domingo, 18 de julho de 2010

M228 - 33ª Confraternização Anual da Associação de Operações Especiais - 2010

XXXIIIª Confraternização Anual da Associação de Operações Especiais

1, 2 e 3 de Julho de 2010

Parte 1 - A mini-prova RANGER

O briefing inicial entre um dos monitores e os atletas

O Celestino trepa para o slide


O Celestino em slide a partir de um ponto elevado

O Celestino e o RANGER Rodrigues, seguindo as indicações da carta de orientação da prova

O ARNGER Rodrigues atravessa um curso de água

Os RANGERS Rodrigues e MR a caminho da carreira de tiro, para a prova de tiro

O Celestino e o RANGER MR com os monitores de tiro, antes de iniciar a prova

O Sr CMDT do CTOE, observa atentamente a seguimento da prova e o escrupuloso cumprimentos das normas de segurança

O RANGER Pinto em plena prova
O RANGER Norberto efectua os seus disparos

O RANGER Rodrigues é um autêntico sniper

Um dos monitores exemplifica a posição mais correcta de execução de um disparo

O homem, a arma e o alvo

O RANGER MR reciclando a pontaria

M227 - RANGER Mexia Alves no jornal Correio da Manhã. de 27 de Junho de 2010

O RANGER Joaquim Mexia Alves, cumpriu a sua comissão militar nas Guiné nos anos de 1971 a 1973, e no passado dia 27 de Junho de 2010, o jornal Correio da Manhã, na série inserida na revista com o título: "A minha guerra", publicou uma reportagem que, com a devida vénia e agradecimento, reproduzimos a seguir: 

“Portugal desprezou soldados africanos” 

Quando a guerra acabou, os homens das forças africanas foram fuzilados, presos ou agredidos pelas autoridades locais.

"Entrei para a recruta no Quartel de Mafra em Janeiro de 1971, finda a qual fui "escolhido voluntariamente" para me apresentar em Lamego onde fiz a especialidade de Operações Especiais, vulgo, Rangers.
Daí fui colocado no Regimento da Serra do Pilar, em Gaia, onde a partir de Outubro de 1971 começámos a preparar o Batalhão, com o qual iria embarcar no ‘Niassa’, a 21 de Dezembro de 1971, rumo à Guiné.
Chegámos e fomos enviados para a ilha de Bolama onde fizemos a IAO, (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional), com vista à adaptação não só ao clima, mas às condições de guerra da Guiné.
O meu Batalhão, BART 3873, ficou sediado em Bambadinca (zona leste), e a minha companhia, CART 3492, foi para o aquartelamento mais longe da sede, no Xitole.
Durante os sete ou oito meses da minha estadia no Xitole, tivemos flagelações ao quartel, sem baixas, nem ferimentos entre os militares.
Houve uma ou duas emboscadas, sem problemas para as nossas tropas, tendo sido reportadas por informadores algumas baixas no PAIGC.
Fui então enviado para comandar um Pelotão Independente de Africanos, o Pel. Caç Nat. 52, sediado nessa altura na Ponte do rio Udunduma, na estrada Bambadinca/Xime.
Era um sítio sem condições de vida, mas onde estive muito pouco tempo e sem problemas. Depois o Pelotão foi colocado no Destacamento de Mato Cão, na margem norte do rio Geba, a meio caminho entre o Xime e Bambadinca, sendo a nossa primeira missão assegurar a navegabilidade desse troço do Geba.
GUERRILHA
As condições de vida eram francamente más: dormíamos em buracos abertos no chão, ladeados de bidons e cobertos de paus de cibo e sem luz.
Devo ter estado em Mato Cão cerca de nove meses. Mantivemos uma forte actividade operacional – o melhor "remédio" neste tipo de guerra de guerrilha.
Posteriormente, fui colocado na C. Caç. 15, (Companhias de Africanos), sediada em Mansoa, constituída na sua esmagadora maioria por Balantas, e que fazia operações de intervenção do Batalhão de Mansoa, segurança à estrada em construção de Mansoa/Portogole, e segurança às colunas que passavam para Norte, junto à mata do Morés.
Aqui e até ao fim da comissão tive uma actividade operacional muito intensa, com contactos com o inimigo de então, mas graças a Deus sem baixas na nossa Companhia a registar.
CAMARADAS

Regressei a Portugal, em rendição individual, em avião militar em 21 de Dezembro de 1973. Afirma-se, hoje em dia, que a guerra na Guiné estaria perdida militarmente. Não creio.
Só motivos políticos justificam tal afirmação. Ainda hoje não esqueço a dedicação e empenho das forças africanas constituídas por guineenses, que honrosamente comandei, e exprimir a minha revolta pelo abandono a que foram votados.
Muitos foram fuzilados e outros presos, agredidos, pelas autoridades que tomaram conta da Guiné – desprezados por Portugal.
Quero exprimir a minha revolta pelo ignominioso tratamento dado aos combatentes, não só da Guiné, mas também de Angola e Moçambique, por parte dos governos de Portugal. Há ex-militares que esperam o resultado de processos 35 anos depois do fim da guerra. Se antes como se dizia éramos "carne para canhão", hoje – vivos – somos transparentes.
PERFIL

Nome: Joaquim Mexia Alves
Comissões: Guiné (1971/73)Força: Rangers
Actualidade: Administrador das Termas de Monte Real, 61 anos, quatro filhos e dois netos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

M226 - Para quem gosta de História de Portugal - Viagem Medieval em Terras de Santa Maria - 2010


Para quem gosta de História de Portugal
Viagem Medieval em Terras de Santa Maria - 2010
A 14ª Viagem Medieval em Terra de Santa Maria já tem data marcada. Em 2010, Santa Maria da Feira regressa à Idade Média de 29 de Julho a 8 de Agosto.
Enquadramento Histórico No final do séc. XI, é criada uma nova entidade política: o Condado Portucalense.
Afonso VI, imperador da Hispânia, doa a sua filha Teresa, por altura dos seus esponsais com Henrique da Borgonha, o território de Coimbra até ao castelo de Lobreira, na Galiza, incluindo a Terra de Santa Maria, toda a terra de Lamego e de Viseu, acrescentando também a terra que os mouros possuíam, desde que a conquistasse e a acrescentasse ao seu Condado.
Em 1112, o Condado Portucalense passa a ser governado por D. Teresa, mulher e viúva que enfrenta grandes desafios, superando-os graças aos seus talentos e sagacidade e ao auxílio de um bom grupo de nobres.
Intitulando-se rainha em 1117, D. Teresa encontra-se numa vila a que chamam de Feira, situada extra-muros do Castelo de Santa Maria, onde faz doações a poderosos da Terra pelos serviços prestados na defesa da cidade de Coimbra, aquando do cerco dos almorávidas.
Os jogos e as disputas pelo poder entre os diversos partidários geram confrontos armados que vão produzir mudanças de autoridade no Condado: após a batalha de S. Mamede, a 24 de Junho de 1128, a rainha perde o governo para seu filho Afonso Henriques, passando este a representar um novo domínio e uma nova soberania: a autonomia do Condado perante o reino leonês.
E em 1139, em dia de Santiago, Afonso Henriques encontra-se no campo de batalha lutando contra os infiéis.
Reconhecido pelos seus companheiros d’armas como um grande chefe e valoroso guerreiro, é alçado no seu escudo e aclamado rei de um novo reino: Portugal.

domingo, 11 de julho de 2010

M225 - As Operações Especiais Portuguesas vistas pelo repórter Abel Coelho Morais do jornal Diário de Notícias, em 10JUL2010

Com a devida vénia e agradecimento publica-se a seguir, na íntegra, uma Grande Reportagem sobre as Operações Especiais, com o título "Os soldados da noite", excelentemente recolhida pelo jornalista ABEL COELHO DE MORAIS, que veio inserida no jornal Diário de Notícias, no dia 10 de Julho de 2010: 


CTOE - Os soldados da noite 

Popularmente conhecidos como os 'rangers' de Lamego, os militares do Centro de Treino de Operações Especiais (CTOE) - unidade criada em 1960 - são preparados para missões de alto risco e grande complexidade, actuando sempre a coberto da noite: a melhor das camuflagens, como costumam dizer.


