domingo, 14 de fevereiro de 2010

M187 - Marcelino da Mata - O Herói mais medalhado do Exército Português - ex-Combatente na Guiné


Marcelino da Mata - É o Herói Nacional mais medalhado do Exército Português - ex-Combatente na Guiné
Marcelino da Mata
(em discurso directo)

Marcelino da Mata com as suas condecorações
Nasceu na lua-nova de 3a feira 07 de Maio de 1940, na povoação da Ponte Nova, circunscrição de Tite na região centro-oeste da Guiné Portuguesa; filho de Marcelina Vaz e de Martinho da Mata, ambos de etnia papel.

Após completado o ciclo preparatório em Tite, vai para Bissau: seu pai estava no Brasil e queria que ele fosse estudar lá; mas Marcelino matricula-se em Bissau numa escola particular, onde conclui o ciclo liceal; (entretanto, seu pai morre no Brasil).

– «Quando [em meados de 1959] voltei de Bissau para casa, com o 7º ano, o meu irmão mais velho tinha 1 postal para ir à tropa. Mandou-me ver o que se passava e fui para Bolama, onde me incorporaram pensando que o estavam a incorporar a ele: fiquei com o nome dele. Na altura não havia médico e quem fazia a inspecção era 1 sargento enfermeiro. A inspecção foi assim: ele deu-me 1 murro no estômago, eu encolhi-me e ele disse “é bom”. Fui incorporado em 3 de Janeiro de 1960 [no CIM-Bolama]. Quando acabaram os 2 anos do meu irmão saí, fui à minha terra buscar 1 certidão de nascimento, apresentei-a no quartel e o capitão de artilharia que lá estava disse que eu tinha cumprido os 2 anos do meu irmão e agora ia cumprir os meus.»

– «Fiz a recruta em 5 meses e depois tirei a especialidade em 4 meses. Era condutor-auto. Na recruta éramos 3 naturais da Guin黹.

No início de 1962, é integrado em Bissau na CCac74/BC5 (sob comando do capitão de infantaria Alcides José Sacramento Marques); mas em 19Fev62 transita para o BCac356/BC5 como soldado-condutor; meses depois o batalhão, comandado pelo tenente-coronel de infantaria João Maria da Silva Delgado, passa a constituir uma força de intervenção às ordens do CTIG brigadeiro Fernando Louro de Sousa.

– «Fui para a escola de cabos mas como falo muitos dialectos (balanta, mandinga, fula, mandeco, mancai, um pouco de nalu e de beafada), qualquer tropa que ia para o mato em operações me levava como intérprete.»

Ao entardecer de 23Jan63 perto de Fulacunda, um grupo do PAIGC guiado pelo balanta Diallo e comandado por Arafan Mané, monta uma emboscada na picada Guinala-Buba e lança o 1oataque armado sobre uma patrulha do Exército português.

No mês seguinte, o referido BCac356 (açoreanos com apenas 3 guineenses) é transferido do sector de Bissau para Catió, iniciando a actividade operacional:
– «Começámos a actuar. A 1a operação que fiz foi com um batalhão de açoreanos, o Batalhão 356. Tínhamos 2 companhias operacionais de caçadores, a 76 [i.e, CCac414] e a 91 [i.e, PelMort41]. Eu fui para lá como operacional e intérprete, porque falo 7 dialectos da Guiné, mas na altura ainda não tinha tirado o curso de “comando”. Fomos para a zona sul e, como eu falava balanta, levaram-me como intérprete. Estivémos lá 2 meses. Quando voltei fui integrado na 2aRepartição, o Serviço de Informação Militar. Fui para lá mandado pelo major José Maria Carvalho Teixeira. Como esse major precisava de um intérprete mandou-me chamar e fui como condutor dele. O Carvalho Teixeira veio embora e foi para lá um outro major, de artilharia, que tinha a mania que era bom. Chateei-me e vim-me embora. Foi aí que me ofereci para os “comandos”»¹.

Em 19Jun63 perto de Catió, o furriel miliciano João Nunes Redondo (da CCS/BCac356), morre em combate junto à tabanca do Cubaque.

– «Comecei a perceber o que estava em causa, quando a guerra começou: eu tinha de lutar de um lado; e esse lado era – e é –, Portugal. A princípio não percebia nada de política, mas como não gostava de caboverdeanos e eles estavam à frente do PAIGC, eu estava contra eles; depois, comecei a não gostar do comunismo. Quando se apanhava alguém no mato, ele ou ela dizia logo que não falava português e então eu perguntava de que etnia era, e interpretava para o oficial-comandante. Foi nessas operações em que servia de intérprete que me habituei a estar debaixo de fogo, que comecei a ganhar prática. Apareceu um alferes chamado Maurício [Leonel de Sousa] Saraiva a pedir voluntários para formar um grupo de “comandos” e eu ofereci-me.»

Em 29Out63 tem início no CI16-Quibala (noroeste de Angola), um curso especial de “comandos” ministrado a 9 militares oriundos do CTIG, entre eles o primeiro-cabo de infantaria Abdulai Quetá Jamanca e o soldado de infantaria Abdulai Jaló. E em 06Dez63 os militares oriundos da Guiné, concluem o seu curso de “comandos” e regressam a Bissau:

– «Fui directamente [às 10:00 de 14Jan64] para um navio [fragata F-332 Nuno Tristão], para participar na Operação da ilha do Como. Foi durante essa operação [Tridente] que fizemos [com o alferes Maurício Saraiva] a preparação da IAO, que era à bruta com tiroteio que até fazia suar: havia tantos soldados quantos os inimigos. Era um batalhão de Cavalaria [BCav490], o nosso grupo [25 homens], os pára-quedistas [30 do PelPQ111], 2 destacamentos de fuzileiros especiais [DFE7/8], artilharia e aviação [1 parelha de caças-jacto “North American F-86F 35-NA Sabre” e 3 caça-bombardeiros mono-hélice “Harvard Mk.III (AT-6D)”, do AB2]. Havia operações de noite e de dia, bombardeamentos de noite e de dia. A ilha tinha árvores muito cerradas, com mais de 100 [!?] metros de altura: isso causava problemas com os bombardeamentos, porque as bombas rebentavam nas copas. De dia, a 1 metro, não se via ninguém: só dávamos pelo inimigo quando ele abria fogo; a ilha estava [está] toda cheia de pântanos, de lodo até aos joelhos e de água até à cintura. De cada vez que íamos para o mato, o major Sá Carneiro [i.e, tenente-coronel de cavalaria Fernando José Pereira Marques Cavaleiro], que era o comandante [do BCav490], pedia 1 coisa: 1 dia, para trazermos 1 inimigo vivo, nós trazíamos; depois 1 arma, nós arranjávamos a arma. [...] O batalhão, com quem o “grupo de comandos” teve algumas operações conjuntas, teve vários [2 da CCav487] mortos [em 24Jan64] e 1 dezena de evacuados por causa da matacanha, um bicho que se mete debaixo das unhas: os brancos não conheciam o bicharoco e então mandaram vir 150 estivadores pretos só para tirar as matacanhas. Numa vez, havia 2 pelotões de pára-quedistas vindos de Angola, que diziam que estavam cercados junto a uma ribeira: o grupo de “comandos” foi convocado e desembarcou lá; eles estavam numa situação difícil. Mas conseguimos várias vitórias. Um dia pusémo-nos junto a uma povoação: o inimigo atacou outra unidade à qual causou mortos, e quando voltou à povoação estava lá a nossa emboscada – deixaram alguns mortos; na noite seguinte voltámos lá, eles passaram, começaram a apanhar com o nosso fogo e começaram a retirar. Estivemos lá 75 dias com o meu grupo a trabalhar com o Batalhão de Cavalaria 490 e outras forças. Mas conseguimos limpar a ilha: nós sofremos bastantes [!?] mortos [10 falecidos em combate, mais 48 feridos e doentes evacuados], mas eles sofreram 3 ou 4 vezes mais [...]. Eu tinha conhecido o [comandante do DFE8 primeiro-tenente FZE Guilherme Almor de Alpoim] Calvão, na operação que fizemos na ilha do Como, onde estivemos 75 dias. A ilha do Como estava totalmente ocupada pelo PAIGC. Conseguimos limpar a ilha toda, até deixámos lá ficar 1 companhia de caçadores [CCac557]. Tivemos algumas baixas, mas limpámos a ilha toda. O Calvão tinha 1 segundo-comandante, um cabo [Sebastião Dias da Rosa] que era o imediato e era um maluco. Íamos os 2 pela mata e caçávamos javalis e gazelas. Um dia tivemos 1 emboscada, mas lá nos conseguimos desenrascar e matámos 2 gajos, e apanhámos 1 mulher que vinha com 1 PPSH na mão. O brigadeiro que lá estava nessa altura deu-me 1 condecoração, mas castigou-me por ter ido caçar para o mato. Deu-me 1 Cruz de Guerra de 1a classe e 3 dias de detenção. Nessa operação tivemos para aí umas 30 baixas. Os do PAIGC não se soube bem. Às vezes chegávamos ao mato e encontrávamos carne agarrada às árvores. A artilharia e a aviação bombardeavam. A aviação mandava as bombas e elas rebentavam nas árvores. Havia árvores com 100 [!?] metros de altura e as bombas não chegavam ao solo. Era uma mata cerrada e também muito pantanosa. Durante 40 dias as operações foram contínuas, saía 1 companhia e entrava outra»¹.

Em 24Mar64 o comando-chefe da Guiné dá por terminada a Operação Tridente e o BCav490 regressa a Bissau; o primeiro-cabo Marcelino da Mata fica adstrito à CCS/QG.

Em 29Abr64 em Bissau realiza-se uma cerimónia publica, durante a qual todos os efectivos do “grupo de comandos” actuante na Operação Tridente, recebem as respectivas insígnias “comando”.

E a partir de 23Jul64 integra em Brá, o 1o corpo de instrução do CIC (Centro de Instrução de Comandos) da Guiné.

Em 12Out64 participa como guia do “GrCmds Gatos” numa operação no Sec03 (Mansabá), durante a qual «se aproximou com a mais perfeita técnica do acampamento visado, localizando a sentinela terrorista que acto contínuo pôs fora de combate, abrindo por esta forma caminho ao grupo, na testa do qual prosseguiu no assalto aos bandoleiros, de que resultou a captura de vário material de guerra».

– «Fiz o curso de “comandos”, que durou 9 meses. Quando acabámos o curso, a 1a operação que fizemos foi no Morès. Fomos lá dar porrada aos gajos. O objectivo era destruir o acampamento e apanhar inimigos. Nessa 1a actuação, em que participaram o Alves Ribeiro [!?] e o Saraiva, fizemos 7 mortos e capturámos 3 homens e material-de-guerra. A partir daí comecei a actuar. A guerra na Guiné fazia-se assim: destruíamos os acampamentos, apanhávamos os gajos e o material. O nosso comandante era o [alferes Maurício] Leonel Sousa Saraiva e quem comandava os “comandos” [em Brá 23Ago-17Nov64] era o tenente-coronel [i.e, major de infantaria “comando” António Dias Machado Correia] Diniz, que já morreu [em 25Nov85]. Fizemos várias operações com esse grupo [“Os Fantasmas”] e formaram-se depois mais 4 grupos [Gatos, Camaleões, Panteras, Diabólicos]. O meu comandante [dos “Panteras”] passou a ser um tenente chamado [António Manuel Bairrão] Pombo [dos Santos], que era filho de um general ou brigadeiro [António Augusto dos Santos] que na altura era o [segundo] comandante militar de Moçambique. Este Pombo era [em Bissalanca o comandante do PelAAA943] da artilharia antiaérea e ofereceu-se para os “comandos”»¹.

Em 30Dez64 participa numa acção do “GrCmds Panteras”, no sector L1 (Fá Mandinga): «Pelas 03H00, em que infiltrando-se apenas com dois outros camaradas num acampamento inimigo, conseguiu proteger o avanço do grupo que distava 150 metros do local».

Em 1965, além das operações acima referidas e tendo já participado em 15 acções de “comandos”, termina o seu tempo de serviço nas fileiras, mas apresenta requerimento e é readmitido nas Forças Armadas do CTI-Guiné.

E em 17Mai65 recebe um louvor do comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, brigadeiro Arnaldo Schulz.

– «Saí dos “comandos”. Fui para Farim, no norte, falei com o comandante, tenente-coronel Agostinho Ferreira do Batalhão 1887. Pedi-lhe para me deixar formar um grupo especial [“Os Roncos”]. Na altura a aviação não ia a Farim, a coluna não se fazia, os barcos também não iam lá. Estava tudo bloqueado e o povo tinha fome. Eu formei o grupo, instruí os homens e começámos a actuar. Consegui abrir a estrada para Mansabá, afastei o inimigo e os barcos começaram a atirar. Quando chegou a época do cultivo, abrimos o outro lado do rio, o povo atravessou o rio e começou a cultivar. Na altura o PAIGC estava a 2 km de Farim. Afastei os gajos todos»¹.

Em 28Mai66 é integrado na secção de um grupo de combate da CCac1548, aquartelada em Teixeira Pinto mas reportando ao respectivo BCac1887 sediado em Farim; em 16Jul66 segue com aquela subunidade para Cuntima, posto fronteiriço do norte-centro.

Em 26Jul66 é agraciado com a Cruz de Guerra de 2ª Classe.
Em 02Jan67 participa com a sua secção do grupo de combate “Os Roncos” na Operação Cajado; a sua acção em combate merece em 05Abr67 mais um louvor do brigadeiro Arnaldo Schulz.
E em 09Mai67 é agraciado com a Cruz de Guerra de 1a Classe.

– «O [comandante do CTIG] brigadeiro Sá Carneiro, deu-me uma Cruz de Guerra de 1a classe e outra de 2a, e vim recebê-las em 1967 [sábado, 10 de Junho] ao Terreiro do Paço. Quem me condecorou foi Salazar, que me disse que eu era um herói nacional e que, por aquilo que tinha lido de mim, eu merecia a medalha que tinha no peito. Foi a 1a vez que vim ao Continente e não cheguei a ver Lisboa – foi desembarcar no aeroporto, dormir, ir à parada e voltar a apanhar o avião –, porque estava em preparação uma operação de envergadura no Cumbamorie, no norte, com 3 companhias de tropa [do BCac1887] e o meu grupo [Os Roncos]. No aeroporto de Bissau [BA12-Bissalanca] estavam à minha espera, vesti o camuflado e meti-me numa avioneta directamente para Farim. Quando lá cheguei estavam a arrancar para o mato e eu fui com eles. [...] Esta operação era 40km [!?] dentro do Senegal. O meu grupo empurrava o inimigo para uma clareira, e quando ele chegasse à mata do outro lado deviam estar lá as outras companhias para o limpar. Tinha havido muito tiro, vários tipos atingidos; eles a correr para a mata e nós a deixarmo-nos ficar para trás, para não sermos apanhados pelo fogo da emboscada dos nossos. Mas as companhias não estavam lá; eles começaram a mandar-nos morteiradas. Nesse dia [2ªfeira, 19Jun67] tive 4 mortos: 2 brancos e 2 pretos [registada a morte em combate de 3 guineenses]. Mesmo assim apanhámos imenso material que fizemos carregar aos 21 inimigos que tínhamos apanhado e viemos a pé até à Guiné. [...] Actuava no máximo com 8 homens. Quando não sabia onde eram os acampamentos, ia até à fronteira do Senegal com uma farda do PAIGC e uma bolsa de enfermeiro, entrava numa povoação e dizia: “Venho do Senegal, sou enfermeiro e fui mandado para a zona tal”. E eles encaminhavam-me até ao acampamento, ficava por lá 2 ou 3 dias, tratava dos homens, dava injecções. Às 5 ou 7 horas da noite ia-me embora e apanhava o meu grupo. Às 5 da manhã já estávamos em cima deles.»¹

– «Nunca fui ferido em combate, mas fui ferido várias vezes dentro dos quartéis. Apanhei 1 tiro numa perna quando ia a atravessar uma parada, dado por 1 tipo que estava sentado à porta da caserna a limpar a arma: fiquei 2 dias no quartel; e apanhei 3 tiros de rajada no ombro, dados por 1 amigo meu que, na brincadeira, visou baixo de mais. Os grupos que tive foram “Os Roncos” [Mai66-Jan68], que eram 15 pretos e 15 brancos [da CCac1548] e davam-se todos como irmãos; comigo tinha que ser assim. [...] Parti a cabeça em Farim em 68 [BCac1932, PelMort1210, PelRec1134/2047], numa noite em que estava num destacamento [da CArt1691?], e havia outro a 2 km que estava a ser atacado. Metemo-nos numa viatura e, num cruzamento, ao virar o inimigo emboscado deu 1 bazucada na roda do jipe: dei 6 cambalhotas, bati com a cabeça e parti 1 braço que ficou com o osso todo esmigalhado; levantei-me e eles começaram a gritar “agarra!”, disparei com o outro braço e fiz 2 mortos; eles fugiram e a seguir desmaiei. Puseram-me 1 bocado de metal. Uns tempos depois 1 condutor despistou 1 Unimog, demos várias cambalhotas e o metal entortou; puseram-me outro e noutra operação caí mal ao saltar de 1 helicóptero, o ferro voltou a entortar e tiveram que me meter outro.»

