segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

M393 - Companhias de CAÇADORES ESPECIAIS (pelo Sr. Coronel Rio de Carvalho)


Breve história das Companhias de CAÇADORES ESPECIAIS
(pelo Sr. Coronel Rio de Carvalho)





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

M392 - FELIZ NATAL para todos


Com a devida vénia  e agradecimento , aproveito este belo e bem conseguido postal ,que me foi enviado pelo  RANGER TCor. Inf.ª Valdemar Correia Lima , 2º Cmdt do CTOE, para desejar a todos os leitores deste  nosso blogue os mesmos votos nele expressos ...

domingo, 18 de dezembro de 2011

M391 - RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972. Foi Furriel Miliciano na 2ª CCAÇ do BCAÇ 4210 - Parte 4


RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972


Nas mensagens M382, M385 e M386, pode ver-se a sua apresentação neste blogue e várias das suas fotos, recolhidas em 1973 e 1974, durante a sua comissão militar no período em que decorreu a Guerra do Ultramar (1962 a 1975).


Nesta mensagem apresentam-se mais algumas fotos do álbum de memórias do RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972, desta feita da vila e do quartel que lhe tocou na sorte - Teixeira de Sousa, Angola -, na 2ª Companhia de Caçadores do Batalhão da Caçadores 4210. 


Memórias de uma terra que marcava quem por lá passava e que deixou saudades.


Ainda hoje, sobre todos os portugueses, África impõe-se pelas suas belezas naturais e pelo seu modo místico de vida... ainda por cima atractiva e estranha, e irritantemente... indescritível.  


VILA TEIXEIRA DE SOUSA – ASPECTOS DA VILA E DO QUARTEL EM 1973


Aspecto aéreo da pequena, airosa e acolhedora vila
 Outro ângulo aéreo da pequena, airosa e acolhedora vila
 Vista aérea do quartel
 Parada do quartel 

Fotografias: © Cândido Teixeira (2011). Direitos reservados.

M390 - Uma vergonha



A todos a quem envio, lembro que esta mensagem me foi endereçada por um Camarada que prestou serviço na Guiné. Perguntei-lhe se estava publicada em algum orgão de imprensa, desconhece, foi-lhe enviada de forma castrense.

Não conheço o autor mas, pelo seu conteúdo e interesse aqui se publica, esperando que alguem o conheça e se possa aprofundar melhor tudo aquilo que refere, sabemos que assim é e, quando isto se passa a nível de oficiais superiores, como não será com todos os outros?

Este é um grito de revolta e merece, em meu entender, divulgação, pelo menos entre nós Combatentes da Guerra do Ultramar, claro que espaços públicos carece de mais aprofundamento sobre quem é o seu autor, daí a esperança que alguém possa identificá-lo ou chegar ao seu contacto.


UMA VERGONHA


1. Especialistas ingleses e norte-americanos estudaram comparativamente o esforço das Nações envolvidas em vários conflitos em simultâneo, principalmente no que respeita à gestão desses mesmos conflitos, nos campos da logística geral, do pessoal, das economias que os suportam e dos resultados obtidos.


Assim, chegaram à conclusão que em todo a Mundo só havia 2 Países que mantiveram 3 Teatros de Operações em simultâneo: a poderosa Grã-Bretanha, com frentes na Malásia (a 9.300 km, de 1948 a 1960), no Quénia (a 5.700 km, de 1952 a 1956) e em Chipre (a 3.000 km, de 1954 a 1959) e o pequenino Portugal, com frentes na Guiné (a 3.400 km), Angola (a 7.300 km ) e Moçambique (a 10.300 km, de 1961 a 1974) 13 anos seguidos. Estes especialistas chegaram à conclusão que Portugal, dadas as premissas económicas, as dificuldades logísticas para abastecer as 3 frentes, bem como a sua distância, a vastidão dos territórios em causa e a enormidade das suas fronteiras, foi aquele que melhores resultados obteve.


