sábado, 13 de fevereiro de 2021

M605 - Marcelino da Mata, o vírus foi mais forte que as balas /premium (por HELENA MATOS, 12 de Fevereiro de 2021)

 Marcelino da Mata, o vírus foi mais forte que as balas /premium

HELENA MATOS
FEBRUARY 12, 2021

“Eu não fico cá. Ou me mandam para uma zona operacional ou fujo daqui”. Corria o ano de 1964. Marcelino da Mata não aguenta mais a tranquilidade da vida no quartel-general, em Bissau. Na verdade não precisou de fugir do quartel-general de Bissau pois conseguiu ir para Farim, onde em escassos dias convenceu o Tenente-Coronel Agostinho Ferreira a dar-lhe autorização para constituir um grupo de operações especiais.
“Quando me apresentei ao comandante, o Ten-Coronel Agostinho Ferreira, afirmei-lhe querer formar um grupo de operações especiais. Ele não concordou… Então, para mostrar que podia fazer tal actuação, num determinado dia peguei em cinco homens e saí do quartel em direcção a uma base do PAIGC, situada a 3,5 kms de Farim, numa destilaria de aguardente. Atacámos à noite e trouxemos nove presos, carregando 65 armas apreendidas. Às 6 horas da manhã já estava a bater à porta do quarto do comandante, a chamá-lo. Ele não queria aparecer, mas insisti. Quando surgiu, perguntou o que é que eu queria dele. Disse-lhe: “É para mostrar armas”. Ripostou: “E quais são as armas que eu não conheço?”. Respondi: “Estas não conhece, pois são do PAIGC”. Espantado, perguntou-me como tinha sido a actuação. Respondi-lhe: “Olhe! Eu nunca digo como faço as minhas operações. Fui lá, matei alguns e trouxe estes”. Disse ele: “Então deixa os prisioneiros andar com armas?” Retorqui eu: “Não faz mal; então não são homens como nós?!…”
Nos dias seguintes, Marcelino da Mata continuou a levar a cabo o que designava como “suas operações”, operações essas que descreve a Amaro Bernardo quando este o entrevista para o livro “Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros. Guiné”. Até que o inevitável acontece. Uma manhã, o Tenente-Coronel Agostinho Ferreira chamou o 2.º comandante: “Diz lá àquele tipo que pode formar o grupo de operações especiais”. Marcelino da Mata lembra: “Foi a partir daí que formei o grupo Os Roncos”.
Pode parecer estranho, mas a carreira militar de Marcelino da Mata começou por acaso: a 3 de Janeiro de 1960, quem devia ter entrado no CIM-Bolama era um seu irmão. Mas Marcelino foi ao centro de recrutamento informar-se sobre a situação do irmão e já não saiu. Tinha então 19 anos. Inicialmente, a sua principal mais-valia não é a forma como combate mas sim o domínio dos vários dialectos falados na Guiné.
Em 1963 vai para Angola fazer um curso de comandos. Já em 1964, regressa à Guiné a tempo de participar na “Operação Tridente”, que visava expulsar a guerrilha das ilhas da região do Como. Foram dois meses e meio entre pântanos, mato e lodo. Do Como, as tropas portuguesas trouxeram uma vitória — e Marcelino da Mata as suas primeiras cruzes de guerra.
A Torre e Espada vai ganhá-la anos mais tarde por ter resgatado uma companhia que fora aprisionada na zona da fronteira com o Senegal. Marcelino da Mata chefia um grupo de 19 homens que consegue não só enfrentar os guardas do PAIGC mais os soldados senegaleses como ainda levar os soldados portugueses pelos mais de 40 quilómetros que os separavam da Guiné. Diz quem lá esteve que o grupo de Marcelino da Mata não só fez tudo isto como, uma vez colocados os soldados a salvo, ainda voltaram atrás para repelir o PAIGC. Não será a única vez que o seu arrojo o leva a operações fora do território da Guiné.


Na noite de 21 para 22 de Novembro de 1970, Marcelino da Mata é um dos militares portugueses que entram secretamente em Conakry para levar a cabo uma das mais audaciosas e arriscadas operações concebidas pelas forças armadas portuguesas, a “Mar Verde”. O grupo de Marcelino da Mata tem 40 homens e é chefiado pelo alferes Abílio Ferreira. O objectivo deste grupo, designado Oscar na operação Mar Verde, é o quartel da Guarda Republicana, transformado em prisão.
“Seguimos para a porta de armas do quartel e ali demos com três civis que estavam a avisar as sentinelas de que tinham visto um grupo armado em direcção ao quartel. A sentinela fugiu e fechou o portão. Atirei-me de cabeça contra a janela da casa da guarda e matei o sargento com o meu sabre. Dei a volta e abri o portão, mas o alferes foi morto à entrada, com uma rajada na cabeça disparada por uma das sentinelas.” Foi desta forma que Marcelino da Mata recordou o episódio na entrevista que deu a António Luís Marinho e que este incluiu no seu livro “Operação Mar Verde”. Morto o alferes Ferreira, Marcelino da Mata assumiu a liderança do grupo.
O grupo Oscar cumpriu o que se esperava dele. No fim, Marcelino e os seus homens carregaram com o corpo do alferes para o levarem para as embarcações que os reconduziriam à Guiné (a operação “Mar Verde” era uma operação secreta levada a cabo num país estrangeiro, logo era muito reduzido o tempo que os militares portugueses podiam permanecer em Conakry). No caminho para o porto, o carro avariou. Sob o comando de Marcelino da Mata, os homens do grupo Oscar voltam ao quartel, combateram de novo, venceram de novo e arranjaram a viatura que lhes permitiu chegar in extremis ao porto onde as embarcações portuguesas já se preparavam para partir.
Em 1973, Marcelino da Mata constitui Os Vingadores, um grupo de tropas especiais constituído por 18 negros.


Operam com grande autonomia. Fazem operações de grande risco: quatro ou cinco homens entram no Senegal e colocam minas em locais estratégicos, fazem apoio às tropas regulares e marcam presença em operações históricas como a “Ametista Real”. Esta operação com nome de joia teve lugar a 19 de Maio de 1973, o objectivo era a base do PAIGC em Kumbamory, no Senegal. Marcelino da Mata está com seis homens do seu grupo. Combatem, mas sobretudo conseguem fazer ir pelos ares um importante paiol. No fim, Marcelino e o seu grupo carregam às costas com um dos seus que ficou ferido e acabam quase a ser vítimas do fogo amigo – eles eram todos negros e não vestiam fardamento regular pelo que eram frequentemente confundidos com guerrilheiros do PAIGC.