Num curso de seis meses, mais um ano a ano e meio de exercícios contínuos, os efectivos do CTOE têm, primeiro, de se conhecer a si próprios e testarem os seus limites, antes de vencerem os desafios das missões que lhes são entregues.

O DN esteve com os oficiais, sargentos e praças que devem permanecer anónimos e ser capazes de chegarem invisíveis à beira do inimigo.

"Segunda-feira era o pior dia da semana. O terror era grande na formatura da manhã quando os instrutores chamavam os nomes dos que tinham sido eliminados. Alguns começavam a chorar quando era dito o nome deles. Era o pior momento para nós. Depois disto, o que aparecesse pela frente era preferível."

Rui, 45 anos, hoje sargento-ajudante, recorda as primeiras semanas do curso de Operações Especiais feito em 1986 como praça. Tudo o que então lhes aparecia pela frente era intenso esforço físico, escasso descanso, muita fome, muito frio - constantes num curso em que "tudo o que se vive e se passa aqui dentro nos marca muito".

O mesmo curso que Rogério, de 23 anos, iniciou este ano depois de "um amigo que está no exército normal" lhe ter falado dos "rangers de Lamego" ou Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), designação actual da unidade criada em Abril de 1960 como Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE).

Rogério informou-se e decidiu "aproveitar a oportunidade antes que ela fugisse". Depois de 12 semanas de recruta normal, o curso principiou de manhã bem cedo com uma prova de ginástica de aptidão militar. "Foi uma sensação de angústia, desorientação. Houve camaradas que desistiram logo", conta este finalista de engenharia informática, para quem "passar o dia todo atrás de uma secretária" era "muito complicado".

"Dorme-se sempre com a mochila, e pode não acontecer nada... ou acontecer", afirma Rui C., de 27 anos, hoje tenente e instrutor no aquartelamento de Penude, uma das três instalações por onde está sediado em Lamego e seus arredores o CTOE, que assumiu esta designação em Julho de 2006.

Em Penude ministra-se o essencial da formação; no aquartelamento da Cruz Alta encontra-se o destacamento operacional, enquanto o comando está sediado no antigo Convento de Santa Cruz, no centro da cidade.

Testar os limites

O inesperado e a pressão são constantes. De dia e de noite. "Fui forçado a aprender a comer muito depressa", recorda Rogério, uma refeição inteira em menos de cinco minutos. Noutros momentos do curso, Rogério não recebe mais do que uma bolacha ou uma peça de fruta para o dia inteiro. Mas os exercícios nunca param.

Assim como não há regras sobre a alimentação "nunca há certeza sobre o tempo de descanso". A finalidade é testar os "limites físicos e psíquicos, a que nunca tínhamos sido levados antes - e ultrapassá-los", salienta um outro instruendo, Daniel, de 25 anos, natural de Lamego, que frequenta o curso de Operações Especiais para oficiais e sargentos do Quadro Permanente. Curso este ainda mais exigente: "Aqui testa-se a capacidade de comando, obtêm-se ferramentas de liderança; por isso tem de ser mais complexo e exigente", ainda que "exista uma melhor preparação devido à nossa experiência militar", diz Daniel, recentemente saído da Academia Militar.

"Há muitos jovens que chegam aqui a pensar que as Operações especiais são uma espécie de desporto radical. Isto é radical, mas não é nenhum desporto", sublinha Rui, que tomou a decisão de fazer o curso aos 20 anos. Um curso que seu pai, militar de carreira, fizera nos anos 60 na sua primeira fórmula. "Muitos vêm só para ver como é. Mas quem vem com uma ideia definida vai até ao fim", defende Carlos, de 48 anos, sargento-chefe.

Este é o segredo para cumprir o curso com sucesso. "Não se consegue ser de Operações especiais se não se quiser ser do princípio até ao fim", sustenta o coronel Sepúlveda Velloso, de 49 anos. Para o comandante do CTOE desde 2008, é "característica das Operações especiais e de todas as forças de elite testar os limites do indivíduo, para saber com o que se pode contar das suas potencialidades individuais". Como o poder de decisão que se testa ao lançar-se à água do alto de uma ponte numa noite escura.

Mas não é apenas isto. "É tipicamente nosso fazer ver ao indivíduo quais as suas potencialidades, ele deve conhecer-se a si próprio para ganhar a autoconfiança que lhe permita, quando vai para uma missão, identificar situações idênticas que já viveu e não se desviar da tarefa a cumprir." Por isso se testa também a capacidade de o militar sobreviver apenas com os recursos da natureza, edificar abrigos e esconderijos, nadar, correr, marchar e voltar a nadar, a correr e marchar - seis, doze ou 24 horas consecutivas.

O militar de Operações especiais "não pode deixar que as paixões ou as emoções afectem o seu desempenho", conclui o coronel Velloso na síntese sobre um curso em que as taxas de sucesso e fracasso falam por si. Números para os últimos dois anos mostram que a média de insucesso ou desistência não ultrapassa os 5% para os oficiais e sargentos do Quadro Permanente; em contrapartida, no curso de praças e de oficiais e sargentos milicianos situa-se entre os 50% e os 60%. "O instrutor Rui C. defende que esta disparidade resulta da "ausência de qualquer experiência a nível militar".

Longa preparação

Todos vivem nas mesmas condições, confrontados regularmente com elevadas exigências. "Se o instruendo passar por todas as fases em que é testado, quando chega ao campo de batalha tudo se torna mais fácil", sublinha o sargento-chefe Carlos, que recorda uma máxima dos seus tempos de instrução: "Quanto mais o suor no campo de treino, menos o sangue no campo de batalha."

Uma máxima que ganha toda a actualidade nos teatros de operações onde os efectivos de Operações especiais são empregues: do Afeganistão à Bósnia e ao Kosovo, de Timor-Leste à Guiné-Bissau. Por isso, além dos seis meses do curso, segue-se um ano a ano e meio de intensos exercícios em cenários idênticos aos de situações de conflito real até o militar estar preparado para o terreno (ver texto nas págs. seguintes).

Carlos afirma que esta longa preparação é absolutamente indispensável por duas razões. A primeira é que "os teatros de operação são cada vez mais sofisticados e complexos" e, claro, "o inimigo nunca deve ser subestimado". A segunda relaciona-se com as pessoas: "A juventude é mais frágil hoje do que no tempo da minha instrução", desde há "uns 15 anos que o facto começou a tornar-se evidente". Algo que preocupa Carlos, oriundo de uma família com passado militar. Um factor que não considera determinante. "Há muitos militares do CTOE que não têm quaisquer familiares nas forças armadas, ou que não tiveram no passado."