– «Voltei uma 2a vez a essa zona. Havia lá uma vila chamada Quirivam, onde os do PAIGC andavam misturados com a população do Senegal. Fomos lá 15 homens e arrasámo-los. [...] Voltei 3a vez, em 1967 [07Ago67?]. Foi uma das operações que gostei mais de fazer. O comandante [tenente-coronel de infantaria Manuel Agostinho Ferreira] chamou-me e contou-me que a companhia [CCac1546 sediada em Binta] do capitão [miliciano de infantaria Fernando Luís Banha Soares] Carracha, que estava a fazer operações de patrulha na zona da fronteira, fôra toda apanhada à mão pelo PAIGC na véspera – 150 homens apanhados à mão! –, e que eu tinha de ir lá buscá-los. Na vila para onde os levaram, além do PAIGC havia 1 batalhão de pára-quedistas senegaleses. Fomos 19 homens, todos muito armados, menos eu que ia vestido com uma tanga igual à que os senegaleses usam naquela zona. Entrei na vila, cheguei perto do arame farpado do quartel senegalês e vi os nossos homens todos sentados na parada, só em cuecas; nem as meias lhes tinham deixado. O 1o que me reconheceu passou a palavra ao capitão e depois passaram todos uns aos outros. Atirei uma granada ofensiva para o meio da parada e na confusão conseguimos tirar os nossos de lá todos. Mas custou-me chegar à fronteira porque os brancos não estão habituados a andar descalços. A tropa senegalesa fugiu rapidamente, mas o PAIGC vinha atrás de nós. Iam 9 do meu grupo à frente a escoltar os nossos e 10 atrás a aguentar o tiro do inimigo – foi assim até à fronteira e ainda eram mais de 40 [?] km. Pusemos os nossos na fronteira e ainda voltámos para trás para repelir o PAIGC. Nesta operação ganhei a Torre e Espada.»

Em 06Jun69, com o posto de segundo-sargento de Engenharia Rodoviária do CTIG, é agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

– «Depois dos Roncos, o meu grupo de 20 homens era [desde Jan68] “Os Vingadores”, que eram só pretos, e dependíamos do Centro de Operações Especiais chefiado [desde Ago69 pelo major de infantaria Mário Firmino Miguel e em Dez70-Ago71] pelo actual [Mar88-Set94 director da Arma de Cavalaria] general [então major de cavalaria João Ramiro] Alves Ribeiro. E depois foram sempre grupos de brancos integrados em companhias [de “comandos africanos”]. Não tivemos mortos nem feridos, apesar de no início os 5 homens de trás [da 1ªCCmds] terem caído numa emboscada que era suposto não os deixar passar. [...] Habitualmente o PAIGC vinha do Senegal ou da Guiné-Conackry, fazia um ataque e voltava para lá. E depois nós íamos lá, atacávamos e queimávamos tudo.»

– «A situação tornou-se muito crítica na parte leste do Norte da Guiné e foi necessário fazer uma operação para derrotar um efectivo muito numeroso que estava lá instalado. Isto passou-se [na 4acomissão ultramarina, 3a na Guiné] em 1969-1970. A operação foi planeada a nível do comandante-chefe. [...] Os homens do PAIGC estavam na República da Guiné, tinham uma base encostada à fronteira e eu, quando fui de avião, vi a base e pedi ao oficial de artilharia que ia comigo para fazer um plano de fogo. À tarde, quando estávamos na reunião, eu disse a Spínola que tinha visto a base do lado de lá e ele ordenou-me que bombardeasse. Fiquei indeciso e Spínola perguntou-me se eu estava com medo. Depois deu-me a ordem por escrito. Realmente eles fizeram fogo do lado de lá, mas eu não [!?] mandei fazer fogo do lado de cá. Tivemos a sorte daquilo cair nos paióis e incendiou-se tudo. Foi a 1a vez que atacámos a República da Guiné. Foi a operação em que eles tiveram mais baixas. A artilharia acertou em cheio. A partir daí criou-se o gosto de atacar bases na República da Guiné. Às vezes a Força Aérea bombardeava e o Marcelino da Mata ia lá com o seu grupo. Armadilhavam com minas um corredor, destruíam uma ponte ou faziam outra acção e depois eram recolhidos ou vinham pelo seu próprio pé. As operações eram estudadas e levava-se o armamento necessário para a acção: RPG, Kalashnikov. O Marcelino tinha um grupo de indivíduos e fazia também a sua guerra pessoal com o PAIGC. Ele tem para aí uns 16 filhos, legítimos e ilegítimos. Uma vez foi fazer uma operação comigo e quando voltou trazia um bebé. Eu disse-lhe: “Tu, que tens tantos filhos, agora vens com mais um bebé!”. Ele disse-me: “Alguém tinha que tomar conta do menino!”. Era a maneira de ser dele.»²

Em 09Mar70 no noroeste da Guiné, junto à estrada de Teixeira Pinto para o Cacheu, tem lugar nochão manjaco o 3o contacto directo e secreto com elementos do bi-grupo das FARP comandado por André Pedro Gomes, comparecendo desarmado o governador general Spínola, acompanhado pelo seu ajudante-de-campo capitão de cavalaria “comando” João de Almeida Bruno e respectiva escolta chefiada pelo segundo-sargento “comando” Marcelino da Mata.

– «Depois o coronel Rafael Durão, pára-quedista [i.e, o comandante do CAOP1 tenente-coronel pára-quedista Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro], pediu-me para ir para Teixeira Pinto comandar um grupo da 16aCCmds, comandada pelo [capitão de infantaria Jorge] Duarte de Almeida. Quando lá cheguei pedi ao coronel que me deixasse independente, e ele disse-me que sim. Peguei no grupo, dei-lhes mais um bocado de instrução e comecei a actuar sozinho. Depois fui destacado, com esse grupo, para proteger as colunas que iam a São Vicente levar géneros. Um dia à tarde, no ano de 1970, aterrou de avioneta o [comandante do COP3 capitão-tenente FZE] Alpoim Calvão. Disse-me que tinha andado à minha procura e que, afinal, eu estava ali escondido. Eu disse-lhe que não estava escondido, que estava a comandar um grupo de brancos.»¹

– «Um dia [no final de Abr70] apareceu-me [na CCac2547/BCac2879 do tenente-coronel Agostinho Ferreira] em Farim, o comandante Alpoim Calvão e disse que precisava que eu fosse para Cabo Verde dar recruta aos caboverdeanos, de quem eu não gostava. Uma semana depois, estava no mato, veio um helicóptero buscar-me; também fui de helicóptero de Bissau para Cabo Verde [i.e, ilha de Sogá no arquipélago dos Bijagós] e no dia seguinte chegou um barco-patrulha com uns tipos que falavam (francês) uma língua que eu não percebia.»

– «Ao fim de 1 semana [início de Mai70], Calvão mandou-me 1 intérprete que falava crioulo e francês. Depois apareceu o [segundo-comandante do DFE21 segundo-tenente FZE Alberto] Rebordão de Brito e foram vindo mais grupos de homens da Guiné-Conackry, até que se juntaram 400; eu e o Rebordão éramos os únicos portugueses e quem dava instrução aos opositores do Sekou Touré. Passámos 7 meses nisto, ninguém mais sabia de nada a não ser o Calvão e Lisboa.»

– «Quando o Calvão foi ter comigo, disse-me que queria trabalhar comigo. Tinha ido ao comando-chefe fazer uma requisição para me levar. Disse-me que tinha um trabalho para mim: eu iria para Cabo Verde dar instrução à tropa caboverdeana. Assim, eu e o Rebordão de Brito fomos de helicóptero para uma ilha desabitada na Guiné, nos Bijagós. O Rebordão de Brito perguntou-me o que é que nós estávamos ali a fazer. Disse-lhe para ter calma, porque eu também não sabia de nada. No dia seguinte, encostou lá uma LDM, lancha de desembarque militar, com uns gajos pretos e a falar uma língua que eu não conhecia. No 3o dia apareceu o Calvão, que me disse para eu os preparar. Eles falavam francês, mas eu não percebia nada de francês e perguntei-lhe: “Como é que eu vou preparar estes gajos se não percebo a língua deles?”. Ele então arranjou-me um intérprete, um guineense que vivia no Senegal, Alberto Sanque. Eram homens da Guiné-Conackry. A princípio eram uns 30, no fim eram já uns 400. Estivemos lá 7 meses. Preparámos os homens para a Operação Mar Verde, em Conackry. Os únicos que sabiam daquela operação eram o [novo comandante do COE capitão-tenente FZE] Alpoim Calvão, o [CEM-QG/CCFAG tenente-coronel de cavalaria João Paulo] Robin de Andrade,³ e o [governador e comandante-chefe general António Sebastião Ribeiro de] Spínola. Eu sabia porque estava dentro do assunto, andei a preparar os homens, sabia que no dia 22 de Novembro íamos actuar em Conackry. A data podia variar, dependendo do tempo que levássemos a preparar os homens.»¹

Nos dias 19-22Nov70, participa na Operação Mar Verde:
– «No dia 19 de Novembro de 1970 arrancámos para Conackry com 1 companhia de Comandos [1ªCCmdsAfric] e 1 destacamento de Fuzileiros especiais [guineenses DFE21], que só souberam para onde iam já dentro dos barcos – só os oficiais e eu sabíamos antes. Houve tipos que começaram a chorar, porque se contavam muitas histórias acerca de Conackry: um furriel enfermeiro, que tinha andado no PAIGC e se entregou, dizia que estava tudo electrificado, que se tocava num arame e morríamos todos – ele jogava com 1 pau de 2 bicos –, e eu perguntei-lhe como é que eles tinham dinheiro para fazer armadilhas eléctricas, se nem tinham dinheiro para comer. [...] O meu grupo [de assalto “Oscar”] de 5 homens [i.e, 40] era comandado por 1 alferes branco [Abílio Rodrigues Ferreira] que ia na sua 1a operação: era de Administração [com a especialidade “ranger” do CIOE e integrado na 1ªCCmds] e nunca [!?] tinha ouvido um tiro; recebeu a informação de que o seu objectivo era tomar o controle de 1 quartel [na cidade de Conackry] onde estavam apenas 30 homens: afinal era 1 regimento de tropas especiais [Guarda Nacional da Guiné-Conackry] com mais de 1600 homens que tinham sido treinados por checos. Eu só tinha o sabre porque a minha arma tinha caído à água quando passámos do navio-patrulha [i.e, da LDG-Montante] para o bote de borracha [Zebro-III]. Eles detectaram a nossa aproximação e fecharam o portão: eu parti o vidro da casa do guarda [entrando de cabeça seguido de rolamento] e matei o sargento-da-guarda à faca, abri o portão e o grupo entrou; mas o alferes, em vez de entrar, ficou ao meu lado e levou uma rajada. A minha sorte foi que eles não valiam nada – éramos 5 [i.e, 40] e fizemos o que quisemos durante ¼ de hora [04:15–04:30 22Nov70]. Controlámos rapidamente a resistência e só tive 1 morto, que foi o alferes.»

– «Quem foi para o aeroporto, foi o tenente [graduado “comando”] Cicri Marques Vieira que, quando lá chegou, não encontrou nenhum MIG. Encontrou 4 Boeing 747 [i.e, Caravelle], incendiou-os e veio embora. O [tenente “comando”] Januário ficou no cruzamento para impedir o avanço dos carros de combate que vinham de Alfaaia [i.e, Alfa Yaya]. Eu comandava 1 grupo de 5 homens meus [mais 33 guinéus com o citado alferes Abílio Ferreira, que morreu logo à entrada do quartel da Guarda Republicana]. A informação que me deram foi que o quartel em Conackry onde eu devia entrar, era o quartel da tropa que tinha sido especializada na Checoslováquia. Era a tropa da segurança do Sekou Touré. Disseram-me que eram 30 homens. Mas quando entrei nesse quartel vi que era um regimento, tinham aí uns 1600 homens. Como já lá estava dentro dei ordem para fazer cair tudo o que aparecesse. Entrei sem arma. Não tinha arma, só tinha uma faca e o cantil da água, porque quando desembarquei do barco para o bote deixei cair a arma ao mar. Fui o 1o a entrar no quartel. Quando cheguei à porta de armas estavam lá 4 pessoas a conversar. Viram-me, avisaram os sentinelas e fecharam o portão. Nós tínhamos um chapéu grande, do tipo daqueles que os americanos usam para não apanhar sol, enfiei o chapéu pela cabeça, mandei uma cabeçada no vidro e entrei pela janela. Caí em cima da mesa do sargento-da-guarda, ele pôs-se debaixo da mesa e dei-lhe 2 punhaladas, matei-o. Depois, dei a volta e fui abrir o portão. Mal entrámos, o corneteiro começou a tocar a corneta e os gajos começaram a aparecer. A partir daí dei ordem para abater tudo o que aparecesse. Ou morríamos ou matávamos. Ao fim de ½ hora [04:45] tomámos conta do quartel. Agarrámos os inimigos e pusemo-los sentados debaixo do pau da bandeira. De manhã, deixei lá 3 homens e fomos para a sede da polícia. Entrámos na polícia, estava lá ½ dúzia de homens. O Calvão disse-me, através do rádio, que a emissora ainda estava a emitir. O que se passava era que, afinal, a Guiné-Conackry tinha 2 emissoras. Fui para o posto da emissora, rebentei com aquilo e voltei para trás. Passados 10 minutos, o Calvão voltou a dizer-me que a emissora ainda estava a emitir. Eu disse-lhe que era impossível. Voltei lá, atirei 6 granadas ofensivas e o prédio caiu. Quando cheguei outra vez ao quartel, o Calvão voltou a dizer-me que a emissora estava a emitir: era a emissora de Conackry que o João Maka era para destruir mas teve medo de lá ir. Depois peguei no jipe dos gajos, fui com o Martinho e rebentámos a linha do comboio, para não poderem chegar reforços, e voltámos para o quartel. Estivémos lá até às 4 da tarde [i.e, 08:00], os outros embarcaram às 5 da manhã. Nós não soubemos de nada porque o rapaz que ia comigo deixou cair o rádio na água salgada. Estivemos lá até às 4 da tarde [i.e, 8 da manhã] e depois apareceu o Rebordão de Brito para nos vir buscar. Fomos num bote que nos levou para o patrulha. Fui o último a sair de Conackry, às 4 da tarde [i.e, às 08:20]. O objectivo da operação era matar o Sekou Touré e expulsar o PAIGC de Conackry. A operação falhou porque, segundo me disseram, houve alguém que a sabotou. Pagaram a uma pessoa qualquer para sabotar a operação. O João Maka era para ir ao palácio do Sekou Touré. Quando ele desembarcou, à esquerda ficava o cemitério, onde estava o casco de um submarino. O João Maka e um grupo de 60 homens enfiaram-se dentro do submarino e não saíram de lá. A operação falhou logo. O Amílcar Cabral não estava lá, tinha saído 3 dias antes»¹.

Resumo da acção da “equipa Óscar” durante a Operação Mar Verde (Conackry, 22Nov70):
– «18 comandos africanos chefiados pelos alferes Ferreira e Tomás Camará, coadjuvados por Barry Ibrahim com 19 guinéus do FNLG, largam da LDG-Montante em zebros manobrados por pessoal do navio, às 01:35 desembarcam [no dique norte] e seguem ao quartel da Guarda Nacional que assaltam por 2 lados, o alferes Ferreira é mortalmente atingido junto ao portão e o segundo-sargento Marcelino da Mata entra pela janela da casa-da-guarda, liquida os militares que ali se encontram e abre o portão, os restantes comandos entram e liquidam os guardas que saem das casernas, libertam cerca de 400 presos políticos (entre eles na cela 37 o capitão Abou Sommah) encarcerados nas masmorras do quartel, que é entregue à chefia de Barry Ibrahim; já em pleno dia os comandos desta equipa retiram para a praia, onde cerca das 08:20 são os últimos recolhidos por zebros da equipa Victor sob chefia do 2Tn FZE Rebordão de Brito.»