O piloto Miguel Pessoa ao ser resgatado pelo grupo chefiado por Marcelino da Mata, que na foto empunha uma catana. Imagem de marca de Marcelino era também o cantil com Fanta ou Coca Cola. *Foto do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
“Sou o Marcelino”– terá gritado para dentro do quartel. Dois meses antes foi também com um “Sou o Marcelino” que se apresentou ao piloto Miguel Pessoa que se ejectara do seu avião atingido por um míssil e que ele e o seu grupo acabavam de resgatar no chamado corredor da morte.
Nos palcos de guerra, Marcelino da Mata não precisava de indicar patente, companhia ou aquartelamento. Bastava-lhe dizer “Sou o Marcelino”.
Quando chega 1974, a sua folha de serviço é impressionante: participou em 2414 operações militares que lhe valeram meia centena de louvores por actos de bravura em combate. Recebeu a Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1.ª classe, uma de 2.ª e outra de 3.ª. Mas para Marcelino da Mata vai começar um combate bem mais traiçoeiro e doloroso do que qualquer um dos que travou na Guiné.
Salvo pelo estilhaço de granada
Apesar de ter participado em mais de duas mil operações militares, algumas delas muito violentas, Marcelino da Mata nunca foi gravemente ferido. A única vez que precisou de tratamento hospitalar de maior cuidado aconteceu por causa de uma granada, inadvertidamente rebentada por um homem do seu grupo, para mais dentro do quartel. No Hospital de Bissau detectam-lhe um estilhaço alojado junto à rótula. É enviado para Lisboa. Só que entretanto acontecera o 25 de Abril. Há quem veja na transferência de Marcelino da Mata para Lisboa um estratagema do MFA para o manter longe da Guiné e, desse modo, ser facilitada a transferência do poder para o PAIGC. Afinal, uma das grandes preocupações do PAIGC era terem de enfrentar a resistência das três companhias de comandos negros que faziam parte das Forças Armadas portuguesas, mais a mais se estes comandos tivessem a chefiá-los um militar com as características de Marcelino da Mata. Ou, pelo contrário, terá sido a transferência de Marcelino da Mata para Lisboa a forma possível de o salvar do pelotão de fuzilamento que na Guiné “libertada” se estava a tornar o destino dos comandos negros?
Tivesse o ferimento justificado ou não a sua transferência para Lisboa, Marcelino da Mata rapidamente percebe que já não pode voltar à Guiné, pois está proibido de aí entrar pelas novas autoridades. Pior, caso regressasse tinha sérias razões para temer pela sua vida. A Marcelino da Mata chegam informações que confirmam os piores temores sobre o futuro da Guiné: ainda antes da independência daquele território, Marcelino da Mata sabe do fuzilamento de 1.º sargento Zeca Lopes, um dos membros dos Vingadores.
Depois é a vez do tenente Tomás Camará, que ao regressar à Guiné foi preso no aeroporto, levado para Cumeré e fuzilado.
Pouco depois da meia-noite, Marcelino da Mata começa a ser torturado. A tortura arrasta-se durante mais de sete horas, ao longo das quais os interrogadores-torturadores vão mudando. Por vezes chamam-se entre si, o que permite a Marcelino da Mata dar nomes aos civis e militares que o interrogam.
Em Agosto de 1974, o destino trágico de vários destes homens começa a confirmar-se mas não chega a ser notícia. É um facto não nomeável até que se torna um facto consumado. Tão consumado que Otelo Saraiva de Carvalho, para explicar as dificuldades causadas à revolução portuguesa pelo facto de não se terem levado para o Campo Pequeno logo a 25 de Abril de 1974 “algumas centenas ou uns milhares de contra-revolucionários”, não hesita em dar o exemplo do PAIGC que, após a Guiné se ter tornado um país independente, “fuzilou imediatamente e enterrou dezenas, mas dezenas de elementos contra-revolucionários”. “Matararam-nos e enterraram-nos! E não houve uma única linha nos jornais a tratar deste problema!”.
Otelo tinha razão no que respeita aos jornais: as pesadas multas aplicadas pela Comissão Ad-Hoc para o Controlo da Imprensa, Rádio, Televisão, Teatro e Cinema a todas as notícias que dessem uma imagem menos positiva da “libertação das colónias” cortavam pela raiz qualquer veleidade nesta matéria. Note-se, contudo, que a maior parte dos jornalistas partilhava da versão oficial sobre o sucesso daquilo a que chamavam descolonização e nem sequer os preocupava a decisão das autoridades militares da Guiné de suspenderem as reportagens de Roby Amorim unicamente porque estas relatavam a decisão de vários oficiais das Forças Armadas Portuguesas de entregar aquartelamentos ao PAIGC sem aguardar pelas negociações.
Mas se é certo que transferência para Lisboa salvou a vida a Marcelino da Mata também é verdade que esta frase só é absolutamente válida até 17 de Maio de 1975.
Encurralado
A 17 de Maio de 1975, Marcelino da Mata, ouve o seu nome nas notícias que escuta na rádio, em Queluz, onde residia: diziam-no preso. Ao ouvir isto, Marcelino da Mata comete um erro que quase lhe iria a custar vida: resolve apresentar-se naquela que é agora a sua unidade, o Regimento de Comandos n.º 1. Mas logo é levado para o Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa (RALIS).
Marcelino da Mata chega ao quartel símbolo do PREC durante a tarde do dia 17 de Maio. Começam por lhe dar um papel para que escrevesse tudo o que sabia sobre o Exército de Libertação de Portugal (ELP), uma organização terrorista criada em Espanha pelos afectos ao general Spínola. Entretanto cai a noite desse dia 17 de Maio. Pouco depois da meia-noite, Marcelino da Mata começa a ser torturado.
A tortura arrasta-se durante mais de sete horas, ao longo das quais os interrogadores-torturadores vão mudando. Por vezes chamam-se entre si, o que permite a Marcelino da Mata dar nomes aos civis e militares que o interrogam: um furriel chamado Duarte, o capitão Quinhones e dois militantes do MRPP, um tratado por Ribeiro e outro por Jorge. É aliás a este último que Marcelino da Mata diz que o capitão Quinhones ordenou “que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz”. A estes nomes há ainda que juntar o de Leal de Almeida. Marcelino da Mata conhecia Leal de Almeida da Guiné. Ora, em 1975, o tenente-coronel Leal de Almeida estava em Lisboa, mais precisamente no RALIS. O que fazia nesse quartel o antigo instrutor de comandos na Guiné? Era comandante.


Marcelino da Mata à direita. À esquerda, acompanhando Sartre, está Quinhones um dos homens que Marcelino da Mata identificou como sendo um dos seus torturadores.
Marcelino da Mata à direita exibindo as suas muitas condecorações. À esquerda, acompanhando Sartre, está o capitão Quinhones um dos homens que Marcelino da Mata identificou como sendo um dos seus torturadores
Marcelino da Mata repetiu não só que Leal de Almeida esteve presente enquanto ele foi torturado, como que o então comandante do RALIS desempenhou um papel activo nessas sessões de tortura. No depoimento que Alpoim Galvão transcreve em “De Conakry ao MDLP”, Marcelino da Mata afirma que nessa madrugada de 18 de Maio de 1975 Leal de Almeida “disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados, e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem iss.”. (Leal de Almeida, tal como Quinhones, negam ter participado na tortura a Marcelino da Mata, e aos outros detidos no âmbito desta operação.)
O que acontece com Marcelino da Mata entre 17 e 19 de Maio de 1975 é um dos episódios mais perturbantes do PREC. Não apenas porque se recorre à tortura – o que está longe de ser caso raro nesse período – mas também, e sobretudo, por aquilo que o seu caso (e o dos outros elementos detidos no âmbito desta operação desencadeada pelo MRPP) revela sobre o que acontecia dentro dos quartéis. E como as Forças Armadas tinham entrado num processo quase suicida. Não por acaso, muitas das perguntas feitas a Marcelino da Mata incidiam precisamente sobre as ligações que o comandante do Regimento de Comandos n.º 1, Jaime Neves, teria ao ELP. Sabe-se que o nome de Salgueiro Maia foi também apontado por alguns dos interrogados como fazendo parte da rede conspirativa reaccionária.
Na noite de 19 de Maio de 1975, Marcelino da Mata foi levado para a prisão de Caxias, onde foi mantido em regime de incomunicabilidade durante meses. Em Outubro é posto em liberdade. Vai para Espanha. Trabalha numa oficina. Viaja clandestinamente à Guiné. Regressa finalmente a Portugal depois do 25 de Novembro. Correm histórias sobre a vingança que prometeu levar a cabo entre aqueles que o torturaram e também sobre a sua enredada vida familiar. É graduado em tenente-coronel. Às vezes, nas entrevistas que vai dando, acerta contas com alguns militares de Abril. Como? Lembra-lhes como se comportaram em África. Marcelino da Mata nem sempre é exacto nos números — na “Mar Verde” matou 94 homens, como diziam as chefias, ou quase o dobro, como ele argumentava? No paiol de Kumbamory destruiu 130 toneladas de armamento, como relatou, ou “apenas” 90, como defendia Almeida Bruno, o militar que chefiou esta operação? Mas nunca lhe apontaram uma falha nos relatos que faz sobre as operações em que participou. Muito menos lhe respondem quando ele recordava histórias de cobardia e incompetência que muitos queriam esquecer.
Agora que a Covid o levou, esta quinta-feira, dia 11, esperemos que nesse algures onde chegou lhe tenham reservado um lugar à medida do seu temperamento. Convém não esquecer que há sempre a possibilidade de o ouvir dizer de novo: “Eu não fico cá. Ou me mandam para uma zona operacional ou fujo daqui”.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

M604 - FALECEU HOJE O MILITAR MAIS CONDECORADO DE TODOS OS TEMPOS DE PORTUGAL! TCOR Marcelino da Mata – UM HERÓI NACIONAL - UM COMANDO IMPLACÁVEL da GUERRA DE ÁFRICA

FALECEU HOJE O MILITAR MAIS CONDECORADO DE TODOS OS TEMPOS DE PORTUGAL! 
OBRIGADO AMIGO, POR TUDO O QUE FIZESTE POR NÓS NA GUINÉ! 
PELA PARTE QUE ME TOCA ENVIO OS MEUS MAIS SENTIDOS PÊSAMES À FAMÍLIA ENLUTADA!

Homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – UM HERÓI NACIONAL - UM COMANDO IMPLACÁVEL da GUERRA DE ÁFRICA
Com a devida vénia e agradecimentos ao jornal TAL & QUAL, publicamos hoje (texto e fotos) mais uma justa homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – O COMANDO IMPLACÁVEL da Guiné.
ESTA NARRAÇÃO NÃO É FICÇÃO HOLLYWOODESCA! 
Pior ainda, é que esses mesmos Combatentes nada fazem para ajudar a despertar as atenções e o interesse das pessoas, para esta escandalosa e triste realidade, e outros no cúmulo da indiferença, até pactuam com este estado de coisas.
UMA NOJICE de dar vómitos a todos os que serviram em armas e, orgulhosamente, sentem, vivem e ainda acreditam em Portugal! 
Hoje, felizmente, vai havendo um despertar lento para esta realidade, mas tão lento que um dia, infelizmente, será tarde de mais! 
A Guerra do Ultramar, foi um conflito à qual muitos pseudo-portugueses, cobardes e traidores fugiram com medo, "homens" esses que, ainda por cima tiveram a distinta lata, ao longo dos últimos anos, se arvorarem, baseados nesta alta traição, de serem os seus verdadeiros heróis.
Esta rara e inacreditável desfaçatez só é permitida num país como o nosso, dado o infeliz, pacato e iletrado povo que tem.
Marcelino da Mata é SÓ o português (civil e militar) mais condecorado em Portugal em todos os tempos. É nítido hoje em dia, principalmente por motivos de dor-de-corno e inveja, o desprezo a que é votado pelas autoridades civis e militares nacionais, a todos os níveis.
Honra e Glória seja feita ao TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA, por aqueles que amam verdadeira e profundamente esta Nação, pois ele, pelos seus feitos em combate, nem ao seu país de origem - a Guiné -, pode voltar e viver descansado, apenas pelo "crime" de... COMO PORUGUÊS QUE SEMPRE SE ASSUMIU... TER USADO A FARDA E AS INSÍGNIAS DE PORTUGAL!
Repete-se: POR ELE TER COMBATIDO POR PORTUGAL! 
Marcelino conquistou-as, com muitas marcas físicas que quase lhe eliminaram a vida, em lutas ferozes e mortíferas contra um inimigo aguerrido, de igual para igual de armas na mão, que combatemos em África - na Guiné -, o P.A.I.G.C. (Partido Africano para a Indepêndcia da Guiné e Cabo Verde).
Sim, combateu por Portugal, ao nosso lado, e muitos portugueses, na condição de militares em Serviço Militar Obrigatório, hoje lhe devem a vida.
PELO MENOS AQUI NESTE CANTINHO NÃO SERÁ ESQUECIDO, COMO NÃO FOI PELO JORNAL TAL & QUAL!
Como poderão ler mais abaixo, numa excelente homenagem daquele jornal, ficarão cientes da traição e cobardia nacional que grassava, e ainda hoje grassa, neste país do pós-25 de Abril.
Esta postagem, em formato Word, contou com a colaboração do meu Camarada da Guerra na Guiné - Manuel Marinho -, a quem aqui endereçamos os nossos melhores e devidos agradecimentos por permitir uma leitura correcta e mais visível do recorte.
Ganhou inúmeras condecorações, não a polir esquinas ou botas em Portugal como muitos hoje as recebem, sem ter arriscado nada pela nação, nem ter produzido qualquer bem útil à sociedade e nacionalidade.
AO RAMBO DA GUINÉ
MARCELINO DA MATA – O COMANDO IMPLACÁVEL 
Mataram-lhe as duas primeiras mulheres na Guiné e já tentaram assassiná-lo em Queluz. É o preço que está a pagar por ter combatido ferozmente no Exército português contra os da sua cor do PAIGC.
Marcelino da Mata, com a Torre e Espada e restantes condecorações, esta semana, em Queluz.
O oficial mais condecorado do Exército português, hoje na reserva em Lisboa, não esquece as torturas de que foi vítima, no Ralis, em 1975, e promete vingança.
Foi em Madrid em 1975, que ele me disse com frio desprendimento, como se me estivesse a dizer as horas: “ O capitão Quinhones não perde pela demora. Quando o encontrar, hei-de matá-lo”.
Entendi que a afirmação fora proferida num momento de sofrimento físico e indignação moral. Pareceu-me uma ameaça excessiva, coisas de filme e que o tempo se encarregaria de dissipar a sede de vingança.
Enganei-me.
Há menos de dois meses, passados, portanto, 11 anos, ele reafirmou as suas intenções perante três juízes do Tribunal Militar de Santa Clara: “ Falta aqui um réu, o capitão Quinhones. Se ele aparecer morto, já sabem que fui eu”.
Ele é o capitão comando Marcelino da Mata, herói da guerra colonial na Guiné, interveniente em 2414 operações no mato, e o oficial mais condecorado do Exército português: uma Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1ª classe, uma de 2ª e uma de 3ª, aos louvores por actos de bravura em combate, perdeu-lhes a conta – “uns dizem que foram 47, outros 52”.
Um oficial que o conheceu bem na Guiné disse esta semana ao “T&Q”: “ Como era o Marcelino da Mata? Olhe o Rambo, comparado com o Marcelino, parece uma criança de infantário. E não estou a ser espirituoso – é verdade”.
Em Maio de 1975, no rescaldo do 11 de Março, com o país a guinar bruscamente à esquerda, o Ralis (Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa) era uma unidade revolucionária. No juramento de bandeira, os recrutas, barbudos e desalinhados, prometiam estar “ sempre, sempre ao lado do povo”, contra os reaccionários, os fascistas, os capitalistas, os imperialistas.
Comandava a unidade o coronel Leal de Almeida e era sua vedeta principal o capitão Dinis de Almeida, cognominado o “ Fittipaldi das Chaimites”. O general Spínola havia fugido de helicóptero para Espanha juntamente com um punhado de oficiais considerados reaccionários, e ali fundara o MDLP, um movimento dedicado a derrubar o comunismo em Portugal, corporizado no primeiro-ministro Vasco Gonçalves.
Iguais objectivos tinham o ELP (Exército de Libertação de Portugal, também sediado em Madrid mas mais político do que militar).
Foi neste pano de fundo que o então alferes comando Marcelino da Mata, um guineense trazido para Portugal para não ser fuzilado pelo PAIGC, foi preso por Dinis de Almeida e levado para o Ralis. – “Queriam saber que ligações o coronel Jaime Neves tinha com o ELP” – disse-me esta semana Marcelino da Mata. E rememorou: Estive um dia inteiro nas mãos de dois militares, o capitão Quinhones e o furriel Duarte, de dois civis, cujos nomes nunca soube, e de uma mulher de cabelos compridos, calças de camuflado, uma camiseta que dizia COPCON e uma pistola Walter com o coldre aberto.
Foi ela quem comandou as sessões de tortura: bateram-me com cadeiras de ferro e partiram-me costelas, a bacia e atingiram-me a coluna: por ideia dessa mulher, que ainda não sei quem é, deram-me choques eléctricos no nariz, nos ouvidos e nos órgãos sexuais, o que me deixou impotente durante três anos. Soube depois que na operação estiveram envolvidos elementos do MRPP. Identifiquei o capitão e o furriel Duarte porque o coronel Leal de Almeida os chamou pelo nome enquanto me espancavam”.
Depois de sete meses preso no forte de Caxias, Marcelino da Mata escapou a uma tentativa de rapto na sua residência em Queluz e fugiu para Espanha, onde foi acolhido pelo MDLP. Foi tratado por um médico espanhol e outro francês e trabalhou como mecânico em Talavera. Afirma nunca ter sido operacional do MDLP.
Nesse verão quente de 1975, eu deslocara-me a Madrid para fazer uma reportagem sobre o que era aquele movimento spínolista de que tanto se falava em Portugal, sem que alguém se lembrasse de lhe bater à porta e fazer as perguntas que entendesse.
Num primeiro andar da Calle Lagasca, no centro de Madrid, o seu chefe operacional, o comandante Alpoim Calvão, conduziu-me a um quarto. Sobre a cama, sem se poder mexer, estava Marcelino da Mata a recuperar dos espancamentos sofridos no Ralis.
Foi quando me disse que havia de matar o capitão Quinhones.
Esta semana, passados 11 anos, perguntei-lhe se o tempo havia cicatrizado essa ferida.
“ De maneira nenhuma. Ainda em Julho passado o reafirmei no Tribunal de Santa Clara, no julgamento do coronel Leal de Almeida” – foi a inesperada resposta dada com a mesma convicção de 1975, apenas amaciada por um ligeiro sorriso.
“ Assim que eu voltei de Espanha, o furriel Duarte soube e fugiu para o Canadá. O capitão Quinhones? Um dia hei-de encontrá-lo”.
Contactado anteontem pelo “T&Q” no seu novo regimento, o agora major Quinhones disse-me.” Não estou autorizado a falar, mas sempre lhe digo que não tive nada a ver com isso. Nunca bati no Marcelino da Mata nem em ninguém”.
Regressado em 1976 a Portugal, o oficial guineense, ainda alferes, foi integrado no Regimento de Comandos, na Amadora. Executava todos os deveres de um oficial do quadro permanente sem ser… português.
“Agora já sou, mas foi um problema enorme para me darem a nacionalidade; eu, que na Guiné jurei bandeira como português comentou”. Há muitos militares guineenses a quem ainda não deram a cidadania.