O próprio universo de recrutamento tem hoje "outras características", explica o comandante do CTOE, "há grandes diferenças entre o presente e o passado. A rusticidade, a motivação, a disciplina, que eram características quase cutâneas no passado, hoje estão um pouco perdidas". A origem social e geográfica dos recrutas é também diferente. Ainda nos anos 80, a maioria dos instruendos, em especial no curso de praças, era proveniente das regiões acima do Mondego - "o que não quer dizer que não tenha havido sempre pessoas de todo o Portugal continental e das Ilhas", clarifica o coronel. Um retrato fixado pelo sargento- -ajudante Rui: "Os homens que aqui apareciam já trabalhavam, fosse nas obras ou na agricultura. Se calhar não tinham os vícios de agora, eram mais robustos, mais modestos."

A unidade de Lamego também atrai pessoas a sul do Mondego. Caso do seu actual comandante. Natural de Lisboa, frequentava a Academia Militar em 1982 quando, "por acaso", soube da existência de uma unidade com aquilo que classifica como "uma componente operacional interessante, com técnicas e tácticas pouco convencionais". O então cadete acredita que esta era a unidade "que se adequava melhor" à sua personalidade. Após o curso de Operações Irregulares, também ministrado no então CIOE e obrigatório para oficiais e sargentos do Quadro Permanente, começa a frequentar o curso de Operações Especiais em Janeiro de 1986.

Esta é a época em que o curso de Lamego era obrigatoriamente completado com o dos Comandos, e vice-versa. Privilegiavam-se, então, as técnicas de sobrevivência, patrulhas de longo raio de acção, montanhismo, tácticas irregulares. É o tempo da Guerra Fria. Hoje, nota o comandante do CTOE, "predomina o combate a curta distância, devido à natureza das ameaças actuais"; o curso é, por outro lado, "também muito mais técnico".

Mas, insiste de imediato, "sem o valor do homem não se consegue operar a máquina". A componente tecnológica é "hoje muito importante no ambiente operacional, no armamento, para a recolha de informação, para a observação", diz o coronel Velloso, que volta a insistir na ideia de que "atrás de uma máquina está sempre um homem".

"Incentivos musicais"

O tempo de curso do coronel Velloso foi "extremamente intenso", com riscos, inevitáveis durante a instrução. Uma vez, "na travessia de um curso de água, ia lá ficando". O responsável do CTOE cita esta situação para sublinhar que "há sempre muitas oportunidades em que se pode morrer". E não tem de ser numa situação de combate. Apesar da especial atenção consagrada à segurança. Hoje há sempre pessoal de enfermagem a acompanhar os exercícios mais perigosos.

O nível de risco e a dureza da preparação em Lamego não foram suficientes para fazerem adormecer o sentido de humor dos camaradas de curso do coronel Velloso, e dele próprio. "Éramos nove perto do final. Quando punham as músicas de acção psicológica, vínhamos para o corredor com mochila, G3 e tudo, e começávamos a dançar" - "o meu tempo na instrução foi o mais divertido que passei na tropa", recorda com um sorriso.

Os bailes improvisados naquela época estão longe de ser o objectivo dos "incentivos musicais", como os classifica o instruendo Rogério. A finalidade é criar arritmias e pressão psicológica. Ouve-se apenas um "trecho de uma composição, durante três horas, se for preciso", diz o antigo informático, num tom de quem se habituou a gerir a situação. "Mas pode ser só 20 minutos, a duração varia de noite para noite; pode nem haver." Nunca há certezas sobre nada - como é da natureza da guerra -, nem sobre o tempo de descanso.

Um descanso passado em camas sem lençóis ou cobertores, onde se dorme fardado, com mochila às costas e arma ao lado. Só se tiram as botas. Isto porque os instruendos têm apenas três minutos para estarem na parada ao grito de "forma".

Um descanso que se aprende a aproveitar em qualquer circunstância. "Até numa caminhada. Segurava a mochila do da frente e pedia ao de trás para me orientar quando mudássemos de direcção. Pelo menos, o cérebro desligava", lembra o comandante do CTOE.

A parelha

Para Operações Especiais só se vai por escolha e motivação pessoal. Como sucedeu com Rogério, Daniel e Rui C., entre os mais recentes. Este, "desde os 15 anos que queria ser de Operações Especiais". Natural de Lamego, lembra-se de ver passar os efectivos do CTOE na cidade e de se imaginar "oficial de infantaria". Por causa do limite de idade, achou "mais indicado ir para a Academia Militar". Aqui, descobre que "os melhores instrutores são todos de Operações Especiais". Toma-os como modelo. Mas evita informar-se sobre o curso. "Queria que fosse uma surpresa", diz enquanto caminha na parada de terra batida de Penude. Só tomou uma precaução: "Engordei 15 quilos para aguentar o esforço."

Um esforço em que o "mais difícil" foram as provas individuais, a maioria colocada na primeira parte do curso. "O pior é quando se está sozinho", nota Rui C.; percepção partilhada por Rogério: "Sozinho, ninguém acaba o curso." Por isso, as Operações Especiais assentam na parelha. "A parelha é um instrumento de sobrevivência e segurança", considera Daniel. Algo que Rogério explica nestes termos: "Ele vai sofrer por minha causa e eu vou sofrer por ele. Se fizer asneira, ele paga por isso, e vice-versa". "A nossa parelha é mais do que um irmão", diz Rui C. "Com a parelha, conta-se sempre", resume o sargento-chefe Carlos.

O que não impede momentos de fraqueza no passado e no presente. "Na minha época, o que nos deixava em baixo era a ausência da família, dos amigos", recorda o tenente. A propósito dos novos recrutas, diz que estes só parecem "ter saudades dos telemóveis", que obviamente lhes são retirados.

"Tirando raras excepções, houve uma época em que quase todos os dias pensei em desistir", confessa Rogério. No sentido oposto, Daniel assegura nunca ter pensado nisso, reconhecendo, contudo, o carácter "único" da unidade: "Costumo definir objectivos na vida, e estar nas Operações Especiais é o topo da minha carreira nesta fase."

Rui C. reconhece que o curso é um "desafio especial", que enfrentou bem devido ao "espírito muito forte" vivido na sua época como instruendo. Se não se viver esse espírito, insiste o tenente, será difícil concluir um curso que se começa no Inverno e se termina no "inferno", referência às semanas finais em que tudo está em jogo.

Nestas se concentram as "provas míticas dos rangers", aquelas em que o indivíduo e parelha vivem como se estivessem no terreno. E podem acabar presos, com tudo o que implica ser prisioneiro de guerra. Mas, passadas estas provas, pouco falta para receber a bóina verde.

(Por motivos de segurança, à excepção do comandante, os entrevistados são referidos pelo primeiro nome e não se publicam as suas fotografias.)

Exercícios

Uma operação em quatro noites, três dias e três minutos

DN 2010-07-10

Elementos do CTOE seguem um longo programa de treinos antes de serem considerados aptos para a acção.
Soam tiros a curtos intervalos, são gritadas ordens. Junto de uma fogueira que se apaga, passam vultos que progridem entre tendas e construções térreas, arma empunhada à altura do ombro. São 04.12 da madrugada: é assaltado o acampamento inimigo com o objectivo de capturar um dos seus chefes.

Protegido por sentinelas, o campo está localizado num ponto alto, rodeado por vegetação e um perímetro defensivo, onde foram colocados artefactos de detecção de movimento e armadilhas improvisadas. O grupo de ataque conseguira aproximar-se até poucos metros e há quase duas horas que aguardava, invisível e imóvel, o instante propício para o assalto. Disparos sobre as sentinelas ou uma manobra de diversão a partir de ponto distinto do local de assalto são os sinais para o início da acção.