Consideraram por último, que as performances obtidas por Portugal, se devem sobretudo á capacidade de adaptação e sofrimento dos seus recursos humanos e à sobrecarga exigida a um grupo reduzido de quadros dos 3 Ramos das Forças Armadas, comissão atrás de comissão, com intervalos exíguos de recuperação física e psicológica. Isto são observadores internacionais a afirmá-lo.


Conheci em Lisboa oficiais americanos com duas comissões no Vietname. Só que ambos com 3 meses em cada comissão, intervalados por períodos de descanso de outros 3 meses no Havai.

Todos os que vestiram a farda da Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha, Itália e Japão têm tratamento diferenciado; idem para a Polónia e Europa de Leste, bem como para os Brasileiros que constituíram o Corpo Expedicionário destacado na Europa.

Idem para os Malaios, Australianos, Filipinos, Neo-zelandeses e soldados profissionais indianos.

Nos EUA a sua poderosíssima "Veterans War " não depende de nenhum Secretário de Estado, nem do Congresso, depende directamente do Presidente dos EUA, com quem despacha quinzenalmente. Esta prerrogativa referendada por toda uma Nação, permite que todos aqueles que deram a vida pela Pátria repousem em cemitérios espalhados por todo o Mundo, duma grandiosidade, beleza e arranjo ímpares, ou todos aqueles que a serviram, tenham assistência médica e medicamentosa para eles e família, condições especiais de acesso às Universidades, bolsas de estudo, e outros benefícios sociais durante toda a vida.

Esta excepção que o povo americano concedeu a este tipo de cidadãos é motivo de orgulho de todos os americanos.

O tratamento privilegiado que todo o Mundo concedeu aos cidadãos que serviram a Pátria em combates onde a mesma esteve representada, é sufragado por leis normalmente votadas por unanimidade.

Também os civis que ficaram sujeitos aos bombardeamentos, quer em Inglaterra, quer em Dresden, quer em Hiroshima e Nagasaki, têm tratamento diferenciado.

Conheço de perto o Irão. Até o Irão dá tratamento autónomo e especifico aos cidadãos que combateram na recente Guerra Irão-Iraque, onde morreram 1 milhão de iranianos.

Até Países da África terceiro-mundista e subdesenvolvida, como o Quénia, atribuiu aos ex-maus-maus, esquemas de protecção social diferentes dos outros cidadãos.

Em todo o Mundo, menos em Portugal.

No meu País, os Talhões de Combatentes dos vários cemitérios, estão abandonados, as centenas de cemitérios espalhados pela Guiné, Angola, Moçambique, Índia e Timor, abandonados estão, quando não, profanados. É simplesmente confrangedor ver o estado de degradação onde se chegou. Parece que a única coisa que está apresentável é o monumento do Bom Sucesso - Torre de Belém, possivelmente porque está à vista e porque é limpo uma vez por ano para a cerimónia publica que lá se realiza. Até grande parte dos monumentos municipais aos Mortos da Guerra do Ultramar vão ficando abandonados.

No meu País, a pouco e pouco, foi-se retirando a dignidade devida aos que combateram pela Pátria, abandonando os seus mortos, e retirando as poucas “migalhas” que ainda tinham diferentes do comum dos cidadãos, a assistência médica e medicamentosa, para ele e cônjuge, alinhando-os “devidamente” por baixo.

ATÉ NISTO CONSEGUIMOS SER DIFERENTES DE TODOS OS OUTROS.

No meu País, os políticos confundem dum modo ignorante ou acintoso, militares com polícias e funcionários públicos (sem desprimor para as profissões de polícias e funcionários públicos, bem entendido).

Por ignorância ou leviandade os políticos permanentemente esquecem que o estatuto dos militares não lhes permite, nem o direito de manifestação, nem de associação sindical, além de ser o único que obriga o cidadão a dar a vida pela Pátria.

Até na 1a República, onde grassava a indisciplina generalizada, a falta de autoridade, o parlamentarismo balofo, as permanentes dificuldades financeiras e as constantes crises económicas, não foram esquecidos todos aqueles que foram mandados combater pela Pátria na 1a Guerra Mundial (1914-18), decisão política muito difícil, mas patriótica, pois tinha a ver com a defesa estratégica das possessões ultramarinas.

