segunda-feira, 27 de junho de 2011

M348 – Diário de Notícias - Grande Reportagem sobre as Operações Especiais, por ABEL COELHO DE MORAIS, em 10 Julho 2010


Com a devida vénia e agradecimento, transcrevemos na íntegra o artigo publicado no passado dia 10 Julho de 2010, jornal Diário de Notícias, com o título "Grande Reportagem. Operações Especiais. Os soldados da noite, da autoria do jornalista ABEL COELHO DE MORAIS.

Grande Reportagem
Operações especiais
Os soldados da noite
por ABEL COELHO DE MORAIS
10 Julho 2010


Fotografia © Leonel de Castro

Popularmente conhecidos como os 'rangers' de Lamego, os militares do Centro de Treino de Operações Especiais (CTOE) - unidade criada em 1960 - são preparados para missões de alto risco e grande complexidade, actuando sempre a coberto da noite: a melhor das camuflagens, como costumam dizer.

Num curso de seis meses, mais um ano a ano e meio de exercícios contínuos, os efectivos do CTOE têm, primeiro, de se conhecer a si próprios e testarem os seus limites, antes de vencerem os desafios das missões que lhes são entregues. O DN esteve com os oficiais, sargentos e praças que devem permanecer anónimos e ser capazes de chegarem invisíveis à beira do inimigo.

"Segunda-feira era o pior dia da semana. O terror era grande na formatura da manhã quando os instrutores chamavam os nomes dos que tinham sido eliminados. Alguns começavam a chorar quando era dito o nome deles. Era o pior momento para nós.

Depois disto, o que aparecesse pela frente era preferível." Rui, 45 anos, hoje sargento-ajudante, recorda as primeiras semanas do curso de Operações Especiais feito em 1986 como praça. Tudo o que então lhes aparecia pela frente era intenso esforço físico, escasso descanso, muita fome, muito frio - constantes num curso em que "tudo o que se vive e se passa aqui dentro nos marca muito".

O mesmo curso que Rogério, de 23 anos, iniciou este ano depois de "um amigo que está no exército normal" lhe ter falado dos "rangers de Lamego" ou Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), designação actual da unidade criada em Abril de 1960 como Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE).

Rogério informou-se e decidiu "aproveitar a oportunidade antes que ela fugisse". Depois de 12 semanas de recruta normal, o curso principiou de manhã bem cedo com uma prova de ginástica de aptidão militar. "Foi uma sensação de angústia, desorientação. Houve camaradas que desistiram logo", conta este finalista de engenharia informática, para quem "passar o dia todo atrás de uma secretária" era "muito complicado".

"Dorme-se sempre com a mochila, e pode não acontecer nada... ou acontecer", afirma Rui C., de 27 anos, hoje tenente e instrutor no aquartelamento de Penude, uma das três instalações por onde está sediado em Lamego e seus arredores o CTOE, que assumiu esta designação em Julho de 2006.

Em Penude ministra-se o essencial da formação; no aquartelamento da Cruz Alta encontra-se o destacamento operacional, enquanto o comando está sediado no antigo Convento de Santa Cruz, no centro da cidade.

Testar os limites

O inesperado e a pressão são constantes. De dia e de noite. "Fui forçado a aprender a comer muito depressa", recorda Rogério, uma refeição inteira em menos de cinco minutos. Noutros momentos do curso, Rogério não recebe mais do que uma bolacha ou uma peça de fruta para o dia inteiro. Mas os exercícios nunca param.

Assim como não há regras sobre a alimentação "nunca há certeza sobre o tempo de descanso". A finalidade é testar os "limites físicos e psíquicos, a que nunca tínhamos sido levados antes - e ultrapassá-los", salienta um outro instruendo, Daniel, de 25 anos, natural de Lamego, que frequenta o curso de Operações Especiais para oficiais e sargentos do Quadro Permanente. Curso este ainda mais exigente: "Aqui testa-se a capacidade de comando, obtêm-se ferramentas de liderança; por isso tem de ser mais complexo e exigente", ainda que "exista uma melhor preparação devido à nossa experiência militar", diz Daniel, recentemente saído da Academia Militar.