No acampamento, um dos militares exclama "king, king". Foi detectado o líder inimigo. Três elementos convergem sobre ele, imobilizam-no, colocam-lhe um capacete e um colete à prova de bala, arrastam-no para fora da casa; lançam granadas explosivas e de fumo - e desaparecem na noite.

Em três minutos termina uma operação iniciada há quatro noites, quando uma unidade de seis efectivos montou um posto de observação a 600 metros do objectivo. Eram, então, 02.05 de uma noite em que a lua entrara em quarto crescente e quase não havia nuvens no céu.

A operação decorreu nas serranias de Mirandela, onde o CTOE realizou o exercício Viriato 10, de 12 a 19 de Junho, um dos exercícios que realiza anualmente. O cenário, este ano, envolveu pequenos destacamentos que deviam capturar dirigentes de guerrilha ou libertar reféns - acções consideradas mais prováveis na actualidade.

A operação iniciou-se após a detecção do alvo considerado relevante. No caso da captura do líder, uma vez identificada a existência da base, foi necessário determinar como se vive ali e quem ali se encontra. Num primeiro momento colocou-se "os olhos no objectivo" para obter informação que permitisse ao comando tomar decisões. Uma patrulha de reconhecimento foi largada a grande distância do alvo, sendo o transporte assegurado por helicóptero numa situação real. "Todo o movimento se faz durante a noite. A noite é a melhor amiga das operações especiais", refere um dos oficiais do CTOE.

Após a largada, o grupo executou uma rápida caminhada, parando algum tempo depois para a primeira comunicação com o comando. Quatro elementos montaram guarda enquanto os restantes estabeleceram contacto. Os olhos estão treinados para trabalharem no escuro.

A progressão decorreu a um ritmo condicionado pelo terreno, a claridade nocturna e as condições de segurança. "Quanto mais perto do objectivo, mais lento o avanço", explica o mesmo oficial.

Em regra, o grupo progride em linha, a intervalos regulares, com o homem da frente a vigiar o que segue atrás de si. São vultos indissociáveis das sombras da vegetação para um observador a cerca de dez metros de distância. "A camuflagem é o segredo da sobrevivência" - eis uma frase frequente nas operações especiais. As indicações são sussurradas ao ouvido ou comunicadas por gestos.

O objectivo foi alcançado em cerca de três horas. Os únicos sons na noite são o coaxar das rãs e um cão que ladra ao longe. O grupo dispôs-se no terreno, os dois homens responsáveis pela observação mais à frente, os restantes junto do rádio, fazendo segurança à posição. Por volta das 03.10, as nuvens tapam o céu, envergam-se os impermeáveis. A temperatura baixa e irá baixar ainda mais até às 04.35, quando surge a primeira claridade. O grupo assegura-se, então, se esta é a posição mais favorável de observação e inicia uma vigilância constante de mais três noites - que foram frias - e três dias - com temperaturas a subir. Os relatórios são enviados a horas certas ou sempre que se verifique algo relevante no alvo. Dorme-se por turnos de duas horas, come-se ração de combate e o estado de alerta é contínuo.

A informação obtida permite ao comando planear a intervenção e respectiva "exfiltração" - a retirada após o ataque. No momento da acção, a patrulha de reconhecimento irá juntar-se à unidade de ataque.

Antes da operação, esta será "esterilizada", como se diz na gíria das Operações Especiais. Não deve levar nada que identifique os seus elementos - alianças, fotografias, insígnia da unidade - nem, se possível, mapas da área onde vai actuar. Tudo deve estar memorizado. Sabem também que, se forem capturados, devem "gerir" a divulgação da informação durante 24 a 48 horas. Depois, aquela deixa de ser relevante. Mas um dia ou dois podem ser demais para um prisioneiro de guerra.

Por isso, estão a treinar há muitos meses, e vão continuar a treinar mais um ano. Para que as missões tenham sucesso e nunca sejam feitos prisioneiros. Receber a bóina verde foi apenas o começo.

Entrevista: Sepúlveda Velloso

"Há sempre um risco muito considerável"

DN 2010-07-10

Coronel Sepúlveda Velloso, comandante do CTOE de Lamego.




Quais as missões específicas das Operações Especiais?




Há quatro missões primárias: a acção directa - a operação sobre um alvo; a segunda é a assistência militar, que abrange um âmbito muito vasto; a terceira é o reconhecimento especial e vigilância para identificar um objectivo - estas são as missões em termos de doutrina NATO, incluídas na nossa doutrina nacional de defesa. Nesta consta ainda a acção indirecta em que as Operações Especiais devem organizar e enquadrar elementos irregulares para actuar sobre uma força invasora.

Actuam em qualquer ambiente?

Temos treino para isso. Já treinámos no Árctico, no deserto e vamos este ano treinar no Centro de Instrução de Guerra na Selva, na Amazónia, para ganhar competências neste ambiente.

Qual o vosso grau de prontidão?

O mais elevado aqui na unidade é a dos elementos adstritos à Força de Reacção Imediata, que é 96 horas, em termos formais. Mas da última vez que uma força saiu daqui, armada, municiada e com água e alimentação para três dias, demorou cinco horas desde a ordem de preparar até à chegada ao ponto de partida.
Pode referir uma acção marcante na história da unidade?

O nosso objectivo é cumprir as missões, fazer o que há a fazer, regressar e continuar o nosso trabalho. Posso é dizer que mais de 70% das missões dos últimos 15 anos decorreram num clima de tremenda incerteza, de tremenda exigência e de risco muito considerável.
Já alguma mulher se inscreveu no curso?

Até hoje surgiram duas candidatas nos centros de selecção, mas não passaram nos testes.

Qualquer pessoa pode ser de Operações Especiais?

Diria que qualquer pessoa pode ser, mas nem todos conseguem.


Com a devida vénia e agradecimento ao jornal Diário de Notícias, do dia 10 de Julho de 2010. 

quarta-feira, 7 de julho de 2010

M224 - A velha metralhadora portuguesa FBP agora é americana

Tecnologia que foi nacional
A velha FBP (metralhadora portuguesa)
Agora é propriedade dos americanos
Tecnologia que foi nacional (a velha FBP) mas já é propriedade dos americanos.
Continuamos os mesmos: depreciamos tudo o que fazemos, compramos caro (dos outros tudo é bom) e
vendemos barato (o que fazemos não vale nada).
Um produto nacional, que até faz muito sucesso nos E.U.A., local em que a variedade e oferta são imensas.
Em Portugal esta arma foi considerada obsoleta e custou mais de 2.000.000 de contos (não é Euros) ao Estado, em desenvolvimento e pesquisa.
O objectivo era substituir a FBP (ainda no 10 de Junho último se viam sargentos da Marinha com estas armas na cerimónia).
No encerramento da Indep, alguém comprou tudo, moldes, peças, documentação técnica!
Por quanto?
Menos de 50.000,00 € (sim aqui é em Euros)!!!
Os Americanos chamam agora Lusa à arma e comercializam a mesma.
Vejam a descrição que junto em anexo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

M223 - ANGOLA 1967-69. Recordações do 2º Sarg. Milº Júlio Pinto da CArt. 1769, do BArt. 1926 - 7 meses em Santa Cruz

A * N * G * O * L * A

Júlio Pinto, um camarada que fez a Guerra do Ultramar em Angola 1967/69, como 2º Sargento Miliciano, na CArt. 1769 do BArt. 1926, (batalhão com 3 companhias, formado no RAP 2 - Monte da Virgem - Vila Nova de Gaia), conta-nos mais uma das suas histórias.
Os meus sete meses em Santa Cruz – Angola
I - Antecedentes
Num determinado período da minha Comissão em Angola, no Destacamento da CART 1769 sediada no Quimbele, Cuango, parte do BART 1926 com sede em Sanza Pombo, Uige, no nordeste, recebi ordem de avançar, com a minha secção, para Sanza Pombo a fim de integrar um grupo e seguir para o Leste (Luso) para fazer escoltas aos MVL, (colunas de reabastecimento, no itinerário Luso, Cangamba, Casssamba e Muié e regresso).