Foram escassos 18 meses o tempo que durou a Guerra para os portugueses, mas todos aqueles que foram mobilizados e honraram Portugal, tiveram medidas de apoio social suplementares diferentes de todos os outros cidadãos portugueses, além duma recepção ímpar por todo o Governo da Nação em ambiente de Grande Festividade Nacional.

Naquela altura os políticos portugueses dignificaram a sua função e daqueles que combateram pela Pária.

Foram criados Talhões de Combatentes em vários cemitérios públicos, à custa e manutenção do Estado, foram construídos monumentos grandiosos em memória dos que deram a vida pela Pátria, foi concebido um Panteão Nacional para o Soldado Desconhecido na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha, com Guarda de Honra permanente, 24 sobre 24 horas, foram criadas pensões especiais para os mutilados, doentes e gaseados, foram criadas condições especiais de assistência médica e medicamentosa para os militares e famílias, nos Hospitais Militares, numa altura em que ainda não havia assistência social generalizada como há hoje, foi criado um Lar especifico para acolher a terceira idade destes militares em Runa (é importante relembrar que, em 1918, se decidiu receber e tratar os jovens com 20 anos em 1918, quando estes tivessem mais de 65 anos de idade) e, por último foi criada a Liga dos Combatentes que, de certo modo, corporizava todo este apoio especial aos combatentes, diferente de todos os outros cidadãos, e era o seu porta-voz junto das instâncias governamentais. (Uma espécie de “Veteran’s War” à portuguesa).

Foi toda uma Nação, com os políticos à frente, que deu tudo o que tinha àqueles que combateram pela Pátria, apesar da situação económica desesperada e de quase bancarrota.

Na altura seguimos naturalmente o exemplo das demais nações.

Agora somos os cínicos que não seguem os exemplos generalizados do tratamento diferenciado aos que serviram a Pátria em combate.

É SIMPLESMENTE UMA VERGONHA!

Haveria muito mais para dizer para chamar a atenção deste Ministro da Defesa e deste Primeiro-Ministro, ambos possivelmente com carências de referências desta índole nos meios onde se costumam movimentar, sobretudo no que respeita à comparação dos vencimentos, regalias e mordomias dos que expuseram ou deram a vida pela Pátria e aqueles, que antes pelo contrário, sempre fugiram a essa obrigação.

VETERANO

Sem acumulação de cargos
Sem Seguro de Saúde pago pelo Estado ou EP
Sem direito a Subsidio de Reinserção

Sem cartão de crédito dourado sem limite de despesas a expensas do Estado
Sem filhos empregados no Estado por conhecimentos pessoais

Sem o direito a reformas precoces de deputado ou autarca

Sem reformas precoces e escandalosas estilo Banco de Portugal ou CGD

Sem contratos que preveem indemnizações chorudas

Sem direito a ficar, de borla, com os carros que o Estado pagou em Leasing

Sem fazer contratos chorudos de avenças como os que se fazem com Gabinetes de Advogados e Economistas

Sem Pensão de Reforma acima do ordenado do Presidente da República

Com Filhos desempregados

Por: Vítor Santos, coronel reformado, quatro comissões de serviço no Ultramar, dez anos de trópicos, deficiente das Forças Armadas por doença adquirida e agravada em campanha, quase 70 anos de idade. 


É, sem sombra de dúvida, um verdadeiro Manifesto Anti-Situacionista.



Todos os que serviram a Pátria e principalmente as gerações de Oficiais, Sargentos e Praças dos 3 Ramos das Forças Armadas que serviram durante 13 anos na Guerra do Ultramar, nos 3 Teatros de Operações, só pelo facto de aguentarem este esforço sobre-humano que se reflectiu necessariamente em debilidades de saúde precoces, mazelas para toda a vida, invalidez total ou parcial, e morte, tudo ao serviço da Pátria, merecem o reconhecimento da Nação, que jamais lhes foi dado.