Estão há anos à espera, mas aos “fotocópias” deram num instante.
Fotocópias? “Sim, os “monhês”, os indianos; nós chamámos-lhes “fotocópias” porque têm aquela cor, não são pretos nem brancos”. E continua a recordar, revelando uma memória de precisão: “Sofri muitas pressões para sair da tropa. Estou convencido de que foi devido a manobras do PAIGC. Como oficial do Exército português, era embaraçoso para eles eliminarem-me, mas assim que saí começou a dança (ver caixa).
Um dia fui chamado a um brigadeiro do Serviço de Pessoal. Queria que eu assinasse um papel, pedindo a passagem à reserva. Disse-lhe que não assinava. Ameaçou-me de não me deixar sair e chamou um alferes e um tenente que entraram no gabinete. Eu lembrei-lhe que ele sabia muito bem que eu sairia quando quisesse. E para pôr ponto final no assunto, puxei pela pistola: o alferes dirigiu-se imediatamente à porta, abriu-a e eu saí ”.
Finalmente, em 1979, conseguiram dá-lo como “não apto”, devido a um ferimento num braço que nunca o impediu de ser o terror do mato guineense.
Ultrapassados há muito os prazos de promoção, saiu com o posto de capitão, auferindo a respectiva reforma, mais cerca de 18 contos como deficiente.
Hoje, com 46 anos, Marcelino da Mata suplementa a reforma com uns biscates aqui e ali, para sustentar a mulher e 15 filhos. Presentemente olha pelo físico do proprietário de um restaurante lisboeta. “Estive quatro meses a fazer a segurança da firma Tomás de Oliveira, no parque onde guardam as máquinas pesadas no bairro das Galinheiras” – conta. A Associação de Comandos arranjou-me o lugar porque ninguém queria ir para lá. A gatunagem prendia os guardas às árvores e roubava gasóleo para depois vender. Eu ainda andei lá aos tiros mas não houve mais roubos. O meu ordenado era de 100 contos mas a Associação ficava com 50. Cortei com eles”.
Mesmo assim, Marcelino da Mata considera-se um privilegiado. Ele acha injusto que outros guineenses, ex-militares do Exército português, não tenham a nacionalidade portuguesa nem qualquer reforma do Estado. “ Eles vivem em condições miseráveis”- acusa ele, sem nunca fundamentar os seus desabafos em considerações políticas ou ideológicas. No passado dia 21 de Agosto, Marcelino da Mata foi notícia por ter encabeçado uma manifestação à porta do Estado-Maior General das Forças Armadas, em defesa dos guineenses desprezados pelo Exército.
Na altura ninguém lhes deu ouvidos, mas na passada segunda-feira o ministro da defesa chamou-o. Logo a seguir, o general Almeida Bruno, comandante-geral da PSP e ex-combatente na Guiné, contactou-o pedindo-lhe uma lista de todos os ex-militares guineenses para que lhes seja concedida a nacionalidade portuguesa, condição essencial para que possam ser reformados ou reintegrados, igualmente lhe pediu uma lista das viúvas de guineenses mortos em combate para que lhes seja atribuída a respectiva pensão de sangue.
Marcelino da Mata está agora mais confiante no futuro dos seus camaradas guineenses em Portugal. “ Mas levou tanto tempo”- diz com indisfarçável amargura.
UMA MÁQUINA DE GUERRA 
Marcelino da Mata tinha 19 anos quando um seu irmão, que havia faltado à incorporação militar, lhe pediu que fosse ao Centro de Recrutamento em Bissau saber em que situação se encontrava. Marcelino foi e o sargento não perdeu tempo.
“O teu irmão faltou mas tu ficas cá”.
Assim começou a sua carreira militar que, por sinal só não durou apenas dois anos por culpa dos guerrilheiros nacionalistas: “Já eu tinha 21 anos quando decidi fugir e aliar-me ao PAIGC, que na altura se chamava FLING (Frente de Libertação para a Independência Nacional da Guiné)”- conta Marcelino da Mata”. Mas eles decidiram exercer represálias por eu estar no Exército português e fuzilaram o meu pai e a minha irmã, que estava grávida de oito meses. Fiquei do lado português”.
As represálias do PAIGC intensificaram-se à medida que a eficácia militar de Marcelino da Mata ia espalhando o pânico entre as foças nacionalistas. “ A minha primeira mulher foi morta quando seguia num barco civil não armado. O PAIGC separou-a de umas vinte mulheres que iam a bordo e fuzilou-a” – recorda. A minha segunda mulher foi morta quando saía do mercado. Tinha ido às compras. Encostaram-lhe uma pistola à cabeça e dispararam. Estou de novo casado e tenho 15 filhos dos três casamentos. Estão todos comigo, aqui em Queluz”.
O capitão comando diz eu desde o derrube de Luís Cabral na Guiné nunca mais foi alvo de atentados. O oficial que o conheceu no mato guineense sintetiza: “ O PAIGC tinha como objectivo prioritário, eliminá-lo, compreende-se: o Marcelino era uma implacável máquina de guerra que causava estragos diabólicos ao inimigo. A acção dele foi muito importante na guerra colonial, independentemente da justeza da posição portuguesa. Ele fez coisas que ainda hoje parecem irreais”.
Marcelino da Mata fala da sua acção militar na Guiné, exceptuando duas coisas: as operações secretas que cumpriu em casos selectivos de eliminação física e o comportamento menos corajoso de alguns oficiais portugueses, hoje muito conhecidos. Ele fala da invasão da Guiné – Conakry em1971,comandado por Alpoim Calvão e aprovada por Spínola. (“ Falhou a tomada da emissora, mas libertamos os 28 prisioneiros portugueses”), duas incursões no Senegal em missões de busca e destruição de acampamentos inimigos (“Dávamos-lhes nos cornos e trazíamos o armamento aprendido”) e dos oficiais portugueses “ com eles no sítio”; o capitão António Ramos, ex-ajudante dos generais Spínola e Eanes, o general Carlos Azeredo, comandante da Região Militar Norte, e o coronel Carlos Fabião, hoje colocado num posto administrativo.
Descrição de uma operação típica:
- Quando sabíamos de um acampamento do PAIGC com, por exemplo, 20 ou 30 homens, eu escolhia três ou quatro do meu grupo e lá íamos.
- Só três ou quatro?
- E chegavam. Um deles era o corneteiro.
- ?!...
- Quando estávamos perto do acampamento eu mandava tocar a corneta. Quando lá chegávamos, os do PAIGC já estavam preparados, mas aquilo era um instante.
- Mas porquê avisá-los com a corneta?
- Porquê?!... Para lhes dar uma oportunidade. Não se encosta a arma a um gajo que está a dormir. Dá-se-lhe uma oportunidade para se defender.
Marcelino da Mata apenas lamenta os oficiais negros fuzilados pelo PAIGC após a independência.”Eles eram portugueses e bateram-se por Portugal. O Mário Soares, o Eanes e o Cavaco Silva pediram há dias ao governo de Bissau que não fuzilassem um guineense condenado à morte. Na manifestação junto ao EMGFA, eu perguntei-lhes por que razão não tinham intercedido a favor dos portugueses negros que o PAIGC fuzilou. O apelo que fizeram agora foi uma ingerência nos assuntos internos de outro país, ou não foi”?
Marcelino da Mata vive hoje com dificuldades. E se pudesse voltava para África. “ Para a Guiné não posso ir, mas gostava de ir para um país africano onde pudesse ser instrutor militar. Ainda sou novo e podia viver sem tantas dificuldades. Vamos a ver…”.
Mas, segundo Marcelino da Mata, o PAIGC não desistiu de eliminá-lo, já em Portugal. “Já tinha deixado o Regimento de Comandos e passado à reserva, quando uma noite, vinha eu para casa, um carro galgou o passeio e tentou atropelar-me. Desviei-me e anotei a matricula que dei à judiciária. Era falsa. Pouco tempo depois, também à noite, ouvi um tiro vindo de uns arbustos e senti a bala passar-me por cima. Era um básico que não sabia atirar à cabeça. Deu outro tiro e nada. Eu fiz fogo duas vezes para os arbustos mas o tipo fugiu”.
Pelos contactos e conversas que mantemos com a juventude de hoje, facilmente nos apercebemos que a Guerra do Ultramar é para os jovens portugeses um completo tabu, coisa que não admira dado o país de ignorantes e hipócritas em que vivemos, por um lado, e, por outro, o ostracismo a que foram votados os ex-Combatentes por Portugal, resultado de políticas anti-patrióticas adoptadas nos últimos 37 anos pelos diversos (des)governantes deste descambado país.
É do conhecimento geral que às novas gerações, há muitos anos, foi vedado nas escolas o acesso à História de Portugal, pela politicalhada e seus apaniguados do pós-25 de Abril de 1974.
Há rapaziada hoje, que diz que o 25 de Abril foi feito pelo Salazar e que Salgueiro Maia foi ponta-direita do Benfica!?
É UMA VERGONHA NACIONAL... INADMISSÍVEL E REPUGNANTE... que parece passar ao lado dos actuais políticos, que assobiam para o lado como nada se passasse e tenha a ver com eles. 
Também muitos dos que combateram nessa guerra fazem de conta que não sabem e vêem nada sobre esta matéria, por interesses políticos e outros bem mais obscuros. 





quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

M603 - CORAGEM OU O QUÊ?

 CORAGEM OU O QUÊ?

É controverso o tema da coragem. Há uns dias atrás li num dos blogues um artista qualquer dizer que andou numa guerra injusta, referindo-se à Guerra do UIltramar. Injusta? Perguntei eu... Porquê há alguma guerra justa? Muitos esquecem, ou pior nunca souberam por burrice ou desinformação, que a guerra do Ultramar não foi um conflito criado por Salazar e Caetano, que arranjaram em África uns pedaços de terra onde os portuguesinhos foram obrigados a dar uns tiritos nos pretitos e vice-versa! Diz a História de Portugal que no tempo em que os lusos eram um povo destemido, aventureiro e tinham tomates se meteram em caravelas, tal como outros países da Europa, e partiram mares desconhecidos fora à descoberta de novos povos... novos mundos... etc. É bom que mais saibam tais leigos, que se foi constituindo então, um tremendo legado - a tal ponto de grandeza que os portugueses dividiram com a Espanha o mundo ao meio. Foi o património criado em mais de 500 anos de lutas ferozes com muito sangue e mortos à mistura, que foi deixado a sucessivas gerações, com mais ou menos problemas, agravados sobremodo nos anos 60, com o rebentar de conflitos em Angola, Moçambique e Guiné. Que fazer aí? O que eu penso aqui, é que os portugueses, com maior ou menor valentia, 10 mil mortos incluídos (dos quais apenas morreram em combate cerca de 3.000 - lamentavelmente como é óbvio), conseguiram aguentar 13 anos de guerra, que deviam ter sido aproveitados para ser encontrada uma solução política para cada caso. Dizem os entendidos, que havia medo de ao negociar-se numa das frentes da guerra, Portugal corria o risco de perder o domínio dos factos e perder uma das ex-províncias ultramarinas! Não sei! Sei sim que as perdemos todas - excepto as ilhas adjacentes claro! Consequências... andamos aqui de mão entendida à esmola europeia... em queda económica profunda e sem futuro à vista... e ainda estamos no início! Pagar 800 mil milhões de euros de dívida, com 7 e 7.5 % de Juros anuais (qualquer coisa como 15 mil milhões de euros)... esqueçam Portugal! 



quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

M602 - 32ª Festa Anual 2009 da Associação de Operações Especiais

32ª Confraternização Anual - 2009 -, da A.O.E. (Associação de Operações Especiais)  

Eu venho para cá... e tu vais para lá?



Eu venho para cá... e tu vais para lá? ~

Não faz mal:

- Eu vou pelo meio...

Diz o Corticinho (à direita)



sábado, 28 de novembro de 2020

M601 - No Brasil, vejam como se forma o BOPE


Brasil - BOPE para o combate à delinquência perigosa

BOPE (Batalhão de Operações Especiais)

O Brasil, como todos os grandes países, tem os seus graves problemas com a bandidagem sem escrúpulos, muitas vezes bem organizada e quase sempre de alto grau de perigosidade.
É lixo sub-humano cada vez mais ousado e, amiudemente bem armado.
Muitas vezes com o beneplácito das leis, juízes e tribunais desta super-permissiva e indiferente democracia, apoiados por gajos de grupelhozecos que dizem falar em defesa dos direitos do homem, e que nunca falam dos deveres desse mesmo homem, movidos por interesses estranhos, tacanhos e obscuros, que se preocupam com os direitos dos bandidos e NADA ligam às martirizadas, desgraçadas e traumatizadas vítimas.
Para o combate à este tipo de energúmenos, que não tem juízo, não quer ter uma vida honesta e só gosta de viver à margem das leis, tem que haver autoridades bem treinadas, armadas e prontas para tudo.
Assim, hajam políticos governantes que apoiem e acarinhem estes Homens, nos seus momentos de intervenção.

Este vídeo foi partilhado do youtube, a quem deixamos o nosso melhor agradecimento pela coragem de nos reportar um trecho da complicada vida de uma tropa de elite que corre muitas vezes sérios riscos de vida.

