quinta-feira, 18 de novembro de 2010

M282 – 2º Jantar/Convívio Mensal no Espaço de todos os RANGERS (2)

(Continuação da mensagem anterior M281)

O RANGER Albano Pereira proferiu algumas breves palavras às "tropas" presentes, delineando novas e secretas estratégias para optimizar e aperfeiçoar, futuramente, o sucesso obtido nestes divertidos e animados convívios

Fotógrafos eram mais que mil... para registar estes momentos eternamente!

Não podia ter faltado o nosso indispensável, contagiante e aterrador grito de guerra: RANGER... YAAAAAAAAAAAAAA

O Sérgio e o Pedro debruçados sobre uma disputada partida de damas, atentamente observados pela Marta

Os séniores jogaram a tradicional e discutida suecada, sem "arrenuncias" pois são logo averbados 4 joguinhos de castigo na pontuação dos adversários. Nesta jogada alguém tinha uma bisca seca!

O Sérgio e o Pedro, acabada a partida de damas dedicaram-se ao dominó, com a Marta a supervisionar eventuais batotas

A juventude e a velhice misturaram-se numa animada partida de dominó

As respectivas desforras realizar-se-ão no próximo dia 4 de Dezembro apartir das 19h30

(Continuação da mensagem anterior M281)

VIVAM A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS...
NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS
ATÉ DIA 4 de Dezembro se Deus quiser

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

M281 – 2º Jantar/Convívio Mensal no Espaço de todos os RANGERS

Rancho à moda de Penude

Abre o apetite não abre?

O cozinheiro de serviço - RANGER Lopes
- e que cozinheiro... sim senhor... aprovado com distinção e por unanimidade
Aspecto geral da sala polivalente onde foi servido o jantar

Sábado, dia 13 de Novembro de 2010, 19h30, numa noite bastante fria e chuvosa, começaram a surgir de todos os cantos da cidade do Porto, Fafe, Lousada, Paços de Ferreira e Santarém, o pessoal que se auto mobilizou para um bem sucedido golpe-de-mão ao rancho à moda de Penude que o nosso “cozinheiro” de serviço – RANGER Manuel Lopes -, tão bem confeccionou.

A juventude trata dos estômagos vigiada de perto pela Rosa Maria

Com os familiares e alguns amigos éramos perto de 3 dezenas de pessoas nesta confraternização, o que não parece mas era uma multidão.

As nossas faxinas à cozinha. Impagáveis, imparáveis e incomparáveis

Contaram-se as presenças de:

RANGER Manuel Lopes, Paula, João & Cecília

RANGER Alexandre Rocha & Lurdes

ANGER Fernando Araújo, Rosa Maria, Marta & Pedro

RANGER Carvalheira, Sérgio, Teresa & Ana

RANGER Froufe Andrade

RANGER Abílio Rodrigues & Fátima

RANGER Avelino PereiraRANGER Albano Pereira

RANGER Leonel Rocha & Ana

RANGER Rocha

RANGER Rochinha

RANGER António Barbosa & Luísa

RANGER Magalhães Ribeiro & Fernanda

Camaradagem, muita alegria e boa disposição, foram mais alguns ingredientes que enriqueceram este excelente repasto, que foi enriquecido sobremodo com várias presenças de homens peso, desta feita acrescido com as presenças do RANGER António Barbosa & Esposa Luísa que vieram propositadamente da belíssima cidade de Santarém (eu até os tinha mudado para Sacavém), onde vivem, e o RANGER Rochinha que se deslocou desde a não mesmo bela, pequena, atractiva e acolhedora cidade de Fafe.

Bem se pode dizer que esta iniciativa foi mais um êxito assinalável, que esperamos ver repetido no próximo jantar/convívio – sábado dia 4 de Dezembro.


VIVAM A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS...

NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS

ATÉ DIA 4 de Dezembro se Deus quiser

terça-feira, 16 de novembro de 2010

M280 - O que era ser ranger entre 1960 e 1974? (3), pelo RANGER Pedro Neves


O RANGER Pedro Neves, foi Furriel Miliciano de Operações Especiais/RANGER e cumpriu a sua comissão militar na Guiné, incorporado na CCAÇ 4745 = Companhia de Caçadores 4745, conhecida por “Águias de Binta”, em
Binta, nos anos de 1973 e 1974.

É assim que o RANGER Neves complementa a informação sobre quais eram as missões operacionais, que competiam aos homens da nossa especialidade no decorrer da Guerra do Ultramar, fechando o ciclo informativo iniciado nas mensagens M277 e M279:
Depois de ler os textos dos Rangers (uma vez Ranger… Ranger para sempre!) José Gonçalves e Magalhães Ribeiro (Grande Amigo), devo dizer que estou de acordo com o pensamento deles e demais camaradas, sobre o treino operacional que nos era ministrado, em Penude-Lamego e devo esclarecer o seguinte:
- Fui colocado na C.CAÇ. 4745-Águias de BINTA e quando cheguei e me apresentei na mesma, já o I.A.O (Instrução de Adaptação Operacional) tinha acabado, tendo seguido dois dias depois, para Binta, sem conhecer praticamente ninguém, fui colocado no 4º pelotão de combate e como se sabe os pelotões eram formados desde os alferes, furriéis, cabos e soldados, por ordem de classificação, sendo 1º pelotão, os elementos que melhores classificações tiveram durante a especialidade e os restantes pelotões formados pela mesma ordem.
- Fui colocado no 4º pelotão, por duas razões:
1ª- Eu era o furriel mais novo da CCAÇ, porque todos os outros eram do 3º turno e eu era do 4º de 72, apesar da minha nota de fim de curso de Operações Especiais ser superior à dos outros camaradas furriéis.
2ª- Fui colocado no 4º pelotão, com o pedido do Comandante de Companhia, Cap. Capucho, de incutir disciplina no grupo, uma vez que era formado com operacionais com as notas mais baixas da especialidade e citando as palavras dele, era o pelotão dos “básicos”.
3º- Verifiquei ser verdade, porque na primeira saída do meu grupo, iam aos pares, falavam alto, riam e mais parecia que iam para uma romaria.
4º- Falei com o Alf Mil Pimenta e com os Fur Mil Andrade e Rebelo e demonstrei, sem grande alarde, como se deveria actuar no mato. Devo dizer que aceitaram de bom grado tudo o que tinha aprendido no curso de Operações Especiais. Pouco tempo depois, actuávamos como um autêntico grupo de combate e a nossa amizade nunca foi beliscada, por eu ser de Operações Especiais e em cada Cabo e Soldado, tinha um amigo (e ainda tenho).
5º- Devo acrescentar que com dois meses de comissão, o Furriel Andrade foi evacuado, ferido na viatura que rebentou uma mina anti-carro e cujo condutor faleceu, o Furriel Rebelo (já falecido), foi destacado para tomar a responsabilidade das minas e armadilhas de protecção do destacamento, isto já em Polibaque, sector de Mansoa, destacamento de apoio à construção da estrada Jugudul-Babadinca (não havia população junto de nós), o transmissões, 1º Cabo Manteigas, do meu pelotão, ficou a tomar conta do gerador do destacamento, porque era electricista, antes de ir para a “tropa” e o Alf Mil Pimenta esteve durante alguns meses com problemas de saúde, em Bissau, no Hospital Militar. Fiquei sozinho a comandar o meu pelotão e era ao mesmo tempo o homem das transmissões. Assumi sem problemas e só cá para nós, preferia ser eu a andar com o AVP-1 (banana), assim sabia de tudo, em 1ª “mão”.
6º- Devo acrescentar que na CCAÇ 4745, só tínhamos, desde a formação da mesma, o Alf Mil Louro e eu furriel, como graduados de Operações Especiais, sendo o Alf Mil Louro do 1º pelotão e 2º Companhia de Companhia.
7º- Tudo isto para vos transmitir, que assumi sozinho, o que acabei de relatar e independentemente de outros terem, eventualmente feito o mesmo, ou mais e melhor, sem serem de Operações Especiais, entendo que o que aprendi em Penude, me foi bastante útil e é com muito orgulho, que posso gritar: “RANGER… YÁÁÁ!!!”.
Só quem passou por lá, sabe dar o real valor à palavra RANGER e ao seu significado!!!
Cumprimentos a todos os membros do Blogue e em especial aos aniversariantes do mês de Novembro e restantes camaradas.