Chamei o Andrade, o cabo da secção, comuniquei-lhe a ordem para preparar o pessoal a fim de avançar naquela noite.
O Andrade lembrou-me que havia pessoal de férias e outro à espera para entrar de férias. Respondi-lhe que se arranjavam substitutos e o assunto ficou por aqui.
Na hora do almoço, na messe dos sargentos, vem-me o Andrade comunicar que depois de reunido o pessoal da minha secção, este resolveu democraticamente (palavra proferida por ele em Maio ou Junho de 1968) ir comigo para o Leste ou para onde quer que fosse, nem que fosse para a morte.
Estas palavras ditas por um jovem, que sabia o que representava a camaradagem e união do grupo, encheram-me o coração de alegria; estas atitudes nunca mais se esquecem.
Também nunca mais esqueço que ao meu lado na mesa estava o Furriel Vagomestre (de visita ao nosso destacamento) que se emocionou ao ponto de duas lágrimas lhe correrem pela face.
Havia que preparar tudo para arrancar de noite, ficando assente, com o Alferes Miliciano do meu grupo, que partiríamos à meia-noite.
Ordenei ao Andrade para que o pessoal carregasse o que fosse necessário, pois a qualquer momento partiríamos.
Bom, aquele fim de dia foi diabólico e o demais pessoal do destacamento (o que restava do meu GC mais o pessoal do outro GC), quis fazer uma despedida com uma caldeirada de cabrito acompanhada das famosas cervejas Cuca e Nocal (ambas fabricadas em Luanda).
Estava a ficar tudo borracho.
Avaliando este estado das coisas, dirigi-me ao Alferes informando-o que o melhor era partir de imediato. Concordou. Assim pelas 22h00, partimos mas, pelo caminho, tivemos que deslocar algumas árvores que apareceram na picada (abatizes).
Certamente estariam preparadas para alguma acção mais tardia.
Chegamos ao Quimbele depois de oito horas de auto-estrada de picada. Um dia no Quimbele e avançando no dia seguinte para Sanza Pombo.
Chegados, foi verificado que o GC iria ser formado por uma secção de cada CART do BART.

Contactados os outros dois Furriéis Mil, o Ernesto da Cart 1770 (Quicua) e o Nascimento da CART 1771 (Massau), foi-lhes perguntado quem era o Alferes que ia comandar o GC. Ao saber, fiz um comentário do género “ele é tolo mas nós somos três tolos”.

Sem eu saber o porquê, o Alferes foi ter com o Comandante do BART comunicando-lhe que não ia connosco porque não nos conhecia pelo que foi buscar o seu GC, que estava em Santa Cruz.

Assim nos deslocamos para Santa Cruz, onde se iniciou o martírio de sete meses.

O Destacamento era comandado por um 2º Sargento do QP, que nunca tinha comandado nada. Melhor eu tivesse ido para o Leste!...

II – Permanência no Destacamento de Sta Cruz – CART 1770 (Quicua)

Santa Cruz era um destacamento da CART 1770 que estava sediada na Quicua a duas horas de viagem, por uma picada perigosa, muita mata e capim e muito pantanosa em ambos os lados. Ficava, igualmente, de duas horas a três da sede do Batalhão, Sanza Pombo, por outra picada perigosíssima.

Chegados, procedemos á nossa instalação em casas alugadas ou cedidas por civis. Havia 5 a seis famílias em Stº Cruz, sede de Administração.

O meu martírio:

O Sargento Comandante, começou a por os cornos de fora (salvo seja). Durante a minha vida militar (48 meses) conheci muitos sargentos, mas nenhum tão mau (em todos os aspectos) como este.

Diáriamente, durante as refeições, enchia-me os ouvidos com ditos contra os soldados. Pacientemente ouvia e dizia: olhe que não é bem assim isto é tudo boa rapaziada. Mas ele não aceitava nada.

Para ele, os soldados eram o piorio que podia existir à face da terra. Isto, todos os dias. O saco ia enchendo.
Mas há atitudes que me marcaram. Relato algumas:

Jogar a Bola

- Um dia depois de almoço, formou o pessoal e nós furriéis também estávamos presentes. O homem dirigiu-se-me e perguntou se queria eu jogar futebol.

Respondi-lhe que sim e ele dirigiu-se à formatura e perguntando “Quem quer ir jogar futebol com o Furriel Pinto?”. Toda a gente disse que sim e o “comandante” disse “1º vai toda a gente à água”.

Ora como eu disse que sim saltei logo para o Unimog e ele, então, disse que eu não precisava de ir.

Claro, cheguei-me ao ouvido dele e disse-lhe, que fosse brincar com… outra pessoa mas comigo não.

Azares

-Uma tarde, ordenou-me fosse de imediato à Quicua para tratar de diversos assuntos (já não lembro se seria também para trazer a dinheiro para pagamento ao pessoal).

Quando regressávamos, já começava a ser noite e em determinado ponto do trajecto o condutor descuidou-se e nós ficamos atolados com os dois diferenciais assentes no chão.

Tínhamos guincho, mas era noite escura e não havia arvores que aguentassem o guincho. Ali ficamos toda a noite em que choveu sempre, como só chove em África.

Ficámos molhados até aos ossos. Com o nascer do dia lá conseguimos uns arbustos mais fortes e a muito custo lá conseguimos fazer chegar o guincho.

Seguimos viagem e á vista do destacamento o pessoal começou a cantar de contentamento por não ter acontecido nada. Fomos tomar o nosso banho, fazer a barba etc e não é que lá pelas 10h00 eu vejo o pessoal, que tinha ido comigo, de catana na mão a capinar?

Fui-lhes perguntar o que aconteceu e disseram-me que tinha sido o Sargento que os mandou de castigo por termos entrado, a cantar, no destacamento. Fiquei furioso e fui saber o motivo.

Resposta do individuo: “Que lindo os militares com um comportamento destes!”

Disse-lhe que as divisas que tinha nos ombros eram para ter a responsabilidade sobre alguns jovens e por isso se eles tinham entrado a cantar foi com minha autorização, e perguntei-lhe se era necessário eu ir capinar. Respondeu-me: “Lá está você”.

- Vou contar a última para não ser maçador.

A determinada altura, um qualquer iluminado lembrou-se que fizéssemos umas lagoas para a criação de um peixe, salvo erro de nome tilápias, (estava na moda) e nós estávamos a executar este projecto.

Natal de 1968. Para comemorar o Natal no dia 24 de Dezembro combinou-se que o jantar à hora normal seria ligeiro e à meia-noite de 24 de Dezembro juntamente com o Administrador e a população civil faríamos a ceia de Natal.

Nós dávamos as batatas e o bacalhau e os civis as sobremesas. Tudo combinado e aceite.

Na hora do rancho, um cabo que tinha acabado de chegar e não sabia do combinado, reclamou do rancho, que era pouco, que não prestava, etc.

O “comandante” berrou com ele, ameaçou, pintou a manta e, claro, sobrou para mim.

Veio ter comigo, quando estava a conversar com um civil, e vociferou, “eu faço, eu aconteço, eu amanhã, dia de Natal, ponho o cabo… a cavar o tanque para as tilápias”, etc.