Uma vénia em sua honra.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

M600 - Austrália descoberta por portugueses em 1522

 Austrália descoberta por portugueses em 1522

AUSTRÁLIA DESCOBERTA POR NAVEGADORES PORTUGUESES
Segundo a agência de notícias Reuters, foi encontrado um novo mapa que prova que não foram os ingleses nem holandeses que descobriram a Austrália... Mas antes navegadores portugueses!
Este mapa do século XVI, com referências e informação pertinente escrito em português, foi encontrado numa biblioteca de Los Angeles e prova que foram navegadores portugueses os primeiros europeus a descobrir a Austrália.
O mapa assinala com detalhe e acuidade, várias referências da costa Este Australiana, tudo relatado em português, provando que foi a frota de quatro barcos liderada pelo explorador «Cristóvão de Mendonça» quem efectivamente descobriu a Austrália no longínquo ano de 1522.
Desta forma, os factos são agora invertidos, pois foi o navegador português a fazer tão importante descoberta, cerca de 250 anos antes do Capitão James Cook a ter reclamado junto da coroa inglesa, em 1770.
Na altura a descoberta de Cristóvão de Mendonça, agora suportada por um rol de historiadores, graças aos vários descobrimentos lusos que ocorreram ao longo das costas Neozelandesa e Australiana durante o século XVI, foi mantida em segredo como forma de prevenir e impedir que outras potências europeias alcançassem e se apoderassem deste novo e fantástico pedaço de terra.
O que pode significar esta nova descoberta?
Muita coisa... Mas acima de tudo, prova que os aborígenes australianos e os portugueses têm muito em comum - uma paixão feroz pelo Oceano.
Recordemos que os aborígenes da Austrália descendem de emigrantes africanos que povoaram a Ásia há 60 mil anos, cruzando o mar utilizando canoas e toscas embarcações. Gente que demonstrou muita coragem ao enfrentar o imenso desconhecido, uma similitude com os navegadores portugueses.
Adenda: por Herminius Lusitano
O livro com o título; PARA ALÉM DO CAPRICÓRNIO da autoria de Peter Trickett, jornalista australiano e repórter de investigação especializado em temas de ciência e história que li em dois dias tão grande foi o interesse que me despertou - recomendo a leitura do mesmo - pois o autor explica de uma maneira muito simples, vários achados e danças cerimoniais que estão enraizadas nos aborígenes, que provam a passagem do Capitão Cristóvão de Mendonça que cartografou a costa da Austrália.
Nesses achados consta um canhão encontrado em local sagrado aborígene em Carronade Island, na costa de Kimberley, que é comparado a uma réplica de um canhão Português do Século XVI (o livro mostra as fotos e são mesmo idênticos). Foi encontrado também um pote de cerâmica de estilo Português (também há foto do pote) pescado do leito do oceano ao largo de Gabo Island, e datado cientificamente como sendo do ano 1.500 que provavelmente conteria vinho ou azeitonas.
Encontrados também artefactos de pesca numa praia de Fraser Island, Queensland, contendo um peso de chumbo que foi datado cientificamente como sendo de cerca de 1.500 e o chumbo
identificado como sendo originário de uma mina de Portugal ou no sul de França. Os nomes "aportuguesados" que Cristóvão Mendonça deu a vários pontos da costa, explicados e traduzidos pelo autor do livro é fascinante. Até a fisionomia de alguns aborígenes, com alguns traços europeus, são por ele explicadas.
Já em 1512, um dos barcos de uma pequena armada de António Abreu, teria navegado por aqueles mares da costa Australiana, mas disso sabe-se pouco, até porque com medo da cobiça, os nossos
Reis impunham segredo.

domingo, 22 de novembro de 2020

M599 - O “GOLPE DE MÃO” QUE PODERIA TER ACABADO COM A GUERRA NA GUINÉ

  

O “GOLPE DE MÃO” QUE PODERIA TER ACABADO COM A GUERRA NA GUINÉ

22/11/20

“Porque não foi também condecorado o capitão-

de - fragata Guilherme de Alpoim Calvão? A razão é

simples, o capitão – de – fragata Alpoim Calvão, de-

signado para assumir o comando do desembarque,

foi abatido em Conakry, na noite se 22 para 23 de

Novembro, logo no início dos combates, quando se

dirigia o assalto à sede do PAIGC. Lembramos, aliás,

que o comando supremo da operação, instalado nos

navios que ficaram ao largo de Conakry, possível –

mente o comodoro Costa e Silva à cabeça, deu ime –

diatamente ordem através de walkie-talkies para

que o corpo do capitão Calvão fosse, a todo o custo,

retirado para os navios. O registo desta conversação

radiofónica, gravada pelos serviços do PAIGC, foi a-

presentado e reconhecido como prova à comissão

de Rádio Portugal Livre informou também. Estes

são os factos. Eles são elementos irrefutáveis para a

história da vergonhosa invasão da República da

Guiné”.

Rádio Portugal Livre, emissão de 23 de Janeiro de 1971.1

Voz camarada e amiga lembrou-me que hoje perfaziam 50 anos que as Forças

Armadas Portuguesas (FA) efectuaram um “raid” sobre Conakri, capital da República da Guiné

Por este comunicado eivado de mentiras, se pode ver como era objectiva e “patriótica” a actuação da

dita “Oposição Democrática” e “Comunista”, durante as últimas campanhas de soberania travadas entre

1961 e 74, em África...

Em 10 de Dezembro de 1970, a Comissão de Reorganização da Frente Patriótica de Libertação Nacional

(também conhecida por “Bando de Argel”), a que aquela rádio pertencia, tinha feito um comunicado

soez, intitulado “Provas Irrefutáveis da agressão do colonialismo português à República Democrática da

Guiné.

– com aquele termo apenso, presumo para se diferenciar da Guiné Portuguesa mais tarde

Guiné – Bissau. Como o tempo voa!

Eram cerca da 01:40 da madrugada de um domingo (22/11/70), quando as primeiras tropas

do Exército e da Marinha (cerca de 300 homens) (a Força Aérea estava de alerta para

apoiar/retaliar, se necessário e atacar 19 objectivos no dia seguinte), a maioria constituída por

militares do recrutamento da então Província, desembarcaram na capital da ex- colónia

francesa, cujo território e governo eram a principal base de apoio do PAIGC – Partido para a

Independência da Guiné e Cabo Verde – organização política que combatia a presença política

de Portugal em África e pretendia negar a condição de portugueses, aos habitantes dos dois

territórios.

Esta operação militar, que foi a mais audaciosa em todo o conflito que enfrentámos em três

teatros de operações distintos e, eventualmente, desde que Afonso Henriques individualizou o

Condado, tinha um objectivo principal e vários secundários.

O objectivo primeiro era o de eliminar o Presidente Sekou Touré, o sanguinário ditador

comunista que dominava com mão de ferro, a população do território, e substituí-lo e aos seus

sequazes no Poder, por elementos da oposição, a FNLG, conhecida por “FRONT”. Para tal

treinámos e equipámos cerca de 200 elementos dessa organização na ilha de Soga, no

Arquipélago dos Bijagós, transportando-os para Conakri na data da operação, a fim de

cumprirem as suas tarefas.

Para o bom sucesso do golpe entendeu-se necessário destruir os aviões Mig 17, da Força

Aérea da Guiné - Conakry, que se pensava estarem estacionadas no aeroporto da cidade e a

ocupação da estação rádio local (bem como a destruição da central eléctrica, o que sucedeu).

Atacaram-se também com sucesso duas ou três unidades do Exército e da “Gendarmerie”.

Atacou-se ainda o Quartel- General do PAIGC que foi destruído, e mortos alguns elementos.

Amílcar Cabral, que também era visado, estava ausente da cidade, informação que se

desconhecia.

Cumulativamente pretendia-se destruir as sete lanchas rápidas da classe “Komar”,

fornecidas pela URSS, e que constituíam uma forte ameaça para as nossas forças e, ainda,

libertar os 26 militares portugueses que estavam prisioneiros do PAIGC, entre os quais se

encontrava o sargento António Lobato, que espiava tal pena (apesar de ter tentado fugir duas

vezes) há sete anos e meio. E que ainda não fora libertado – apesar de para tal ter sido

“subornado”- por se ter mantido fiel ao Juramento de Bandeira, que todos os militares

portugueses naturalmente faziam.

O principal objectivo da operação, que foi preparada no maior sigilo, durante meses, falhou,

pois o grupo de combate do 2o tenente Benjamim Abreu, destruiu a residência de Sekou Touré

e tudo o que mexia, mas este não se encontrava lá, adiando-se assim a justiça divina.

O mesmo já não aconteceu a umas poucas centenas de elementos da sua Guarda pessoal

que foram despachados directamente para o inferno.

O que correu pior foi a deserção de um pelotão de comandos africanos por acção, do

tenente Januário (que tinha um irmão no PAIGC e não concordara com a acção; um assunto

ainda não completamente esclarecido). Este grupo ficou em Conakri e acabou fuzilado

sumariamente.