Pedro Neves
Fur Mil OpEsp/RANGER da CCAÇ 4745


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

M279 - O que era ser ranger entre 1960 e 1974? (2), pelo RANGER Magalhães Ribeiro





O que era ser ranger entre 1960 e 1974? (2)

Introdução 

O Editor deste blogue já o escreveu, em anteriores mensagens, que foi, nos já longínquos anos de 1973 e 1974, Furriel Miliciano OpEsp/RANGER e foi mobilizado no Regimento de Infantaria 16, na CCS do BCAÇ 4612/74 = Companhia de Comandos e Serviços, do Batalhão de Caçadores 4612/74, que cumpriu a sua comissão militar em Mansoa, na ex-província Portuguesa da Guiné. 

Portugal travava então ali uma guerra contra um movimento nacionalista – o PAIGC -, que pretendia a libertação do seu país. 

Esta mensagem, foi escrita julgando eu poder contribuir para o melhor esclarecimento das funções dos homens das Operações Especiais na guerra, ficando a aguardar que surjam aqui outras considerações complementares de camaradas da nossa especialidade, mais graduados e, ou, melhor instruídos e informados. 

Algumas considerações em relação à mensagem M277 

Posto isto, passo a expor mais alguns esclarecimentos, especificamente para os nossos visitantes em busca de informação, e para aqueles camaradas que eu penso que o merecem, e procuram saber respostas baseadas e factuais às suas mais que normais dúvidas e desconhecimentos.

Quem foi RANGER, já leu na mensagem M277 e se apercebeu que o RANGER José M. Gonçalves foi modesto, comedido e racional q.b. na sua redacção, e só deu uma pequena ideia do que era um RANGER em tempo de guerra e para que servia.  

Em tempo de guerra e nos idas de hoje, já que o CTOE continua e bem a formar e excelentes e competentes elementos nos seus quartéis para o que der e vier, quer em eventuais acções hostis ao nosso país, quer em outras missões (paz incluídas) onde e quando for preciso. 

Como já foi repetido mais que uma vez aqui neste blogue, não vou voltar a contar como é que os “Operações Especiais” de Portugal, são vulgarmente conhecidos por RANGERS. 

