sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

M64 - ANGOLA 1967-69. Recordações do 2º Sarg. Júlio Pinto da CArt. 1769, do BArt. 1926

A * N * G * O * L * A

Júlio Pinto (ver mensagem M63) recorda duas histórias da sua comissão em Angola e um poema dedicado a todos os combatentes que não regressaram.

BANHO FORÇADO

Um belo dia numa picada que não era utilizada havia vários anos, seguia o meu GC (Grupo de Combate) em coluna motorizada e, a dada altura, procedemos à troca de posições, tendo-me tocado a mim ir para a cabeça da coluna num Unimog 406.

Lá íamos abrindo caminho quando, de repente, nos surge uma ponte com muito bom aspecto (já que os madeiros do tabuleiro se apresentavam muito certinhos), enfim tudo muito bem parecido.

Dada a minha preparação de Lamego, onde frequentei o 2º curso de Operações Especiais/RANGERS em 1967, havia-me tornado mais perspicaz, pelo que, quando olhei melhor para a ponte desconfiei que algo não “batia” certo e disse ao condutor, de nome Assis, que hoje vive nos U.S.A. (estive com ele em Abril último):


- Oh Assis avança devagar na ponte, para ver como ela se comporta.

Mal ele encostou as rodas do Unimog na ponte, esta começou a ranger ameaçando cair.

- Pára pá e faz marcha-atrás! - disse eu.

Ele assim fez e eu disse então ao pessoal para se apear.
Em seguida virei-me para o Assis e disse:

- Passa lá agora.

O Assis, que era um pouco gago, virou-se para mim e disse:

- Pois o condudududutor ééééééééé que se fofofofofofofode se isisisisisttototo cacacacair".

Vai daí digo-lhe eu:

- Se caíres não cais sozinho.

Saltei para cima da viatura e atrás de mim veio o Cabo Maia (camarada este que eu nunca mais o vi até aos dias de hoje).

O Assis mais apoiado moralmente torna a avançar com a viatura para a ponte.

Deu-se então a previsível queda da ponte, que nos atirou a todos para o rio com uma velocidade fulminante. Felizmente ninguém se feriu, porque a viatura ficou de lado e eu e o cabo saltamos logo para fora dela. O Assis ficou agarrado ao volante e, como o rio não era fundo, ficou meio dentro de água, meio fora de água.

Ainda hoje passados estes 40 anos, parece que estou a ver no ar, à minha frente, aí a uns dois palmos do meu nariz, os pés do Cabo Maia, que voou literalmente para o rio.

E pronto, lá endireitamos a viatura e seguimos viagem. Eu, o Cabo e o Assis íamos encharcados, tal como os pintos caídos à água.

Este incidente, hoje recordado com muita piada, podia ter sido bem mais grave mas, felizmente, não foi.


COMO QUASE MATEI UM CAMARADA

Uma bela noite de África quente, com aquele cheiro maravilhoso daquela terra vermelha, que ainda hoje sentimos nas narinas, estávamos sentados à conversa, quando de repente se ouviu uma rajada de G3, ou de arma parecida, mais ou menos a uns 80 metros de nós.

O relógio rondava as 22h00, não se via nada, pois não havia luz pública e a das casas era fraca.

Lá foi a cadeira, onde estava sentado, não sei para onde, corri porta adentro do meu quarto, peguei a minha FN e duas granadas ofensivas.

Pedi ao Furriel Carneiro, encarregado do gerador para ir apagar a luz, entretanto saio a correr de FN em punho para trás de um muro, que circundava o edifício onde dormíamos.

Por entre o intervalo dos tijolos do muro enfiei a FN e comecei a perscrutar o mato, no meio da escuridão da noite, a ver se via algum movimento suspeito. Atrás de mim vieram os outros Furriéis e o Alferes, tomando posições idênticas à minha.

Pensei: “Venham os gajos, que eu estou pronto!”

De repente aparecem-me dois vultos na frente, surgidos do meio da escuridão, não sei que me deu ou que “bateu” cá dentro e contra todas a regras gritei: “Quem vem lá?"

