


Um civil acorrera a informar
Que avistara um grupo "in" ali perto
Cerca de vinte homens bem armados
O combate era mais que certo

Missão: Pesquisa e destruição
Daquelas onde o sangue corre
Trilhos... mato... armas... tiros
Onde se mata... onde se morre


Avançávamos a muito custo
Atolados na lama da picada
A trovoada e o céu escuro
Pressagiavam nova chuvada

O ar quente fustigava-nos o corpo
E o suor mesclado com a humidade
Deslizava-nos pela pele pegajoso
Aumentando a incomodidade


À nossa volta os mosquitos zumbiam
As suas picadas vorazes... irritavam
As redes enroladas em torno da cabeça
Só os olhos por uma nesga espreitavam

Na época das chuvas os ponchos
Eram bons abrigos mas estorvavam
Tolhiam os gestos perigosamente
E... os reflexos é claro... retardavam


O tarrafo ali era denso... “suspeito”
Os sentidos vão em alerta total
Os dedos roçam tensos nos gatilhos
Rebusca-se todo e qualquer sinal

De vez em quando uma "boca" soa
- Rai’s partam tanto lamaçal!
A humidade ía até aos ossos
Baixando o ânimo e o moral


A coluna seguia lenta... apeada
Os homens iam bem espaçados
Numa fila longa e serpenteante
Em silêncio... no mato concentrados

Saíramos do quartel há duas horas
Em missão de reconhecimento
Num percurso em qu’era habitual
O inimigo fazer o seu aparecimento


A rotina tornava-nos máquinas
O tempo e a acção... experientes
A tensão permanente... insensíveis
O perigo e a morte... indiferentes

Valia-nos a sã camaradagem
A partilha dos sonhos... dos receios
A entreajuda física e psíquica
A divisão das tarefas e dos meio


O convívio entre o pessoal
Era fraterno... sincero... leal
As amizades enraizavam-se
Puras... firmes... fora do normal

Continuávamos a caminhar... atentos
Perscutávamos no mato incansáveis
Um movimento... um som... um odor
Um indício dos “turras” insondáveis


Pensa-se nas instruções... uma a uma
Nas minas... nos perigos qu'estamos a correr
Ansiosos que nada aconteça
Mas prontos para o que der e vier

Pensa-se nos objectivos pré-definidos
Na surpresa... na eficácia... no dever...
Se seremos o caçador... ou a presa?
Sob o lema: Antes matar que morrer!


O prenúncio das hostilidades
Vai arrefecendo e secando o suor
A garganta parece dar um nó
A atenção é cada vez maior

Aos poucos o sangue acelera
O cérebro esvazia-se lentamente
Atenção ali... algo se mexeu...
Nada!... É só uma ilusão da mente


Da frente vem uma indicação:
“ - Foi detectada uma mina!”
Tudo em alerta d'imediato
Aceleram os níveis d'adrenalina

Excitação... angústia... tensão
Os olhos ardem da busca apurada
Engole-se a escassa saliva
Os ouvidos aguçam-se... mas nada


Um tiro... dois... está tudo a mexer…
Procurando uma boa protecção…
Mais tiros... explosões de granadas…
Procura-se o “in” no meio da confusão…

As balas às centenas zumbem no ar…
Em todos os sentidos e direcções…
Buscam a vida em nome da morte…
Com a mais maléfica das intenções…


Vozes, ordens, gritos... gemidos de dor…
Numa amálgama digna do inferno…
Matar ou morrer num crepúsculo dantesco…
Impulsos, emoções, heróis, final… eterno!

Luso sangue salpica a fria terra
Brotando das carnes feridas... rasgadas
Vidas que se esvaem pela Pátria
Aqui... longe... em África... nas picadas


Daqueles que dão o seu melhor
Mais ou menos Heróis... sem presunção
Servindo e morrendo em nome de Portugal
Fazendo História... um Povo... uma Nação