Em 21Abr71 é agraciado com mais uma Cruz de Guerra de 1ª Classe, na sequência de um louvor do MDN por proposta do CCFAG general Spínola: «No decorrer de uma operação [Mar Verde]excepcionalmente difícil e em que, face ao aparecimento de situações imprevisíveis, pôs à prova as suas invulgares qualidades de decisão, de desembaraço e de inultrapassável espírito de missão – tendo morrido em combate, pouco depois do assalto a um aquartelamento inimigo, o comandante do Grupo que desencadeara a acção –, foi o Sargento Marcelino quem assumiu o comando das forças executantes [...]. Face à resistência que o inimigo ofereceu em diversas ocasiões, o Sargento Marcelino, pessoalmente, causou ao inimigo elevado número de baixas, actuando com uma coragem e decisão verdadeiramente notáveis, sendo-lhe devido o êxito total da acção, que decorreu sempre com iminente risco de vida».

Em reconhecimento por feitos cometidos em campanha, é sucessivamente promovido aos postos da cadeia hierárquica, nomeadamente por distinção a primeiro-sargento, e graduado em alferes com a especialidade ‘comando’.

Em 02Nov71 «no decorrer da acção Karen, tendo o inimigo desencadeado um ataque de surpresa, reagiu pronta e decididamente, abatendo um adversário e obrigando os restantes a dispersar, conseguindo, com o seu admirável sangue-frio, suster a natural desorientação dos seus homens».

– «Depois da operação [Mar Verde] fiquei com o meu grupo [“Os Vingadores”] no comando-chefe, em Bissau na Amura. Actuava em toda a Guiné. Estive 14 anos na guerra e nunca gozei 1 semana de férias. Não houve nenhuma operação na Guiné em que eu não tivesse entrado. [...] Na Guiné há muitos pântanos e a mata é cerrada, principalmente na zona sul. Na zona sul anda-se 1km em terra seca e andam-se 4 km com lodo e água até ao peito. O que dava cabo dos brancos era o clima e a água, que não prestava. A maior parte dos brancos que fizeram a tropa na Guiné vieram com o estômago rebentado; a água não prestava, o clima era húmido, havia um calor enorme. Mas, pior do que isso, é que os brancos iam daqui sem conhecer o terreno, sem instrução nenhuma. Eu é que depois andava de batalhão em batalhão a dar a IAO aos homens. O que eles deviam fazer, que precauções deviam tomar no mato, etc. Uma vez cheguei a Bolama e encontrei um batalhão de “periquitos” novos. O alferes, quando lhe pus uma granada na mão para lançar, disse-me que nunca tinha lançado uma granada. Dei-lhes instrução, levei-os para o mato para ouvirem as balas do inimigo e as nossas, para verem a diferença. Quando uma bala passava a certos metros de altura não era preciso atirar, tinha que se avançar, etc. Andei a dar instrução mais de 1 ano, mas ia na mesma para operações.»¹

Em Out72 é colocado no BCmds: «Durante a acção Rosário-I, sendo o seu grupo violentamente atacado à entrada de um acampamento, manteve-se a peito descoberto debaixo de intenso fogo, fazendo serenamente tiro certeiro, forçando dois adversários a fugirem, abandonando as armas, depois do que, reagrupando os seus homens, carregou sobre o objectivo com irresistível agressividade, abatendo, ele próprio, mais dois elementos inimigos».

– «O comandante-chefe era o general Spínola, de quem eu tinha tudo o que queria: eu dizia que havia qualquer coisa em qualquer lado e ele dizia para eu ir e fazer o que entendesse melhor. Durante esse época, quem fez muitas operações comigo foi o [capitão pára-quedista] António [Joaquim] Ramos, que era um grande guerreiro – fizemos mais de 200 operações juntos [...]. Os outros bons guerreiros que conheci foram: no Exército, o [chefe da Repartição de Reordenamento e Auto-Defesa das Populações Jul70-Jun72, major de cavalaria] Carlos [Manuel de] Azeredo [Pinto de Melo e Leme] e o [comandante-geral das Milícias (desde Abr71), major de infantaria] Carlos [Alberto Idães Soares] Fabião; na Marinha, o [1Tn FZE Alberto] Rebordão de Brito [falecido em Nov94 (aos 52 anos) no Hospital da Marinha com a patente de capitão de mar-e-guerra], o [já referido] Alpoim Calvão, o [FZE Jorge] Braga [pós-28Set74 exilado em Madrid] e o [STn FZE José Carlos Freire Falcão] Lucas; e na Força Aérea, o [major piloto-aviador Jaime Tomás] Zuquete [da Fonseca]4, o [comandante da Esq121-BA12 tenente-coronel piloto-aviador José Fernando de Almeida] Brito que era piloto [e foi abatido junto à fronteira sul da Guiné em 28Mar73, por um míssil “Strella” lançado pelo PAIGC], e o [major piloto-aviador Fernando João de Jesus] Vasquez que hoje é general.»

Em Nov72 durante uma operação, é atingido com 1 tiro nas costas: «na acção Rosário-II, apesar de ter sofrido um ferimento ligeiro, recusou-se a ser evacuado e contribuiu decididamente, com a sua indómita coragem, para a debandada do inimigo e para a captura de volumoso material de guerra».

Nos dias 18-20Mai73, participa na Operação Ametista Real:
– «Foi um grande operação com as 3 companhias de Comandos Africanos, que eram comandadas pelo [comandante do BCmdsAfric major de cavalaria “comando” João de] Almeida Bruno, e o meu grupo. O plano era eu ficar no centro, as companhias irem-se espalhando e de cada vez que uma estivesse a apanhar pancada, o meu grupo ia reforçá-la. Dei com 1 depósito de material que devia ter 150 toneladas de equipamento (o Almeida Bruno [em 02Mar95] avaliou-o em 96): entrámos lá, matámos os inimigos que lá estavam e pedimos helicópteros para irem buscar o material, mas eles não podiam pousar e nós incendiámos tudo. Depois disto, todo o caminho até Guidaje tínhamos 1 emboscada à frente e, quando estava acabava, outro grupo atacava-nos por trás: nestes combates fizemos 170 [!?] mortos, confirmados por 1 major do exército senegalês que os contou no terreno.»

– «A operação de que mais gostei foi em Cumbamorie, 40 [i.e, 6] km dentro do Senegal, em 1973. Nesse dia levei 6 homens. Entrámos, eles [as 2 CCmdsAfric] fizeram 1 U e eu entrei pelo meio, onde estava o paiol. Quando cheguei ao paiol estavam lá 15 homens de vigia, abafámos os gajos e... acabou. A 3aCCmds encontrou lá 1 major pára-quedista, que era engenheiro e que estava a fazer o alcatroamento da estrada [paralela à fronteira do Casamance], que saía de Ziguinchor para Tanafe. Os comandos africanos mataram o gajo. Mal o mataram, os outros que lá estavam a trabalhar comunicaram ao batalhão de pára-quedistas e eles avançaram. Mas naquela altura os comandos já tinham retirado. Como eu estava dentro do paiol, eu é que paguei. Nessa operação fizemos 160 [!?] mortos e apanhámos 96 toneladas de material. Éramos 6 homens, estivemos lá desde as 9 da manhã até às 6 e ½ da tarde. Estávamos dentro do paiol, tínhamos todo o tipo de material e eu, mal soube que eles estavam a avançar, montei todas as metralhadoras pesadas que lá havia, deixámo-los avançar até 40 metros e depois abrimos fogo de metralhadora ligeira. Conforme os gajos se iam afastando, íamos pegando nas armas pesadas e, quando estávamos do lado de lá da estrada, abrimos fogo. Depois recebemos ordens de que os helicópteros não iam lá buscar o material. Os homens do PAIGC começaram a perseguir-nos. Mandei os 2 gajos à frente a carregar os feridos e eu e mais outro vínhamos atrás. Foi um tiroteio que nunca mais acabava. Pelo caminho fizemos 71 [!?] mortos. O Almeida Bruno, o [2Cmdt do BCmdsAfric e comandante do agrupamento Centauro, capitão de infantaria “comando” Raul Miguel Socorro] Folques e outros podem confirmar isto. Quando o PAIGC concentrava uma força numa zona e a tropa ocidental não podia controlar, nós íamos lá e arrasávamos o PAIGC. Esta zona era completamente controlada pelo PAIGC. Nem a tropa do Senegal nem ninguém ia lá. A tropa ocidental entrou em contacto connosco e nós fomos lá arrasar o PAIGC.»¹

– «A estrada de Guidaje, com 16km, estava fechada: diziam que eram precisas 8 companhias para lá chegar. As milícias levavam 3 máquinas de engenharia, abriam 1 estrada para se ir; e para se voltar tinham de abrir outra, porque a 1a já estava toda minada; no dia seguinte a mesma coisa, 2 estradas. Foram lá 3 destacamentos e o meu grupo, tivemos combates do diabo e apanhámos 2 comandantes da zona inimigos: durante a noite consegui infiltrar-me e instalar-me no abrigo deles; estava armado até aos dentes, tinha 20 homens com 10 metralhadoras pesadas, 10 bazookas e nenhuma arma ligeira. O golpe final foi quando mandei as milícias avançar para atacarem ao amanhecer: quando eles ouviram as viaturas, correram para os abrigos mas eu já lá estava à espera; eles estavam a 20mts quando mandei abrir fogo, as milícias sentiram e cercaram o inimigo, e empurrámo-lo para uma clareira; fizemos muitos mortos e eles acabaram por abandonar o local para sempre.»

Em 09Jun73, é de novo louvado pelo CCFAG general Spínola e condecorado com mais 1 Cruz de Guerra de 3ª Classe: «À frente dos seus homens, que galvanizou com o exemplo da sua coragem excepcional, tomou de assalto vários depósitos de material de guerra que o inimigo defendia vivamente, forçando-o a retirar com pesadas baixas. Encarregado, posteriormente, de destruir o enorme volume de material apreendido, desempenhou-se da incumbência com admirável perícia e completa eficácia, apesar de todas as destruições terem sido executadas debaixo de fogo inimigo. Finalmente, ofereceu-se para comandar o escalão da retaguarda das nossas forças, conseguindo deter o inimigo com extrema agressividade e hábil manobra, prestando desta forma relevante contributo para o extraordinário êxito da operação».

Em 22Ago73 recebe outro louvor do MDN e, por proposta do ex-CCFAG general Spínola, é agraciado com a 3a Cruz de Guerra de 1ª Classe.

– «Uma vez, no Embré [Emberenque], tentaram fazer-me uma emboscada. Nesse dia éramos 12 [i.e, 20]. Tinha ido para lá um batalhão de comandos que não conseguiu entrar e voltou para trás. O [novo governador e comandante-chefe] general [José Manuel de] Bethencourt [Conceição] Rodrigues chamou-me e disse-me para eu lá ir. Perguntou-me quando é que eu ia, mas eu disse que isso não dizia. Apareci lá um dia às 4 da tarde, fomos de helicóptero e vimos 1 grupo do PAIGC a desembarcar material da piroga. Fomos fazer essa operação, apanhámos o material, o helicóptero foi pôr o material a Bissau e voltou.»¹

No início de 1974, com o seu grupo de 20 homens faz mais uma operação no sudoeste: às 05:30 seguem pelo rio Cacine em ‘zebros’ dos fuzileiros do DFE22 e ½ hora depois desembarcam num pequeno afluente entre Aiamaia-Porto e Emberenque: durante o trajecto a pé pela lama das margens, são logo recebidos por uma rajada do PAIGC:

– «Pensei “isto vai ser bom, hoje!” e a minha rapaziada começou logo a gritar, a fazer soar apitos e a cantar algumas coisas que nem eu percebia porque eram dialectos que eu não falava».

Depois dão uma volta, chegam à base inimiga e apanham material, mas nada podem trazer: os pilotos dos Alouette-III têm «receio de pousar» e os aviões não sobrevoam a área «por medo dos mísseis» terra-ar. O grupo do alferes Marcelino larga fogo aos depósitos de armamento inimigo e segue para outra base do PAIGC, onde captura morteiros e armas pesadas, recolhidas por um helicóptero; depois capturam uma rampa de foguetões que é levada para Cacine por outro helicóptero; e o restante material ligeiro, em grande quantidade, é todo incinerado. Na região, o PAIGC é apoiado por cerca de 2 mil balantas, os combates duram todo o dia e o grupo de ‘comandos’ reabastece-se com o material capturado, sempre a correr atrás do inimigo, sem parar, debaixo de fogo desde as 6 da manhã até à 1 hora da madrugada seguinte, quando se dirigem ao aquartelamento de Emberenque e a caminho do qual um grupo IN, junto a uma antiga estrada, cavou uma vala:

– «Eu ia à frente, veio de lá 1 rajada que até me encandeou, atirei-me para o chão e joguei 2 granadas ofensivas para dentro da vala; eles calaram-se logo, todos mortos. Continuámos a avançar e de manhã havia 1 clareira com capim; eles estavam na orla da mata à nossa espera, detectámo-los, mandei 2 equipas de 5 cercarem-nos por trás e nós atravessámos à frente deles. Quando o inimigo viu o capim a mexer começou a fazer fogo e atrás de nós o capim, seco e com 3 a 4 metros de altura, começou a arder com chamas enormes. As 2 equipas abriram fogo em cima deles, na altura em que eles arrancaram para vir ao nosso encontro. Atacados por trás, passaram-nos à frente e fugiram: mais de 30 foram mortos por nós ou pelo fogo; não apanhámos nenhum, nem armas que eram só ferros retorcidos. [...] Acabámos por chegar à vista do quartel: eles tinham sentido tiros, nós éramos todos pretos e as 2 companhias que lá estavam começaram a fazer fogo em cima de nós, com morteiros e armas pesadas e tudo o que tinham. Tínhamos comunicado com o quartel a dizer que íamos chegar, que estávamos à distância tal, mas eles devem ter-se esquecido de avisar o sentinela; o tipo viu uns pretos aproximaram-se, abriu fogo e toda a gente foi atrás dele. As bazucadas cortavam as palmeiras, mas nós estávamos a 30mts do quartel e eles estavam a fazer fogo para 200mts. Durante 2 horas e ½ gastaram munições; então passou 1 avioneta e nós comunicámos para ela lhes dizer que estavam a fazer tiro para o meu grupo. [...] Depois viemos para o rio e a minha equipa que vinha atrás, com binóculos de longo alcance viu um grupo de observadores do PAIGC a fugir; fez fogo, matou 1 e feriu outro, foi lá e trouxe o ferido. Nós tínhamos comunicado aos fuzileiros que estávamos a chegar; eles vieram-nos buscar para nos levar para Cacine e aí é que as coisas correram mal. Eu ia à frente – era sempre o nº 1 do meu grupo –, apareci numa clareira já com lodo até aos joelhos e 1 fuzileiro da metralhadora-pesada MG desata a fazer fogo: ao atirar-me para o chão apanhei 1 tiro, a bala ficou encravada no osso (e com o tempo e os movimentos acabou por se soltar, tiraram-ma em 1983); 1 soldado meu apanhou 1 rajada pelo joelho que lhe cortou 1 perna (que ficou lá no lodo). Tudo isto por estupidez do tenente que vinha a comandá-los: atirei-me ao tenente e fartei-me de lhe bater, queria matá-lo à pancada.»

– «No dia seguinte [ao citado assalto helitransportado] fomos de bote com o destacamento 22 dos fuzileiros [DFE22] e desembarcámos em Embré às 6 da manhã. Desde as 6 da manhã até à 1 e ½ da manhã eles [PAIGC] fizeram fogo. O capitão pára-quedista Valente dos Santos esteve comigo nesse dia. Apanhámos 4 morteiros 120, 3 rampas de foguetão 128, 9 morteiros 82 e descobrimos 1 paiol com não sei quantas toneladas de armamento, que depois incendiámos. Depois éramos para desembarcar em Gadamael-Porto, para apanharmos a antiga estrada para Embré. Assim aconteceu. Fizemos essa missão das 6 da manhã à 1 da manhã.»¹

– «Quando se deu o 25 de Abril, a situação na Guiné estava controlada por nós: eu dava a volta toda à Guiné; só faltava destruir a base do PAIGC de Kadiaf [Candjafra], porque a de Foulamorie já o tinha sido. E no dia 25 de Abril de 1974 eu estava nessa base, que se situava em território da Guiné-Conackry: fui lá [em 20Abr74] com um furriel meu chamado Silva Imbefá, armados em enfermeiros do PAIGC – fiz assim muitos reconhecimentos, depois voltava, pegava nos meus homens e ia fazer um assalto o mais rapidamente possível. Estivemos lá 6 dias a curar doentes e feridos, para saber quantos homens havia, os locais de armamento, tudo isso. Quando fugimos da base e chegámos a Quêpe [Quebo], o major segundo-comandante da unidade local perguntou-me de onde tinha vindo: eu disse que tinha vindo do mato e ele perguntou-me se eu não sabia que a guerra tinha acabado; eu disse que a guerra não tinha acabado, que ainda poucos dias antes tinha estado debaixo de fogo; mas ele disse que a guerra tinha acabado. Eu não acreditei, mas ao almoço o rádio dizia que havia um cessar-fogo, suspensão da guerra para conversações e pensei que era quando aquilo estava quase ganho que iam suspender a guerra. Eu pensei atacar Kadiaf [Candjafra] no dia seguinte, porque tinha desaparecido da base e eles iam começar a desconfiar rapidamente. E ataquei. [...] Quando regressámos [28Abr74] a Pula [i.e, Bula], 1 soldado meu [João Mango da 2ª/BCmds, natural de Pecixe/Cacheu] saltou do carro e deixou cair 1 granada [i.e, 2] de rocket: ele ficou sem os 2 pés [e depois morreu]; eu fiquei com mais de 100 estilhaços no corpo; todos os meus homens ficaram feridos; e muitos dos do batalhão [de intervenção BCav8320, estacionado em Bula], que tinham ido ver-nos chegar – eles vinham sempre para ouvir contar as histórias e ver o material que tínhamos apanhado. No conjunto houve mais de 100 feridos [na CCS e 2a/BCav8320]; fui evacuado para o hospital de lá [HM241-Bissau] e depois para o continente [HMP-Estrela], no dia 2 de Maio.»

