quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

M289 - A.O.E. - Associação de Operações Especiais. Encontro/Convívo de Natal 2010 em Fátima

A.O.E. - Associação de Operações Especiais
Encontro/Convívo de Natal em Fátima
11 de Dezembro de 2010



A leitura da prece RANGER pelo Coelho
RANGERS de 1972 > Bigotte e Inverno, do 2º, e Folha do 3º RANGER Rocha 1º/74, Sampaio 4º/73 e Delgado 1º/74RANGER Pais do 2º/71, RANGER Couto, RANGER Palma e RANGER Vaz
(continua)

domingo, 5 de dezembro de 2010

M288 - 3º Jantar/Convívio RANGER – 4 de Dezembro de 2010


3º Jantar/Convívio RANGER – 4 de Dezembro de 2010
Não há frio, nem chuva… nem NADA!
Qu’arrede estes HOMENS duma missão
Neste caso p’ra comer e conviver
Venham raios e coriscos pois então!
Não há nada que quebre esta GENTE!
A sua alegria, camaradagem e união
Ontem já éramos mais de trinta
O que prós RANGERS é um batalhão
Pasmam desta sã fraternidade!
Esposas, Familiares e Amigos
Venham também juntar-se a nós!
Só não cabem cá os inimigos
Do grande Porto e arredores
Afluiu malta de fino timbre e de bem
Desde Paços de Ferreira a Lousada
E até de Braga e Santarém
Dois Rochas, Araújo e Miranda
Duarte, Lopes, Barbosa… é verdade!
Abílio, Carvalheira e Magalhães
Albano, Avelino e Andrade
Grelhados, azeitonas, pimentos
Arroz, carapaus, muita broa
Fruta vinhos, refrigerantes
E pudins “marcharam” numa boa
Enfim… comeu-se e bebeu-se
Entre mil conversas e risadas
E depois do cafezinho e do bagaço
Seguiram-se as habituais jogadas
A próxima festa é dia 8 de Janeiro!
Juro qu’então seremos muitos mais
Ainda que o repasto mais não seja
Que um simples arroz com pardais

E apesar das várias gerações
O grito de guerra têm como elo
RANGER… YAAAA!... um terror!
Bombástico… demolidor… BELO!

Fotografias: © Abílio Rodrigues (2010). Direitos reservados.

ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS E UM JÁ PASSOU... VIVAM A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS...
NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS
ATÉ ao próximo dia 8 de Janeiro de 2011 (sábado)... se Deus quiser

sábado, 4 de dezembro de 2010

M287 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (2), pelo RANGER António Barbosa

