sexta-feira, 26 de setembro de 2008

M1 - UNIDADE MILITAR DE LAMEGO (do R.I.9 ao C.I.O.E.)

 UNIDADE MILITAR DE LAMEGO (do R.I.9 ao C.I.O.E.)


BREVES APONTAMENTOS HISTÓRICOS

A presença ininterrupta e mais que centenária do Exército em Lamego, remonta ao longínquo mês de Agosto de 1839, data em que na cidade e no velho convento de Santa Cruz (ver a história do convento no anexo I), ficou instalado o Regimento de Infantaria n.º 9 sob o comando do Marechal de campo José Athamásio de Almeida.

Do Regimento de Infantaria n.º 9

O Regimento de Infantaria n.º 9 (ver historial do Regimento no anexo II), criado em 1806, em Viana do Castelo, foi transferido para Lamego, em 1839, depois de ter estado sediado temporariamente em Guimarães, Braga e Bragança.

Várias foram as campanhas em que o Regimento tomou parte, nomeadamente na Guerra Peninsular, nas Lutas Liberais, na Divisão Auxiliar a Espanha e na primeira Guerra Mundial e em todas elas a sua actuação foi sempre prestigiante. Em alusão ao valoroso comportamento no 3.º Sítio de Badajoz, foi-lhe concedida a seguinte legenda camoniana.

“E JULGAREIS QUAL É MAIS EXCELENTE SE SER DO MUNDO REI, SE DE TAL GENTE ”

Pela sua brilhante actuação, quando fazendo parte do corpo Expedicionário Português na primeira Guerra Mundial, (ver resumo da participação no anexo III) foi louvado nos seguintes termos: “Pela bravura com que se bateu, no combate de 14, mantendo-se nas suas posições apesar do violento bombardeamento do inimigo, elevando ainda mais o prestígio da 1.ª Divisão. Em todas as reuniões da sua Brigada o 9 formará á direita”. Por esta sua actuação, trazida neste louvor, foi o R. I. 9 condecorado colectivamente com a Ordem Militar da Torre e Espada.

A cidade esculpiu em granito este louvor, que colocou na base do monumento aos Mortos da Grande Guerra e atribuiu na toponímia da cidade o nome do “seu” regimento, numa das principais avenidas.

Ao Centro de Instrução de Operações Especiais
Em 1960, em consequência da reestruturação então operada no Exército, foi extinto o R.I. 9 e por Decreto-Lei 42926, em sua substituição, criado em 16 de Abril de 1960, o Centro de Instrução de Operações Especiais (ver anexo IV) que do velho e glorioso regimento herdou as suas tradições e património histórico-militar.

Ao C.I.O.E. foi cometida a missão de instruir os Quadros do Exército, nas várias modalidades de “Operações Especiais”, realizar estágios de Subunidades, tendo em vista aperfeiçoar a sua actuação numa ou mais modalidades destas operações; e levar a efeito estudos que, de qualquer modo, contribuíssem para melhorar a eficiência das Forças Armadas, no que diz respeito à sua actuação em “Operações Especiais” designadamente nas de maior interesse para a defesa do Território Nacional.

Aqui foram instruídas as primeiras Companhias de Caçadores Especiais e algumas de Comandos e, aqui, receberam instrução através de estágios diversos e cursos de “Operações Especiais”, mais de quatro mil Oficiais e Sargentos que aqui se impregnaram no espirito do seu lema:

“QUE OS MUITOS POR SER POUCOS NAM TEMAMOS”

Durante cerca de 15 anos, com extraordinária vontade e com reconhecido valor, o C.I.O.E. devotou-se totalmente à sua nova missão de instruir quadros de Operações Especiais e de algumas Subunidades , preparando-os para as campanhas de África, então iniciadas, e que nas três frentes no período compreendido entre 1961 e 1974, demonstraram possuir alta noção do seu dever, e se cobriram de glória em muitas das acções em que tomaram parte.

A extrema dureza e realismo imprimidos á instrução de Oficiais, sargentos e praças, tornou o C.I.O.E. sobejamente conhecido em todo o Exército.

Tendo tomado parte activa no movimento do 25 de Abril de 1974, o C.I.O.E. viria a ser extinto em 31 de Julho de 1975, por despacho n.º 37 de 14 de julho daquele ano, do Gen. CEME (ver anexo V).