– «No dia 25 de Abril estava no mato, na fronteira com a Guiné-Conackry. Tinha ido patrulhar a única base que o PAIGC ainda lá tinha. Fui eu e o meu furriel, disfarçados de enfermeiros, e estivemos lá 3 dias. O acampamento deles era a 11km da [fronteira sul com a Guiné] Conackry. Havia lá centenas de pessoas mutiladas. Quando voltei, ia apanhar o meu grupo que estava em Aldeia Formosa, encontrei o segundo-comandante do batalhão [BCac4513], que era um major de artilharia [i.e, de infantaria Duarte Dias Marques], que me perguntou de onde é que eu vinha. Eu respondi que vinha do mato. “Então você anda no mato? Não sabe que a guerra já acabou?”, disse-me ele. Eu mandei-o à fava. Mas ao ½ dia, quando estava na messe a comer, ouvi na rádio que o Spínola tinha feito um golpe em Portugal e que a guerra estava suspensa. Quando chegámos [i.e, regressámos] a Bissau, eu tinha sido destacado para Bula. Desci do carro, houve 1 soldado meu chamado Mário Dantas [i.e, João Mango] que, quando saltou do carro, deixou cair 2 granadas [de rocket]. As granadas explodiram por baixo dele, ficou sem os 2 pés e eu fiquei com 117 estilhaços no corpo. Fui evacuado para Portugal, para o Hospital Militar. Como eu era alferes do Quadro Permanente fiquei cá. [...] Eu vim para cá deitado numa maca, deixei tudo na Guiné. Depois a minha mãe ficou com medo e o PAIGC queimou tudo.»¹

– «Dos que foram graduados em generais depois do 25 de Abril, o Fabião era o único que merecia: foi um homem muito corajoso no mato, que nunca virou as costas ao inimigo e limpou a zona sul toda em 4 anos. Já o [capitão de artilharia] Otelo [Nuno Romão Saraiva de Carvalho], nunca participou numa operação. [...] Havia 60 mil tropas brancos e 40 mil africanos, o que não chegava para a guerra, mas com outros tantos já se teria um exército como devia ser; só a tropa guineense chegava para controlar a Guiné. Podia ter-se negociado com o PAIGC para formar um exército no qual eles se integrassem: porque nós éramos um exército formado e com largos anos de guerra, e eles eram guerrilheiros sem formação militar e sem quadros – portanto, eles deviam integrar-se nesse exército e não nós no deles. Se depois do 25 de Abril, com uma Guiné em autodeterminação, me tivessem dito para organizar um exército na Guiné que não deixasse entrar o PAIGC, era simples: a autodeterminação eliminava uma grande dificuldade de Portugal, que era não poder invadir o Senegal e a Guiné-Conackry; e a Guiné-Bissau podia fazer isso. A guerra acabava logo, porque o Senegal e a Guiné-Conackry deixavam de apoiar o PAIGC. A minha ideia é que haveria um período de autodeterminação de 15 anos, durante o qual se formariam quadros civis e militares em Portugal, dentro de uma federação de países. Depois seria a independência plena, dentro de uma comunidade como a que a Inglaterra tem com as suas ex-colónias: mantinha-se essa união em que as pessoas pudessem ir livremente de um país para o outro, mas onde em todos se vivesse bem. Depois de eu cá estar havia cerca de 2 meses, começaram a desarmar a tropa africana lá. [...] Hoje acho que me mandaram logo embora da Guiné a seguir ao 25 de Abril, porque não havia tropa nenhuma da Guiné, fosse de que arma fosse, ou da milícia, que não me obedecesse. Depois estive no palácio de Belém como adjunto do chefe da casa militar do presidente da República (foi o Almeida Bruno que me levou para lá). Em finais de 1974 fui para o RCmds [i.e, BCmds11] e o Jaime Neves pôs-me a dar uma instrução que não existia, a de guerrilha urbana e guerra convencional de cidades; 2 meses depois, alguns tipos foram queixar-se que eu puxava muito por eles e deixei de dar instrução. Passei a não fazer nada e os dias a jogar às cartas. [...] Tenho os cursos de comandos, de operações especiais, de fuzileiro especial, de mergulhador e de pára-quedista; e de sapador de minas e armadilhas, de enfermeiro e de cozinheiro, estes faziam parte do curso de comandos. Ganhei duas [1] cruzes de guerra na ilha do Como, duas [1] em Farim, uma em Quenchum [!?], uma em Conackry (foi o Spínola que ma deu) e outra na operação de Cumbamorie.»5

1975 – Maio.18 (domingo)

No quartel do RALIS em Sacavém, prosseguem as sevícias sobre os «perigosos fascistas ontem presos».

– «Apareceu depois das 24:00 um indivíduo alto, forte e de cabelo e barba compridos que, intitulando-se segundo-comandante do RALIS – mas que depois vim a saber que se tratava de um militante do MRPP conhecido por Ribeiro –, me estendeu um papel para aí eu escrever tudo o que sabia sobre o ELP. Mais tarde apareceu um aspirante e um furriel chamado Duarte, e [depois] o capitão Manuel Augusto Seixas Quinhones de Magalhães6, que tornaram a fazer a mesma pergunta. Uma vez que jamais tinha ligação com o ELP ou qualquer organização outra, respondi-lhes negativamente. Entrou então o capitão Quinhones de Magalhães, disse-me que me ia fazer o mesmo que se fazia na Guiné aos “turras” quando não queriam falar, e puxou do seu cinturão no que foi secundado pelo furriel Duarte. Saiu o capitão Quinhones e regressou acompanhado de outro indivíduo baixo e forte (que também vim a saber ser do MRPP e conhecido por Jorge), e mais outro furriel, aos quais o capitão Quinhones ordenou que me fossem batendo à bruta até que eu confessasse. Apareceu então o [comandante do RALIS] tenente-coronel Leal de Almeida que [apesar de muito bem conhecer da Guiné o deponente] me disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados, e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem isso. Ordenou o capitão Quinhones que me encostassem à parede e despisse a camisa, o que tive de fazer. Após isto, fui agredido sete vezes com uma cadeira de ferro nas costas, o que me provocou vários ferimentos. Não resistindo caí, mas o capitão Quinhones disse que me pusesse de joelhos e um outro indivíduo que entrou intitulando-se oficial de marinha, agrediu-me mais duas vezes com a cadeira. Após isto o capitão Quinhones e o furriel Duarte, um de cada lado, agrediram-me com o cinturão por todo o corpo e eu, que já sentia dores na coluna, senti dores nas costelas e caí novamente no chão. O capitão Quinhones ria-se e dizia que o tenente-coronel Leal de Almeida queria que eu falasse nem que eu ficasse todo partido e que ele ia mesmo fazer-me falar. Passados uns momentos, quando me encontrava novamente sentado e como fizesse intenção de reagir às agressões, algemaram-me e perguntaram-me se eu conhecia uns indivíduos, os quais haviam entrado mais ou menos quando me começaram a agredir com a cadeira de ferro. Como eu dissesse que conhecia alguns deles [da Guiné] e outros não, foram-me dizendo os nomes apontando para eles e enunciaram: um Coelho da Silva, um dr. Maurício, que não conhecia; e o João Vaz Alvarenga, Augusto Fernandes (Baticã) e o Artur, todos africanos, os quais já conhecia da Guiné. Então o capitão Quinhones ordenou ao tal [militante do MRPP] Jorge que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz. Pela terceira vez que me fizeram isto desmaiei, pois não aguentei. Quando recuperei tornaram, o capitão Quinhones e o furriel Duarte, a agredir-me com os cinturões e a cadeira de ferro, sentindo eu nessa altura que devia estar con fractura da coluna e costelas e tinha vários ferimentos grandes em todo o corpo. Mais uma vez não aguentei e desmaiei. Ao recuperar os sentidos encontrava-me todo molhado e ensanguentado, não tinha movimentos nas pernas e quase não podia respirar além de fortes dores por todo o corpo. Por voltas das 6 horas do dia 18 trouxeram para junto de mim e dos outros [5] indivíduos que estavam ali presos e já mencionados, o Fernando Figueiredo Rosa também [do extinto BCmdsAfric] da Guiné, ao qual agrediram com a cadeira de ferro e arrastaram para fora da sala. Entretanto entrou também uma senhora que dizia ser mulher do Coelho da Silva, à qual o furriel [Duarte] apalpou as nádegas e os seios e outras partes do corpo, frente ao marido. Fui algemado logo a seguir à entrada da senhora e conduzido à prisão [do quartel], onde um furriel encheu com água, até ao nível dos tornozelos, a cela. Por volta das 23:00 fui retirado da prisão e vi o tenente fuzileiro Côrte-Real e o ex-tenente fuzileiro [sub-tenente FZE José Carlos Freire] Falcão Lucas7 cá fora, os quais ao ver o meu estado me disseram que a eles também tinham dado um “bom tratamento” mas não tanto como o meu. Fui metido a seguir numa Chaimite e levado para Caxias onde cheguei já pelas 01:00 ou 02:00 do dia 19Mai75. Chegado a Caxias o capitão-tenente [FZE João Eduardo da Costa] Xavier8, e o qual conhecia da Guiné, tratou-me com termos ordinários e obscenos e mandou-me levar para uma cela, apesar de ver o estado em que me encontrava e de me ter queixado e afirmado que necessitava ser assistido clinicamente. Só no dia 21Mai75 e depois de muito insistir com pedidos ao oficial-de-serviço, aspirante de Marinha Fernandes, fui levado à enfermaria [da Prisão-Hospital São João de Deus] de Caxias onde me fizeram os primeiros tratamentos, mas quando era necessário ser radiografado faziam-no sempre às zonas do corpo que não eram aquelas de que me queixava. Permaneci 150 dias [os primeiros 90 incomunicável] em Caxias e só quando fui libertado [em 15Out75] e colocado com residência fixa, consegui ser tratado convenientemente e soube ter tido fractura de duas costelas e da coluna.»9

– «Apareceu [depois das 00:00 de 18Mai75 na sala do edifício do comando do RALIS] um aspirante e dois sargentos [furriéis] que me perguntaram que ligação tinha eu com o ELP: eu disse que tinha sido a primeira vez que ouvira falar nisso e que não sabia o que era, e eles explicaram-me; depois apareceram mais dois, e um deles, de barba postiça, identificou-me como segundo-comandante do ELP. Mandaram-me despir a camisa e encostar à parede. Um deu-me uma bofetada, eu dei-lhe um murro e o tipo caíu: entraram soldados, agarraram-me, puseram-me três algemas nos braços e nos pulsos, encostaram-me à parede e começaram-me a bater com cadeiras de ferro; partiram treze e partiram-me a bacia e quatro costelas, e aleijaram-me seriamente a coluna: às vezes não posso respirar nem urinar. A seguir mandaram-me para Caxias, onde estive sete [i.e, cinco] meses. Primeiro durante três meses incomunicável. Uma vez, já estava com os outros presos, fiz qualquer coisa que eles não queriam e puseram-me num buraco muito pequeno e sem luz durante dois dias.»10

No início da madrugada de 19Mai75, após ter sido preso e espancado no RALIS durante 6 horas, é levado para Caxias onde fica encarcerado em regime incomunicável durante 90 dias, seguidos de 60 dias em regime normal.

– «Quando [em 15Out75] me libertaram de Caxias, na mesma noite foram a minha casa – vim a saber depois que para me raptar e mandar para a Guiné –, mas enquanto eles perguntavam por mim, desci por 1 corda do 2o andar até ao chão. Apanhei 1 táxi para Benfica, encontrei lá 1 conhecido que me levou a Coimbra e me deu dinheiro para ir de camioneta até Chaves. Cheguei lá sem dinheiro nenhum, vi 1 guarda fiscal e dirigi-me a ele, disse que tinha fugido de Caxias e que queria ir para Espanha; ele perguntou-me se eu tinha dinheiro, eu respondi que não e ele deu-me 2 mil pesetas e indicou-me como evitar os outros colegas dele. Do outro lado apanhei a camioneta para Madrid, onde não conhecia ninguém; dormi 3 dias no metropolitano e ao 3o dia houve 1 espanhol que me perguntou se queria trabalho; fui distribuir Coca-Cola num camião, ele pagou-me 30 mil pesetas e fui para França, onde tinha 1 tio. Tratei-me lá um pouco e voltei para Madrid, porque na terra onde o meu tio estava não havia trabalho; em Madrid arranjei outra vez trabalho, encontrei 1 conhecido que conhecia 1 médico que tinha fugido da Rússia, que foi quem me tratou. [...] Voltei a Portugal depois do 25 de Novembro de 1975 e apresentei-me no Regimento de Comandos. Em 1980 fizeram-me assinar um documento a dizer que queria sair da tropa; houve algumas dificuldades com a percentagem de incapacidade que me queriam dar (eu sou alferes graduado em capitão e nessa altura era preciso ter 60% de incapacidade para se manter o posto de reforma), mas deram-me 64% e vim embora da tropa. A diferença de salários é muito importante quando se tem 14 filhos».

Em 10Dez80, por despacho do CEME e decisão do Conselho da Revolução, é confirmado o processo pendente, desde 1973, da sua promoção por distinção a alferes do SGE, com antiguidade reportada a 01Ago73. E em 18Dez80, por 2 despachos do CEME e decisão do mesmo CR, é promovido por diuturnidade e para todos os efeitos legais, a tenente do SGE com antiguidade reportada a 02Ago74, e a capitão do SGE com antiguidade reportada a 02Ago77.

Homologado o parecer da Junta Hospitalar de Inspecção que o considerou diminuído físico, fica qualificado como deficiente das Forças Armadas, ao abrigo do DL.43/76 e na situação de reforma extraordinária.

– «Os ferimentos das torturas do RALIS doem-me menos em África. Nessas idas a África, já voltei à Guiné 2 vezes clandestinamente, a 1a foi em 1976 e estive lá 45 dias. A 2a foi em 1985 e estive lá 21 dias: o PAIGC soube que eu estava na Gâmbia e mandou lá a polícia secreta; no dia em que começaram à minha procura na Gâmbia, já eu estava dentro da Guiné a passear e a matar saudades. Não vi a família, fugia dos desconhecidos para não correr o risco de ser denunciado; até pedi boleia a um carro do PAIGC e eles deram-me. [...] Em 1993 fui para Angola dar instrução à tropa do MPLA. Durante 6 meses formei 2 companhias, 1 em cada 3 meses: dei-lhes instrução e depois levei-os para o mato, para fazerem a IAO em combate; eu, é claro, ia sempre à frente, em nº 1. O chefe do estado-maior general das forças armadas de Angola foi lá visitar-me 3 vezes; e o chefe do estado-maior do exército, 2. Uma vez infiltrámo-nos dentro de uma vila, onde havia 1500 tipos da UNITA, sem eles darem por nada e abrimos fogo ao amanhecer: apanhámos um general da UNITA. As minhas companhias, como eles viram que eram boas, puseram-nas na guarda presidencial. E estava lá há 6 meses quando o “Expresso” publicou uma notícia a dizer que o Marcelino da Mata, que estava a dar instrução em Angola, era o que tinha combatido contra o PAIGC. O chefe dos serviços secretos militares veio falar comigo, disse que todos gostavam muito do meu trabalho, mas que não podiam continuar a ter-me lá. No fim, quando me mandaram embora – pagaram-me tudo –, levaram-me de carro ao aeroporto, se calhar também para terem a certeza que eu embarcava. O “Expresso” deu-me cabo da vida.»