O soldado português, pela sua valentia, bravura e poder de sacrifício, vencendo todos os obstáculos que lhe são levantados, são considerados por muitos peritos e estudiosos mundiais destas matérias, entre os melhores do mundo.
Já na mensagem M284 apresentei uma resumida descrição da preparação e instrução ministrada aos jovens portugueses, com 21/22 anos de idade, nos anos 60 e 70, transformando-os em soldados portugueses, para combater em África, na Guerra do Ultramar, num dos piores cenários conflituosos: a selva africana.
Também falei em algumas das condições de vivência e convivência com as populações locais, com que os mesmos se deparavam no meio das mais profundas matas africanas.
A guerra arrastou-se entre 1961 (início das hostilidades em Angola) e 1975 (retirada dos últimos soldados portugueses de Angola), tendo provocado cerca de 10.000 mortos entre as tropas portuguesas, derivados de várias origens desde acidentes a doenças, minas anti-pessoais e anti-carro e ferimentos em combates.
Ao iniciar estas novas considerações vamos saber quantos tipos de Homens existiam naquele período:
- os que fugiram da guerra (em relação aos quais apenas vou tecer um comentário);
- os que se apresentaram nos quartéis e cumpriram o melhor que souberam e puderam;
- os que se apresentaram nos quartéis e sabiam que estavam bem protegidos por altas e seguras cunhas (fossem de carácter militar ou civil e em relação aos quais, do mesmo modo, apenas vou tecer um comentário).
Em relação àqueles que fugiram cobardemente da guerra, e em menor grau de cobardia aqueles que estiveram sempre na certeza, comodidade e tranquilidade de estarem bem protegidos por altas e seguras cunhas, excluindo-se de se solidarizarem com os seus restantes conterrâneos no esforço conjunto do cumprimento daquilo que sempre se chamará, em qualquer país do mundo, ontem, como hoje e amanhã, o dever de um cidadão para com a sua Pátria, apenas registo um desejo é que continuem a viver sem remorsos, nem problemas de consciência, com toda a comodidade e tranquilidade que a vida lhes possa permitir!
Sobre aqueles que se pronunciam e escrevem sobre a Guerra do Ultramar, ou de África, infelizmente constata-se que há também vários tipos de Homem:
- os idiotas e, ou, ignorantes, que não sabem o que dizem;
- os traidores e cobardes que deturpam os factos e acontecimentos, e inventam fantasiosas e ofensivas cenas, e falsas declarações para fins pessoais, jornalísticos ou políticos;
- os “calimeros”, que se reconhecem facilmente em frases como: “Eu fui um desgraçadinho, coitadinho de mim, fui obrigado a fazer tropa… infeliz… ao frio… à chuva… ao sol… fui obrigado a ir pr’à guerra.” Não apresentam sequer um qualquer beliscão desse tempo!
- os honestos, leais, verdadeiros.
Os idiotas e ignorantes, que não sabem o que dizem, mais lhes valia estarem quedos e mudos, informarem-se e estudarem melhor este capítulo da nossa história recente, para puderem fazer jus aos factos e acontecimentos, em nome da verdade, lealdade e justiça.
Estes imbecis ainda podem merecem as nossas piedosas desculpas, pois mais não atingem intelectualmente que a sua reduzida visão e saber dos factos históricos, podem provocar pequenas mossas históricas (mesmo assim torpes), em quem lhes dá credibilidade, quem é da mesma conveniência, cobarde, traidor à Pátria e, ou, serve interesses politicamente nojentos e obscuros.
Outros há bem mais perigosos, os cretinos ressabiados, e destes já não se pode dizer o mesmo. Distorcem os factos e andam sempre à procura nas entrelinhas de falhas e, ou, incorreções para explorarem e dissecarem, a fim de se servirem deles para os seus miseráveis e execráveis interesses - principalmente políticos -, usam e abusam da mentira, da falsa fé, da deturpação criminosa, do mal-dizer, etc.
A finalidade é avespinhar a Pátria e, ou, destruí-la como Nação, jamais pensam nos nossos mortos e nos nossos heróis, que tudo deram de si e nada pediram em troca.


Muitos ignoram, não lhes interessa sequer saber, ou deturpam, basicamente aquilo que os verdadeiros portugueses atentos e estudiosos SABEM, foi que:

O ULTRAMAR PORTUGUÊS ERA UM LEGADO HISTÓRICO DA EXPANSÃO PORTUGUESA, ANCESTRAL, REGADA COM O SACRIFÍCIO, SUOR E SANGUE DE REIS, DESCOBRIDORES, AVENTUREIROS E GUERREIROS, DESTEMIDOS, OUSADOS E VALENTES, QUE PERCORRERAM O MUNDO, LÉS A LÉS, DESCOBRINDO NOVOS MUNDOS, NOVOS POVOS, NOVOS PRODUTOS, MATERIAIS, ETC. E QUE, AO LONGO DOS SÉCULOS, FOI SENDO POVOADO E DESENVOLVIDO POR MILHARES DE PORTUGUESES, OUSADOS E DESTEMIDOS TAMBÉM ELES, À PROCURA DE UMA TERRA QUE LHES DESSE O QUE NÃO ERA DADO NO CONTINENTE, PARA SI E SEUS FILHOS E, ACIMA DE TUDO, MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA.