Veio ao de cima o CACIMBO e saltou-me a tampa. Voltei-me para o ele e disse-lhe que para me dar ordens dessas, só com um tiro.

Ele respondeu-me: “… E dava!”.

Olhei-o nos olhos e disse-lhe que não se esquecesse que estava a ter esta conversa diante de uma pessoa estranha à guerra. Virou costas e foi embora.

Quando passei diante do seu gabinete , ele chamou-me dizendo-me que eu não devia ter-lhe dado aquela resposta diante de um estranho. Retorqui que tinha razão mas ele, “comandante”, não devia ter dito o que disse em frente a essa mesma pessoa.

Se me queria dizer algo tinha-me chamado ao gabinete e conversado comigo.

Só lhe lembrei que, brevemente, iria ser promovido a 2º Sargento Milº.

Estas são algumas das situações e relacionamentos, vividos por aquelas terras de Angola.

Passadas que dêem para reflectir.

Júlio Pinto
2º Sarg Mil da CART 1769 do BART 1926

Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.

sábado, 26 de junho de 2010

M222 - XXXIII CONFRATENIZAÇÃO ANUAL DA AOE (Sexta-feira, 02 Julho 2010 a Domingo, 04 Julho 2010)

XXXIII CONFRATENIZAÇÃO ANUAL DA AOE
Sexta-feira, 02 Julho 2010 a Domingo, 04 Julho 2010


PROGRAMA
NOTA IMPORTANTE: A PARTICIPAÇÃO NA MINI PROVA RANGER IMPLICA INSCRIÇÕES ANTECIPADAS E SEGURO
Sexta 02JUL10 - Sede da AOE
16H00 - Abertura do Secretariado
20H00 - Fecho do Secretariado
Jantar Livre - Restaurante Oficial da AOE- Casa de Pasto Restaurante NUNO - Rua Nova, 85, 5100-154 Lamego
21H30 - Actuação da "OLE"- Orquestra Ligeira do Exército
23H30 - Noite "RAIDRangerNocturno", aos bares de Lamego com acesso e descontos. Acção promovida pela C.T. Grupo RangerMotard.

Sábado 03JUL10 - Penude
10H00 - Abertura do Secretariado
12H00 - Fecho do Secretariado
12H00 - Apresentação de Cumprimentos ao Comando do C.T.O.E.
13H00 - Almoço Volante."Feira das Regiões", cada Ranger familiares e amigos traz o farnel e partilha com os restantes os sabores da região.
Exemplar participação da C.T. Fafe, com "Porco no Espeto"
Animação Musical a cargo da C.T. para o espaço Ranger no Porto.
14H30 - Início da Mini-Prova Ranger
Demonstração de Airsoft pela C.T. Grupo AirSoftRANGER.
Prova de Tiro com Pressão Ar pela C.T. Tiro Desportivo.
Concentração de elementos do Grupo RangerMotard.
20H00 - Jantar Livre - Restaurante Oficial da AOE- Casa de Pasto Restaurante NUNO - Rua Nova, 85, 5100-154 Lamego
21H30 - Noite "RAIDRangerNocturno", aos bares de Lamego com acesso e descontos. Acção promovida pela C.T. Grupo RangerMotard.

Domingo 04JUL10 - Quartel de Santa Cruz
10H00 - Assembleia Geral
12H30 - Cerimónia de Homenagem aos Mortos em Combate com Descerramento de Placa Comemorativa XXXIII CONFRATENIZAÇÃO
13H00 - Almoço convívio e entrega de lembranças

Locais:
Sexta - SEDE
Sábado - Penude
Domingo - Quartel de Santa Cruz
Contato: AOE
Acampamento permitido em Penude.
Preços de inscrição a afixar brevemente.
As inscrições para a prova mini-Ranger SÓ PODEM SER EFECTUADAS ATÉ SEXTA FEIRA, ÀS 23H00, POR MOTIVO DE GARANTIR O SEGURO INDIVIDUAL.
ATENÇÃO: SÓ PODERÁ PARTICIPAR NA PROVA QUEM TIVER O SEGURO GARANTIDO.
INSCRIÇÕES PARA:
info@aoe.pt (Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

M221 - Conflitos da Idade Moderna, 17-06-1665, Batalha de Montes Claros


342º Aniversário
Batalha de Montes Claros
Conflitos da Idade Moderna
17-06-1665
Este acontecimento teve inicio em: 17-06-1665 e terminou em 17-06-1665
Vencedor: Reino de Portugal
Forças em presença: Reinos Habsburgos espanhóis

Reino de Portugal

A batalha de Montes Claros (perto de Borba), constitui o último episódio relevante da guerra de 28 anos que Portugal manteve contra a monarquia dos Habsburgos espanhóis.

A batalha é a última na sequência de vitórias portuguesas que acabaram definitivamente com as pretensões de Filipe IV da família Habsburgo de voltar a reinar em Portugal, onde tinha permanecido durante um período de 60 anos entre 1580 e 1640.

O ataque era no entanto esperado pelos portugueses, que aguardavam que este se desse pelo Alentejo, região que tinha sido previamente preparada no sentido de dificultar a progressão das forças invasoras.

À região do Alentejo, acorreram forças de várias regiões do país, com «terços» ou batalhões enviados desde Trás-os-montes, Lisboa e de outras regiões do país.

As forças espanholas que marchavam contra Portugal seguiam o plano de sempre. Entrar em Portugal por Vila Viçosa (lugar de importância por se tratar de lugar de residência dos Duques de Bragança), seguindo depois como noutras alturas para Setúbal, para posteriormente atacar Lisboa.

Em coordenação com as forças do Marquês de Caracena, uma poderosa esquadra espanhola tinha saído do sul de Espanha, para de forma coordenada chegar a Setúbal quando a cidade estivesse a ser sitiada pelas forças terrestres.

As forças espanholas entram em Portugal e sitiam Vila Viçosa, que embora com fraca guarnição, resiste às forças espanholas.
O cerco de Vila Viçosa leva a que as forças portuguesas se dirijam naquela direcção com o intuito de reduzir a pressão exercida sobre aquela praça.
Mas antes de atingir Vila Viçosa as forças portuguesas param na área de Montes Claros a meio caminho entre Estremoz e a vila sitiada de Vila Viçosa, onde aparentemente as posições tácticas no terreno são favoráveis.

Ao ter conhecimento da presença do exército português nas proximidades, as forças de Caracena, compostas por 22.600 homens de infantaria e cavalaria abandonam o cerco a Vila Viçosa e dirigem-se ao encontro das tropas portuguesas.

À vista das forças portuguesas, o general espanhol manda a cavalaria atacar de frente as linhas da lusa, mas o ataque frontal e furioso, depara com a barreira da artilharia portuguesa, que fulmina e destroça parte do ímpeto do ataque espanhol, que embora atinja e chegue a perfurar as linhas da infantaria, acaba por ser rechaçado, forçando os espanhóis a retirar para se reorganizarem.

Os espanhóis rapidamente lançam novo ataque sobre as linhas portuguesas, atingindo as primeiras linhas, mas não logrando atingir a segunda linha das forças portuguesas. Este segundo ataque espanhol foi tão violento quanto o anterior, mas os espanhóis tiveram muito mais baixas no segundo ataque que no primeiro.

À medida que as horas íam passando, as forças espanholas, que precisavam vencer a batalha para se dirigirem para Setúbal, tinham que manter a iniciativa, enquanto que as forças portuguesas podiam assumir posições claramente defensivas e ainda mais com a utilização de artilharia bem posicionada que permitia causar grandes perdas aos espanhóis.