À Escola de Formação de Sargentos

Em 1 de Agosto de 1975, no quadro de reestruturação então operada nas Forças Armadas, foi o C.I.O.E. extinto e, em sua substituição, criada a Escola de Formação de Sargentos, cuja missão prioritária foi a de ministrar aos futuros sargentos que desejavam ingressar no QP, os conhecimentos militares essenciais ao desempenho das suas futuras missões, nomeadamente o comando de unidades elementares (secção ou equivalente) e ao exercício de funções em órgãos de serviços técnicos administrativos e logísticos.

Missão nobre e de inegável importância, foi cumprida com elevado espírito de missão junto dos cerca de 1100 instruendos que aqui foram instruídos, com aproveitamento e que, posteriormente, foram distribuídos pelas diferentes Armas e Serviços do Exército.

E novamente, o Centro de Instrução de Operações Especiais

A importância crescente que a instrução de “Operações Especiais” assume nas nossas Forças Armadas foi entretanto reavaliada e, a Unidade de Lamego, novamente foi seleccionada, para no conjunto das Unidades do Exército, instruir especialistas de Operações Especiais.

Assim, em 01 de Fevereiro de 1981, foi extinta a Escola de Formação de Sargentos e, em sua substituição, foi criado o Centro de Instrução de Operações Especiais fiel depositário de tradições e património histórico-militar do R.I. 9 e, também, legítimo possuidor das tradições e património histórico-militar do anterior C.I.O.E.

Heráldica
Introdução: Heráldica é a ciência que tem por objecto o estudo das Armas – Emblemas cromáticos distintivos de uma família, de uma comunidade, de um grupo ou de um indivíduo e, complementarmente, a arte da sua ordenação e descrição escrita e iconográfica.

Heráldica do Exército: Terminado o rescaldo da 1.ª Guerra Mundial, a portaria de 28 de Janeiro de 1924 é o primeiro passo para preencher o vazio legal sobre heráldica então existente no Exército.

Em 1966 foi criado, na dependência directa do CEME, o “Gabinete de Heráldica do Exército”, agora com a missão global de ordenar a Heráldica e a Vexilologia do Exército.

Após trabalho profundo e especializado, culminou com a portaria n.º 24107, de 3 de Julho de 1969, que aprovou as “Normas de Heráldica do Exército” e o “Regulamento da Simbologia do Exército”, primeiros documentos regulamentares da matéria na história contemporânea nacional.

Em 1976, o Gabinete de Heráldica passou a integrar-se na Direcção do Serviço Histórico-Militar.

É baseado neste contexto que:

O Brasão de Armas
Por despacho de 05 de Junho de 1981, do Gen. CEME, foi aprovado o Brasão de Armas do C.I.O.E. (ver anexo VII).

Estandarte

Por despacho de 12 de Fevereiro de 1982, o Gen. CEME, aprovou o modelo do estandarte do C.I.O.E. (ver anexo VIII). 

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Insígnias
- Indicativo de “Operações Especiais” (ver anexo IX)

Por despacho de 19 de Julho de 1970, do Ministro do Exército, destinado a todos os militares com a especialidade, manufacturado em bronze e constituído por dois gládios passados em aspa, acompanhados à dextra e à sinistra por uma folha de louro e uma de carvalho, ambas frutadas, a usar do lado direito do peito acima da pestana da algibeira do dólman ou blusão.

- Emblema de boina (verde seco) do C.I.O.E. (ver anexo X)

Por despacho de 06 de Fevereiro ... do Gen. CEME, PUNHAL em pala, apontado para cima, símbolo generalizado das Forças Especiais, evoca o poder, FOLHA DE CARVALHO simboliza a vontade, FOLHA DE LOURO simboliza o valor, TROMPA DE CAÇA simboliza as Unidades de Caçadores, nomeadamente, as de CAÇADORES ESPECIAIS primeiras Unidades Especiais do Exército com origem no C.I.O.E.

Confecção: Em metal amarelo.

Louvores e Condecorações
A 25 de Maio de 1983, sua Excelência o Presidente da República louvou e condecorou o C.I.O.E. com a medalha de Ouro de Serviços Distintos (ver anexo VI).