Assim, vou contar algumas pequenas lembranças minhas do meu curso, além do que foi dito pelo Gonçalves, para melhor se perceber que os RANGERS não eram, nem são, superiores nem inferiores a ninguém... apenas diferentes no modo se ser e estar na tropa e na vida. 
  • Sobre os cursos RANGERS acrescento que, por exemplo, além da instrução básica de infantaria (exercício físico, luta corpo a corpo, pistas de obstáculos, boxe, etc.) incluía imensas horas de técnicas de combate, prestadas por Alferes dos Grupos Especiais de Moçambique já com algumas comissões no pêlo. Tudo doseado criteriosa e infernalmente com simulações práticas de emboscadas, armadilhas e golpes-de-mão, rodeados de fogo real para melhor nos prepararem para o combate.
  • Sobre os cursos RANGERS acrescento que, por exemplo, só em granadas, explosivos e munições de vários calibres estoiradas na instrução de um RANGER, custava então, a preços de 1973, 137 contos em moeda antiga.
  • Sobre os cursos RANGERS acrescento que, por exemplo só nas centenas de quilómetros percorridos em caminhadas, marchas forçadas e crosses, um RANGER gastava, no mínimo, 1 par de botas ao longo do curso, que como bem se devem lembrar não eram assim tão fraquitas como isso.
  • Sobre os cursos RANGERS poderia ainda divagar, ou pormenorizar, os cenários dantescos e macabros das diversas provas que eram lançadas, noite e dia, por vales, rios, montes, cemitérios, campos, etc. aos instruendos e cadetes: Fantasmas, Largadas, Esgotos, Calvários, Gerrilheiras, Durezas 11, 24 Horas de Lamego, etc.
  • Sobre os cursos RANGERS, poderia dizer também que os seus elementos eram instruídos e adestrados nas várias especialidades militares de então (minas e armadilhas, transmissões, orientação, montanhismo, transposição de cursos de água, todas as armas ligeiras e pesadas - inclusive algumas do IN -, topografia e primeiros socorros), e ficavam prontos a substituir qualquer elemento dentro de um batalhão, inclusive comandantes de companhia como se verificou em várias ocasiões.
  • Sobre os cursos RANGERS, poderia dissertar sobre as muitas aulas de acção psicológica que lhe eram incutidas, periodicamente, alertando-os e instruindo-os para os vastos perigos que iriam defrontar, tipos de populações e terrenos, tácticas e armas inimigas, as origens e efeitos do terrorismo, etc.
  • Sobre os cursos RANGERS, poderia elogiar uma disciplina rara até então, mesmo nas grandes empresas e escolas deste país, designada por: “SER CHEFE”.
Partes de um panfleto de acção psicológica (1973)
Transmissão de instrução a pessoal destinado à guerra 
Se com esta bagagem "intelectual" e outra já por mim esquecida (já lá vão 36 anos que saí de Penude), os RANGERS não souberam posteriormente (por burrice, laxismo ou outra qualquer imbecilizada, ou miserável justificação), ou não quiseram transmitir (por politiquices maradas, crime omitivo, cobardia ou traição pessoal) no tempo da guerra, aos seus subordinados, o que foi ensinado no CIOE em Lamego, é uma coisa. 
Outra coisa, como em tudo na vida, é sabermos que alguns RANGERZitos se exacerbaram e, ou, exorbitaram nas doses adequadas e necessárias a uma boa retransmissão de conhecimentos e experiência adquirida nos seus cursos, aos instruendos que lhes tocaram, daquilo que mais ou menos atenta e correctamente aprenderam, não é segredo para ninguém.

Quantas mais especialidades, além dos comandos, páras e fuzileiros (nas suas variantes e especificidades instrutivas) eram assim eram instruídas?

Todos fomos importantes no esforço da guerra

Na minha sincera opinião, reiterando o que o RANGER Gonçalves diz, toda a tropa foi máquina de guerra (cada um no seu poleiro) e contribuiu para o sacrifício e esforço da guerra que nos foi exigido, mas os treinos e as instruções de cada uma das especialidades eram completamente diferentes, como não podia deixar de ser. 
Eram ou não importantes os homens que nos faziam chegar o correio muitas vezes a buracos no cu de judas, os que nos transportavam em barcos, os que bombardeavam o IN com os seus aviões em situações aflitivas, os que nos faziam chegar os materiais, equipamentos, alimentos, munições, etc.

Agora, quem não sabe do que fala pode é questionar e tentar informar-se dos porquês (origens, objectivos, finalidades, etc. das várias especializações), junto de quem sabe, ou conhece bem, ou então deve calar-se e não pronunciar-se leviana e cegamente sobre matérias de que nada, ou quase nada, sabe!

Como eu costumo fazer em relação àquelas matérias que não domino e... bem, digo eu!

Cumprimentos a todos,
MR

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

M278 – Apresenta-se o RANGER Paulo Ferreira do 1º Curso de 1995

RANGER Paulo Ferreira
1º Curso de 1995
Hoje apresenta-se o RANGER Paulo Ferreira, do 1º Curso de 1995, que se vem juntar a esta nossa tertúlia amigável.


O Paulo esteve no C.I.O.E., como 1º Cabo Adjunto, integrado no 2º Pelotão “Os Leões”, 1º turno de 1995 e cumpriu cerda de 9 anos de serviço militar, entre 13 de Fevereiro de 1995 e 13 de Dezembro de 2004.