Cientes da sua superioridade, os espanhóis iniciaram a batalha com grande ânimo, mas à medida que o tempo passava, a segurança na vitória foi dando lugar ao descrédito e à dúvida. A batalha durou entre sete a oito horas e para o fim do dia começou a notar-se o claro desânimo por parte das forças espanholas, cansadas e incapazes de prosseguir.

Sabendo que não seria possível derrotar as forças portuguesas e tendo sofrido uma clara derrota a poucos quilómetros da fronteira, Caracena entendeu que nunca conseguiria completar o resto do plano.
Ao fim do dia a situação era insustentável e as forças portuguesas podem passar ao ataque, o que poderia colocar em perigo tudo o que resta do exército espanhol.
O próprio Caracena foge em direcção à fronteira, passando depois para Badajoz.

As forças portuguesas sofrem 2.700 baixas (700 mortos e 2000 feridos).
As forças espanholas perdem 10.000 homens, quase metade do exército (4.000 mortos e 6.000 prisioneiros).
Na fuga, as tropas espanholas abandonaram quase toda a artilharia no terreno.

Poucos meses mais tarde, o próprio monarca Habsburgo Filipe IV, segundo muitos historiadores, deprimido com a situação de decadência a que conduziu o seu país, morre em Madrid.

A derrota espanhola na batalha de Montes Claros, foi o toque de finados nas pretensões dos Habsburgos espanhóis à coroa de Portugal. A longa guerra de 28 anos teria o seu fim em 1668, três anos depois, quando finalmente os Habsburgos aceitaram a independência portuguesa, reconhecendo a Casa de Bragança como família reinante em Portugal.

A longa noite, iniciada no tenebroso ano de 1580 tinha finalmente terminado.

2. Descrição da mesma batalha na Wikipédia (enciclopédia livre):

A Batalha de Montes Claros, foi travada em 17 de Junho de 1665, em Montes Claros perto de, Borba, entre Portugueses e Espanhóis.

Local: Montes Claros perto de Borba (Portugal)
Resultado: Vitória dos portugueses
Combatentes: Portugueses vs Espanhóis
Comandantes: Marquês de Marialva vs Marquês de Caracena
Forças: 20.500 combatentes (portugueses) vs 15.000 infantes + 7.600 cavaleiros (espanhóis)
Guerra da Restauração > Montijo – Linhas de Elvas – Ameixial – Castelo Rodrigo – Montes Claros

Preparam-se os espanhóis para um ataque que tudo levasse de vencida, mas por seu lado os governantes portugueses tomaram todas as cautelas e providências indispensáveis para a defesa do reino.

Calculando que a tentativa de invasão seria feita através das fronteiras do Sul, isto é pelo Alentejo, foi nessa província que se tomaram as maiores precauções. Três mil e quinhentos homens foram sem demora enviados de Trás-os-Montes, constituindo quatro terços de infantaria e catorze companhias de cavalaria.

Simão de Vasconcelos e Sousa levou de Lisboa trezentos cavaleiros e dois mil infantes e Pedro Jacques de Magalhães apresentou-se com mil e quinhentos soldados de infantaria e quinhentos de cavalaria.

O conjunto representava um reforço de sete mil e oitocentos homens, o que dotava António Luís de Meneses, Marquês de Marialva com o comando total de vinte mil e quinhentos combatentes.

O Marquês de Caracena havia planeado nada menos do que ocupar Lisboa, tomando em primeiro lugar Vila Viçosa e a seguir a cidade de Setúbal. Então pôs em movimento o seu exército, que se compunha de quinze mil infantes, sete mil e seiscentos cavaleiros e as guarnições de catorze canhões e dois morteiros.

Tendo ocupado Borba que encontraram despovoada, os espanhóis atacaram Vila Viçosa que embora mal fortificada, ofereceu aos ataques do inimigo uma resistência inquebrantável.

Entretanto, o exército português avançava para socorrer a praça, mas foi resolvido pelo comando que as tropas se detivessem em Montes Claros, a aproximadamente meio caminho entre Vila Viçosa e Estremoz.

O general espanhol ao saber da proximidade do exército português, deu ordens imediatas para que as forças de que dispunha marchassem ao encontro do adversário.

Carregando em massa, a cavalaria espanhola abriu brechas nos terços de infantaria da primeira linha, mas foi recebida com uma chuva de metralha disparada pela artilharia comandada por D. Luís de Meneses.

Os esquadrões de Castela, obrigados a recuar refizeram-se e lançaram segunda carga sobre o terço de Francisco da Silva Moura, causando a morte deste e de mais trinta soldados portugueses.

O Marquês de Marialva não estava disposto a ceder terreno ou a perder o ânimo. Sob as suas ordens, as brechas abertas pela cavalaria espanhola foram colmatadas, enquanto a artilharia não cessava de fazer fogo sobre os castelhanos.

Uma segunda carga igualmente impetuosa, conseguiu no entanto levar os cavaleiros espanhóis até ao mesmo ponto onde fora detida a primeira, mas as perdas sofridas foram de tal ordem que tiveram de deter-se também, sem que a segunda linha portuguesa comandada pessoalmente pelo Marquês de Marialva, tivesse sequer sido molestada.

O Conde de Schomberg esteve prestes a cair em mãos espanholas, quando um tiro abateu o cavalo que ele montava.

O espanhóis que pareciam ter contado com a fúria dos primeiros ataques em massa, executados em especial pela cavalaria, viram-se em situação de perigo. Deram ainda uma terceira carga, mas o ímpeto inicial tinha-se perdido e o desânimo apoderava-se deles.

Ao cabo de sete horas de luta, os atacantes começaram a debandar, e o próprio general Caracena, reconhecendo que a batalha estava perdida, fugiu para Juromenha, de onde seguiu depois a caminho de Badajoz.

Pode considerar-se que a batalha de Montes Claros decidiu definitivamente a independência de Portugal, que seria reconhecida pela Espanha três anos mais tarde, ao firmar-se entre os dois reinos a paz no Tratado de Lisboa de 1668.

A batalha de Montes Claros foi a última das cinco grandes vitórias que Portugal contra os espanhóis na Guerra da Restauração, sendo as restantes: Montijo, Linhas de Elvas, Ameixial e Castelo Rodrigo.


Padrão Comemorativo da Batalha de Montes Claros Patrimonio Certamente chocado por tamanha mortalidade, durante a Batalha de Montes Claros, o Marquês de Marialva mandou fazer, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Vitória, uma lápide com uma longa inscrição onde fez os seus votos para que tamanha tragédia não se repita na história futura de ambos os países.

Apesar de ser um monumento evocativo de uma vitória militar, trata-se de um poema à Paz e à tolerância que permanece pelos séculos. No interior destaca-se o retábulo em mármores brancos e negros da segunda metade do século XVIII.