2. Em todo o Mundo civilizado, e não só, em Países ricos, cidadãos protagonistas dos grandes conflitos e catástrofes com eles relacionados, vencedores ou vencidos, receberam e recebem por parte dos seus Governos, tratamentos diferenciados do comum dos cidadãos, sobretudo nos capítulos sociais da assistência na doença, na educação, na velhice e na morte, como preito de homenagem da Nação àqueles que lutaram pela Pátria, com exposição da própria vida.

domingo, 11 de dezembro de 2011

M389 - A 1ª Companhia de RANGERS portuguesa festejou o seu 36º Aniversário


10 DE Dezembro de 2011


A 1ª Companhia de RANGERS portuguesa festejou o 35º Aniversário da sua composição


Com a devida vénia e agradecimentos reproduzimos 4 páginas do livro lançado pelo CIOE/CTOE - Centro de Tropas de Operações Especiais – nos festejos dos 50 anos da sua histórica e lendária existência (ver a mensagem M384), onde se encontra superiormente narrada a história desta célebre companhia.

Formada nos primeiros meses de 1975, esta unidade foi a que primeira vez incluiu praças (soldados) nas suas fileiras.

 A mesa pronta para estraçalhar um excelente cozido à portuguesa, bem regado com um bom vinho tinto, e não só
 O RANGER Sampaio no uso da palavra

O Sr. Gen. Pires Veloso, um jovem com apenas 85 anos, depois de um dia muito preenchido - segundo as suas palavras -, ainda arranjou forças, e de que maneira, para se dirigir às tropas em parada 




Este ano o pessoal desta célebre e respeitada unidade celebrou, nas belíssimas e agradáveis instalações da filial do Porto da Associação de Comandos – Castelo do Queijo -, o 35º aniversário da sua composição.
   

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

M388 - JAIME NEVES - Mais um Herói de Portugal


HERÓIS DE PORTUGAL

Com a devida vénia e agradecimentos, reproduzimos um artigo da autoria do Prof. Doutor Rui de Azevedo Teixeira, publicado na última revista TABU (do semanário O SOL),  sobre o Sr. Brigadeiro COMANDO Jaime Neves. 


Ostracizados e desprezados por uma politicalhada pós-abrilada constituída na sua quase totalidade por TRAIDORES e DESERTORES, desprovido de todo e qualquer  valor patriótico...

Combateram por PORTUGAL.

Deram o seu melhor, como podiam e sabiam, muitas vezes até ao limite das suas forças... 

Algumas vezes com a própria vida.

A paga e as compensações estão à vista desde o 25 de Abril de 1974... ZERO! NADA!

É tempo de vos apresentar mais um HERÓI de Portugal... 







Há muitos mais Heróis portugueses, votados ao esquecimento, que espero divulgar brevemente.
VIVA PORTUGAL!

domingo, 4 de dezembro de 2011

M387 - AOE - ALMOÇO DE NATAL - FÁTIMA - 10 DE DEZEMBRO DE 2011



 AOE 



ALMOÇO DE NATAL 

PROGRAMA 
10h30 – Início da concentração 
12hOO – Início da cerimónia 
12h30 – Missa c/ a leitura da PRECE RANGER
13h30 – Almoço 
LOCAL: Restaurante SABORES DO MUSEU (a 300 mts do Santuário de Fátima)


Preço por pessoa: 15 EUROS
INSCRIÇÕES : infosite@aoe.pt ou mailto:aoe_guimar%C3%A3es@hotmail.com.
Telemóvel: 933 258 665
MAIS INFORMAÇÕES NO SITE: http://www.ranger.pt/ ou http://www.aoe.pt/




FÁTIMA 

10 DE DEZEMBRO DE 2011 

sábado, 3 de dezembro de 2011

M386 - RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972. Foi Furriel Miliciano na 2ª CCAÇ do BCAÇ 4210 - Parte 3


RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972




OCUPAÇÕES EM TEMPOS DE GUERRA

Escrever à namorada, família e amigos 

Escrever o diário e alguma poesia
 Exercício físico e muito "yoga"

A indispensável e recomendável leitura


 O não fazer nada.. descansar... correspondia a estar bem preparado para o que der e vier
 A caça

A caça... era a garantia de carne fresca
À falta da apetitosa carne de pacassa, a fauna era generosa e rica em vários espécimes comestíveis 
 O resto de uma excelente petiscada