Brevemente receberemos mais algumas das suas fotos.

domingo, 7 de novembro de 2010

M277 – Como era ser RANGER entre 1960 e 1974, pelo RANGER José Gonçalves

Como era ser RANGER entre 1960 e 1974, pelo RANGER José Gonçalves

Hoje apresenta-se mais um RANGER do 2º Curso de 1973, neste blogue, que cumpriu a sua comissão militar na Guiné – Gadamael e Cufar -, como Alferes Miliciano, na Companhia de Caçadores 4152/73.
Com a sua autorização publicamos a seguinte mensagem, que pode ser também vista no mais completo blogue sobre a catarse da frente de guerra da Guiné (http://coisasdomr.blogspot.com), que os portugueses travaram entre 1962 e 1974, em África:O que era ser ranger entre 1960 e 1974?
Amigos e Camaradas de armas,Ultimamente tenho estado a pensar nas condições e formação militar que a nossa tropa tinha para enfrentar, um inimigo com uma experiência profunda do terreno, armamento melhor e uma experiência que em alguns casos era superior a 10 anos de combate, assim como uma cultura e formação de guerreiro.
Acho que já aqui foi escrito que, para certas tribos na Guiné, um homem, para ser homem, tinha que beber por um crânio humano.
Como todos nós sabemos, os nossos soldados, na sua maioria, eram agricultores, pedreiros, pastores, etc. e iam para a guerra com cerca de 6 meses de treino e os oficiais e sargentos milicianos com cerca de um ano de instrução e uma idade muito perto dos 20 anos.
Na minha opinião este treino era absolutamente inadequado, principalmente quando era administrado por pessoas que não tinham vontade, capacidade nem conhecimentos para o fazer como era o caso dos milicianos.
Muitos dos oficiais milicianos eram recrutados no curso de sargentos milicianos e não tinham idade e, ou, maturidade suficiente para assumirem as responsabilidades de comando. 

Vejamos: um alferes miliciano, que era responsável por administrar uma recruta e depois a especialidade aos soldados que eventualmente iam consigo para a guerra, aprendia o “ofício” de militar instrutor e comandante em 6 meses (dos quais 3 eram para a sua própria introdução no Exército e os outros 3 para frequentar um curso intensivo - a especialidade), no meu caso “Operações Especiais”. 

A maior parte dos milicianos não tinha convicção para esta guerra e o seu principal objectivo era sobreviver, ele e aqueles que serviam sob o seu comando. 

Isto era totalmente demonstrado pela dedicação que a grande maioria dos milicianos dava à formação dos praças, que eventualmente iam arriscar a vida na Guerra do Ultramar. 

A formação militar era insuficiente e inadequada!Isto era sabido pelos escalões do nosso Exército e um dos remendos que tentaram fazer, foi colocar pessoal de operações especiais na formação de companhias para que, estes milicianos melhor treinados mas muito longe de profissionais, conseguissem uma melhor formação operacional nas suas companhias. 

Esta filosofia era-nos transmitida em Lamego, mas eu penso que era uma “táctica” muito mal pensada, pois os Rangers nunca foram aceites e não queriam, nem se podiam impor, aos seus demais camaradas e aos capitães milicianos que, na sua maioria, não tinham conhecimento de tal estratégia ou ignoravam-na por completo. Na minha opinião não havia metodologia implementada para esta integração.
Os 10 Mandamentos RANGER lidos todos os dias em Penude, na formatura matinal
Então o que era um Ranger nos anos da guerra?Um Ranger, era um miliciano recrutado nas fileiras dos milicianos (após prestação de testes às suas capacidades físicas e psicológicas), para serem chefes militares de elite, preparados e treinados para isso, e que no fim de cursos duríssimos e altamente exigentes (a nível de equipa, grupo de combate e companhia de instrução no C.I.O.E.), eram distribuídos pelas diversas unidades de tropa normal. 