M165 - Em fila indiana... no trilho duma emboscada

Em fila indiana... no trilho duma emboscada

Quartel
...Clarim
......Alvorada
.........Formatura
............Soldados
.................Armas
.....................Munições
.........................Rações
............................Comandante
...............................Ordens
..................................Instruções
.....................................Objectivos
........................................Operação
...........................................Progressão
..............................................Caminhar
.................................................Picada
....................................................Mato
.......................................................Alerta
..........................................................Busca
.............................................................Inimigo
................................................................Indícios
...................................................................Movimento
......................................................................Ruído
.........................................................................Odor
............................................................................Calor
...............................................................................Pó
..................................................................................Suor
.....................................................................................Mosquitos
........................................................................................Chuva
...........................................................................................Lama
..............................................................................................Avançar
.................................................................................................Lentidão... Excitação
....................................................................................................Angústia... Tensão
........................................................................................................Perigo... Adrenalina
..........................................................................................................Acção... Emboscada... Combate...
.............................................................................................................Tiros... Protecção
................................................................................................................Balas... Zumbidos
...................................................................................................................Explosões... Vozes
......................................................................................................................Ordens... “- Flanco
.........................................................................................................................Manel
............................................................................................................................Avança!...
...............................................................................................................................Quim
..................................................................................................................................Direita!...
.....................................................................................................................................João
........................................................................................................................................Esquerda!...”
...........................................................................................................................................Impulsos
..............................................................................................................................................Emoções
.................................................................................................................................................Gritos
....................................................................................................................................................Feridos
.......................................................................................................................................................Gemidos
..........................................................................................................................................................Dor
.............................................................................................................................................................Sangue
..........................................................................................................................................................Terra
.......................................................................................................................................................Confusão
....................................................................................................................................................Matar
.................................................................................................................................................Morrer
.............................................................................................................................................Silêncio
...........................................................................................................................................Oração
........................................................................................................................................Heróis
.....................................................................................................................................Povo
..................................................................................................................................História
...............................................................................................................................Pátria...



domingo, 11 de outubro de 2009

M164 - RANGERS DE PORTUGAL - C.T.O.E. - LAMEGO - Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo

RANGERS DE PORTUGAL

C.T.O.E.

Centro de Tropas de Operações Especiais

LAMEGO

O Dia da Unidade

16 de Junho

O dia mais festivo



O símbolo máximo de respeito de uma nação que se digna e honra é a sua Bandeira Nacional.

































Ser RANGER é uma dose de qualidade de vida e um dote pessoal. É um modo diferente de estar nesta vida. É um Homem sentir-se preparada física e

mentalmente para a defesa da sua Pátria, se necessário até às últimas

consequências. Não é quem é quem pode e quem luta por isso até à última gota de suor . É gente com Vontade e Valor.



































Os emblemas RANGER complementam o ser humano, como um super combatente pronto para todas as missões, em qualquer momento, em qualquer lugar do mundo, em quais quer circunstâncias.





























O Dia da Unidade - 16 de Junho - é sempre o dia mais festivo do C.T.O.E. e de todos os RANGERS, de todas as gerações.



RANGERS ATÉ AO FIM!



Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

M163 - TROPAS DE ELITE, por Carlos Varela (in JN de 11 de Outubro de 2009)

Tropas de elite

JN 2009-10-11, 00h08m

CARLOS VARELA

Forças especiais da PSP, GNR, Marinha e Exército vivem no anonimato. E no fio da navalha.

Dos ninjas às rusgas no Bairro da Cova da Moura, passando pelo Afeganistão e Iraque e pela luta ao Gangue do Multibanco. São quatro as forças de operações especiais. Ao todo, englobam cerca de 500 homens.

Os rostos não podem ser fotografados e escondem-se atrás de capuzes ou tintas de camuflagem e quanto aos nomes são fictícios. Seja na GNR, na PSP, no Exército ou na Marinha, esta é uma matriz corrente, uma determinação para quem vem de fora e que reflecte o secretismo a que são obrigados os homens e as acções das forças de operações especiais.

Mas, afinal, que tipo de forças são estas e para que foram criadas? E qual a diferença entre as forças de operações especiais militares e policiais? As primeiras referências históricas a missões e forças que se confundem com o secretismo que rodeia as operações especiais vêm do Japão do século XV, através dos popularizados ninjas. Diz a wikipedia que um "ninja era um agente ou um mercenário encoberto do Japão feudal, especializado na arte da guerra não convencional". O abate de adversários, a espionagem ou reconhecimento, a infiltração e a sabotagem faziam parte das missões destes homens que, pela primeira vez, surgem como uma estrutura própria e um treino à parte.

Este tipo de forças de elite surge, no Ocidente, com mais destaque público durante a Segunda Guerra Mundial, graças aos ingleses, nas operações no Canal da Mancha, no Norte de África e no Sudeste Asiático. Em Portugal, só tem expressão com o deflagrar da Guerra Colonial, entre 1961 e 1974.