"Há muitos jovens que chegam aqui a pensar que as Operações especiais são uma espécie de desporto radical. Isto é radical, mas não é nenhum desporto", sublinha Rui, que tomou a decisão de fazer o curso aos 20 anos. Um curso que seu pai, militar de carreira, fizera nos anos 60 na sua primeira fórmula. "Muitos vêm só para ver como é. Mas quem vem com uma ideia definida vai até ao fim", defende Carlos, de 48 anos, sargento-chefe.

Este é o segredo para cumprir o curso com sucesso. "Não se consegue ser de Operações especiais se não se quiser ser do princípio até ao fim", sustenta o coronel Sepúlveda Velloso, de 49 anos. Para o comandante do CTOE desde 2008, é "característica das Operações especiais e de todas as forças de elite testar os limites do indivíduo, para saber com o que se pode contar das suas potencialidades individuais". Como o poder de decisão que se testa ao lançar-se à água do alto de uma ponte numa noite escura.

Mas não é apenas isto. "É tipicamente nosso fazer ver ao indivíduo quais as suas potencialidades, ele deve conhecer-se a si próprio para ganhar a autoconfiança que lhe permita, quando vai para uma missão, identificar situações idênticas que já viveu e não se desviar da tarefa a cumprir." Por isso se testa também a capacidade de o militar sobreviver apenas com os recursos da natureza, edificar abrigos e esconderijos, nadar, correr, marchar e voltar a nadar, a correr e marchar - seis, doze ou 24 horas consecutivas.

O militar de Operações especiais "não pode deixar que as paixões ou as emoções afectem o seu desempenho", conclui o coronel Velloso na síntese sobre um curso em que as taxas de sucesso e fracasso falam por si. Números para os últimos dois anos mostram que a média de insucesso ou desistência não ultrapassa os 5% para os oficiais e sargentos do Quadro Permanente; em contrapartida, no curso de praças e de oficiais e sargentos milicianos situa-se entre os 50% e os 60%. "O instrutor Rui C. defende que esta disparidade resulta da "ausência de qualquer experiência a nível militar".

Longa preparação

Todos vivem nas mesmas condições, confrontados regularmente com elevadas exigências. "Se o instruendo passar por todas as fases em que é testado, quando chega ao campo de batalha tudo se torna mais fácil", sublinha o Sargento-Chefe Carlos, que recorda uma máxima dos seus tempos de instrução: "Quanto mais o suor no campo de treino, menos o sangue no campo de batalha."

Uma máxima que ganha toda a actualidade nos teatros de operações onde os efectivos de Operações especiais são empregues: do Afeganistão à Bósnia e ao Kosovo, de Timor-Leste à Guiné-Bissau. Por isso, além dos seis meses do curso, segue-se um ano a ano e meio de intensos exercícios em cenários idênticos aos de situações de conflito real até o militar estar preparado para o terreno (ver texto nas págs. seguintes).

Carlos afirma que esta longa preparação é absolutamente indispensável por duas razões. A primeira é que "os teatros de operação são cada vez mais sofisticados e complexos" e, claro, "o inimigo nunca deve ser subestimado". A segunda relaciona-se com as pessoas: "A juventude é mais frágil hoje do que no tempo da minha instrução", desde há "uns 15 anos que o facto começou a tornar-se evidente". Algo que preocupa Carlos, oriundo de uma família com passado militar. Um factor que não considera determinante. "Há muitos militares do CTOE que não têm quaisquer familiares nas forças armadas, ou que não tiveram no passado."

O próprio universo de recrutamento tem hoje "outras características", explica o comandante do CTOE, "há grandes diferenças entre o presente e o passado. A rusticidade, a motivação, a disciplina, que eram características quase cutâneas no passado, hoje estão um pouco perdidas". A origem social e geográfica dos recrutas é também diferente. Ainda nos anos 80, a maioria dos instruendos, em especial no curso de praças, era proveniente das regiões acima do Mondego - "o que não quer dizer que não tenha havido sempre pessoas de todo o Portugal continental e das Ilhas", clarifica o coronel. Um retrato fixado pelo Sargento-Ajudante Rui: "Os homens que aqui apareciam já trabalhavam, fosse nas obras ou na agricultura. Se calhar não tinham os vícios de agora, eram mais robustos, mais modestos."