O melhor de todas as guerras, tal como em Angola, era uma aeronave para regressar a casa 


Fotografias: © Cândido Teixeira (2011). Direitos reservados.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

M385 - RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972. Foi Furriel Miliciano na 2ª CCAÇ do BCAÇ 4210 - Parte 2


RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972


Apresentam-se hoje mais algumas fotos do álbum de memórias do RANGER Cândido Teixeira do 3º Curso de 1972, que cumpriu a sua comissão militar em Teixeira de Sousa - Angola -, na 2ª Companhia de Caçadores do Batalhão da Caçadores 4210.


Na mensagem M382, pode ver-se a sua apresentação neste blogue e várias das suas fotos. 


Recorda-se que a Guerra do Ultramar decorreu entre 1962 a 1975.

Aspectos do meu quartel e dos meus inesquecíveis Amigos


RANGER que se preze usa sempre a sua t'shirt, seja no nosso torrão ou nos confins de África

 Parte do agradável e confortável ressort em que nos asilaram quase dois anos
 Um excelente T1, última geração na altura, que servia de bar
 À volta do quartel muito terreno desmatado, para permitir visionar e vigiar qualquer aproximação do inimigo
Hum... pelo barulho aqui à coisa... e aproxima-se pelo ar!
 Duas mulheres angolanas vestidas, a seus usos e costumes, em dia de festa 
Nem tudo era guerra. 
 A população sempre que podia juntava-se a nós, intercambiando conhecimentos e experiências de vida, trocando e vendendo o que era possível comerciar, em momentos de descontracção e alegria mútua
 Natal de 1973 - Momentos de convívio com bolo-rei, algum vinho e muitas bazucas (cervejas)
Natal de 1973 - Sem falsas modéstias, nestes dias de festa, bebíamos para esquecer que estávamos longe das famílias e perto da morte
 Brancos e negros faziam amizades inesquecíveis
Amizades marcadas pela guerra, mas irmanadas no espírito de confraternização e entreajuda


Fotografias: © Cândido Teixeira (2011). Direitos reservados.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

M384 - Recensão do Livro: CIOE/CTOE, OPERAÇÕES ESPECIAIS, 50 ANOS


CIOE/CTOE, OPERAÇÕES ESPECIAIS, 50 ANOS
Com a devida vénia agradecimento publicamos aqui o extracto do site “OPERACIONAL”, cujo link se apresenta a seguir, uma recensão da autoria de Miguel Machado, ao livro dedicado pela nossa querida Unidade aos 50 anos das Operações Especiais:


As Operações Especiais do Exército Português têm agora a sua história publicada! O livro que hoje apresentamos é na realidade a obra mais completa até hoje vinda a público sobre o Centro de Instrução de Operações Especiais.

Trata-se sem dúvida de um interessantíssimo documento que vem fazer luz sobre aspectos pouco conhecidos dos antecedentes, sucessivas organizações e conceitos de emprego e doutrinários que as “Operações Especiais do de Lamego” adoptaram desde a sua fundação até à actualidade, a este tempo do Centro de Treino de Operações Especiais.

Em 2010 assinalaram-se 50 anos da criação do CIOE e em boa hora, pela pena de Hélder da Silva Serrão, também ele militar de Operações Especiais do Exército, a unidade decidiu publicar este livro.

É uma obra corajosa como são os militares de Lamego!

E isto porque sendo um livro claramente institucional - antes da introdução escrevem mensagens o Chefe do Estado-Maior do Exército e dois comandantes da unidade envolvidos no projecto do livro que tem prefácio de um tenente-general antigo comandante - não foge a muitas aspectos da história que habitualmente, nesta como em outras unidades militares, não raramente são “esquecidos”. Mesmo que não escape aqui e ali a um estilo relativamente apologético - afinal de contas o autor é “da casa” - talvez por força da formação académica de Hélder Serrão em História, os factos relevantes, positivos e menos positivos estão lá claramente expressos. Estamos perante um trabalho sério.