Mas o purismo militar que envolve o termo forças de operações especiais - equipas com quatro a seis homens, ligeiramente armadas e muito autónomas, com capacidade para operar na retaguarda do adversário - tem mais definição durante a Guerra Fria. E, em Portugal, o conceito só começa a ser modernizado após o fim da Guerra Colonial, com a consequente reorganização das Forças Armadas, terminando com o actual Centro de Tropas de Operações Especiais, no quartel de Lamego, do Exército, e o Destacamento de Acções Especiais (DAE), da Marinha.

Na PSP e na GNR, em contrapartida, as alterações são em parte influenciadas pelo deflagrar do terrorismo na Europa nos anos 70 e 80 - em Portugal também, com as FP-25 -, mas igualmente pelo agravar dos níveis de criminalidade, nos anos 90 e seguintes, que dão origem à criação do Grupo de Operações Especiais, da PSP (GOE), e do Grupo de Intervenção de Operações Especiais (GIOE), da GNR. São também forças de pequena dimensão e altamente preparadas, mas, ao contrário das operações especiais militares, estão vocacionadas para enfrentar um inimigo interno e operam no âmbito de inquéritos, sob a tutela do Ministério Público.

A ligá-las uma certeza: as missões são sempre de alto risco.

Blindados e homens cooperam na segurança

GIOE - GNR
JN 2009-10-11, 00h10m

O Iraque e a luta ao Gangue do Multibanco são as grandes bandeiras. Estão preparados para várias missões. São cerca de 150 homens.

O blindado aproxima-se do edifício e do piso superior do veículo nasce uma escada que cresce para a janela. Num ápice, quatro homens armados e equipados, as fardas negras, trepam o parapeito e entram no interior do edifício. É apenas um exercício do Grupo de Intervenção de Operações Especiais da GNR, mas dá para ver a flexibilidade de esta força actualmente dispõe. O comandante da unidade, o major Bola, concorda e destaca ao JN a experiência internacional adquirida, "Bósnia, Timor, o Iraque, já passámos em vários teatros de operações, enquanto força constituída". O Iraque, no entanto, acabou por ser o cenário com maior nível de violência a que os Operações Especiais da GNR tiveram que fazer face e o facto de estarem integrados na Unidade de Intervenção (UI) acaba por dar uma mais-valia a nível da operação de equipamentos. O GIOE, por exemplo, é a única força de operações especiais portuguesa que está preparada para operar com veículos blindados, recorrendo às mais de vinte viaturas Iveco atribuídas à UI, que é também a única força de segurança interna a dispor deste tipo de protecção. "Tivemos essa experiência no Iraque e nunca mais a perdemos", aponta um militar. Foi assim que nasceu o blindado que em simultâneo transporta uma escada, aponta um oficial, fruto da necessidade de entrar em zonas urbanas de risco e ter acesso aos edifícios. "Temos que ter capacidade para entrar por onde for mais fácil ou de molde a garantir sempre o factor surpresa". Mas se o Iraque e Timor foram marcos no GIOE a nível de intervenção no exterior, a luta contra o Gangue do Multibanco - que operou nas áreas de Lisboa, Setúbal e Centro - "deu-nos uma enorme experiência na investigação e combate ao crime violento", sustenta o comandante do GIOE. As operações tiveram, por exemplo, como novidade a implicação dos snipers em missões de reconhecimento estático. É uma missão mais comum em forças militares de operações especiais, mas a verdade é o GIOE começou também a aplicar estas técnicas. "Os snipers podem ser também aplicados nas acções de vigilância, antes de entrarmos numa zona crítica, e têm sido também operados nesse sentido", adianta um militar. Flexível e bem equipado, incluindo já disponde snipers pesados, algo também único em forças de segurança, o GIOE prepara agora um novo salto.

Da Cova da Moura para o Iraque

GOE - PSP
JN 2009-10-11, 00h10m

Foi a primeira força de operações especiais no âmbito da segurança interna. É composta por entre 60 e 80 homens.