O comandante do Grupo de combate, em que estava incluído o tenente Januário, capitão

paraquedista Lopes Morais, prosseguiu com os efectivos que lhe restavam, para o aeroporto

só para constatar que os “MIGs” não estavam lá, tendo sido removidos uns dias antes para

uma base a norte; seguiu para o local da recolha e reembarcou.

O terceiro objectivo que não foi alcançado e tal também comprometeu a jornada, foi a

tomada da rádio. O comandante do pelotão para lá destacado, tenente Jamanca, homem que

já tinha mostrado o seu valor em combate, não conseguiu por razões várias cumprir a missão

que lhe tinha sido confiada e a rádio continuou a emitir.

O destacamento encarregue de destruir as lanchas rápidas, comandado pelo 2o tenente

Rebordão de Brito, cumpriu o seu objectivo: todas as lanchas foram destruídas com uma

quantidade generosa de granadas e cerca de 15 a 20 elementos das guarnições presentes

foram abatidos.

Finalmente a prisão onde se encontravam os prisioneiros portugueses foi assaltada e

tomada, libertos todos os militares que lá estavam e postos rapidamente a salvo.

Com o nascer do sol a força portuguesa, que era transportada em duas lanchas de

desembarque grande (LDG) e quatro lanchas de fiscalização grande (LFG), levantou ferro, rumo

a Bissau. A celeridade com que o fez teve a ver, principalmente, com a possível ameaça aérea

que os MIG podiam representar.

Os elementos do “FRONT” ficaram em terra, mas não conseguiram os apoios com que

contavam e acabaram presos e mortos.

Se tal não tivesse acontecido a guerra na Guiné tinha grandes hipóteses de acelerar a

vitória portuguesa, pois tal iria limitar grandemente a capacidade do PAIGC em prosseguir a

luta, até porque o Senegal de Senghor nunca foi verdadeiramente inimigo dos portugueses.

Tinha era que ceder nas aparências e fazer em parte o jogo da OUA e da gritaria do bloco afro-

asiático (comunista) da ONU, contra Portugal.

A não concretização do principal objectivo fez o Governo de Lisboa sofrer vários ataques

políticos e diplomáticos, nada a que já não estivesse habituado, mas fez a URSS ganhar uma

base naval em Conakry, o que seguramente não foi do agrado da NATO.

A principal razão da falta de êxito nalguns dos objectivos prende-se com deficiências nos

serviços de informações, um calcanhar de Aquiles recorrente na nossa organização militar. De

facto os meios e organização/articulação, dos meios militares e da PIDE/DGS, eram muito

limitados.

Calcula-se que tenham sido causados cerca de 500 mortos nas forças de Sekou Touré,

havendo a lamentar dois mortos, dois feridos graves e dois ligeiros, nas forças nacionais, além

da perda dos homens que acompanharam o tenente Januário, um revês duro de digerir.

Mas só pela libertação dos 28 compatriotas prisioneiros, a “Mar Verde” (assim se chamou a

operação), preparada e comandada pelo então Capitão Tenente Alpoim Calvão – um militar

português da fibra de um Duarte Pacheco Pereira – já valeu a pena e se justificou. Sobretudo

pela recuperação do Sargento Piloto Lobato, um verdadeiro herói nacional, ainda hoje não

devidamente reconhecido como tal. O que é lamentável.

Algumas mentes envilecidas, defendem que a operação deve ser considerada, á luz do

Direito Internacional, como ilegal. Estão enganados (porque lhes interessa...): a operação foi

clandestina mas não ilegal, pois representa um acto de legítima defesa, perante um governo

que apoiava deliberadamente, quem nos atacava as tropas; violava a fronteira e maltratava as

populações que viviam debaixo da bandeira portuguesa, há já vários séculos.

Caramba, como gostaria de ter participado nesta operação!

Glória aos militares portugueses que, em todos os tempos souberam cumprir a sua missão

de combatentes de armas na mão!

Abaixo os poltrões.


João José Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador (Ref.)

M598 - Uma declaração de guerra ao povo português (AINDA POR CIMA CÁ DENTRO DAS NOSSAS FRONTEIRAS)

Uma declaração de guerra ao povo português

(AINDA POR CIMA CÁ DENTRO DAS NOSSAS FRONTEIRAS)

ENQUANTO O ZÉ PACÓVIO ANDA ENTRETIDO PELAS TVs E DEMAIS MéRDIOS DE desCOMUNICAÇÃO inSOCIAL, COM OS FUTEBOIS, NOVELAS E PIMBALHADAS RASCAS E PAROLÓIDES, ALGUNS ENERGÚMENOS RETARDADOS E LERDINHOS, APROVEITAM-SE PARA IR DESTRUINDO AQUILO QUE UM DIA SE CHAMOU PORTUGAL.


M597 - GUERRA DO ULTRAMAR... Por Vitor Santos (Coronel Reformado)

LEIAM ATÉ AO FIM, VALE A PENA...

GUERRA DO ULTRAMAR... 



Em todo o mundo civilizado, e não só, em Países Ricos, cidadãos protagonistas dos grandes conflitos e catástrofes com eles relacionados, vencedores ou vencidos, receberam e recebem por parte dos seus Governos, tratamentos diferenciados do comum dos cidadãos, sobretudo nos capítulos sociais da assistência na doença, na educação, na velhice, e na morte, como preito de homenagem da Nação àqueles que lutaram pela Pátria, com exposição da própria vida.