Fotos: © http://www.cm-borba.pt/ (2010). Direitos reservados.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

M220 - 10 de Junho 2010 - Dia de Portugal e dos Combatentes da Guerra do Ultramar - Parte II

(continuação da mensagem anterior, M219)
10 de Junho 2010
Dia de Portugal e dos Combatentes da Guerra do Ultramar
Parte II
A bandeira de Portugal descendo dos céus
A corveta João Roby disparando uma salva de 21 tiros em honra dos nossos mortos na guerra
2 velhinhos Alouettes III do mesmo tipo utilizado nas 3 frentes da Guerra do Ultramar (Moçambique, Angola e Guiné) - África 1962 a 1974
Alguns dos RANGERS presentes, com a habitual representação para a nossa estimada e querida juventude, que muito honra, anima e digna os "velhinhos" da guerra
RANGERS Brandão e MR com dois Amigos PQCês (Paraquedistas Comandos), o Kraft e o Carlos Neves Rio Novo, Miranda, MR, Santos, Grilo, Brandão e Fernandes

10 de Junho 2010
Dia de Portugal e dos Combatentes da Guerra do Ultramar
Parte II
Fotos: © Jorge Canhão (2010). Direitos reservados.

sábado, 12 de junho de 2010

M219 - 10 de Junho 2010 - Dia de Portugal e dos Combatentes da Guerra do Ultramar

10 de Junho 2010 - Dia de Portugal
Mais uma vez os RANGERS marcaram sua presença nas cerimónias do dia 10 de Junho - Dia de Portugal e dos Combatentes da Guerra do Ultramar.
Foto do momento da colocação de uma lindíssima coroa de flores, pelos RANGERS MR e Rui Souto, em nome da A.O.E. - Associação de Operações Especiais, no decorrer das emotivas cerimónias.

O majestoso monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar, situado na margem direita do Rio Tejo, a poucos quilómetros da sua foz e frente ao belíssimo Forte do Bom Suceeso em Belém, Lisboa.

O Forte é neste momento instalação do Museu da Liga dos Combatentes, tendo já muitas e memoriais peças utilizadas durante o período da guerra.

No seu exterior e no perímetro do lado norte, estão afixdas as placas de mármore com cerca de 10.000 nomes de Combatentes falecidos nas três frentes da guerra (Moçambique, Angola e Guiné), que decorreu entre 1962 e 1974.

Os elementos convivas de 2010 - RANGERS, Comandos, Grupos Especiais e Amigos (Ex-Militares que serviram na Guiné)

O grupo de RANGERS (Brandão, Grilo, Fernandes, Fitas, Santos, MR, Miranda), que desfilou e dedicou um sentido e afinado grito RANGER aos falecidos na guerra

O Sérgio Ribeiro também marcou a sua presença e reforçou a ala da nossa juventude, que vem todos os anos juntar-se aos "velhinhos" neste dia e prestar a sua homenagem aos Combatentes do Ultramar, em especial aos que por lá tombaram, em solo africano, em nome desta nosa Pátria - Portugal.

Parte da equipa que, na rectaguarda, foi organizando e preparando o "acampamento", e o necessário e indispensável abastecimento, em nome da sobrevivência geral, deste animado e aconchegado convívio, estava o staff de "apoio", constituído por vários e eficientes operacionais, que garantiram que nada faltasse aos que, entretanto, faziam parte da guarda avançada que asseguravam a nossa comunhão nas cerimónias.

Fotos do RANGER Mário Fitas.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

M218 - Ser ou não ser RANGER?!


Ser ou não ser RANGER de Portugal?!

Eis a questão!

Só é RANGER quem tem Valor e Vontade, isto é querer e força de vontade para vencer desafios, correr riscos, assumir-se como Homem e ganhar um estatuto que só está ao alcance de alguns: os melhores, mais fortes, resistentes e com ultra capacidades psíquicas.
Uma família constituída, entre 1960 e 2010, por cerca de 8.000 portugueses.
Se te consideras um bom português junta-te a nós!

terça-feira, 1 de junho de 2010

M217 - RANGER Andrade - 42 anos depois... quer a reparação de um erro!

Momento em que o RANGER Andrade oferece um dos exemplares da sua obra ao Sr. Cor RANGER Feijó
O Ranger Andrade do 4º curso de 1967, autor do livro "Não sabes como vais morrer", já aqui publicitado nas mensagens M102 e M209, decidiu revelar, no Youtube, uma história em que admite não ter tido um comportamento correcto na sequência de um golpe-de-mão a uma base da FRELIMO.

FRELIMO, traduz-se por Frente de Libertação de Moçambique e era o movimento nacionalista armado, que combatia as tropas portuguesas naquele território africano, no período da Guerra do Ultramar entre 1961 e 1974.

40 e alguns anos depois ele não só faz a sua própria autocrítica pessoal ao seu comportamento de então (recorda-se que nesse tempo, tal como todos os milicianos do SMO – Serviço Militar Obrigatório -, o Andrade teria 22 anos de idade), como manifesta o desejo de reparar, logo que lhe for possível, esse acto leviano e desajustado.

É uma história de grande humanidade que, eventualmente, servirá para aproximar os dois povos e atenuar as feridas e cicatrizes provocadas pela guerra.

Quanto à forma de se aceder à dita história no Youtube, o link é:

http://www.youtube.com/watch?v=KrR0G262dqU

Ou então quem quiser tecle na busca do Youtube as seguintes palavras: “guerra colonial rádio”.

domingo, 30 de maio de 2010

M216 - 3ª CONFRATERNIZAÇÃO RANGER DO 3º TURNO DE 1970 (29MAI2010)

RANGERS

3º Curso de 1970

3º ENCONTRO /CONVÍVIO / ALMOÇO e 40º Aniversário sobre a conclusão da instrução

Mais uma vez, este ano, o RANGER Orlando Cardoso, que vive na bela e acolhedora cidade da Régua, promoveu a confraternização anual do pessoal do seu curso de Operações Especiais, em Lamego.
No passado dia 29 de Maio, reuniram-se alegre e festivamente, cerca de duas dezenas de elementos do seu 3º curso de 1970.
O programa incluiu uma cerimónia de sentidas exéquias pelos mortos na Guerra do Ultramar, em especial memória pelos 3 homens que faleceram deste turno.
Seguiu-se uma atenta e pormenorizada uma visita às instalações do quartel de Santa Cruz, superiormente guiada pelo Sr. CMDT da Unidade – Cor. Sepúlveda Velloso, após o que todos os presentes se deslocaram para o almoço (rancho à boa moda do C.I.O.E./C.T.O.E.), servido na velha e aconchegada cantina do nosso mais estimado e místico reduto de instrução: Quartel de Penude.
Findo o almoço o RANGER Cardoso dedicou algumas palavras à plateia, relembrando algumas peripécias do período instrutivo, terminando com o indispensável e imortal grito RANGER, secundado por todos os RANGERS presentes no refeitório.
Acalmadas as “hostes” com o cafezinho da praxe, o pessoal dirigiu-se em ameno passeio pelas instalações do quartel. Foi curioso verificar como aqueles homens, alguns dos quais nunca haviam regressado ao C.I.O.E. nos últimos 40 anos, comparavam a actual estrutura física das instalações, àquela que haviam conhecido em 1970.
Este inesquecível convívio terminou com votos de que em 2011 compareçam mais elementos no 4º convívio.

Concentração das tropas

Homenagem aos mortos da Unidade

Recepção pelo Sr. CMDT do CTOE, aos convivas, no Salão Nobre

Plateia atenta, do maior ao mais pequeno

Visita guiada pelo Sr. CMDT do CTOE ao Museu

Parte do acerbo patrimonial do Museu do CTOE, utilizado pelo IN na Guerra do Ultramar, de origem soviética: uma Kalashnikov AK-47, uma PPSH (vulgo costureirinha) e uma Simonov

A lindíssima e secular igreja de Santa Cruz

A renovada parada do Quartel de Penude

Uma dose de rancho no refeitório do quartel de Penude

Aspecto das mesas (RANGER Santos e Lina)

O discurso do RANGER Cardoso e os sorrisos dos ouvintes, que assim demonstravam a sua satisfação e contentamento