Em 1995, Marcelino da Mata é tenente-coronel graduado do Exército português, na situação de reforma extraordinária; nesse ano, sua mãe ainda vive e reside na Guiné-Bissau.
MR + TCOR Marcelino da Mata + COR Durão + MGEN Almeida Bruno
_________________________________________________________________________
¹ (extractos de entrevista concedida em 21Jul94; in “Guerra de África”, ed “Círculo de Leitores”);

² (testemunho do major de infantaria Carlos Alberto Idães Soares Fabião; entrevista concedida em 30Jan95; idem, pp.369: ibidem);

3 (nascido em 03Abr1923 em Oeiras; filho de Marguerite Peltier Robin (nascida em 1900), e de José Cândido Guerreiro de Andrade (coronel); em 15Nov43 casou em Sá da Bandeira, com Maria do Amparo Pereira Coutinho Nolasco (natural de Lisboa); em 18Dez58-11Mar59, militante do PCP, tinha o posto de tenente e, juntamente com o “tovarich Vieira Gaio” (capitão de engenharia Vasco dos Santos Gonçalves), participou em Lisboa numa conspiração do MNI-delgadista, que ficou conhecida como “Intentona da Sé”);

4 (filho do falecido tenente-coronel de cavalaria CEM Jaime Filipe da Fonseca, o qual ao fim da manhã de 13Abr61 foi nomeado subsecretário de Estado do Exército, em substituição do conspirador da Abrilada coronel Francisco da Costa Gomes que foi transferido para o comando do DRM3 em Beja; e precisamente nesta cidade ocorreu na madrugada de 01Jan62 a morte daquele membro do Governo, atingido «por engano da GNR» com um tiro mortal, momento em que, precavidamente, Costa Gomes estava «de férias» em Chaves; o major pilav Zuquete da Fonseca, afilhado do general Spínola, pós-25Abr74 esteve colocado no AB1-Figo Maduro);

5 (ao alferes Marcelino da Mata foram concedidas 5 Cruzes de Guerra: uma de 2a, em 66 (Op.Tridente na ilha do Como); uma de 1a, em 67 (Op.Cajado no Senegal); outra de 1a, em 71 (Op.Mar Verde em Conackry), uma de 3a, em 73 (Op.Ametista Real em Cumbamorie); e mais uma de 1a, em 73 por acções várias com o BCmdsAfric);

6 (vd capitão de infantaria CEM Emiliano Quinhones de Magalhães, que em Fev-Abr59 estagiou em Arzew no “Centre d’Instruction de Pacification e Contre-Guerrilla”, integrado num pequeno grupo comandado pelo então major Joaquim António Franco Pinheiro; mais tarde o capitão Emiliano foi colocado no QG-Luanda como chefe da 3aRepartição-Operações e em 17Mar61 nomeado pelo CEMGFA como responsável pela Defesa Civil de Angola, coordenando missões entre comandos militares e administradores civis);

7 (na madrugada de 22Nov70, participou em Conackry na Operação Mar Verde e comandou o 2ogrupo da equipa Zulu, que no bairro Ratoma atacou o QG do PAIGC (onde foram eliminadas sentinelas e incendiadas 6 viaturas), o Centro de Informações e a Escola-Piloto (onde foram liquidados guerrilheiros que ali pernoitavam), tendo sido também atacados com LGF’s e granadas outros 2 edifícios do PAIGC; o deponente Marcelino da Mata também participou na citada operação, tendo integrado a equipa Oscar que atacou o quartel da Guarda Nacional, liquidou militares guinéus e libertou cerca de 400 prisioneiros políticos);

8 (em 25-27Jul70 com o posto de primeiro-tenente comandante do DFE8 colocado em Teixeira Pinto, participou no estuário do Mansôa nas acções de busca e resgate, de corpos dos deputados caídos juntamente com o helicóptero onde viajavam; em 71 foi agraciado com uma Cruz de Guerra);

9 (Marcelino da Mata, Lisboa 24Jan76);

10 (idem, in “Os Últimos Guerreiros...” pp.211).



Enviado pelo ex-Combatente Abreu dos Santos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

M186 - RAID AVENTURA DOS RANGERS VETERANOS 2010 - Programa/Convite

RAID AVENTURA DOS RANGERS VETERANOS

2010 - LISBOA

Dia 06 DE Março de 2010


(para ampliar clique 2 vezes sobre o programa exposto)

Inscrições até 27 de Fevereiro para: RANGER Pinto = 912 181 619 ou Vitor Grácio = 969 946 121


RANGERS ATÉ AO FIM

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

M185 - História da Expansão Portuguesa no Mundo Século XV e XVI


História da Expansão Portuguesa no Mundo

Século XV e XVI

Com a tomada de Ceuta em 1415 e a descoberta das ilhas da Madeira (1418) e das Canárias (1432), que eram territórios de colonização e exploração agropecuária, atestada a sua pobreza mineral, Portugal marcava assim o início da sua expansão territorial.

Os conquistadores portugueses começaram a explorar a costa de África em 1419, impulsionando desenvolvimentos nos campos da navegação, como a cartografia, e nas próprias embarcações, como a caravela, de maneira a encontrar um caminho marítimo que intersectasse o lucrativo comércio de especiarias que se fazia no Oriente.

Conquistam-se mais praças a partir de 1458 em Ceuta - pontos de apoio logístico e material às navegações portuguesas ou mesmo entrave ao corso e pirataria dos mouros. Estabelecendo em Arguim uma feitoria comercial, com guarnição militar, os portugueses fundam uma nova plataforma de acção e comércio em plena área de navegação, sondando e obtendo as riquezas necessárias para o financiamento e continuidade da gesta marítima.

Grandes navegadores como Diogo Cão e Bartolomeu Dias exploraram a costa africana, o último passando, em 1487, o Cabo das Tormentas, mais tarde renomeado para Cabo da Boa Esperança pelo rei João II de Portugal. Mais tarde, Vasco da Gama aproveitou os traçados marítimos para estabelecer uma rota marítima para a Índia, em 1498.

Pouco depois, Pedro Álvares Cabral, em 1500, chegava ao Brasil. Outros navegadores importantes como Fernão de Magalhães, a serviço da Coroa de Castela, Pedro Fernandes de Queirós e Luís Vaz de Torres exploraram o Oceano Pacífico ao serviço do Império Espanhol.

As embarcações portuguesas sulcavam o Oceano Índico, tomando conhecimento de novas terras, conquistando pontos-chave do comércio regional, estendendo-se o domínio de Ormuz, no Golfo Pérsico, ou Quíloa, na África Oriental, até Malaca, Ceilão, Insulíndia, Molucas, alcançando mais tarde a China e o Japão, para além de expedições e viagens no interior asiático e africano e a descoberta do continente australiano.

Construiu-se uma rede de feitorias, entrepostos, e fortalezas, captando riquezas e irradiando a língua portuguesa e a religião católica, num esforço de criação de uma unidade civilizacional portuguesa, quer através da ação missionária quer da miscigenação, e sobretudo pela força das armas.

Do Índico e Extremo Oriente vieram as especiarias, os metais preciosos, os tesouros artísticos, as porcelanas, sedas e madeiras, entre outros produtos para venda na Europa, e Lisboa se tornou o empório da Europa.

O século XVI foi o "século de ouro" para Portugal que se tornou a maior das potências europeias - da economia e do conhecimento científico e geográfico à gastronomia e à literatura. O poeta Luís Vaz de Camões escreveu sua famosa epopeia "Os Lusíadas", em que imortaliza os feitos gloriosos, corajosos e heróicos do povo marinheiro (tenta transformar o povo português num herói que até os deuses têm de os ajudar e temer e até os monstros têm de se inclinar e desaparecer do caminho dos portugueses), exaltando os marinheiros, os guerreiros e os Reis que contribuíram para dilatar o império e a fé (Católica).

Século XVII

Portugal partilhou o mesmo rei com Espanha entre 1580 e 1640.

Os problemas de Espanha com outras potências coloniais de época (Império Holandês, Império Francês, Império Britânico) traduziram-se no constante ataque a possessões coloniais portuguesas, muitas das quais não mais foram recuperadas, nem após a restauração da independência de 1640. Exemplos são Arguim, Cochim, Surate, Ceilão e Nagasaki.

Século XVIII

No século XVIII, as ambições coloniais centraram-se no Brasil.

A princípio abandonado, rapidamente tornou-se a "jóia" do Império Português, com o declínio comercial no Oriente e a ascensão de novas potências da Europa (Inglaterra e Holanda) e após a derrota da Armada Invencível espanhola. Pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, cacau e tabaco alimentaram os cofres do erário nacional durante três séculos.

Século XIX

Com o reconhecimento da declaração de independência do Brasil, em 1825, mediante pagamento, Portugal ficou obrigado a acentuar sua expansão territorial para o interior de África para manter-se a par com as outras potências.

A independência do Brasil, porém, criou uma imensa onda de choque emocional e material, pois era o baluarte do império, símbolo de orgulho nacional.A manutenção dos territórios na Índia, de Macau e de outros pontos-chave do antigo domínio colonial português na Ásia, cada vez mais diluído, era outro ponto de honra.

Mas o desígnio era a África, nomeadamente Angola e Moçambique, para além do imenso e rico território que as separava. Guarnições militares, missões católicas, formas e instituições de governo colonial foram transplantadas para África, assegurando a presença efectiva portuguesa de forma a afastar outros concorrentes. Apesar das dificuldades econômico-financeiras e climáticas, conseguiu-se ampliar alguns aglomerados urbanos e construir outros, já no interior, apoiando plantações ou zonas de mineração.

A expansão colonial africana parou com o Ultimato britânico de 1890. A Grã-Bretanha pretendia criar um grande corredor no sul da África, comunicando esta com seus territórios do nordeste do continente. A Grã-Bretanha, a maior potência do Mundo no séc. XIX, afasta os seus concorrentes menos poderosos e pequenos (no caso de Portugal) com ultimatos, ameaças, pressões econômicas e inclusivamente com alguns conflitos militares.

Século XX

O regime de Salazar designa os territórios d'além-mar como províncias ultramarinas (em teoria, seriam parte contínua do território português) após a Segunda Guerra Mundial (1951), com o intuito de manter os antigos domínios e deter as pressões políticas que condenavam o colonialismo.

Em 1954, a União Indiana anexa os territórios de Dadra e Nagar-Haveli, que desde 1779 faziam parte do Estado da Índia. No início da década de 60 inicia-se a guerra colonial portuguesa em face à recusa de Portugal de garantir a independência de seus territórios africanos.

O restante do Estado Português da Índia é anexado em Dezembro de 1961 à União Indiana. À altura da Revolução dos Cravos, processo revolucionário que ditou o fim do Estado Novo e do colonialismo português, é reconhecida a independência da Guiné-Bissau (10/9/1974) e garantida a independência a Moçambique (25/6/1975), Cabo Verde (5/7/1975), São Tomé e Príncipe (12/7/1975), Angola (11/11/1975).Em Dezembro de 1999 Portugal entrega Macau à República Popular da China, o seu último território ultramarino (após a Revolução dos Cravos, Macau passou a ser designada por "Território Chinês sob Administração Portuguesa" ou simplesmente "Território de Macau").

[editar] Século XXI

Timor-Leste, apesar da independência unilateral em 1975, nunca foi reconhecida por Portugal, já que entretanto foi invadida por forças indonésias. Esteve transitoriamente sob administração indonésia até ao referendo de 1999.

Foi depois administrado provisoriamente pela ONU até 2002, altura em que Portugal reconheceu a sua independência. Com esta entrega, foi ditado o fim do Império Português. [editar] Regiões autónomas de PortugalOs arquipélagos dos Açores e da Madeira tornaram-se em 1976 regiões autónomas de Portugal.

Estes arquipélagos são os dois únicos territórios fora do continente que ainda hoje pertencem a Portugal. O processo de colonização das ilhas começou no início do século XV. A maioria absoluta da população destas duas regiões é de etnia portuguesa.




Territórios do Império Português

A

Acra (Gana) (1557-1578) A sua origem remonta a um forte português que aqui existiu entre 1557 e 1578

Açores - colónia (1427-1766); capitania-geral (1766-1831); antigo distrito além-mar (1831-1976). Região autónoma desde 1976. O que se sabe concretamente é que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431,

Angola - colónia (1575-1589); colónia real (1589-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1975). Tornou-se independente em 1975. Diogo Cão foi um navegador português do século XV nasceu provavelmente na região de Vila Real em data desconhecida. Enviado por D. João II, realizou duas viagens de descobrimento da costa sudoeste africana, entre 1482 e 1486. Chegou à foz do Zaire e avançou pelo interior do rio, tendo deixado uma inscrição comprovando a sua chegada às cataratas de Ielala. Estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo. Em 1485 chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.

Arguim (Mauritânia – Ilha ao Largo da) - Feitoria, foi ocupada pelos Holandeses (1455-1633). Nela localizou-se a primeira feitoria portuguesa na costa ocidental africana, a partir do qual os portugueses trocavam tecidos, cavalos e trigo, produtos essenciais para as populações locais,

B

Bahrein (1521-1602)

Bandar Abbas (Irão) (1506-1615)

Barbados - colónia portuguesa (1536-1620) conhecida como Ilha Os Barbados, invadida pelos Britânicos em 1620 e conquistada em 1662.

Brasil - possessão conhecida como Ilha de Vera Cruz, mais tarde Terra de Santa Cruz (1500-1530); Brasil Colónia (1530- 1714); Vice-Reino do Brasil (1714-1815); Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), tornou-se independente em 1822.

C

Cabinda - protectorado (1883-1887); distrito do Congo (Português) (1887-1921); intendência subordinada a Maquela (1921-1922); dependência como distrito do Zaire (Português) (1922-1930); intendência do Zaire e Cabinda (1930-1932); intendência de Angola (1932-1934); dependência de Angola (1934-1945); restaurada como distrito (1946-1975). Controlada pela Frente Nacional para a Libertação de Angola como parte da Angola tornada independente em 1975 não reconhecida por Portugal nem Angola.

Cabo Verde - colonização (1462-1495); domínio das colónias reais (1495-1587); colónia real (1587-1951); província ultramarina (1951-1974); república autónoma (1974-1975). Independência em 1975. Foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana.

Ceilão (Sri Lanka) - colónia (1597-1658). Os holandeses apoderaram-se do seu controlo em 1656, Jaffna usurpada em 1658. Os primeiros europeus a visitarem o Sri Lanka foram os portugueses: Dom Lourenço de Almeida chegou à ilha em 1505, e encontrou-a dividida em sete reinos que guerreavam entre si, incapazes de derrotar um invasor.Cisplatina - colónia (1715-1822) Restituida á Portugal em 1715 pelo Tratado de Utrecht, Capitania do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1817, aderiu como província ao Império do Brasil em 1822 e tornou-se independente em 1827 com o nome de Uruguai.

Costa do Ouro Portuguesa (Gana?)- (1482-1642), cedida à Costa do Ouro Holandesa em 1642 O primeiro contato de Gana com os europeus data do ano de 1470, quando um grupo de portugueses desembarcou e começou a negociar com o Rei de "Elmina". Em 1482, os portugueses construiram o Castelo de São Jorge da Mina e tornou-a uma importante feitoria permanente. Em 1557 a 1578, os portugueses dominaram até Acra. Durante os seguintes 3 séculos, os ingleses, portugueses, suecos, dinamarqueses, holandeses e alemães controlaram várias partes da costa de Gana, naquele tempo chamada de Costa do Ouro. Os portugueses perderam grande parte da sua área de controlo (incorporada na Costa do Ouro Portuguesa) em 1642 e foi cedida aos holandeses.

F

Fernando Pó e Ano Bom (Guiné Equatorial) - colónias (1474-1778). Cedidas à Espanha em 1778. O seu nome foi-lhe dado pelos navegadores portugueses Pedro Escobar e João de Santarém, que a descobriram no dia 1° de janeiro de 1471, dia de Ano-Novo (ou Ano-Bom). Foi colónia portuguesa entre 1474 e 1778, quando, pelo Tratado de El Pardo, foi cedida por Portugal à Espanha em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil (faixas de terras do atual Rio Grande do Sul).

G

Guiana Francesa - ocupação (1809-1817). Restituída à França em 1817. Há presença francesa na Guiana francesa desde pelo menos 1644. No entanto, entre 1809 e 1817, esteve anexada ao Brasil (na época, vice-reino de Portugal.

Guiné Portuguesa (Guiné-Bissau) - colónia (1879-1951); província ultramarina (1951-1974). Independência unilateral declarada em 1973, reconhecida por Portugal em 1974. Cacheu - capitania (1640-1879). União com Bissau em 1879. Bissau - colonização sob Cacheu (1687-1696); capitania (1696-1707); abandonada (1707-1753); colónia separada de Cabo Verde (1753-1879). União com Cacheu em 1879.