A unidade de Lamego também atrai pessoas a sul do Mondego. Caso do seu actual comandante. Natural de Lisboa, frequentava a Academia Militar em 1982 quando, "por acaso", soube da existência de uma unidade com aquilo que classifica como "uma componente operacional interessante, com técnicas e tácticas pouco convencionais". O então cadete acredita que esta era a unidade "que se adequava melhor" à sua personalidade. Após o curso de Operações Irregulares, também ministrado no então CIOE e obrigatório para oficiais e sargentos do Quadro Permanente, começa a frequentar o curso de Operações Especiais em Janeiro de 1986.

Esta é a época em que o curso de Lamego era obrigatoriamente completado com o dos Comandos, e vice-versa. Privilegiavam-se, então, as técnicas de sobrevivência, patrulhas de longo raio de acção, montanhismo, tácticas irregulares. É o tempo da Guerra Fria. Hoje, nota o comandante do CTOE, "predomina o combate a curta distância, devido à natureza das ameaças actuais"; o curso é, por outro lado, "também muito mais técnico".

Mas, insiste de imediato, "sem o valor do homem não se consegue operar a máquina". A componente tecnológica é "hoje muito importante no ambiente operacional, no armamento, para a recolha de informação, para a observação", diz o coronel Velloso, que volta a insistir na ideia de que "atrás de uma máquina está sempre um homem".

"Incentivos musicais"

O tempo de curso do coronel Velloso foi "extremamente intenso", com riscos, inevitáveis durante a instrução. Uma vez, "na travessia de um curso de água, ia lá ficando". O responsável do CTOE cita esta situação para sublinhar que "há sempre muitas oportunidades em que se pode morrer". E não tem de ser numa situação de combate. Apesar da especial atenção consagrada à segurança. Hoje há sempre pessoal de enfermagem a acompanhar os exercícios mais perigosos.

O nível de risco e a dureza da preparação em Lamego não foram suficientes para fazerem adormecer o sentido de humor dos camaradas de curso do coronel Velloso, e dele próprio. "Éramos nove perto do final. Quando punham as músicas de acção psicológica, vínhamos para o corredor com mochila, G3 e tudo, e começávamos a dançar" - "o meu tempo na instrução foi o mais divertido que passei na tropa", recorda com um sorriso.

Os bailes improvisados naquela época estão longe de ser o objectivo dos "incentivos musicais", como os classifica o instruendo Rogério. A finalidade é criar arritmias e pressão psicológica. Ouve-se apenas um "trecho de uma composição, durante três horas, se for preciso", diz o antigo informático, num tom de quem se habituou a gerir a situação. "Mas pode ser só 20 minutos, a duração varia de noite para noite; pode nem haver." Nunca há certezas sobre nada - como é da natureza da guerra -, nem sobre o tempo de descanso.

Um descanso passado em camas sem lençóis ou cobertores, onde se dorme fardado, com mochila às costas e arma ao lado. Só se tiram as botas. Isto porque os instruendos têm apenas três minutos para estarem na parada ao grito de "forma".

Um descanso que se aprende a aproveitar em qualquer circunstância. "Até numa caminhada. Segurava a mochila do da frente e pedia ao de trás para me orientar quando mudássemos de direcção. Pelo menos, o cérebro desligava", lembra o comandante do CTOE.

A parelha

Para Operações Especiais só se vai por escolha e motivação pessoal. Como sucedeu com Rogério, Daniel e Rui C., entre os mais recentes. Este, "desde os 15 anos que queria ser de Operações Especiais". Natural de Lamego, lembra-se de ver passar os efectivos do CTOE na cidade e de se imaginar "oficial de infantaria". Por causa do limite de idade, achou "mais indicado ir para a Academia Militar". Aqui, descobre que "os melhores instrutores são todos de Operações Especiais". Toma-os como modelo. Mas evita informar-se sobre o curso. "Queria que fosse uma surpresa", diz enquanto caminha na parada de terra batida de Penude. Só tomou uma precaução: "Engordei 15 quilos para aguentar o esforço."

Um esforço em que o "mais difícil" foram as provas individuais, a maioria colocada na primeira parte do curso. "O pior é quando se está sozinho", nota Rui C.; percepção partilhada por Rogério: "Sozinho, ninguém acaba o curso." Por isso, as Operações Especiais assentam na parelha. "A parelha é um instrumento de sobrevivência e segurança", considera Daniel. Algo que Rogério explica nestes termos: "Ele vai sofrer por minha causa e eu vou sofrer por ele. Se fizer asneira, ele paga por isso, e vice-versa". "A nossa parelha é mais do que um irmão", diz Rui C. "Com a parelha, conta-se sempre", resume o sargento-chefe Carlos.