A equipa entra de rompante no interior da habitação, gritos e armas apontadas intimidam os alvos, em segundos a situação está resolvida. São os GOE da PSP, tão escondidos de olhares indiscretos, mas seguramente os elementos de operações especiais mais conhecidos pelo grande público, mercê das rusgas constantes em que são chamados a intervir e por via de a PSP deter a competência territorial sobre os grandes centros urbanos, ainda mais reforçada na sequência da reestruturação do dispositivo das forças de segurança. "Estamos preparados para intervir em situações de alta violência", sustenta o subintendente Ribeiro, comandante do GOE, a unidade que está integrada na Unidade Especial de Polícia. A força é normalmente chamada a intervir em acções em apoio de uma força policial de investigação, da PSP ou da PJ, ou para dominar indivíduos de alta perigosidade. E para entrar nas casas não há como a "chave universal", como os homens do GOE designam na gíria o ariete, um cilindro metálico maciço com duas pegas nas pontas. "Não há porta que resista, a 'chave universal' abre tudo", dizem, entre gracejos, os agentes do GOE, após mais um dos inúmeros exercícios que regularmente executam. Os bairros mais perigosos de todo o país, como a Cova da Moura, são deles bem conhecidos, em acções que normalmente envolvem alto risco e perigosidade, mas a investigação criminal, ao contrário do que já acontece no GIOE da GNR, está-lhes vedada, se bem que as equipas de vigilância executem trabalho de reconhecimento. "Sim, é uma das nossas funções", admite o subintendente Ribeiro. No entanto, a sua actividade não se resume ao território nacional e têm sido com frequência recrutados para a protecção das instalações diplomáticas portuguesas no estrangeiro. "Estivemos, por exemplo, no Iraque, foi um trabalho bem duro", aponta um agente, sem adiantar mais pormenores, se bem que seja conhecido o permanente ambiente de tensão em que estes homens viviam, praticamente limitados durante meses ao espaço físico da embaixada. As saídas eram apenas aquelas que eram permitidas e previstas no âmbito da escolta e protecção dos diplomatas. Hoje, essa missão de escolta e protecção no exterior começou também a ser desempenhada pelo Corpo de Segurança Pessoal, mas em situação mais áspera aí está o GOE.

Fogo real prepara forças para novas missões

CTOE - Exército
JN 2009-10-11, 00h09m

Têm tido uma presença constante no teatro do Afeganistão e no Kosovo, além de Timor e Guiné-Bissau. São cerca de 200 homens.

"Ia no Humvee que foi atingido por um RPG". Mário responde com um sorriso que rasga o rosto jovem pintalgado em tons de verde. Foi numa missão no Afeganistão, no ano passado, e o sniper estava na altura integrado na companhia portuguesa destacada naquele país. "Só não houve nada de grave por acaso", aponta ao JN, mas o militar volta a responder com um sorriso e um "pois", sem manifestar a razão de ser do "acaso". Muito simplesmente, o rocket foi disparado pelo taliban a uma distância demasiado curta, não armou e acabou por perfurar o blindado, mas sem explodir, o que salvou a vida aos cinco portugueses que iam no seu interior. Mário sabe disso, mas sabe muito mais, bem mais, ele como os outros militares que compõem o Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), com casa no quartel de Lamego, o que os transforma eles próprios em alvos valiosos. Cada homem recebe primeiro uma formação geral, após o que passa para a especialização, que pode ser em transmissões, sniper, ou outra, dependendo das necessidades. Mas, no final da formação, cada homem tem capacidade de sobreviver sozinho em território hostil, uma fórmula que "reside bem mais no equilíbrio psicológico" do que numa qualquer condição de "rambo", como sustenta o coronel Veloso, comandante desta unidade do Exército. A parte física não é descurada, mas toda a actividade da unidade e da preparação das forças passa muito pelo trabalho de conjunto e a criação das equipas, a estrutura base para as operações. E muita desta preparação passa por treinos intensivos, numa repetição exaustiva de cenários, com alteração de pormenores, e muito fogo real. Mário, o jovem sniper, tinha acabado de participar num destes exercícios, que congregara os vários componentes do CTOE. Armado com uma espingarda de precisão Barrett, de calibre .50, o chamado sniper pesado, o soldado divisava uma simples fechadura. Na casa, havia um refém para salvar e a progressão da equipa foi acompanhada pela protecção do fogo de metralhadoras. Mário apontou, disparou e o terceiro tiro fez saltar a fechadura, abrindo a porta. Lançando granadas de fumo, a equipa entrou na habitação e o refém foi rapidamente salvo. Mais um treino concluído e agora já com o olhar virado para um novo cenário, este bem real: o Afeganistão.

Os militares que fazem o combate ao tráfico

DAE - Marinha
00h08m

Actuam em particular em ambiente marítimo e o número de militares está entre os 40 e os 50 homens.