I

Índia Portuguesa - província ultramarina (1946-1962). Anexada à Índia em 1961 e reconhecida por Portugal em 1974.
  • Baçaim - possessão (1535-1739) Baçaim (actualmente chamada de Vasai-Virar) foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1535 e 1739. Está localizada no Subcontinente indiano, mais precisamente no Estado de Maharashtra, no noroeste da Índia. Fica a 50 km a norte de Bombaim.
  • Bombaim (também chamada de "Mumbai") - possessão (1534-1661) Em 1534, os portugueses tomaram as ilhas do sultão Bádur Xá, do Guzerate. Em 1661, entregaram-nas a Carlos II da Inglaterra como dote de Catarina de BragançaCananor - possessão (1502-1663)
  • Cananor (Kannur em malaiala) é uma cidade do estado de Kerala, na Índia. É um porto no sudoeste do país. Tem cerca de 528 mil habitantes. Foi possessão portuguesa entre 1505 e 1663.
  • Calecute - posto fortificado (1512-1525) Calecute (Kozhikkod em malaiala) é uma cidade do estado de Kerala, na costa ocidental da Índia. Tem cerca de 933 mil habitantes. Movimentado porto comercial na costa do Malabar, foi aí que aportaram Vasco da Gama (1498) e Pedro Álvares Cabral (1500). Este último tentou, sem êxito, erigir uma feitoria para o comércio de especiarias. Em meio a essa construção, pereceu, em combate, Pêro Vaz de Caminha. Em 1510, seria realizada uma tentativa de conquista da cidade, sob o comando do capitão Fernão Coutinho, sem êxito. O objetivo de estabelecimento de uma feitoria só seria alcançado com Afonso de Albuquerque, que lá ergueu a Fortaleza de Diu (1512), abandonada a partir de 1525, em razão do deslocamento do eixo do comércio de especiarias para outros locais, como Diu. O domínio português foi, à época, substituído pelo dos neerlandeses.
  • Cochim - possessão (1500–1663) Cochim (Kochi em malaiala) é a maior cidade do estado de Kerala, na Índia.
  • Chaul - possesão (1521-1740) Chaul foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1521 e 1740. Está localizado no Subcontinente indiano, mais precisamente a 60 km a sul de Bombaim. Em 1740, Chaul foi cedida aos indianos Marathas mas ela foi abandonada pelos seus novos soberanos.
  • Chittagong (Bangla Desh9 (1528-1666) Chittagong (Chattagam em bengali, Chatigão ou Chitagongue são formas aportuguesadas da designação desta cidade) é uma cidade do Bangladexe. Localiza-se perto da baía de Bengala. Tem cerca de 4.109.000 milhões de habitantes e é um centro industrial de grande importância, nomeadamente na refinação de petróleo. Tem uma universidade.Fazia parte de um antigo reino hindu quando foi conquistado pelo rei budista de Arakan no século IX. Foi conquistado no século XIII pelos mogóis mas reconquistada no século XVI por Arakan. Em 1528 os portugueses estabeleceram aqui uma feitoria e alfândega, com a designação de Porto Grande de Bengala. Os portugueses foram expulsos em 1666. Voltou a fazer parte do império mogol do século XVII até 1760 quando foi ocupada pelos britânicos.
  • Cranganor - possessão (1536-1662) Cranganor (actualmente chamada de Kodungallur) foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1536 e 1662. Está localizado no Subcontinente indiano, mais precisamente no Estado de Kerala, sul da Índia.
  • Damão - aquisição em 1559. União com a província ultramarina em 1946, Anexada à província ultramarina em 1946, Anexada à Índia em 1961 e reconhecida por Portugal em 1974. O primeiro contacto dos Portugueses com Damão deu-se em 1523, quando chegaram ali os navios de Diogo de Melo. Em 1534, o vice-Rei D. Nuno da Cunha enviou António Silveira arrasar os baluartes mouriscos de Damão, por saber que se situavam ali os estaleiros e as demais instalações necessárias ao apetrechamento das frotas maometanas que vinham dar combate às armadas portuguesas. Também seria enviado a Damão o capitão-mor Martim Afonso de Sousa, para bombardear e destruir as fortificações mouriscas. Mas só em 1559 viria a ser definitivamente tomada a cidade de Damão, pelo vice-Rei D. Constantino de Bragança. A zona de Damão Pequeno, na margem direita do rio de Damão, foi ocupada em 1614.Sucessos e insucessos das guerras locais, em que se destacam as lutas contra os sidis (mercenários abissínios) e com os maratas, levaram à perda de territórios de Baçaim, no antigo reino de Cambaia. Nas mãos dos portugueses, desde as lutas do rei de Cambaia com os mogores, Baçaim passará para a posse dos maratas em 1739. E, no ano seguinte, será a vez de Chaúl cair em poder dos mesmos maratas. Entretanto, muitas vilas e aldeias serão perdidas pelos Portugueses, até que, pelo auxílio militar que estes deram a Madeva Pradan, detentor do trono, contra o príncipe Ragobá que, aliado aos ingleses, pretendia derrubar o peshwá e ocupar o seu lugar, Portugal receberia, pelo Tratado de 1780, como restituição, 72 aldeias correspondentes a territórios outrora perdidos. E com essas aldeias se formaram os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli.
  • Dadrá e Nagar Haveli - aquisições em 1779. Ocupadas pela Índia em 1954. Dadrá e Nagar-Aveli (em inglês, Dadra and Nagar Haveli) são territórios da Índia. Pertenceu, entre 1779 e 1954 ao Império Português, tendo sido a primeira colónia a desmembrar-se do Império pela ocupação da União Indiana. Fazia parte do antigo distrito de Damão.
  • Goa - colónia (1510-1946). Tornou-se parte de província ultramarina em 1946, Anexada à Índia em 1961 e reconhecida por Portugal em 1974. Em 1510 Afonso de Albuquerque, ajudado pelo chefe hindu Timoja, tomou Goa aos árabes, que se renderam sem combate, por o sultão se achar em guerra com o Decão. Goa foi cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. Os muçulmanos da região foram rechaçados, e em 1553 um quinto da região estava sob domínio português, recebendo o nome de Velhas Conquistas. Os governadores portugueses da cidade pretendiam que fosse uma extensão de Lisboa no Oriente e para tal criaram algumas instituições e contruiram-se várias Igrejas para expandir o cristianismo e fortes para a defender de ataques externos.Com a chegada da Inquisição (1560–1812), muitos dos residentes locais foram convertidos violentamente ao Cristianismo por missionários, ameaçados com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades. Para escapar a Inquisição milhares de goeses fugiram e estabeleceram-se nas cidades vizinhas de Mangalore e Karwar. A decadência do porto no século XVII foi conseqüência das derrotas militares dos portugueses para a Companhia Holandesa das Índias Orientais dos holandeses, no Oriente, tornando o Brasil e mais tarde, no século XIX; as colónias africanas, o centro econômico de Portugal. Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-8 e 1802-13) e poucas outras ameaças externas após este período.
  • Hughli (1579-1632) Hughli foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1579 e 1632. Está localizado no Subcontinente indiano, mais precisamente no Estado da Bengala Ocidental. Situa-se nas margens do Rio Hooghly, a 39 km a norte de Calcutá.
  • Coulão (1502-1661) Coulão (Kollam em malayalam) é uma cidade do estado de Kerala, na Índia. Existem também as grafias alternativas de Coullam ou Quilon. Em 1505 os portugueses fundaram aqui uma feitoria, tendo em 1518 estabelecido a sua soberania através da construção do Forte de São Tomé. A cidade foi cedida aos Países Baixos em 1661.
  • Masulipatão (1598-1610) Masulipatão (Machilipatnam em hindi) é uma cidade do estado de Andhra Pradesh, na Índia. Localiza-se na foz do rio Krishna, no Golfo de Bengala. Tem cerca de 183 mil habitantes. A cidade foi fundada no século XIV por mercadores árabes. Foi ocupada pelos portugueses entre 1598 e 1610, sendo depois abandonada. Os ingleses estabeleceram-se na cidade em 1611.
  • Mangalore (1568-1659) Mangalore (Mangaluru em canarês) é uma cidade do estado de Karnataka, na Índia. Localiza-se na costa do mar da Arábia. Tem cerca de 571 mil habitantes. Foi possessão portuguesa entre 1568 e 1659.
  • Nagapattinam (1507-1657) Nagapattinam (também conhecida por Negapatam) foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1507 e 1657. Está localizado no Estado de Tamil Nadu, no sudeste da Índia.
  • Paliacate (1518-1619) Paliacate (Pulicat em tamile) é uma vila do estado de Tamil Nadu, na Índia. Localiza-se a norte de Madrasta. Foi um estabelecimento português entre 1518 e 1610, quando foi ocupado pelos neerlandeses. Em 1612 os portugueses atacaram a vila e destruíram a feitoria neerlandesa, mas os portugueses nunca mais ocuparam a vila.
  • Salsette (1534-1737) Salsette (do nome em língua marathi Sashti(साष्टी)) foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1534 e 1737. É uma ilha localizada no Estado de Maharashtra, noroeste da Índia.A metrópole de Mumbai (antigamente, Bombaim) e a cidade de Thane ficam nesta ilha que, naquele tempo, era formada por várias ilhas, que foram unidas por pontes e aterros durante os séculos XIX e XX. Em 1614 foi atacada por Abas-Kan, sem sucesso.
  • São Tomé de Meliapore - colonização (1523-1662; 1687-1749) São Tomé de Meliapore foi um antigo território de Portugal entre os anos de 1523 e 1662, e também entre 1687 e 1749. Está localizado na costa ocidental da Índia.Surate (1540-1612) Surate (Surat em gujarate) é uma cidade da Índia, no estado de Gujarate. Tem cerca de 3 milhões de habitantes. Foi uma possessão portuguesa entre 1540 e 1612.
  • Thoothukudi (1548-1658) Thoothukudi é uma cidade no distrito de Thoothukudi , no estado indiano de Tamil Nadu. Foi uma possessão portuguesa entre 1548 e 1658.
Indonésia (enclaves) Possessões portuguesas entre os séculos XVI-XIX.
  • Bante - Feitoria portuguesa (Século XVI-XVIII) Bante foi um antigo território de Portugal entre o século XVI e o século XVIII. Era localizado na Ásia Oriental, mais precisamente na actual Indonésia.
  • Flores - Possessão portuguesa (século XVI-XIX)
  • Macassar (Celebes)- Feitoria portuguesa (Século XVI-XVII) Macassar (Makasar em indonésio) é a capital e a maior cidade da província de Celebes Meridional, na Indonésia. Localiza-se no sul da ilha de Celebes. Tem cerca de 1315 mil habitantes. Foi possessão portuguesa entre 1512 e 1665. Designou-se Ujung Pandang entre 1971 e 1999.
L

Laquedivas (ilhas ao largo da União Indiana) (1498-1545) Os portugueses conquistaram-na em 1498, mas, em 1545, os habitantes da ilha revoltaram-se contra os portugueses e conseguiram expulsá-los.

Liampó (Feitoria na China) (1533-1545) Ningbo, Ningpo ou Liampó (forma Portuguesa do século XVI) é uma cidade da província de Zhejiang, na China. Localiza-se no nordeste da província. Tem cerca de 1276 mil habitantes. Foi uma feitoria Portuguesa entre 1518 e 1545.

M

Macau - estabelecimento (1553-1557), território cedido por China subordinado a Goa (1557-1844); província ultramarina conjunta com Timor-Leste (1844-1883); província ultramarina conjunta com Timor-Leste em relação a Goa (1883-1896); província ultramarina em relação a Goa (1896-1951); província ultramarina (1951-1975); território macaense sob administração portuguesa (1975-1999). Restituída à República Popular da China como região administrativa especial em 1999.

Península de Macau - estabelecimento dos portugueses em 1553 ou em 1554
  • Coloane - ocupação em 1864
  • Taipa - ocupação em 1851
  • Ilha Verde - incorporada em 1890
  • Ilhas Lapa, Dom João e Montanha - ocupação oficial (1938-1941). Tomada de novo ao Japão e restituída à China.
Madeira - possessão (1418-1420); colónia (1420-1580); colónia real (1580-1834); distrito (1834-1976). Declarada região autónoma em 1976. Um ano após a descoberta de Porto Santo por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, os dois navegadores em conjunto com Bartolomeu Perestrelo, chegam à ilha da Madeira em 1419. Tendo sido notadas as potencialidades das ilhas, bem como a importância estratégica destas, iniciou-se por volta de 1425 a colonização, que terá sido uma iniciativa de D. João I ou do Infante D. Henrique. A partir de 1440 estabelece-se o regime das capitanias com a investidura de Tristão Vaz Teixeira como Capitão-Donatário da Capitania de Machico; seis anos mais tarde Bartolomeu Perestrelo torna-se Capitão-Donatário do Porto Santo e em 1450 Zarco é investido Capitão-Donatário da Capitania do Funchal.

Malaca (Malásia) - conquistada (1511-1641); perdida para os holandeses. Malaca (br: Málaca) - (Melaka em malaio) - é uma cidade e um estado da Malásia. Fundada por volta do século XIV, transformou-se num importante entreposto comercial. O primeiro contacto entre Portugal e Malaca estabeleceu-se em 1509, através de uma viagem de Diogo Lopes de Sequeira, a mando do rei D. Manuel I. Foi território português entre 1511 e 1641, estando subordinada ao Estado Português da Índia. Em 1641 foi conquistada pelos holandeses e em 1826 foi cedida ao Reino Unido. Em 1946 tornou-se membro da Federação Malaia.

Maldivas - ocupação (1558-1573) No século XVI, os portugueses subjugaram e dominaram as ilhas por quinze anos (1558 - 1573) antes de serem expulsos pelo herói nacional e depois Sultão, Muhammad Thakurufaanu Al-Azam.