Esta política, na minha opinião pessoal, não fazia absolutamente sentido nenhum a não ser que houvesse uma estratégia perfeitamente definida e melhor delineada, para que os conhecimentos que os Rangers adquiriam (apesar de eu os achar inadequados), fossem disseminados por todos os militares que compunham uma companhia. 

Isto estava muito longe do que acontecia na realidade, pois quando da formação das companhias, aos Rangers eram-lhe atribuídos uma equipa (no caso de um 1º Cabo Miliciano) ou um pelotão (no caso de um Aspirante Miliciano), para serem treinados para a guerra. Os outros pelotões e equipas eram treinados pelos outros milicianos que não tiveram o treino de Ranger. 

Por outro lado muitos dos Rangers que foram integrados nas companhias “de tropa macaca como alguns lhe chamavam”, com as suas melhores formações físicas e psicológicas incutidas na sua especialidade, impunham treino rigoroso e muito exigente a homens mal alimentados que, como é óbvio, os debilitava nas suas melhores aptidões físicas e pior animados nas suas capacidades mentais. 

Cometeram-se muitos disparates que, por vezes, resultaram em ferimentos graves nos soldados que estavam sob os seus comandos. 

Como devem saber, porque acho que aqui já foi referido, o treino dos Rangers era realizado, na sua quase totalidade, com bala real, mas havia muita preocupação por parte do pessoal instrutor e monitor, altamente competente em minimizar a eventualidade de provocação de acidentes. 

Vários Rangers, acabada a especialidade e integrados nas unidades a que eram destinados, decidiam incutir o mesmo treino que lhes foi ministrado em Penude, aos soldados que lhes foram destinados, mas sem as condições (alimentação, equipamento, armamento, munições e outros sistemas de suporte), que lhes permitissem que estes treinos obtivessem os sucessos desejados. 

Em diversos casos estes métodos foram completamente desastrosos devido, essencialmente, às faltas de capacidade de transmissão das técnicas e conhecimentos adquiridos, pelo lado dos instrutores e, por outro lado, à falta de poder de assimilação dos instruendos.Grande quantidade dos soldados que eram incorporados nunca se convenceram que iam lutar feroz e mortalmente contra outros homens, numa guerra (ainda por cima de guerrilha), perigosa e traiçoeira, que os poderia mutilar ou que lhes poderia ser fatal. 

Eu tive militares que foram comigo para a Guiné, que não consegui no seu período de instrução que dessem uma simples cambalhota. Ao forçá-los a fazerem isso, caíam mal e, num caso específico, um deles inclusivamente partiu a clavícula. 

Pensei na altura que talvez 50% ou 60% tivessem reunidas as capacidades mínimas (físicas e psicológicas), para enfrentar a guerra.Mas era óbvio que isso, para o poder político e militar, não era importante e o que se pretendia era carne para canhão e formar os tais dispositivos de quadrícula (linha dianteira da guerra espalhada por todo o lado na Guiné).
Era assim que se formava a “tropa macaca portuguesa”, que aguentou 3 frentes de guerra durante 14 anos, apesar de todas as vicissitudes, como treino insuficiente, fraco armamento, péssimas acomodações, transportes deficientes e uma alimentação de bradar aos céus.
Na Guiné 