E é fiel depositário da medalha de Cruz de Guerra de 1.ª classe, concedida à 3.ª Companhia de Comandos (Guiné 1968).

COMANDANTES DA UNIDADE MILITAR DE LAMEGO

R.I. 9

1837-1842
- Cor. José Athamásio de Almeida
1842-1846
- Cor. Bernardo de Gouveia Pereira
1846-1847
- Cor. Bernardo José de Abreu
1849-1862
- Cor. José Manuel da Cruz
1863-1869
- Cor. João António Marçal
1870
- Cor. Francisco de Sales Machado
1870-1872
- Cor. Luís António Osório
1872-1873
- Cor. Bernardo António de Figueiredo
1874
- Cor. Manuel Gonçalves Pinto Júnior
1875-1876
- Cor. Francisco António de Carvalho
1876-1883
- Cor. João António Ferreira dos Santos
1884
- Cor. Domingos António Gomes
1884-1885
- Cor. Dioclediano Victor Araújo de A. Rodado
1885
- Cor. Domingos Teodoro Magno da Cunha
1885-1886
- Cor. Manuel Joaquim Marques
1886-1889
- Cor. Carlos Augusto Pereira Chaby
1889-1893
- Cor. José Joaquim Ilharco
1893-1898
- Cor. António Cândido Rosado Jara
1898
- Cor. Francisco Gonçalves Costa
1898-1899
- Cor. Júlio Augusto Nascimento e Silva
1899
- Cor. Francisco Augusto Martins Carvalho
1899-1900
- Cor. José Vicente Consulado Júnior
1900
- Cor. José Pedro Kuchenburk Villar
1900-1902
- Cor. José Inácio de Mello P. de Vasconcelos
1902-1903
- Cor. José de Figueiredo
1903-1904
- Cor. José Joaquim Bettencourt da Câmara
1904
- Cor. Bartolomeu Sezinando Ribeiro Artur
1904-1905
- Cor. José Maria de Almeida
1905-1907
- Cor. Luís Maria Teixeira Lopes
1907
- Cor. Joaquim Andrade Pissarra
1907-1908
- Cor. Arsénio da Silva Moreira
1909-1910
- Cor. Abel Augusto Nogueira Soares
1910
- Cor. José Ferreira da Silva Júnior
1910
- Cor. José Júlio Martins Correia
1910-1911
- Cor. Aires Osório de Aragão
1911-1912
- Cor. José Augusto Pinto Machado
1912-1914
- Cor. Joaquim José de Castro Júnior
1914-1915
- Cor. Domingos Beleza da Costa
1915-1916
- Cor. António Aparício Ferreira
1916-1917
- Cor. Gaspar da Cunha Prelada
1918
- Cor. Angelo Leopoldo da Cruz e Costa
1919
- Cor. José Francisco de Barros
1919-1925
- Cor. José Augusto Cardoso
1925-1926
- Cor. António Maria da Costa Zagalho
1927-1931
- Cor. Manuel Teles Amaro
1932-1933
- Cor. José Estevão Cunha Victória Pereira
1934-1935
- Cor. Joaquim Leitão
1935-1936
- Cor. Joaquim Gonçalves Ribas
1936
- Cor. Luís de Nascimento Dias
1937
- Cor. Fernando de Castro Gonçalves
1938-1939
- Cor. José Marques Escrivanis
1939
- Cor. Joaquim Peixoto Martins Mendes Norton
1939
- Cor. Ciríaco José da Cunha Júnior
1939-1940
- Cor. Augusto Martins Nogueira Soares
1940-1941
- Cor. Jaime Rodolfo Morais e Silva
1941-1942
- Cor. Francisco Monteiro de Carvalho Lima
1942
- Cor. Joaquim Maria Neto
1943-1944
- Cor. Malaquias Augusto de Sousa Guedes
1944-1946
- Cor. Henrique Alberto de Sousa Guerra
1947-1950
- Cor. Arnaldo Lopes Ramos
1950-1952
- Cor. Vergílio Pereira Estrela de Oliveira
1952-1953
- Cor. Gervásio Martins Campos de Carvalho
1953-1954
- Cor. Joaquim Cardoso Moura Bessa
1954-1955
- Cor. Afonso Martins Correia Gonçalves
1955-1957
- Cor. Arnaldo Alfredo Fontes
1957-1959
- Cor. Eduardo Pinto Barradas

C.I.O.E.