Uma das matérias mais evitadas pelo pessoal que foi mais operacional é a parte que respeita às decisões políticas (incorrectas e erradas), que levaram à origem desta guerra.
Muitos portugueses culpam o 1º Ministro que em 1962 governava o país - Prof. Dr. António de Oliveira Salazar -, por ele não ter tomado a decisão de, um vez posto ao corrente do início do terrorismo em Angola, a que se seguiu Moçambique e a Guiné, não ter tentado uma solução política optando pela via da guerra.


Uma das medidas preconizadas pelos agentes práticos que acompanhavam a evolução dos factos no terreno, era simplesmente o de integrar (arranjar empregos decentes), para os nativos oriundos de Angola, Moçambique e Guiné, que concluíam nos nossos institutos e faculdades, com sucesso, os seus cursos superiores.


Sabe-se que os movimentos de libertação foram altamente reforçados e até comandados por indivíduos com cursos superiores, de que são exemplos: na Guiné – Engº Amílcar Cabral, em Angola - Dr. Agostinho Neto, que muito notabilizaram e credibilizaram as acções anti-portugueses.
Outra medida teria sido o da autodeterminação das populações locais, em que, atempadamente e com clama, se tivesse, através de eleições políticas, decidido um futuro melhor para aquelas ex-províncias ultramarinas.
Assim não foi e ao fim de 12 anos de guerra, em 3 frentes, com milhares de mortes de ambas as partes, foi um povo desgastado e cansado de ver os seus filhos a morrer, que em 25 de Abril de 1974 saiu para as ruas a festejar e reforçar irreversivelmente um golpe que depôs o regime de Salazar e Caetano, de que resultou o imediato fim da guerra.


Entregaram-se à sua sorte, veloz (a fugir de quem? uma interrogação que muitos portugueses hoje gostavam de saber uma resposta), e incondicionalmente, as ex-províncias portuguesas, sem auscultar minimamente o pulsar e inclinações das populações e o resultado foi o que se sabe… os diversos movimentos digladiaram-se selvática e intestinamente em sanguinárias e mortíferas guerras civis, levando à morte milhares de pessoas.
3 incontestáveis e historicas fotos da terrível guerra civil que assolou Luanda (Angola), vendo-se corpos de pessoas brancas, mulatas e negras
Desta matéria fala-se pouco, ou quase nada, pois não interessa ao poder político em Portugal, um parte porque sempre apoiou a retirada total dos portugueses de África, outra porque após o 25 de Abril pactuaram com tudo o que fosse feito para “livrar-nos” daquelas possessões.
Recorde-se que viviam e tinham a sua vida completamente organizada (toda e qualquer riqueza que tinham estava investido naquelas terras), perto de 200 mil pessoas em Angola, 100 mil em Moçambique e algumas centenas na Guiné.
Com a “cavalgada” da fuga dos militares, a quase totalidade desta gente ficou sem nada, de um dia para o outro, e foram despachados aos molhos, em barcos e aviões, para o Continente, apenas com a roupa que tinham vestida.
Muitos fugiram para países vizinhos que os acolheram, sendo o mais escolhido a África do Sul.
Resumindo e concluindo: o povo e os soldados estavam cansados e desgastados pela guerra, que durou mais ou menos 13 anos em Angola, 12 em Moçambique e outros tantos na Guiné, levando-os a juntarem-se aos revoltosos no 25 de Abril de 1974.
Foi este onda que reforçou sobremodo o dispositivo dos militares que constituiam o golpe militar e que viria a concretizar-se nas ruas de Lisboa.
Além da dezena de milhar de mortos na guerra, muitos foram aqueles que ficaram estropiados e com stress pós-traumátrico de guerra, que só serão sanados com a morte.

Mas mesmo assim os militares portugueses sabiam improvisar, adaptar-se, desenrascar-se e deram lições de valentia, dureza e de grande esforço, unidos pela camaradagem que ainda hoje perdura e é bem latente entre os ex-Combatentes vivos.

VIVA PORTUGAL!


Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
Fotografias: © António Barbosa (2010). Direitos reservados.

domingo, 28 de novembro de 2010

M286 - RAIDS RADICAIS RANGER - Instantâneos espectaculares

RAIDS RADICAIS RANGER
Instantâneos espectaculares
Os nossos convívios radicais são sempre diversificados e plenos de desafio, ousadia e aventura, onde se integram provas fundamentais de marcha, orientação, canoagem, slide, rapele, paintball, tiro com várias armas (calibre reduzido e legal), escalada, transposição de cursos de água, aranha, defesa pessoal, primeiros socorros, etc.
A finalidade como é óbvio é permitir aos seus intervenientes reciclar e actualizar conhecimentos operacionais, manter o espírito de camaradagem, conviver e, não menos importante, afinar os instintos activos e reactivos pessoais de cada um.
Os reflexos individuais, que tanta falta nos fazem no dia-a-dia, vão-se esvaindo tão lenta e imperceptivelmente com o avançar da idade, que quando damos fé, por vezes, nada há a fazer já. Estão mortos!
Se repararem bem, os putos de hoje nem sabem o que isso é (reflexos e instinto). Mal praticam desportos, levam uma vida insavida e vazia, não fazem serviço militar que, penso eu, devia ser obrigatório para uma recruta e uma especialidade (6 meses). 6 meses que além de oferecer a todos os Homens uma preparação para a vida, ensinava-lhes muitas coisas que os pais não sabem, ou não querem, transmitir além da indispensável educação e respeito pelos demais seres humanos, a cumprir horas, ordens e disciplina, além de noções de convivência e trabalho em equipas e grupos.

sábado, 27 de novembro de 2010

M285 - 1º Sábado das bifanas - 20 de Novembro de 2010

1º Sábado das bifanas
20 de Novembro de 2010

Dinamizados mais uma vez pelo "motorizado" RANGER Lopes, que mais uma vez brindou o pessoal presente com os seus brilhantes dotes de cozinheiro (desta vez com umas apetitosas e suculentas bifanas), acorreram as nosso espaço situado na cidade do Porto, mais de duas dezenas de RANGERS, familiares e Amigos, que se bateram valentemente com várias de dezenas destes famosos exemplares.

Como sempre levamos a melhor sobre o inimigo, derrotando-o em toda a sua extensão, a que se seguiu um divertido e absorvente sarau de jogos tradicionais.

As imagens que se seguem dizem o resto.

O RANGER Lopes preparando as "rações de combate", que logo em seguida desapareciam eliminadas pelo pessoal "especializado"
Desta vez contamos com o nosso Herói de Gadamael - o RANGER Casimiro Carvalho -, e sua esposa a Ana que lhe confidenciava: "Assim a comer vamos engordar ainda mais!"
Também pela primeira vez contamos com a presença de um velho amigo nosso - o Fernando Barbosa -, que aqui dizia a Ana: "Não fui RANGER mas estive no Ultramar (Angola & Moçambique), 26 anos a trabalhar."

Fotografias: © Fernando Araújo (2010). Direitos reservados.

ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS E UM JÁ PASSOU... VIVAM A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS...

NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS

ATÉ ao próximo DIA 4 de Dezembro se Deus quiser

sábado, 20 de novembro de 2010

M284 – Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (1), pelo RANGER António Barbosa


Os soldados portugueses em África, na Guerra do Ultramar (1), pelo RANGER António Barbosa 

Já foi dito nas mensagens M253 e M274 que o nosso Camarada RANGER António Barbosa, do 4º curso de 1972, cumpriu como Alferes Miliciano de Operações Especiais/RANGER a sua comissão militar na Guiné, incorporado no 1º Pelotão da 2ª Companhia de Artilharia, do Batalhão de Artilharia 6523, em Cabuca, nos anos de 1973 e 1974.

Entretanto ele continua a enviar mais algumas das suas fotos de antologia que, para aqueles que percorreram as mesmas terras e enfrentaram como souberam e puderam, com maior ou menor perícia e arte, e derrotaram os mesmos obstáculos, relembram e refrescam boas e más memórias daqueles tempos.