Isto não o isenta de um ou outro lapso que abaixo concretizaremos, indo aliás ao encontro do que o autor refere na introdução sobre a necessidade de aprofundar mais alguns aspectos. Segundo Hélder Ferrão, “
Este livro está divido em três partes, correspondendo, cada uma, a um período específico e relativamente distinto da vida da Unidade. A primeira é composta por sete capítulos que abrangem os antecedentes do CIOE até ao 25 de Abril de 1974. A segunda arte, constituída por dois capítulos, centra-se nas convulsões do pós-25 de Abril, na extinção do CIOE e na criação da Escola de Formação de Sargentos (EFS), em seu lugar. A terceira parte, materializada num único capítulo, foca-se na recriação do CIOE em 1981 e na sua evolução e consolidação até aos dias de hoje.

Nesta nossa leitura da obra vamos naturalmente abordar alguns aspectos que mais nos despertaram a atenção. O livro é muito mais do que isto sendo um livro para se ler muito mais do que para se ver! As imagens do livro, com dimensões reduzidas servem apenas para ilustrar um ou outro aspecto pontual ou importante, não para descortinar detalhes ou criar impacto visual.

Na primeira parte é interessante constatar que, ao contrário do que muitos autores querem fazer crer, o Exército estava de facto a preparar-se para o conflito em África. Antes do seu eclodir não só o CIOE foi criado como as primeiras Companhias de Caçadores Especiais deram os primeiros passos. As vicissitudes na formação destas companhias, com uma formação muito exigente para os padrões então vigentes no Exército, são aqui bem referidas e o autor não foge também a abordar os motivos que levaram à sua extinção.

O papel dos militares formados em Lamego na Guerra do Ultramar e as circunstâncias a que estavam sujeitos uma vez que eram colocados nas unidades de quadrícula e sob o comando destas, para melhorar o seu “nível médio”, é um aspecto interessante que o autor gostaria de desenvolver. Diga-se no entanto que muito já aqui está escrito e com interessantes testemunhos de militares das Operações Especiais que combateram em África.

O autor explica também o grande espaço atribuído no livro à participação do CIOE nos acontecimentos do 16 de Março e do 25 de Abril de 1974, facto que sendo naturalmente uma opção legítima, não parece ter muito a ver com a especificidade da unidade e de algum modo confere a esse período uma importância muito desproporcionada na história da unidade.

Segue-se, já na segunda parte, a formação da Companhia Operacional em Leixões no ano de 1975 - força de reserva de elite da Região Militar do Norte do Exército - e posteriormente de um Batalhão de Operações Especiais sediado no Porto - para o qual pela primeira vez praças receberam formação em “operações especiais”. Esta instrução teve lugar em Lamego na Escola de Formação de Sargentos. A sub-unidade operacional “OE” manteve-se no Regimento de Infantaria do Porto vários anos, sendo essencialmente empenhado no “Verão Quente” em missões de manutenção de ordem pública.

O autor deixa também bem claro, a alteração periódica do conceito de Operações Especiais no Exército Português, consoante a realidade do emprego das forças o determinava.

Detalha e bem a questão dos símbolos, quais eram e quando apareceram ao longo dos na mas não refere, embora se possa intuir, a origem da designação “ranger” que os militares de operações especiais portugueses adoptaram e cultivaram anos e anos seguidos.

É ainda interessante a leitura do período relativo à EFS (1975-1981) e à bem sucedida campanha que alguns oficiais incondicionais do CIOE levaram a cabo, culminando no ressurgir em termos modernos (na altura, claro), da formação em Operações Especiais e mesmo na refundação da Unidade e envio da EFS para outro quartel. Se por um lado o Exército voltava a prepara-se para enfrentar o inimigo convencional e as suas Operações Especiais seriam sem dúvida uma componente importante para o Sistema de Forças Nacional, o caminho percorrido e descrito no livro mostra bem como as decisões foram tomadas.

Aborda, embora de modo sintético, a formação das companhias de comandos em Lamego no CIOE e o período da Escola de Formação de Sargentos. Nestes anos da EFS a situação passou a ser a de se ministrar uma formação do “tipo Operações Especiais”, mas só a praças e oficiais e sargentos milicianos (os actuais RV/RC).