1960-1961
- Ten. Cor. José Manuel Henriques da Silva
1961-1965
- Cor. Flamínio Machado da Silveira
1965
- Ten. Cor. David Teixeira Ferreira
1965-1967
- Ten. Cor. João A. Teixeira Henriques
1967-1968
- Ten. Cor. António Manuel Baptista de Carvalho
1968-1969
- Cor. João G. Pessanha
1969-1970
- Ten. Cor. António Dias Machado Correia Diniz
1970-1971
- Ten. Cor. Fernando Lisboa Botelho
1971-1972
- Ten. Cor. Mário Hernani V. Mendonça
1972
- Cor. António Dias Machado Correia Diniz
1972-1973
- Cor. António Adelino Antunes de Sá
1973-1974
- Cor. Amilcar José Alves
1974-1975
- Ten. Cor. Alcides José Sacramento Marques
1975
- Cor. Mário Hernani V. Mendonça

E.F.S.

1975-1977
- Cor. Carlos Alberto Gomes Saraiva
1977-1978
- Cor. João de Almeida Bruno
1978-1980
- Cor. Mário Lemos Pires
1980-1981
- Cor. José dos Santos Carreto Curto

C.I.O.E.
1981...

C.T.O.E.
...2008

6 comentários:

a2rodrigues disse...

estimados amigos, bom dia, venho por este meio pedir a vossa estimada ajuda para encontrar um amigo, um major, coronel, general, nem quero pensar em nao o encontrar, sei que deve estar com idade a rondar os 88,89,90,menos talvez é o AmigoRANGER, CARLOS ALBERTO GOMES SARAIVA era meu major Op.Inform Agrupamento 2957 Bafatá Guine 68/70, tinha duas filhas que estiveram lá na Guine, será que ainda é vivo e ou falecido, será que essa unidade me poderá dar informaçoes dele ou seus familiares, vejo na pagina que em 77/78 era já coronel, agradeço vossa possivel indacaçao para poder com ele ou familiares entrar em contato, o meu é 252 938 133, 915 225 337 ou rodrigues60@gmail.com, o meu agradecimento reconhecido pela ajuda estou certo me dar na sua localizaçao, para um convivio 42 anos depois... obrigados

Didier Borrego disse...

Caros,
Seria possível ver os anexos referidos neste texto?
Obrigado,
Cumprimentos
Didier Borrego

AJPM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AJPM disse...

De notar que os primeiros militares do Exército Português a usar boina foram as Companhias de Caçadores Especiais: Boina Castanha com Trompa
A 1.ª Boina de Operações Especiais (anterior à actual VERDE): Foi uma Boina Castanha com as iniciais CIOE e as armas de Infantaria. António Mourato (Penude 1973/74)

nuno chaves disse...

Boa noite Caros Camaradas, desde já os meus parabéns pela página e as minhas saudações.
Deixo no meu comentário uma pequena rectificação a este vosso artigo.
O Decreto Lei mencionado na Extinção do RI 9, não está correcto. Visto que o decreto Lei que mencionam é o DL nº 42926 publicado em Ordem do Exército nº 2 de 30 de Abril de 1960. Ora este lei cria o CIOE e não extingue o RI 9

O Decreto lei Correcto para a extinção do RI 9 é a Portaria nº 22683 de 17 de Maio de 1967, publicado na Ordem do Exército nº 5 de 30 de Maio de 1967.
Quanto aos decretos Lei são vários. O primeiro data de 1927 e após este DL esta mesma Unidade foi reconstituída.

Para mais mais esclarecimentos estou disponível em :
https://heportugal.wordpress.com/2014/07/02/fabricas-de-soldados-parte-3/
ou através de email: nunoamchaves@gmail.com

Um abraço a todos

hugo nobre disse...

Hugo Nobre 1792 2º Guiné 72/74 Ilha Da Madeira hnobre99@gmail.com Gostava de ser sósio de alguma associação Agradeço informação.Obg.