Do helicóptero sai um cabo e quatro militares deslizam na direcção do convés de um navio. Em minutos, o barco é dominado, as armas apontadas, cada porta vigiada, para abrir caminho à vistoria policial, em busca de droga. É o Destacamento de Acções Especiais (DAE), a unidade de elite dos Fuzileiros, tantas vezes usada no combate ao tráfico de droga. "É uma das nossas missões", concorda o comandante do DAE, primeiro-tenente Costa Dias. Com efeito, entre as forças militares, o DAE é o único que é chamado a assegurar missões no âmbito da segurança interna, no combate ao tráfico de droga marítimo, muito por força da colaboração permanente com a Polícia Judiciária, que até agora não tem optado por outra força. A actual revisão da Lei de Defesa Nacional vincou ainda mais essas missões, estabelecendo mais balizas legais para a operação dos militares no âmbito da segurança interna. Mas a actuação do DAE não se limita ao combate ao tráfico de droga. "Temos estado empenhados em vários teatros de operações", salienta um militar, se bem que as operações no exterior estejam limitadas, um pouco por via do não empenhamento do Corpo de Fuzileiros em teatros exteriores, em particular em áereas de conflitos. No entanto, estes homens estão especificamente preparados para o reconhecimento do poder do adversário em benefício de uma força principal de desembarque. É a chamada infiltração, que "pode ser feita de várias formas", aponta um militar. O submarino é um destes meios, com o desembarque nocturno de uma equipa de operações especiais, mas os novos submarinos já estão preparados para lançar os homens para a superfície a partir de uma situação de imersão, tornando ainda mais discreta a operação. No entanto, estes homens também estão preparados para recolher informação geral sobre uma região, uma acção que precede a chegada de uma força. "É verdade, foi o que fizemos há três anos no Congo", avança Costa Dias. A operação geral foi precedida pela chegada de operações especiais de vários estados ocidentais, entre os quais o DAE. Mas na primeira fase não iam fardados e sim à civil, "para melhor poder recolher informação sobre o ambiente no Congo". Era um meio disfarce, porque se sabia que trabalhavam no âmbito da ONU, mas o carácter aparentemente civil ajudou à missão.


JN 2009-10-11, 00h08m

CARLOS VARELA

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

M162 - 31 CONVÍVIOS DA ASSOCIAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS & DIA DA UNIDADE - C.T.O.E.

As Confraternizações Anuais da A.O.E. (Associação de Operações Especiais), têm contado, ao longo dos últimos 31 anos, com a imprescindível e preciosa e indispensável colaboração da sua estimada Unidade de origem, o C.T.O.E. (Centro de Tropas de Operações Especiais). 

Sempre que isso lhe tem sido possível, o CTOE, tem realizado o seu festivo dia anual da Unidade, conjuntamente com a festa anual da AOE. 

Esta comunhão tem permitido que os ex-RANGERS, possam conviver com os novos RANGERS que vão concluindo os seus cursos na actualidade e, ao mesmo tempo, manter os elos que os ligam a esta sua Unidade de formação, não só em termos militares, como muitas vezes, também, complementa das suas formações pessoais em deveres cívicos e pátrios, hoje tal maltratados pelos energúmenos, néscios, bandidos e todo o tipo de anti-patriotas. 

Além disto, permite ainda que os ex-militares do CTOE, assistiam e aplaudam a festa da sua Unidade, fundamentalmente aos que vivem e residem longe da bela cidade de Lamego, cujo povo muito tem acarinhado. 

Assim num mesmo dia tem sido possível harmonizar os festejos.


































Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

domingo, 4 de outubro de 2009

M161 - Armas e equipamentos modernos do Exército Português














































































Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.

sábado, 3 de outubro de 2009

M160 - Armas e equipamentos emblemáticos do Exército Português



Armas e equipamentos emblemáticos


Utilizados pelo Exército Português


Bandeira Nacional e Guiões do C.I.O.E. - Centro de Instrução de Operações Especiais (actual C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais)


























À esquerda vê-se as metralhadora HK 21 e a Uzi. À direita a célebre G3 equipada com mira telescópica, 4 porta-carregadores, a pistola Walter P-36, uma faca de mato e uma bússola. Todos foram usada em quase todo o conflito do Ultramar




























À esquerda vê-se um morteiro de 60 mm e uma metralhadora MG 42 de Origem alemã. À direita estão diversos rádios




Alguns artigos de primeiros socorros
























À esquerda vêem-se diversos rádios. À direita estão meios de deslocação amfíbea



Fotos: José Félix (2009). Direitos reservados.