Os soldados portugueses mais não eram que uns putos com 21/22 anos (feitos Homens rapidamente), muitos ainda acabados de sair dos liceus e faculdades, que eram chamados pelas Forças Armadas a apresentarem-se nos quartéis, e lhes era ministrada 3 meses de instrução militar (recruta) e depois eram distribuídos, mais 3 meses, por diversas especialidades de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia, Transmissões, Intendência, Material Transportes, Saúde, Tropas Especiais, Polícias Militares, Marinha e Força Aérea.

Finda a especialidade alguns seguiam de imediato para a guerra, ou em rendição individual (geralmente para substituir algum morto ou outro soldado que tivesse acabado a sua comissão), ou incorporados em vários tipos Unidades (secções, pelotões, companhias ou batalhões).

É claro que, como seres humanos educados, cada um de modo diferente do outro, cada um mais ou menos sensível que o outro, cada um mais ou menos espírito guerreiro que o outro, cada um mais ou menos preparado psicológica e fisicamente que o outro, etc. enfrentamos de modo muito desigual a preparação e a actuação na guerra (guerrilha na selva), desgastante, doentia, traiçoeira e mortífera, que aos nossos soldados se lhes apresentou nos quartéis em Portugal e nos quartéis e buracos em África (Angola, Moçambique e Guiné).
Muitos tão mal treinados foram... e as consequências foram terríveis!

Houveram alguns, felizmente poucos, que se apresentaram no primeiro dia a chorar (uns tantos com saudades da família pois eram casados e com filhos, outros revoltados com a incorporação para a qual nunca estiveram preparados psicologicamente, inclusive por motivos políticos e religiosos, e os cagarolas/cobardes com medo dos eventuais ferimentos ou morte) e só voltaram a sorrir no último dia de tropa.

Se estes problemas psíquicos foram dificilmente, ou jamais debelados, pelas suas vítimas, então imaginem acrescentar-lhe as condições em que muitos foram sujeitos em África, desde a estarem enfiados em autênticos buracos construídos no chão (muito pó no Verão e lama por todos os lados nas épocas das chuvas), mal alimentados, rodeados de milhões de mosquitos (que transmitiam entres outras maleitas o perigosíssimo paludismo), reptéis de todas as espécies e, como se não bastasse, localizados em confins inimagináveis, sem qualquer outro ser humano ou povoação por perto, a não ser o inimigo.
Não era um inimigo qualquer, com muita experiência de guerra (alguns gravitavam nas suas hostes desde o início das hostilidades - 1962 -, 12 anos de combates), óptimo conhecedor do terreno que galgava, dos melhores locais para se esconderem e aramarem as suas emboscadas e armado com as melhores armas que se podiam encontrar no mercado de guerra da altura (principalmente dos países comunistas do Leste Europeu), como as espingardas e metralhadoras automáticas: Kalashnikov AK-47, PPSH-41, Simonov SKS, Degtyarev DShK, RPD e DPM, Sudaev, PPS-43, Goryunov SG-43, Vladimirov KPV, etc.
Um inimigo que se camuflava bem entre a população nativa, dominava bem as técnicas da guerrilha da selva, entre elas sabia como usar as traiçoeiras, temíveis e destruidoras minas e armadilhas, que destruiam dia-a-dia o ânimo e a combatividade dos nossos melhores Homens.
Os nossos melhores homens, bem alimentados e apoiados, e por tradição com muito, bem seleccionado, adequado e intensivo treino, eram sem dúvida nenhuma o pessoal das forças especiais: os Paraquedistas, os Comandos e os Fuzileiros, e também porque actuavam conjuntamente meses a fio, muitas vezes comandados por hierarquias com várias comissões e, por isso, velhas "raposas" super-operacionais, experientes e bem conhecedoras dos hábitos e costumes do adversário.
Seria uma injustiça de todo o tamanho não fazer aqui jus a muitas Unidades de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Força Aérea e Marinha, que jamais temeram o inimigo, antes pelo contrário, demonstrando grande agressividade e combatividade tática e operacional, tendo eliminado grande número de inimigos, tendo-lhe capturado imenso material de guerra e garantido a segurança total das suas áreas de actuação, sob a sua competência e responsabilidade.
Para mais pormenores sobre as armas utilizadas pelo inimigo, consultem o bem conseguido estudo sobre esta matéria de Luís Dias no site:


As mensagens:
e
Guiné 63/74 – P6892: Armamento (4): Metralhadoras Pesadas (Luís Dias)

Se alguma dúvida persistir no amigo leitor do que aqui é dito, além das palavras expressas e das fotos que se seguem, então atente nesta famosa e imortal frase de um dos generais mais brilhantes e célebres do Exército Português de todos os tempos, que permanecerá imortalizado pela sua inconfundível personagem e pelos métodos de actuação no terreno, onde muitas vezes se expôs, para apoiar os seus Homens (militares como é óbvio) nos locais de acção.

Ocasiões houve em que o fez, destemida e energicamente debaixo de fogo inimigo.
O seu carisma e a sua celebridade ficarão indelevelmente registados na História de Portugal, pela ousadia (que teve o seu preço) do lançamento do seu famoso e único livro escrito antes da revolução do 25 de Abril de 1974 - "Portugal e o Futuro" -, mais precisamente em 22 de Fevereiro de 10974, onde, resumidamente, propunha a Marcelo Caetano (então 1º Ministro) uma solução política para o problema da Guerra do Ultramar.
Chegastes meninos! Partis Homens!
General António Spínola


A arte e o engenho do pessoal de Engenharia e muitas vezes de soldados super habilidosos das diversas companhias (quando lhes eram proporcionados os materiais necessarios para o efeito), iam permitindo construir algumas instalações básicas, que davam aos aquartelamentos um certo ar "civilizado"


A sala de jantar de Oficiais e Sargentos tinha este aspecto. Não se pode dizer que não era limpo e arrumado. Quanto ao resto: moscas, mosquitos e outros visitantes pouco recomendáveis... enfim, estamos falados!


Valia muitas vezes as hortas, quer propriedade de populares locais, quer de malta da companhia, que muito nos ajudavam na preparação das refeições e, consequentemente, a manter-nos vivos e prontos para o que desse e viesse. Não fossem os portugueses MESTRES na arte de DESENRASCAR
A caça variada, existente um pouco por todo o território, era um dos recursos utilizados para termos algumas refeições de carne fresca


A higiene pessoal, indispensável à boa conservação saudável dos corpos, era prioritária. Assim, havia que aguçar o engenho e a arte para se conseguir resultados práticos e úteis
Pelo menos uma boa "duchalhada" diária sabia a civilização Os nativos viviam em palhotas milenares agrupados nas designadas Tabancas e viviam o dia-a-dia com as suas tarefas rotineiras, preocupados com a sua natural sobrevivência. Entre eles criamos enormes e imortais amigos, de tal modo que agora, passados 40 anos, quando os ex-Combatentes visitam as localidadeas por onde andaram nos tempos de guerra, são espantosa e agradavelmente recebidos em tons festivos e de imensa satisfação e alegria, por aqueles que lá conheceram então 

O povo da Guiné é na generalidade afável e muito acolhedor, embora atravesse um periodo de muita pobreza, com falta de quase tudo. 

É constituído por cerca de 30 etnias, que entre si se relacionam melhor ou pior, de que me lembro agora: Papéis, Balantas, Fulas, Futa-Fulas, Fulas, Mandingas, Manjacos, Brames, Bijagós, etc. 

Termino lançando aqui um apêlo para quem puder auxiliar de algum modo aquele povo o faça... ele merece por todos os vicissitudes e suplícios por que têm passado agarvados sobremodo pelas quezílias intestinas que tem passado nos últimos anos! 

Fotografias: © António Barbosa (2010). Direitos reservados.