Marrocos (enclaves):Ceuta - possessão (1415-1668). Foi cedida à Espanha em 1668.
  • Ceuta entra na história de Portugal quando D. João I a conquistou em 1415 munido de uma grande esquadra. A frota saiu de Lisboa em Julho de 1415, apesar do recente falecimento da rainha D. Filipa de Lencastre, vítima da peste. Fez escala em Lagos e chegou a Ceuta em Agosto, sendo conquistada no dia 21. A cidade foi conservada por ordem do rei e reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494).Em 1580 Ceuta manteve a administração portuguesa, como Tânger e Mazagão. Todavia, em 1640 não aclamou o Duque de Bragança como rei de Portugal, ficando sob domínio espanhol. A situação foi oficializada em 1668 com o Tratado de Lisboa, assinado entre os dois países e que pôs fim à guerra da Restauração, no entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira que é composta por gomos brancos e pretos, à semelhança da da cidade de Lisboa, ostentando ao centro o escudo real da época.
  • Aguz (1506-1525) Abrigou uma fortificação portuguesa, o chamado "Castelo de Aguz" entre 1508 e 1541. Abrigou uma fortificação portuguesa, o chamado "Castelo de Aguz" entre 1508 e 1541.
  • Alcácer-Ceguer /El Qsar es Seghir (1458-1550) Alcácer-Ceguer (em árabe, القصر الصغير, al-qsar as-Seghir, «cidade pequena») é uma praça marroquina, do estreito de Gibraltar, entre Tânger e Ceuta, ocupada em 1458 por D. Afonso V, "O Africano".Dificilmente acessível por mar, era dominado pela elevação de Seinal. Foi abandonada em 1550 por D. João III devido à sua pouca importância, e totalmente evacuada. Alcácer Ceguer (o pequeno castelo), situada na costa marroquina do estreito de Gibraltar, a meio caminho entre Tânger e Ceuta, este local foi ocupado a 22 de Outubro de 1458 por D. Afonso V. Ainda que tivesse sido solidamente fortificada, levou sempre uma vida precária e difícil perante a hostilidade das tribos berberes vizinhas. Além do mais, a presença dos Portugueses em Arzila e em Tânger, ocupadas em 1471, diminuiu a sua importância e o interesse que tinha pela Coroa. Foi por isso que, a partir de 1533, D.João III pensou abandoná-la, como Azamor e Safim. A evacuação, demorada pela oposição da Santa Sé, só ocorreu em 1550. A partir de então tornou-se um pequeno burgo insignificante.
  • Arzila (1471-1550; 1577-1589). Retituída a Marrocos em 1589. Arzila (Asilah, em árabe) é uma cidade do norte de Marrocos. Foi uma possessão portuguesa entre 1471 e 1550 e entre 1577 e 1589.
  • Azamor (1513-1541). Cidade restituída a Marrocos em 1541. Azamor (Azemmour em língua árabe) é uma cidade situada na margem esquerda do rio Morbea, a cerca de 75 quilômetros a sudoeste de Casablanca, no norte de Marrocos.Embora dependente do rei de Fez, tinha grande autonomia. Reputada pela excelência de seu porto, em 1486 os seus habitantes tornaram-se vassalos e tributários do rei D. João II (1481-1495). o rei D. Manuel I (1495-1521) confirmou o contrato em 1497 e a cidade comprometeu-se a pagar anualmente dez mil sáveis. Mais tarde surgiram desavenças e em 1508 aquele soberano portugês enviou uma pequena armada, sob o comando de D. João de Meneses, para submeter a cidade.Em 15 de Agosto de 1513 uma nova armada partiu, sob o comando de D. Jaime, duque de Bragança e, no dia 1 de Setembro desse ano o exército português avançou sobre a cidade]] que se rendeu sem resistência. Na ocasião notabilizou-se a figura de Henrique de Meneses. Durante o ano seguinte ali actuaram os irmãos Diogo e Francisco de Arruda, onde deixaram o que é considerado como a sua obra mais marcante no Norte d’África: dois baluartes curvilíneos, o de "São Cristóvão", anexo ao Palácio dos Capitães como uma torre de menagem compacta; e o do "Raio", no extremo da fortaleza, decorado por quarenta bandeiras e com espaço para mais de sessenta peças de artilharia fazerem fogo, simultaneamente, em todas as direções. A Praça-forte de Azamor foi abandonada em 1542, por determinação de D. João III (1521-1557), após a queda da Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué (1541). Todas as gentes que ali viviam foram removidas para uma nova povoação, estabelecida no Brasil para o efeito. Em Azamor, hoje El-Jadida, aida pode ser observada a muralha que circunda toda a cidade, com respectivo fosso, e acesso ao Oceano Atlântico pela chamada "Porta do Mar". A antiga fortaleza portuguesa - hoje um quarteirão no centro da cidade - foi entretanto transformada em cisterna, constituindo um espaço de grande beleza, classificado pela UNESCO como Património mundial.
  • Essaouira (antigamente chamava-se "Mogador") (1506-1525) Os portugueses construíram aqui um forte, designado por Castelo Real de Mogador, em 1506. Em 1525 este castelo foi conquistado pelos marroquinos.
  • Mazagão /El Jadida (1485-1550); possessão (1506-1769). Incorporação em Marrocos em 1769. Mazagão foi uma possessão portuguesa em Marrocos, no norte da África, correspondendo à actual cidade de El Jadida, 90 km para sudoeste de Casablanca. Fundada em 1513 como entreposto comercial, resistiu à soberania dos mouros a custa de grande esforço e investimento da Coroa portuguesa, para servir os navegadores que faziam a Rota do Cabo. A reedificação da fortaleza foi encomendada aos maiores arquitectos italianos e espanhóis, numa altura em que se transitava da guerra neurobalística para a pirobalística, ou seja, das armas de arremesso (como as catapultas, por exemplo) para as armas de fogo. Assim se justifica a inclinação das muralhas, que deste modo repelem impacto das armas de fogo, assim como o alargamento das ameias, para a colocação das colubrinas, canhões e demais dispositivos. No ano de 1541 foram demolidas as estruturas defensivas existentes, que estavam em decadência e desactualizadas, sendo substituídas por outras em molde renascentista, segundo se pensa consoante o plano de Diogo de Torralva e possivelmente outros engenheiros de renome como João de Castilho. A prova da sua inexpugnabilidade foi a resistência a um forte cerco dos Mouros em 1562.Em 1769, o Marquês de Pombal, estrategista durante o reinado de D. José, decidiu que toda a cidade seria transferida para a Amazônia, no Brasil, outra região sob controle português que necessitava de garantias de soberania. Assim, a fortificação foi abandonada e destruída, tendo os seus habitantes partido para o Brasil, onde fundaram a vila de Nova Mazagão (actualmente apenas Mazagão, no Amapá). As fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004. Do conjunto, destaca-se a sua antiga Igreja da Assunção em estilo manuelino. No entanto, a fortaleza mostra o cruzamento entre as culturas europeia e marroquina, tanto na arquitectura, como na tecnologia e no urbanismo.
  • Safim (1488-1541) Safim (Asfi em árabe) é uma cidade de Marrocos, com cerca de 285 mil habitantes. Foi possessão portuguesa entre 1508 e 1541.
  • Santa Cruz do Cabo de Gué/Agadir (1505-1541)
  • Tânger (1471-1662). Cedida à Inglaterra em 1662. Os portugueses tentaram conquistar a cidade em 1437, durante o período henriquino, apesar da oposição inicial do Rei D. Duarte e da desaprovação do infante D. Pedro, as cortes reunidas em Évora em Abril de 1436 votaram os créditos para a empresa. Rui de Pina afirma que na armada havia apenas 6000 homens, número insuficiente para atacar a poderosa praça do Magrebe. Em Setembro o infante D. Fernando, embarcou em Ceuta com destino a Tânger e o exército comandado pelo infante D. Henrique tomou, por terra, a mesma direcção. Os mouros defenderam-se comandados por Sala ben Sala, que era o capitão de Ceuta quando D. João I tomara esta cidade em 1415. Os portugueses, derrotados após a tentativa, deixaram ficar o infante D. Fernando como prisioneiro, uma vez que o seu resgate passava pela devolução da praça de Ceuta aos marroquinos, o que não foi aceite pelas Cortes portuguesas. Por este motivo, D. Fernando viria a falecer cativo em Fez, em 1443, às mãos dos mouros, advindo daí a tradição de lhe ver o seu cativeiro como motivo de santidade, passando a ser conhecido como o Infante Santo.Em 1458, e antes de atacar Alcácer Seguer, a armada de D. Afonso V esteve dois dias ancorada na baía de Tânger, tendo o rei planeado a sua conquista no que foi contrariado pelo Conselho. Três vezes tentou atacar a famosa cidade, sempre com mau resultado. Em 1471, com a tomada de Arzila, os habitantes de Tânger compreendendo que o objectivo final era a tomada da sua cidade, abandonaram-na. Foi então ocupada por D. João, filho do duque de Bragança no mesmo ano por ordem de D. Afonso V. As relíquias de D. Fernando só então foram recuperadas e solenemente transladadas para o Panteão Régio na Batalha, onde ainda hoje repousam, na Capela dos Fundadores. No domínio eclesiástico, Tânger pertenceu ao bispado unido de Ceuta e Tânger. Com o início do século XVI, Tânger permaneceria sempre em pé de guerra, interrompida apenas por breves intervalos de tréguas.Surge então o plano de abandono de algumas praças portuguesas de Marrocos exposto por D. João III, em 1532, ao Papa. No entanto, em 1534, num pedido de consulta aos principais conselheiros do Reino, o monarca demonstra a sua vontade em conservar Tânger como base de ataque ao reino de Fez. As Cortes de 1562-63, reunidas depois do cerco de Mazagão, insistiram pela sua defesa e pediram o reforço da guarnição. Em 1578, por alturas da expedição que viria a partir de Arzila para Alcácer-Quibir, o rei encontrou em Tânger Mulei Moamede Almotoaquil, o xerife deposto por Mulei Abde Almélique.A cidade permaneceu em mãos portuguesas até 1661, altura em que, ao abrigo do tratado de paz e amizade firmado com a Grã-Bretanha, a mão da princesa Catarina de Bragança, filha de D. João IV, foi cedida em casamento ao rei Carlos II de Inglaterra, levando no seu dote as cidades de Tânger e de Bombaim (na Índia). Uma esquadra desambarcou ali nesse mesmo ano e a guarnição e quase toda a população portuguesa regressaram ao Reino.
Mascate (Omã) - possessão portuguesa subordinada ao Vice-Reino de Goa (1500-1650). (em em árabe: مسقط) é a capital e a maior cidade do Omã. Localiza-se no golfo de Omã. Tem cerca de 832 mil habitantes. Foi possessão portuguesa entre 1507 e 1650.

Melinde (Quénia) - Feitoria portuguesa (1500-1630). É uma cidade muito antiga, fundada por mercadores suaíles no século XIV. Teve contacto com exploradores chineses, em 1414, e portugueses, a partir de 1498. Tendo Vasco da Gama encontrado resistência em Moçambique e Mombaça, Melinde abriu-lhe as portas na esperança de achar nos portugueses bons aliados para a sua ambição de hegemonia. Melinde era o porto mais concorrido do Oceano Índico e ali Vasco da Gama encontrou o piloto árabe que o conduziu a Calecute e a quem alguns cronistas chamam Melemo Cana, de seiu verdadeiro nome Ahmed Mesjid, de alcunha El-Melindi. Os portugueses estabeleceram aqui uma feitoria em 1500, embora alguns dizem que esta feitoria só foi estabelecida em 1502. Esta feitoria caiu em 1630

Moçambique - possessão (1498-1501); subordinada a Goa (1501-1569); capitania-geral (1569-1609); colónia subordinada a Goa (1609-1752); colónia (1752-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1974); governo de transição integrando representantes de Portugal e da Frelimo (1974-1975). Independência em 1975.

Molucas
  • Amboina - colonização (1576-1605) Amboina é uma ilha do Arquipélago das Molucas descoberta em 1512 pelos portugueses António Abreu e Francisco Abreu. Evangelizada em meados do século XVI por S. Francisco Xavier, passou, em 1605, ao domínio dos holandeses, que se aproveitaram da decadência das forças portuguesas no Oriente, e fizeram da ilha o primeiro ponto de apoio para o desenvolvimento do seu império no Oriente, principalmente no Oceano Índico.
  • Ternate - colonização (1522-1575) Os primeiros europeus a chegar a Ternate faziam parte da expedição portuguesa de Francisco Serrão às Molucas (1511). Tendo partido de Malaca, a sua nau, a Sabaia, encalhou próximo a Ceram, recebendo auxílio dos nativos. O sultão de Ternate, Abu Lais, tendo notícia do incidente, e entrevendo uma oportunidade de aliar-se com uma poderosa nação estrangeira, trouxe os tripulantes para Ternate em 1512. Os portugueses foram autorizados a erguer uma fortificação-feitoria na ilha, cujas obras iniciaram-se em 1522: o Forte de São João Baptista de Ternate.
  • Tidore - colónia (1578-1605). Pilhada pelos holandeses em 1605. Tidore é uma ilha do arquipélago das Molucas, na Indonésia. Foi ocupada por Portugal entre 1578 e 1605, pela Espanha entre 1606 e 1663 e pelos Países Baixos entre 1663 e 1941.
Mombaça (Quénia) - ocupação (1593-1638); colónia subordinada a Goa (1638-1698; 1728-1729). Sob a soberania do Omã desde 1729. Mombaça (Mombasa em suaíle) é a segunda maior cidade do Quénia, localizada na costa do Oceano Índico. Tem cerca de 900 mil habitantes. Foi fundada no século XI por mercadores árabes. Foi ocupada por Portugal entre 1593 e 1698 e entre 1728 e 1729.

N

Nagasaki (1571-1639). Perdida para os Holandeses. Em 1570 os navegadores portugueses — que aportaram pela primeira vez no Japão em 1543 — fundaram a cidade de Nagasaki, na baía do mesmo nome, onde passaram a habitar. Criaram um centro comercial que durante muitos anos foi a porta do Japão para o mundo, um porto comercial para os ingleses, holandeses, coreanos e chineses. Mas em 1637 devido a uma grande reação interna, os portugueses foram expulsos, e também outros povos ao longo do século XVII.

Nova Colónia do Sacramento - colónia (1680; 1683-1705; 1715-1777). Cedida à Espanha em 1777. Colônia do Sacramento (em castelhano Colonia del Sacramento) é uma cidade do Uruguai, capital do departamento de Colonia. Tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento fundada por Manuel Lobo, a mando do Império Português no século XVII.

O

Ormuz (Irão) - possessão subordinada a Goa (1515-1622). Incorporada no Império Persa em 1622. Na seqüência da expansão portuguesa na Índia, em Outubro de 1507, Afonso de Albuquerque atacou esta cidade, dominando-a, e quase conseguiu concluir a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória, se não fosse a deserção de três capitães portugueses (Motim dos Capitães). Foi forçado a abandoná-la em Janeiro de 1508.

Em 1 de Abril de 1515, Albuquerque, já governador da Índia, regressou a Ormuz, reconstruiu a fortificação (Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz) e estabeleceu a suserania portuguesa, subordinada ao Estado da Índia. Data desta fase a descrição da cidade, pelo cronista português:
  • "A cidade de Ormuz està situada em hua pequena ilha chamada Gerum que jaz quasi na garganta de estreito do mar Parseo tam perto da costa da terra de Persia que avera de hua a outra tres leguoas e dez da outra Arabia e terà em roda pouco mais de tres leguoas: toda muy esterele e a mayor parte hua mineira de sal e enxolfre sem naturalmente ter hum ramo ou herva verde.
  • A cidade em sy é muy magnifica em edificios, grossa em tracto por ser hua escala onde concorrem todalas mercadorias orientaes e occidentaes a ella, e as que vem da Persea, Armenia e Tartaria que lhe jazem ao norte: de maneira que nam tendo a ilha em sy cousa propria, per carreto tem todalas estimadas do mundo /...../ a cidade é tam viçosa e abastada, que dizem os moradores della que o mundo é hum anel e Ormuz hua pedra preciosa engastada nelle" (João de Barros, Décadas da Ásia II, L. II cap. 2)
No contexto da Dinastia Filipina, as possessões portuguesas em todo o mundo tornaram-se alvo de ataques dos inimigos de Espanha. Após a queda do Forte de Queixome, uma flotilha Persa com mais de 3.000 homens e o apoio de seis embarcações Inglesas, colocaram cerco ao Forte de Ormuz (20 de Fevereiro de 1622. Os Persas ofereceram ao comandante português da praça a ilha de Qeshm em troca de 500.000 patacas e o porto de Julfar, na costa da Arábia, recém-conquistado aos portugueses por uma força combinada de Árabes e Persas. A oferta, entretanto, foi recusada e, em poucos meses, a ilha de Ormuz era perdida para os Persas e seus aliados Ingleses (3 de Maio). A guarnição e a população portuguesa na ilha, cerca de 2.000 pessoas, foram enviadas para Mascate.

Forte de Queixome (Irão) - construído na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz (1621-1622) O Forte de Queixome localiza-se ao Norte da ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, atual República Islâmica do Irã.

Esta fortificação foi erguida para dar suporte às operações comerciais portuguesas na área, particularmente ao vizinho Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, os seus vestígios constituindo-se em um importante testemunho da ocupação portuguesa na região do Golfo Pérsico entre os séculos XVI e XVII.

Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz (Irão) - ilha de Gerun, no Estreito de Ormuz (1615-1622) Na seqüência da expansão portuguesa na Índia, em Outubro de 1507, Afonso de Albuquerque atacou esta capital, dominando-a, e quase conseguiu concluir a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória, se não fosse a deserção de três capitães portugueses (Motim dos Capitães). Foi forçado a abandoná-la em Janeiro de 1508.

Em 1 de Abril de 1515, Albuquerque já governador da Índia, regressou a Ormuz, que reconquistou, fazendo reconstruir a fortificação, que colocou sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, e estabelecendo a suserania portuguesa, subordinada ao Estado da Índia.

A posição conservou-se por mais de um século. No contexto da Dinastia Filipina, as possessões portuguesas em todo o mundo tornaram-se alvo de ataques dos inimigos de Espanha, e no Golfo Pérsico, particularmente dos Ingleses. Em Janeiro de 1619, Rui Freire de Andrada, "General do Mar de Ormuz e costa da Pérsia e Arábia", partiu de Lisboa para a região, com instruções para dispersar os Ingleses, que haviam fundado uma feitoria em Jâsk desde 1616, pressionando os Persas, em parte desalojando-os da guarnição em Qeshm e ali erguendo uma fortificação portuguesa.

Q

Quíloa (Tanzânia,ilhas ao largo da)- possessão (1505-1512) Em 1500, a caminho da Índia, o português Pedro Álvares Cabral também visitou Kilwa e referiu-se às belas casas de coral e seus terraços, pertencentes a "mouros negros", o que atraiu a atenção dos portugueses. Com a presença destes na região, no início do século XVI, a fortuna de Kilwa mudou radicalmente: Vasco da Gama tomou a ilha em 1502 tornando-a tributária de Portugal. Como o sultão cessasse de pagar o seu tributo, em 24 de Julho de 1505, as forças de D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei do Estado Português da Índia, conquistaram-na e iniciaram a construção da primeira fortificação portuguesa de pedra e cal na África Oriental, no dia seguinte, a 25 de Julho. O Forte tinha como função principal proporcionar abrigo aos passageiros das naus da Carreira das Índias que demandavam aquele porto e apenas secundáriamente a de defesa contra eventuais inimigos. Posteriormente as suas instalações viriam a ser utilizadas como prisão denominando-a, por isso, de "Gereza".

De manutenção dispendiosa, gerando recursos insuficientes para a aquisição de especiarias no Oriente pela Coroa portuguesa, o forte foi abandonado e arrasado (1512), concentrando-se as suas funções na Torre Velha de Moçambique.