Quero só acrescentar um acontecimento que se passou numa das poucas vezes que fui em patrulha, antes do 25 de Abril, e que me foi relatado por um dos oficiais do PAIGC, em Gadamael-Porto, durante uma das nossas conversas.
Qual não foi o meu espanto, quando um chefe do PAIGC nos perguntou, se nos lembrávamos de uma patrulha que tínhamos feito no dia X, pelas tantas horas, na região de Unsiré e Gadamael fronteira.
Respondemos que sim e perguntamos porque nos fazia essa pergunta.Mais espantado fiquei, quando ele nos disse que, nesse dia, tínhamos passado por uma emboscada montada por eles nessa zona.Perguntamos logo porque não abriram fogo e a resposta foi algo que ainda hoje me regozijo: “NÃO ABRIMOS FOGO PORQUE PENSAMOS QUE ERAM COMANDOS”.
Como oficial que fui, quero dizer a terminar que nunca mais quero ir para uma guerra, nem comandar ninguém, mas se tivesse que ir de novo hoje só aceitaria desde que me acompanhassem os mesmos militares portugueses desse tempo, porque demonstraram capacidades invulgares de enorme de sacrifício, tolerância e adaptação às circunstâncias mais adversas.
Espero que este texto gere novos “postes” sobre este assunto, pois considero-o como um dos pontos fundamentais, para compreendermos como conseguimos aguentar uma guerra daquelas durante tanto tempo.
Guiné > Cufar > 07SET1974 > Cerimónia da entrega do aquartelamento ao PAIGC
Cumprimentos para todos,
RANGER Gonçalves

sábado, 30 de outubro de 2010

M276 - RANGER Andrade - 42 anos depois... quer a reparação de um erro! (2)


ATENÇÃO MOÇAMBIQUE

Já na mensagem com a referência “M217 - RANGER Andrade - 42 anos depois... quer a reparação de um erro!”, havíamos abordado esta matéria que agora refrescamos com uma nova foto que foi enviada pelo autor da mesma.

Recorda-se que o RANGER Jaime Froufe Andrade é o autor do livro "Não sabes como vais morrer", já publicitado neste blogue, nas mensagens M102 e M209, e que decidiu revelar, no Youtube, uma história em que admite não ter tido um comportamento correcto na sequência de um golpe-de-mão a uma base da FRELIMO.

FRELIMO, traduz-se por Frente de Libertação de Moçambique e era o movimento nacionalista armado, que combatia as tropas portuguesas naquele território africano, no período da Guerra do Ultramar entre 1961 e 1974.
40 e alguns anos depois ele não só faz a sua própria autocrítica pessoal ao comportamento de então (recorda-se que nesse tempo, tal como todos os milicianos do SMO – Serviço Militar Obrigatório -, o Andrade tinha apenas 22 anos de idade), como manifesta o desejo de reparar, logo que lhe for possível, esse acto leviano e desajustado.
É uma história de grande humanidade que, eventualmente, servirá para aproximar os dois povos e atenuar as feridas e cicatrizes provocadas pela guerra que ali travamos.
Quanto à forma de se aceder à dita história no Youtube, o link é:http://www.youtube.com/watch?v=KrR0G262dqU, ou então quem quiser tecle uma busca do Youtube com as seguintes palavras: “guerra colonial rádio”.

O RANGER Andrade descobriu a foto do Homem (ex-Guerrilheiro da Frelimo), a quem quer hoje dar um abraço e devolver o rádio!

Será que alguém o reconhece, em Moçambique (sobretudo em Tete) este homem? Se sim, por favor envie um e-mail para: froufe.andrade@yahoo.com

A foto (slide) foi tirada pelo RANGER Andrade, que nunca levava a máquina fotográfica para as operações, mas naquele dia aconteceu. E ainda bem, como ele próprio agora o afirma.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

M275 - Homenagem do RANGER Abílio Rodrigues a seus falecidos irmãos


Homenagem do RANGER Abílio Rodrigues a seus falecidos irmãos



O nosso Camarada RANGER Abílio Sousa Rodrigues, do 1º curso de 1983, presta aqui uma singela e merecida homenagem aos seus dois irmãos já falecidos, ambos com 48 anos de idade, e que serviram leal e orgulhosamente, o melhor que souberam e puderam, cumprindo com o que a nossa Pátria nessa altura lhes exigiu, no ex-Ultramar português. 

Os dois partiram um dia para Angola, um entre os anos de 1970 e 1972 e o outro entre 1972 e 1974. 

Embora não integrassem nenhuma das nossas tropas especiais, conviveram principalmente com RANGERS, que muito admiravam e elogiavam nos seus comportamentos e acções diárias.
O RANGER Abílio no C.I.O.E. em 1983
Quem sabe se não foi esse o motivo que “empurrou” o Abílio para o C.I.O.E. em Lamego?