UMA VERGONHA
1. Especialistas ingleses e norte-americanos estudaram comparativamente o esforço das Nações envolvidas em vários conflitos em simultâneo, principalmente no que respeita à gestão desses mesmos conflitos, nos campos da logística geral, do pessoal, das economias que os suportam e dos resultados obtidos.
Um deles, o americano John P.Cann, aquele que mais escreveu sobre o esforço de guerra português num estudo financiado pelo Kings College de Londres, chegou a várias conclusões.
Assim chegou à conclusão que em todo o Mundo só havia 2 Países que mantiveram 3 Teatros de Operações em simultâneo; a poderosa Grã-Bretanha, com frentes na Malásia (a 9.300 Kms de 1948 a 1960); no Quénia (a 5.700 Kms de 1952 a 1956); e em Chipre (a 3.000 Kms de 1954 a 1959), e o pequenino Portugal. Com frentes na Guiné(a 3.400 Kms), Angola (a 7.300 Kms) e Moçambique (a 10.300 Kms) de 1961 a 1974 (13 anos seguidos).
Estes especialistas chegaram à conclusão que Portugal, dadas as premissas económicas, as dificuldades logísticas para abastecer as 3 frentes, bem como a sua distância, a vastidão dos territórios em causa, e a enormidade das suas fronteiras, foi aquele que melhores resultados obteve.
Consideraram por ultimo, que as performances obtidas por Portugal, se devem sobretudo à capacidade de adaptação e sofrimento dos seus recursos humanos, e à sobrecarga que foi possível exigir a um grupo reduzido de quadros dos 3 Ramos das Forças Armadas, comissão atrás de comissão, com intervalos exíguos de recuperação física e psicológica. Isto são observadores internacionais a afirmá-lo, nomeadamente John P. Cann no seu livro "Contra Insurreição em África"-1961/74. O modo português de fazer a Guerra".
Conheci em Lisboa oficiais americanos com duas comissões no Vietnam. Só que ambas com 3 meses em cada comissão, intervaladas de um descanso de outros 3 meses no Hawai.
Todos os que serviram a Pátria e principalmente as gerações de Oficiais, Sargentos e Praças dos 3 Ramos das Forças Armadas.
Que serviram durante 13 anos na Guerra do Ultramar, nos 3 Teatros de Operações, só pelo facto de aguentarem este esforço sobre-humano que se reflete necessariamente em debilidades de saúde precoces, mazelas para toda a vida, invalidez total ou parcial, e morte, tudo ao serviço da Pátria, merecem o reconhecimento da Nação, que jamais lhes foi dado.
2. Em todo o mundo civilizado, e não só, em Países Ricos, cidadãos protagonistas dos grandes conflitos e catástrofes com eles relacionados, vencedores ou vencidos, receberam e recebem por parte dos seus Governos, tratamentos diferenciados do comum dos cidadãos, sobretudo nos capítulos sociais da assistência na doença, na educação, na velhice, e na morte, como preito de homenagem da Nação àqueles que lutaram pela Pátria, com exposição da própria vida.
Todos os que vestiram a farda da Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha, Itália e Japão e sua descendência, têm tratamento diferenciado do comum dos cidadãos. Idem para a Polónia e Europa de Leste, bem como para os Brasileiros que constituíram o Corpo Expedicionário destacado na Europa durante a II Guerra Mundial.
Idem para os Malaios, Australianos, Filipinos, Neo-Zelandes e soldados profissionais indianos.
Nos EUA a sua poderosíssima "Veterans War" não depende de nenhum Secretário de Estado, ou Ministro, nem do Congresso, depende directamente do Presidente dos EUA, com quem despacha quinzenalmente.
Esta prerrogativa referendada por toda uma Nação, permite que todos aqueles que deram a vida pela Pátria repousem em cemitérios espalhados por todo o Mundo, duma grandiosidade, beleza e arranjos impares, ou todos aqueles que a serviram, e sua descendência, tenham assistência médica e medicamentosa para eles e família, condições especiais de acesso às Universidades e ao emprego, bolsas de estudo, e outros benefícios sociais durante toda a vida.
Esta excepção que o povo americano concedeu a este a este tipo de cidadãos é motivo de orgulho de todos os americanos. 
O tratamento privilegiado que todo o Mundo concedeu aos cidadãos que serviram a Pátria em combates onde a mesma esteve representada, é sufragado por leis normalmente votadas por unanimidade.
Também os civis que ficaram sujeitos aos bombardeamentos, quer em Inglaterra, quer em Dresden, quer em Hiroshima e Nagasaki, têm tratamento diferenciado.
Conheço de perto o Irão. Até o Irão dá tratamento autónomo e especifico aos cidadãos que combateram na recente Guerra Irão-Iraque, onde morreram 1 milhão de Iranianos. Deste caso concreto resultou um gigantesco cemitério nos arredores de Teerão com tantas campas e jazigos, que até tem um bazar.
Até Países de Africa terceiro mundista e subdesenvolvida, como o Quénia, atribuiu aos ex-maus-maus, esquemas de proteccão social diferentes dos outros cidadãos.
Em todo o Mundo menos em Portugal.
No meu Pais, os Talhões de Combatentes dos vários cemitérios, estão abandonados, as centenas de cemitérios espalhados pela Guiné, Angola, Moçambique, Índia e Timor, abandonados estão, quando não, profanados. É simplesmente confrangedor ver o estado de degradação onde se chegou. Parece que o único que está apresentável e cuidado é o monumento do Bom Sucesso -Torre de Belem, possivelmente porque está à vista e porque é limpo uma vez por ano para a cerimónia publica que lá se realiza. O cemitério de Richbourg na Flandres vimos agora na tv, nos 100 anos de LaLys limpo e apresentável Pergunta-se porem quem trata dele quem faz e paga a sua manutenção.? Até grande parte dos monumentos municipais aos Mortos da Guerra do Ultramar vão ficando abandonados.
O grande líder politico da Grã-Bretanha durante a Guerra, Wiston Churchil, disse "O carácter de uma Nação vê-se pela forma como trata os seus combatentes". Algum outro grande líder politico-militar, afirmou também que "Os homens só morrem quando a Pátria se esquece deles".
Valha-nos a constituição da direcção da Liga dos Combatentes, que possivelmente porque ainda foram contemporâneos do camarada soldado ou sargento morto na Guerra do Ultramar, tudo tem feito para recuperar alguns levantamentos de cemitérios em Africa, e procedido a algumas transladações de ossadas para Portugal. Mas tudo comparticipado pelas famílias ou por elas totalmente pagas. A Direcção da Liga tem que mendigar junto das famílias as verbas necessárias para fazer uma trasladação. É miserável não haver no Orçamento de Estado as verbas necessárias para o efeito. Já que existe esta disponibilidade dos militares, porque não é o Estado a pagar?
No meu Pais, a pouco e pouco foi-se retirando a dignidade devida aos que combateram pela Pátria, abandonando os seus mortos, e retirando as poucas "migalhas" que ainda tinham diferentes do comum dos cidadãos, a assistência médica e medicamentosa, para ele e conjugue, alinhando-os "devidamente" por baixo.
ATÉ NISTO CONSEGUIMOS SER DIFERENTES DE TODOS OS OUTROS
No meu Pais, os políticos confundem dum modo ignorante ou acintoso, militares com policias, GNR, ou outros funcionários públicos (sem desprimor para estas profissões, bem entendido).
Por ignorância ou leviandade os políticos permanentemente esquecem que o Estatuto dos militares não lhes permite, nem o direito de manifestação, nem de associação sindical, além de ser o único que obriga o cidadão a dar a vida pela Pátria.
Até na 1ª Republica, onde grassava a indisciplina generalizada, a falta de autoridade, o parlamentarismo balofo, as permanentes dificuldades financeiras e as constantes crises económicas, não foram esquecidos todos aqueles que foram mandados combater pela Pátria na 1ª Guerra Mundial (1914-18), decisão politica muito difícil, mas patriótica, pois tinha a ver com a defesa estratégica das possessões ultramarinas.
Foram escassos 18 meses o tempo que durou a Guerra para os portugueses, mas todos aqueles que foram mobilizados, e honraram Portugal, tiveram medidas de apoio social suplementares diferentes de todos os outros cidadãos portugueses, além duma recepção impar por todo o Governo da Nação em ambiente de Grande Festividade Nacional.
Naquela altura os políticos portugueses dignificaram a sua função e daqueles que combateram pela Pátria.
Foram criados Talhões de Combatentes em vários cemitérios públicos, à custa e manutenção do Estado, foram construídos monumentos grandiosos em memória dos que deram a vida pela Pátria, foi concebido um Panteão Nacional para o Soldado Desconhecido na Sala do Capitulo do Mosteiro da Batalha com Guarda de Honra permanente, 24 sobre 24 horas, foram criadas pensões especiais para os mutilados, doentes e gaseados, foram criadas condições especiais de assistência médica e medicamentosa para os militares e famílias nos Hospitais Militares, numa altura em que ainda não havia assistência social generalizada como há hoje, foi criado um Lar especifico para acolher a terceira idade destes militares em Runa (é importante relembrar que em 1918 se decidiu receber e tratar os jovens, com 20 anos em 1918, quando estes tivessem mais de 65 anos de idade), e por último foi criada a Liga dos Combatentes que de certo corporizava todo este apoio especial aos combatentes, diferente de todos os outros cidadãos, e era o seu porta-voz junto das instâncias governamentais (uma espécie de Veterans War à portuguesa).
Foi toda uma Nação, com os políticos à frente, que deu tudo o que tinha àqueles que combateram pela Pátria, apesar da situação económica desesperada e de quase bancarrota.
Na altura seguimos naturalmente o exemplo das demais nações.
Agora somos os únicos que não seguem os exemplos generalizados do tratamento diferenciado aos que serviram a Pátria em combate.
É SIMPLESMENTE UMA VERGONHA.
Haveria muito mais para dizer para chamar a atenção deste Ministro da Defesa, e deste Primeiro-Ministro, ambos possivelmente com carências de referências desta índole nos meios onde se costumam movimentar, sobretudo no que respeita à comparação dos vencimentos, regalias e mordomias dos que expuseram ou deram a vida pela Pátria e aqueles, que antes pelo contrário, sempre fugiram a essa obrigação.


Vitor Santos
Coronel Reformado
Com 4 filhos
5 Comissões de Serviço no Ultramar
10 anos de trópicos
Quase 79 anos de idade
Deficiente das Forças Armadas por doença adquirida e agravada em Campanha.
Sem acumulação de cargos
Sem Seguro de Saúde pago pelo Estado
Sem direito a Subsidio de Reinserção
Sem cartão de credito dourado sem limite de despesas
Sem filhos empregados no Estado ou Autarquias por conhecimentos pessoais
Sem direito a reformas precoces de deputado ou autarca.
Sem Pensões de Reforma acima do ordenado do PR.
Sem subsídios de deslocamento em duplicado
Sem, pelo facto de ser deputado, ter toda a família empregada no Estado ou Autarquia
Com filhos desempregados