Respondeu-me um camarada, o Furriel Milº Soares: "Estai quietos, sou eu e o soldado (não me lembra o nome dele)".

Eu respondi-lhe: "Ainda bem que não gaguejaste, senão furava-te todo."

O que se tinha passado: O Soares foi passar uma ronda aos postos das sentinelas e já no regresso passou no posto policial, onde havia 5 ou 6 polícias.

Conversa para ali, conversa para aqui, um dos polícias tinha uma FBP e, sem querer puxou o gatilho, enfiando junto às pernas do Soares 20 balas no chão.

Incrivelmente, não se feriu ninguém, mas podia ter sido uma tragédia. O Soares quando chegou à nossa beira vinha branco como a cal da parede, pudera!

Claro que, excepcionalmente nessa noite, tivemos direito a mais um tempo extra de luz (pois o gerador só aguentava trabalhar 4 horas consecutivas - e esse habitualmente era entre as 18 às 22 horas).

Passado o alarme, fomos “apagar” o susto no bar, bebendo uns copos e relembrando o acontecido, coisa que, ainda hoje a esta distância, recordamos alegre e sadiamente.


POEMA AOS QUE NÃO REGRESSARAM

Homenagem que dediquei a todos aqueles que deram a vida pela Pátria, em África, com um grande abraço para todos os restantes ex-Combatentes do Júlio Pinto.

O MENINO

Como sorria
Quando acordava,
Ao ver a Mãe, que o amava
Como sorria.

A Mãe, com ele ao colo, sorrindo,
Ao tempo que o mimava,
Rezava a Deus pedindo,
Se do mundo o guardava.

Cresceu. Veio a tropa, veio a guerra.
Á pressa num homem se tornou,
Teve que deixar a terra,

Um dia, uma bala a vida lhe roubou
E voltou de novo, à terra,
E a Mãe, que o amava, chorou, chorou...

Autoria Júlio Pinto (09/03/1998)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

M63 - Angola - Apresenta-se o 2º Sargento Mil.º Júlio Pinto, da CArt. 1769, do BArt. 1926.

A * N * G * O * L * A

Júlio Pinto, mais um camarada que fez a Guerra do Ultramar em Angola 1967/69, como 2º Sargento Miliciano, na CArt. 1769 do BArt. 1926, (batalhão com 3 companhias, formado no RAP 2 - Monte da Virgem - Vila Nova de Gaia).

A CArt. fez a preparação final na Bateria Anti-Aérea de Leixões, é embarcou em 14/11/1969, chegando a Luanda, no dia 25 do mesmo mês.
Após uma paragem no Grafanil/Campo Militar, por um curto período de 3 dias, seguiram para Sanza Pombo, sede do BArt. 1926, e posteriormente a CArt. 1769 foi para Quimbele, a Cart. 1770 para Massau e a Cart. 1771 para a Quicua.

Chegados ao Quimbele o GC (Grupo de Combate) do Júlio e outro GC foram destacados para o Cuango, mesmo sobre o rio com o mesmo nome, só separados da R. D. Congo pelo rio.

Outro GC foi destacado para a Cabaca, mais tarde designada por Alto Zaza.

Diz o Júlio que a guerra deles foi totalmente diferente da guerra na Guiné, patrulhamentos atrás de patrulhamentos e muita acção Psico-social, tiros, felizmente, só durante a caça.

Nessa altura a zona que cobriam estava considerada como pacificada, ou talvez apenas se vivesse uma paz aparente, pois detectavam-se muitos sinais de passagem de pessoas, mas o certo (segundo diz o Júlio), é que ninguém, do ar condicionado, em Luanda, acreditava neles.


Foto 1 - Um aspecto (1973) do antigo destacamento do Júlio Pinto, mostrando a proximidade da R. D. Congo, que era do outro lado do rio. Recorda-se que o Júlio esteve lá em 1967/69.