Na terceira parte, a partir de 1982, recomeça formação de pessoal do Quadro Permanente e inicia-se uma verdadeira revolução nas Operações Especiais do Exército em Portugal. Esse será o inicio de um “período de ouro” do CIOE em que a unidade vai ganhar uma enorme projecção a nível do Exército e mesmo no contexto das Forças Armadas, lutando pela exclusividade da actividade “Operações Especiais”. Note-se que à data o Corpo de Tropas Pára-quedistas da Força Aérea dispunha de uma Companhia de Forças Especiais (que se manteve até 1993, até à transferências destas tropas para o Exército) e o Corpo de Fuzileiros da Marinha, um Destacamento de Acções Especiais (que se mantém, hoje).

Toda a instrução é revista e o CIOE passa a ter como encargo operacional uma companhia de operações especiais. Parte dos cursos ministrados em Lamego passam mesmo a ser obrigatórios para todos os oficiais e sargentos do Exército Português e a formação de praças e pessoal de complemento mantêm-se para alimentar o encargo operacional. EM 1985 a GNR passa a formar em Lamego militares destinados ao seu Pelotão de Operações Especiais.

O CIOE vai alargando ao longo dos anos as suas capacidades quer em pessoal quer em instalações e mais cursos vão sendo ministrados. Depois dos Curso de Operações Especiais, surgem os Cursos de Sobrevivência (1983), Montanhismo (1984), Operações Irregulares (1985) Patrulhas de Reconhecimento de Longo Alcance (1985), Operações Psicológicas (1989) e ainda outros. É também em Lamego que se ministra o 1.º Estágio de Sobrevivência para Jornalistas (1995).

Em 1986 há um período de alguma indefinição no Exército sobre o papel das Operações Especiais e a sua articulação com os Comandos e isso reflecte-se na organização do CIOE, o qual passa a ter como encargo um Batalhão de Operações Especiais, o qual incluía subunidades de morteiros pesados e armas anti-carro, apontando claramente para outro tipo de combate que não o “puro” de operações especiais como em Lamego as entendiam. Foram os tempos da criação da Brigada de Forças Especiais. Segundo o autor terá mesmo havido a intenção de esbater a diferenças entre comandos e operações especiais com destino à sua integração nesta grande unidade do Exército.

Em 1990 a situação clarificou-se, muito por força, mais uma vez, de uma bem conjugada acção de oficiais oriundos do CIOE, e a aprovação de um novo Regulamento de Operações Não Convencionais, veio recolocar as Operações Especiais do Exército no caminho pretendido, agora melhor sustentadas neste documento doutrinário do ramo. Diz o autor “…a Unidade viu consubstanciados os princípios, missões e formas de actuação das Forças de Operações Especiais, das Actividades Irregulares e das Operações Não Convencionais… …contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento verificado na década seguinte…”.

Nos anos 90 a unidade entra num período de grande actividade de treino operacional, nomeadamente com forças congéneres de vários países aliados, onde muitos portugueses também recebem formação.

É também neste período, certamente o de maior actividade do CIOE desde o fim da Guerra em África, que começa a participação de destacamentos de Operações Especiais em missões internacionais.

Inicialmente com um envolvimento simbólico, como o realizado na Bósnia numa missão a que não foi possível dar seguimento. Aqui o autor comete um lapso referindo o envolvimento do CIOE na missão da Bósnia em 1996, sendo que a unidade apenas em 1997 (09JAN a 17MAR) enviou 2 equipas para este teatro de operações.

Ao abordar a questão do envio para a Noruega, em 1997, de um DOE também comete outro lapso de detalhe: as luvas goretex e polainas do mesmo material foram distribuídas ao Exército na Bósnia logo em 1996 não tendo por isso ligação com a missão do DOE. Aliás o mesmo se passa em relação aos GPS e outro material todo ele adquirido para esta primeira missão de paz na Europa para o Exército Português.