O que não impede momentos de fraqueza no passado e no presente. "Na minha época, o que nos deixava em baixo era a ausência da família, dos amigos", recorda o tenente. A propósito dos novos recrutas, diz que estes só parecem "ter saudades dos telemóveis", que obviamente lhes são retirados.

"Tirando raras excepções, houve uma época em que quase todos os dias pensei em desistir", confessa Rogério. No sentido oposto, Daniel assegura nunca ter pensado nisso, reconhecendo, contudo, o carácter "único" da unidade: "Costumo definir objectivos na vida, e estar nas Operações Especiais é o topo da minha carreira nesta fase."

Rui C. reconhece que o curso é um "desafio especial", que enfrentou bem devido ao "espírito muito forte" vivido na sua época como instruendo. Se não se viver esse espírito, insiste o tenente, será difícil concluir um curso que se começa no Inverno e se termina no "inferno", referência às semanas finais em que tudo está em jogo.

Nestas se concentram as "provas míticas dos rangers", aquelas em que o indivíduo e parelha vivem como se estivessem no terreno. E podem acabar presos, com tudo o que implica ser prisioneiro de guerra. Mas, passadas estas provas, pouco falta para receber a boina verde.

(Por motivos de segurança, à excepção do comandante, os entrevistados são referidos pelo primeiro nome e não se publicam as suas fotografias).

sábado, 25 de junho de 2011

M347 - 10 de Junho de 2011 - Dia de Portugal e dos Combatentes do Ultramar em Castelo Branco - Discursos alusivos

Dia de Portugal e dos Combatentes do Ultramar


(…) “Os militares garantiram ao poder político o tempo necessário para estes encontrarem uma solução para o conflito”. Este argumento afigura-se-me tosco e tem uma lógica invertida. (…) 

T. Cor. Brandão Ferreira, em 12-6-2011 

Apesar da já conhecida opinião crítica deste autor em relação à solução política para tal tipo de conflitos, volto a insistir no que afirmei em Março passado sobre esta questão. Sobre o início da designada “luta armada” em Angola, eu afirmava: 

“(…) Foi uma Nação em armas que se levantou para enfrentar os violentos e cruéis atentados terroristas desencadeados em Angola, em Março de 1961, com as Forças Armadas (FA) a cumprir depois a sua missão, até os políticos conseguirem negociar o fim do conflito, como ocorreu em quase todas as guerras (importantes) deste género. 

“Qualquer conflito armado, nomeadamente de grande duração, como o que Portugal enfrentou, tem uma fase inicial onde se pretende enfrentar o adversário e ocupar o terreno devastado e ganhar o apoio das populações nativas, tendendo para um equilíbrio. Depois, o objectivo normalmente será de conseguir mais vitórias no terreno e colocar-se em posição de maior vantagem para negociar de acordo com os interesses do Estado. Apenas a partir desta altura, em que negligentemente o Governo de Salazar/Caetano não quis avançar, na segunda metade da década de sessenta (com a última hipótese de concretização em 1972, na Guiné, não levada por diante com receio do efeito dominó…), se poderão fazer críticas, como as de Louçã, Raquel Freire, Pedro Alves e José Soeiro. 


“Foi esta posição do dever das FA aguentarem o conflito até à solução política, a defendida pelo Professor Adriano Moreira, no lançamento da sua última biografia na Sociedade de Geografia, há um mês atrás. (…)”


O Dobrar dos Sinos


Utilizando o mesmo título de um capítulo de um livro do Professor Adriano Moreira (in “Espuma do Tempo (…)/2008, pp 352 e 353) transcrevo: 


“(…) Em relação ao destino do Império, fazia parte da doutrina tradicional ensinada nos cursos de administração colonial, o conceito de que as colónias, como os filhos em relação aos pais, um dia se independentizam. Esta convicção parece ter acompanhado sempre Marcello Caetano, mas tendo sempre em vista o exemplo da independência do Brasil. (…)” 


E mais à frente este brilhante analista comentava em relação ao dealbar do regime do Estado Novo: 