Foto 2 - Dois obuses (14 ou 15 cm), foram adquiridos à Krups depois da 2ª ou 1ª guerra, e colocados no destacamento em 1968. Enviados de Luanda, em coluna militar, estavam em bom estado de conservação e funcionamento. O pessoal foi instruído sobre a sua utilização. Passados 5 anos, em que foi tirada esta foto, é triste ver o estado de degradação dos mesmos.


Foto 3 - A D.O. que nos levava o correio e a carne para o rancho, e a pista improvisada no capim. Esta aeronave visitava-nos todas as terças-feiras.
(As fotos 1, 2 e 3 foram retiradas do site www.prof2000.pt elaborado por um ex-Alferes Miliciano que esteve na zona de actuação do Júlio em 1972/73).

Foto 4 - Esta pacassa foi morta por um soldado de transmissões, que era ao mesmo tempo um exímio caçador. Usava uma Mauser afinada por ele e abateu a peça com um só tiro. Muitos quilos de carne que tão bem souberam à rapaziada. O Júlio posa para a "posteridade" com a garrafa na mão.

Entre as suas memórias há um episódio que o Júlio Pinto jamais esqueceu, e que dá bem a ideia como o terreno e as condições de deslocação em solo angolano, também não eram "pêra doce" para as nossas tropas, e que ele nos conta assim: Um belo dia, seriam umas 3 ou 4 horas da manhã quando ao fim de três dias de permanência na mata chegamos ao aquartelamento da Cabaca, tínhamos vindo a fazer o reconhecimento de uma picada desactivada, que em alguns trechos tivemos que reconstruir manualmente com sacholas, machados e catanas.

Mas, diz ele: Chegamos ao fim, missão cumprida.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

M62 - Os 10 MANDAMENTOS DO RANGER

Todos os dias antes do início da instrução, em Penude, perante a formatura dos candidatos a RANGERS, são lidos os 10 Mandamentos de um RANGER. Príncipios que todos os homens desta especialidade devem respeitar, quer durante o decorrer da sua instrução, quer depois como militar e na decorrer da sua vida civil, sob pena de deixarem de o ser,. 


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

M61 - RANGERS DE LAMEGO - Artigo da Revista Tribuna Douro Nº 3, de Julho 2003, saído com o Jornal de Notícias

Reportagem " RANGERS DE LAMEGO" - Artigo da Revista Tribuna Douro Nº 3, de Julho 2003, saído com o Jornal de Notícias.














































quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

M58 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - cidade de Lamego

C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - cidade de Lamego




M57 - Heróis de Portugal - RANGERS/G.E.s pelo jornalista Dr. Jorge Ribeiro

Heróis de Portugal - RANGERS/G.E.s, texto escrito pelo jornalista Dr. Jorge Ribeiro, extraído da revista "O RANGER" Nº 10.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

M56 - GRUPOS ESPECIAIS e GRUPOS ESPECIAIS PÁRA-QUEDISTAS - 1

Sobre GRUPOS ESPECIAIS e GRUPOS ESPECIAIS PÁRA-QUEDISTAS, artigo do jornal "O RANGER", Nº 8.

M55 - Sobre GRUPOS ESPECIAIS e GRUPOS ESPECIAIS PÁRA-QUEDISTAS

Sobre GRUPOS ESPECIAIS e GRUPOS ESPECIAIS PÁRA-QUEDISTAS, artigo retirado da revista "O RANGER", Nº 7.

M54 - SNIPER - UM ATIRADOR ESPECIAL (pelo Sr. General Lemos Pires)

Um excelente artigo sobre o que é um SNIPER "ATIRADOR ESPECIAL" (pelo Sr. General Lemos Pires), inserido no jornal "O RANGER" Nº 10.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

M53 - A bandeira Nacional - Sua Evolução e História

Um artigo da Autoria de J.T. inserido no jornal "O RANGER" Nº 9, conta a evolução e história da nossa bandeira nacional, que muitos tão maltratam, uns por maldade, outros por ignorância e, ou, desrespeito.