Em 1997 a operação Leopardo, diz o autor, foi “…a primeira sob exclusiva responsabilidade nacional após a Guerra em África, que teve como objectivo a recolha de cidadãos nacionais do Zaire…“. Pois aqui há novo lapso. Em Outubro de 1992 as Forças Armadas Portuguesas realizaram a operação “resgate” em Angola (Luanda, Catumbela, Namibe, Huambo e Lubango) S. Tomé e Brazzaville, tendo inclusive na sequência desta missão falecido um militar português que tem hoje o seu nome no memorial do Forte do Bom Sucesso, como o primeiro militar mortos nas chamas missões de paz. Aliás esta operação “Leopardo”, como se sabe, acabou por não recolher ninguém uma vez que a situação normalizou.

É desta época a aquisição de diverso tipo de armamentos meios de transmissões de elevada qualidade que passaram a equipar os DOE colocando-os, em alguns itens, a um nível sem paralelo no Exército Português.

Exercícios no estrangeiro e mais do que uma operação em África (Guiné, com apoio em Cabo Verde e Senegal) em 1998 e 1999, mantém o CIOE numa actividade operacional bem intensa, demonstrando as suas possibilidades e o valor dos militares das Operações Especiais do Exército.

Em 1999 ainda iniciam uma missão de longa duração - a primeira - no âmbito da NATO, na KFOR (Kosovo), num ciclo semelhante aos das Forças Nacionais Destacadas (6 meses no TO e depois substituição por Destacamento semelhante). Aqui o autor confundiu o nome do primeiro Agrupamento que ali serviu, foi o Bravo não o Alfa, mas explica bem a interessante missão do DOE naquele teatro de operações.

Seguem-se os exercícios da série Felino da CPLP, cabendo ao CIOE acolher o primeiro e ter um papel de primordial importância no seu desenvolvimento. Coube durante anos ao CIOE a representação Nacional neste único exercício da CPLP e, parece-nos, merecia mais desenvolvimento na obra.

Seguiu-se Timor-Leste em 2000 e nova missão “tipo FND” para as OE de Lamego, aqui com a particularidade de “…um Destacamento de Operações Especiais, não declarado mas embebido na unidade portuguesa…” até 2004, apresentando o autor algumas das operações em que o Destacamento participou.

Segue-se a descrição do envolvimento das OE no âmbito das NATO Response Forces, destaque dado ao exercício “Stead Fast Jaguar” em 2006 e o inicio d envolvimento das equipas sniper no Afeganistão em 20º7 e 2008e depois em 2010.

Explica também com detalhe a participação do CIOE na “Comunidade de Operações Especiais - NATO e EU” e o caminho para uma capacidade conjunta de Operações Especiais em Portugal. Interessante porque é um tema pouco abordado fora do meio militar e culmina numa referência ao mais actual conceito nesta área que está em vigor no Exército Português, (de 2007 que o autor classifica de “…verdadeiramente estruturante, vem definitivamente esclarecer as eventuais dúvidas que pudessem persistir quanto ao emprego doutrinário destas tropas (Operações Especiais, Comandos e Pára-quedistas)…“.

A Cooperação Técnico Militar é abordada de modo muito explicativo sobre o seu funcionamento em geral e refere o actual empenhamento do Centro de Treino de Operações Especiais e faz uma retrospectiva do empenhamento do CIOE neste campo.

Termina esta capítulo cronológico com uma referência à transformação do CIOE em Centro de Treino de Operações Especiais e a sua integração na Brigada de Reacção Rápida em 2006.

O livro, como é praxe nestas obras institucionais tem muitos anexos (ver Índice) alguns dos quais bem interessantes, nomeadamente os dos testemunhos que constituem um excelente complemento informativo aos assuntos já abordados na obra.

Não restem dúvidas, estamos perante um livro que é uma mais-valia muito significativa para a história do Exército Português e obrigatório em todas as bibliotecas que se interessem pela temática.

O livro em formato 24X17cm, tem 302 páginas, com fotos a cores e a preto e branco, é uma edição “Edições Esgotadas”, está à venda no mercado livreiro por cerca de 25,00€, e tem o ISBN: 978-989-8502-00-1.

Nota de MR: O livro pode ser adquirido pelos interessados numa das lojas da FNAC.