Angola > 1972/74 > O irmão Domingos de Sousa Rodrigues, com o punho cerrado numa pistola Walter P38 de calibre 9 mm.

Angola > 1970/72 > Com as mãos na anca o irmão Augusto de Sousa Rodrigues, junto do memorial do seu BART 2916

Que Deus os guarde no seu infinito reino!


Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
Fotografias: © Abílo Rodrigues (2010). Direitos reservados.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

M274 – O RANGER António Barbosa (4º curso de 1972), procura notícias do seu Amigo da Guiné, RANGER Aurino Barbosa Medeiros (2º curso de 1973)

O nosso Camarada RANGER António Barbosa, do 4º curso de 1972, cumpriu como Alferes Miliciano Operações Especiais/RANGER a sua comissão militar na Guiné, incorporado no 1º Pelotão da 2ª Companhia de Artilharia, do Batalhão de Artilharia 6523, em Cabuca, nos anos de 1973 a 1974, procura saber notícias de outro nosso Camarada RANGER de nome Aurino Barbosa Medeiros (NIM 15228173 e por isso da incorporação de 1973), que foi Furriel Miliciano Operações Especiais/RANGER na mesma companhia e batalhão.
ATENÇÃO AÇORES


O RANGER Aurino (Açoreano) com o RANGER Barbosa na Guiné

Assim, solicita-se ajuda para permitir o reencontro entre estes 2 RANGERS, que desde o seu regresso a Lisboa nunca mais se encontraram, registando-se aqui o apelo a quem souber alguma indicação do seu paradeiro, por favor contacte o RANGER Barbosa para o seu e-mail: a.antonio.barbosa@gmail.com ou para o telemóvel 936 470 419.

O RANGER Barbosa com o RANGER Aurino

Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
Fotografia: © António Barbosa (2010). Direitos reservados.

M273 - BART 3861 - 31º CONVÍVIO ANUAL

31º CONVÍVIO ANUAL DO BART 3861 

(PARA VER O PROGRAMA CLIQUE EM CADA IMAGEM. VEJA E DEPOIS CLIQUE NA TECLA ESCAPE DO TECLADO DO SEU PC) 



LADO A


LADO B

sábado, 9 de outubro de 2010

M272 – RANGERS pendurados na frontaria do belíssimo edifício da Câmara Municipal do Porto?


Câmara Municipal do Porto
Semana Europeia da Mobilidade

É verdade!

Por amável convite da Câmara Municipal do Porto, o CTOE e a AOE aderiram à interessante iniciativa da Câmara Municipal do Porto “Semana Europeia da Mobilidade”.
A mero título de exemplo diga-se que só na cidade do Porto é atropelado quase diariamente um cidadão, alguns deles causando-lhes a morte.



O evento decorreu entre os dias 15 e 22 de Setembro, com o tema "Mobilidade mais inteligente. Uma vida melhor".

Ao longo dos dias da iniciativa, com excepção da manhã de domingo, esteve instalada na Praça do General Humberto Delgado uma escolinha de trânsito e algumas actividades radicais (escalada e slide), organizadas pelo CTOE, para crianças e jovens com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos.

O objectivo principal passava pela sensibilização das crianças e jovens, para a segurança rodoviária e meios de transportes sustentáveis.

A mero título indicativo do sucesso alcançado, diga-se que só no dia 18, foram contabilizadas a circulação pelas actividades em disposição, de cerca de 4 centenas de crianças e jovens.


Os RANGERS no activo e os veteranos da AOE, prestaram várias demonstrações de rapel, sendo a veterania representada, neste exercício, pelo RANGER Rocha.



Apela-se que a organização destes eventos, que para que tudo decorra melhor ainda na próxima realização, se recordem que os militares, que voluntária e gratuitamente se oferecem para colaborar nas actividades que lhes tocam, também precisam de água e, tal como os restantes mortais, também se alimentam.