S

São João Baptista de Ajudá - (Benin) forte subordinado ao Brasil (1721-1730); subordinada a São Tomé e Príncipe (1865-1869). Anexado a Daomé em 1961. As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos africanos. É desse periodo que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Ouidá.

Ao final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) determinou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo Abreu, erguer uma fortificação na povoação de Ouidá, para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidá (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufaturados europeus, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais itens fossem transportados em navios brasileiros.

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações antes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

O Daomé tornou-se uma colônia francesa a partir de 1892, obtendo independência em 1° de agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidá, então uma dependência da colónia portuguesa de São Tomé e Príncipe. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar. A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985.

O forte português de São João Baptista de Ajudá, foi recentemente reconstruído com recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

São Jorge da Mina (Gana) (1482-1637). Ocupação holandesa em 1637. Em 1469, nove anos após a morte do infante D. Henrique, mentor e dinamizador da gesta marítima e comercial portuguesa, D. Afonso V, seu sobrinho e rei de Portugal, inclinado para as conquistas militares em Marrocos, arrendou a um comerciante lisboeta, Fernão Gomes, a exploração da costa da Guiné, com todo o monopólio comercial, por cinco anos (mais um no fim do contrato). Em troca, para além da renda, exigiu um avanço de 100 léguas por ano ao longo do litoral, a partir da Serra Leoa.

O grande sinal do avanço costeiro e do esforço empreendedor de Portugal na região surgiu com a necessidade de se construir um estabelecimento comercial fortificado no Golfo da Guiné, entreposto esse que seria, para além de placa giratória do trato português, base de apoio para a defesa, em terra e no mar, das rotas e interesses da Coroa. O descobrimento da região da Mina, durante o arrendamento de Fernão Gomes, anunciou a existência de um ponto geográfico estratégico para tais missões.

Assim, em 1482, D. João II, entretanto chegado ao trono, encarregou Diogo da Azambuja da construção de uma fortaleza, sendo a mais antiga construção europeia a sul do deserto do Sara, naquele lugar mais tarde baptizada de S. Jorge da Mina, tornando-se o seu primeiro capitão, lugar que foi ocupado por muitos homens ilustres do reino, nomeados por um triénio. Estes capitães tinham vastos poderes instituídos pela Coroa, ainda que sujeitos a um apertado regulamento, de forma a poderem impedir o contrabando do ouro ou outras actividades ilícitas. A sua autoridade estendia-se aos outros entrepostos da costa como Axim, Osu, Shama, Waddan, Cantor, Benim, fundados principalmente a partir de 1487 e sob domínio português até meados do século XVI. O Forte Duma, em Egwira, foi fundado em 1623 e abandonado em 1636.

Construiu-se também, junto à fortaleza, uma pequena povoação, chamada Duas Partes, para além de outros dois pequenos fortes em Axém e Shamá. Nesta empresa trabalharam mais de quinhentos homens, entre militares e artífices. S. Jorge da Mina recebeu mesmo em 1486 carta de foral. As populações locais rapidamente se colocaram ao serviço da feitoria, auxiliando os portugueses no comércio, nas incursões no interior e na luta contra a pirataria. Rapidamente, a Mina tornou-se o principal estabelecimento português em África, fonte do abastecimento de ouro que se tornara o motor da economia nacional até se iniciar o ciclo da Índia após 1498. Ganhou fama internacional e despertou a cobiça dos europeus, nomeadamente dos Reis Católicos, que só cessaram as pressões para se apossarem da região com o Tratado de Alcáçovas, no qual reconheciam a Portugal o domínio a sul das Canárias.

Porém, ao longo do século XVI, ataques de piratas franceses aos navios portugueses no regresso da Mina começaram a suceder-se, para além de tentativas de tráfico do ouro na Mina. Repelidos estes, chegaram os ingleses, que, depois de conseguirem algum ouro, cessaram as suas operações com o tratado luso-inglês de 1570. Vieram os holandeses no século XVII, durante o domínio espanhol sobre Portugal. Após várias tentativas falhadas, a partir do Brasil, os holandeses, através da sua Companhia das Índias Ocidentais, enfraqueceram lentamente o monopólio comercial português na região, conseguindo dominar as quatro dezenas de militares da guarnição portuguesa de S. Jorge da Mina, a maior parte dos quais doentes e mal armados.

Por volta de 1637, chegavam ao fim 150 anos de domínio português na Mina, período no qual nunca os portugueses dali traficaram escravos, ao contrário dos holandeses. A feitoria exerceu mesmo uma actividade cultural na região, visível nos vocábulos portugueses que se mesclaram nos idiomas locais, para além de melhorias alimentares com a introdução do milho.

Os outros fortes portugueses na região foram também ocupados pelos holandeses em 1642.

São Tomé e Príncipe - colónia real (1753-1951); província ultramarina (1951-1971); administração local (1971-1975). Independência em 1975. União com a Ilha do Príncipe em 1753. As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas até 1470, quando os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar as descobriram. Foi então, uma colónia de Portugal desde o século XV até à sua independência em 1975.

São Tomé - possessão (1470-1485); colónia (1485-1522); colónia real (1522-1641); administração durante a ocupação holandesa (1641-1648). Ocupação francesa em 1648.

Sete Povos das Missões (Brasil?) - colónia (1750-1808)

Ilha do Príncipe - colónia (1500-1573). União com São Tomé em 1753. A ilha foi descoberta pelos portugueses em 14 de Janeiro de 1471 e denominada Santo António. Em 1502 tornou-se donatária com o nome de ilha do Príncipe. Tornou-se colónia da Coroa em 1573 e esteve ocupada pelos holandeses entre Agosto e Outubro de 1598. Em 1753 uniu-se a São Tomé para formar a colónia de São Tomé e Príncipe.

Socotorá (Iemen) - possessão (1506-1511). Tornou-se parte do Sultanado Mahri de Qishn e Suqutra. O explorador português Tristão da Cunha desembarcou nas ilhas nos começos do século XVI e considerou a Socotra conquistada por Portugal. Naquele tempo o cristianismo havia desaparecido das ilhas, exceto por umas cruzes de pedra que Alvares disse que as pessoas adoravam. Contudo, durante uma visita à ilha por parte de Francisco Xavier, este encontrou um grupo de pessoas que se declaravam ser os descendentes dos convertidos por São Tomé.

As ilhas estiveram debaixo do controle português de 1507 até 1511

T

Timor-Leste - colónia subordinada à Índia Portuguesa (1642-1844); subordinada a Macau (1844-1896); colónia separada (1896-1951); província ultramarina (1951-1975); república e proclamada independência unilateral, anexada à Indonésia (1975-1999), reconhecimento da ONU como território português. Administração da ONU de 1999 até à Independência em 2002. O primeiro contato europeu com a ilha foi feito pelos portugueses quando estes lá chegaram em 1512 em busca do sândalo, madeira nobre utilizada na fabricação de móveis de luxo e na perfumaria, que cobria praticamente toda a ilha. Durante quatro séculos, os portugueses apenas utilizaram o território timorense para fins comerciais, explorando os recursos naturais da ilha.

Tanganica (Tanzânia) - Estabelecimentos portugueses estabelecidos no litoral (1500-1630).

Z
Zanzibar (Tanzania) - possessão (1503-1698). Tornou-se parte de Omã em 1698. O primeiro europeu a visitar a ilha foi Vasco da Gama, em 1499, acabando os portugueses por estabelecerem aí um entreposto comercial e uma missão católica.

Ziguinchor (Senegal) – Casamansa) (1645-1888). Cedido aos franceses em 1888. Foi fundada pelos portugueses em 1645, tendo sido cedida à França em 1888. Seu nome advém de "Cheguei e choram". Essa expressão remonta à época em que exploradores portugueses vieram à região para firmar tratados de comércio com o governante local. Conta-se que os nativos começaram a chorar, imaginando que seriam escravizados.



(1415-2002)

Norte de África:
Aguz (1506-1525) | Alcácer-Ceguer (1458-1550) | Arzila (1471-1550, 1577-1589) | Azamor (1513-1541) | Ceuta (1415-1640) | Mazagão (1485-1550, 1506-1769) | Mogador (1506-1525) | Safim (1488-1541) | Agadir (1505-1769) | Tânger (1471-1662) | Ouadane (1487-meados do século XVI)



África subsariana:
Acra (1557-1578) | Angola (1575-1975) | Ano Bom (1474-1778) | Arguim (1455-1633) | Cabinda (1883-1975) | Cabo Verde (1642-1975) | São Jorge da Mina (1482-1637) | Fernando Pó (1478-1778) | Costa do Ouro Portuguesa (1482-1642) | Guiné Portuguesa (1879-1974) | Melinde (1500-1630) | Mombaça (1593-1698, 1728-1729) | Moçambique (1501-1975) | Quíloa (1505-1512) | Fortaleza de São João Baptista de Ajudá (1680-1961) | São Tomé e Príncipe 1753-1975 | Socotorá (1506-1511) | Zanzibar (1503-1698) | Ziguinchor (1645-1888)



Ásia Ocidental:
Bahrein (1521-1602) | Ormuz (1515-1622) | Mascate (1515-1650) | Bandar Abbas (1506-1615)

Subcontinente indiano:
Ceilão Português (1518-1658) | Laquedivas (1498-1545) | Maldivas (1518-1521, 1558-1573) | Índia Portuguesa: Baçaím (1535-1739), Bombaim (Mumbai) (1534-1661), Calecute (1512-1525), Cananor (1502-1663), Chaul (1521-1740), Chittagong (1528-1666), Cochim (1500-1663), Cranganor (1536-1662), Dadrá e Nagar-Aveli (1779-1954), Damão (1559-1962), Diu (1535-1962), Goa (1510-1962), Hughli (1579-1632), Nagapattinam (1507-1657), Paliacate (1518-1619), Coulão (1502-1661), Salsette (1534-1737), Masulipatão (1598-1610), Mangalore (1568-1659), Surate (1540-1612), Thoothukudi (1548-1658), São Tomé de Meliapore (1523-1662; 1687-1749)



Ásia Oriental:
Bante (séc. XVI-XVIII) | Flores (século XVI-XIX) | Macau, como estabelecimento portugês, colónia e província ultramarina (1557-1975); como território chinês sobre administração portuguesa (1975-1999) | Macassar (1512-1665) | Malaca Portuguesa (1511-1641) | Molucas (Amboina 1576-1605, Ternate 1522-1575, Tidore 1578-1650) | Nagasaki (1571-1639) | Timor Português (Timor-Leste), como colónia e província ultramarina (1642-1975), invadida pela Indonésia, sobre o nome de Timor Timur (1975-1999), como protectorado (1999-2002).

América do Norte:
Terra Nova (1501–1570?) | Labrador (1501-1570?) Nova Escócia (1519–1570?)

América Central e do do Sul:
Brasil (1500-1822) | Barbados (1536-1620) | Província Cisplatina (1808-1822) | Guiana Francesa (1809-1817) | Nova Colónia do Sacramento (1680-1777) | (Colonização do Brasil)

Madeira e Açores:
Estes dois arquipélagos, localizados no Atlântico Norte, foram colonizados pelos portugueses no início do século XV e fizeram parte do Império Português até 1976, quando se tornaram regiões autónomas de Portugal; no entanto, já desde o século XIX que eram encaradas como um prolongamento da metrópole europeia (as chamadas Ilhas Adjacentes) e não colónias. O estatuto especial dos arquipélagos (região autónoma) continuou até hoje, sem grandes alterações.

Chronology of the Portuguese Voyages of Discovery

• 1147—Voyage of the Adventurers. Soon before the siege of Lisbon by the crusaders, a Muslim expedition left in search of legendary Islands offshore. They were not heard of again.
• 1336—First expedition to the Canary Islands. Another 2 in 1340 and 1341.
• 1412—Prince Henry, the Navigator, orders the first expeditions to the African Coast and Canary Islands.
• 1419—João Gonçalves Zarco and Tristão Vaz Teixeira discovered Porto Santo island, in the Madeira group.• 1420—The same sailors and Bartolomeu Perestrelo discovered the island of Madeira, which at once began to be colonized.
• 1422—Cape Nao, the limit of Moorish navigation is passed as the African Coast is mapped.
• 1427—Diogo de Silves discovered the Azores, which was colonized in 1431 by Gonçalo Velho Cabral.• 1434—Gil Eanes sailed round Cape Bojador, thus destroying the legends of the ‘Dark Sea’.
• 1434—the 32 point compass-card replaces the 12 points used until then.
• 1435—Gil Eanes and Afonso Gonçalves Baldaia discovered Garnet Bay (Angra dos Ruivos) and the latter reached the Gold River (Rio de Ouro).
• 1441—Nuno Tristão reached Cape White.
• 1443—Nuno Tristão penetrated the Arguim Gulf.
• 1444—Dinis Dias reached Cape Green (Cabo Verde).• 1445—Alvaro Fernandes sailed beyond Cabo Verde and reached Cabo dos Mastros (Cape Red)
• 1446—Alvaro Fernandes reached the northern Part of Portuguese Guinea
• 1452—Diogo de Teive discovers the Islands of Flores and Corvo.
• 1458—Luis Cadamosto discovers the first Cape Verde Islands.
• 1460—Death of Prince Henry, the Navigator. His systematic maping of the Atlantic,reached 8º N on the African Coast and 40º W in the Atlantic (Sargasso Sea) in his lifetime.
• 1461—Diogo Gomes and António Noli discovered more of the Cape Verde Islands.• 1461—Diogo Afonso discovered the western islands of the Cabo Verde group.
• 1471—João de Santarém and Pedro Escobar crossed the Equator. So the southern hemisphere was discovered and the sailors began to be guided by a new constellation, the Southern Cross. The discovery of the islands of São Tome and Principe is also attributed to these same sailors.
• 1472—Corte Real and Alvaro Martins Homem reached the Land of Cod, now called Newfoundland.
• 1476—João Coelho visits the West Indies. It seems one of the sailors aboard was called Cristovão Colombo.
• 1482—Diogo Cão reached the estuary of the Zaire (Congo) and placed a landmark there. Explored 150kms upriver to the Ielala Falls.
• 1484—Diogo Cão reached Walvis Bay, south of Namibia.• 1487—Afonso de Paiva and Pero da Covilhã traveled overland from Lisbon in search of the Kingdom of Prester John. (Ethiopia)
• 1488—Bartolomeu Dias, crowning 50 years of effort and methodical expeditions, rounded the Cape of Good Hope and entered the Indian Ocean. They had found the "Flat Mountain" of Ptolomeu's Geography.
• 1489/92—South Atlantic Voyages to map the winds
• 1490—Colombus leaves for Spain after his father-in-law's death.
• 1492—First exploration of the Indian Ocean.
• 1494—The Treaty of Tordesilles (46º 37' W), the pope divided the world into two parts, between Portugal and Spain.• 1495—Voyage of Joao Fernandes, the Farmer, and Pedro Barcelos to Greenland. During their voyage they discovered the land to which they gave the name of Labrador (lavrador, farmer)
• 1494—First boats fitted with cannon doors and topsails.
• 1498—Vasco da Gama led the first fleet around Africa to India, arriving in Calicut.
• 1498—Duarte Pacheco Pereira explores the South Atlantic and the South American Coast North of the Amazon River.• 1500—Pedro Álvares Cabral discovered Brazil on his way to India.
• 1500—Gaspar Corte Real made his first voyage to Newfoundland, formerly known as Terras de Corte Real.
• 1502—Miguel Corte Real set out for New England in search of his brother, Gaspar. João da Nova discovered Ascension Island. Fernão de Noronha discovered the island which still bears his name.
• 1503—On his return from the East, Estevão da Gama discovered Santa Helena island.
• 1506—Tristão da Cunha discovered the island that bears his name. Portuguese sailors landed on Madagascar.
• 1509—The Gulf of Bengal crossed by Diogo Lopes Sequeira. On the crossing he also reached Malacca.
• 1512—António de Abreu discovered Timor island.• 1513—The first trading ship to touch the coasts of China, under Jorge Álvares.
• 1522—Australia discovered by Cristovão de Mendonça (1522) and Gomes de Sequeira (1525). (This assertion is currently awaiting wide acceptance pending the evidence).
• 1526—Discovery of New Guinea.
• 1541—Fernão Mendes Pinto, Diogo Zeimoto and Cristovão Borralho reached Japan.
• 1542—The coast of California explored by João Rodrigues Cabrilho.
• 1557—Macau (Macao) given to Portugal by the Emperor of China as a reward for services rendered against the pirates who infested the China Sea.



Pedras de Ielala – Rio Zaire – Diogo Cão

NOTA: Este magnífico pedaço da História de Portugal, foi retirado de um texto que circula na internete, de autor desconhecido. A quem souber o seu nome, muito agradeço que, por favor, deixe um comentário nesta mesma mensagem com o seu nome, para aqui ser colocado.