“(…) O facto foi que entretanto a cadeia do comando militar se dissolveu, sem que aparentemente se apercebesse da inutilidade do compromisso público dos generais (deve referir-se à designada “brigada do reumático” de 14-3-1974, acrescento eu); que o carisma não foi implantado em termos de a firmeza da obediência resistir à ambiguidade da situação; que parte importante da pirâmide económica e financeira de apoio se apercebeu de que lhe era tempo de mudar de ramo; que as Forças Armadas foram afectadas pela inquietação corporativa; que a juventude estava exausta pelo esforço militar de treze anos (com o modelo de Serviço Militar Obrigatório, lembro eu); que o povo deixava de ver, ao fundo do túnel, a luz anunciada; que a comunidade internacional em mudança deixara definitivamente de corresponder às convicções de quarenta anos de espera para assumir o poder. (…)” 


Estávamos, de facto, internacionalmente isolados nos vários fóruns e nomeadamente na ONU; naquela altura julgo que não será asneira afirmar que os designados “ventos da história” eram bastante fortes… 


A propósito destes comentários do Professor, lembro-me que a partir da minha 3.ª comissão por imposição/escala (finais da década de 60) era de facto isso que afirmávamos: “Não conseguimos ver a luz ao fundo do túnel”. E quando fui nomeado de novo em 1971 para a 4.ª comissão, iria encontrar numa companhia, na fronteira com o Malawi, que comandei durante cerca de ano e meio, um alferes do quadro de Moçambique que cantava as baladas do Zeca Afonso (e não só…). 

O despertar para outro tipo de guerra 

Desejava agora salientar a importância do teorizador da denominada Guerra Revolucionária, T. Cor Hermes de Oliveira (meu professor na Academia Militar), que nos últimos anos da década de 50 lançou um sério grito de alerta para o plano de assalto a África pela URSS, utilizando os princípios e os procedimentos da guerra subversiva. 


No seu livro “Guerra Revolucionária”, publicado em 1960, pode ler-se a determinada altura, em relação aos nacionalismos africanos: 


“(…) Decorridos quinze anos após o final da grande contenda universal, a febre não deixou o mundo negro: permanente na União Sul-Africana, nas Rodésias e no Quénia, atingiu acessos agudos no Uganda, no Togo, nos Camarões, na Niassalândia e no Congo Belga, subiu na antiga África Francesa e cresceu mais directamente na Nigéria e no Tanganica. Os paroxismos que se verificam periodicamente não são apenas o resultado de medidas políticas impacientes e irresponsáveis. Nascem porque existe um fundo de ressentimentos há muito acumulados contra o branco ou de reivindicações não satisfeitas: os «slogans» e as mentiras provocam o desencadeamento final.” 


E Hermes de Oliveira termina o sub-capítulo dedicado aos nacionalismos africanos, afirmando: 


“(…) Lançou-se então o Oriente na luta, com toda a decisão, aproveitando ajustadamente a força revolucionária contida nesse «negrismo» e sensibilizando ao extremo a consciência das «massas» africanas. 


“E o negro, cujos antepassados apenas dispunham, para odiarem o branco, de feitiçarias e de lanças e flechas, passou a empregar uma fraseologia especial para propagar as suas versões das doutrinas marxistas, em conjugação, sempre que necessário, com armas automáticas. 


“Estamos, de facto, perante uma África que procura desesperadamente reconstituir a sua personalidade sob a pressão dos nacionalismos, a serem despertados por todo o lado e postos já em marcha em quase todas as regiões.” 


As considerações de outros autores e de Adriano Moreira.
Em relação aos intervenientes na conferência realizada no dia 9 de Junho passado, na Fundação Gulbenkian, com o título “A Presença de Portugal em África ao longo dos Séculos”, pareceu-me haver algum consenso em relação à análise feita sobre o sucedido (nesta fase final) nos territórios ultramarinos portugueses e nomeadamente da parte do Professor António Telo. 


Daí o posicionamento de Brandão Ferreira, que ele próprio intitulou de provocatório na crítica a tal consenso (soluções políticas para as guerras de guerrilha) e atrás referido… Também ninguém duvida de que a política de Defesa nacional seguida pelos vários governos em Portugal, depois da instalação da Democracia, tem sido bastante deficitária, quer em meios orçamentais aos longo dos anos, quer na inexistência de um projecto credível para o “Plano Estratégico Nacional… Nestas questões, tal como noutros aspectos importantes da política de Portugal e das FA estaremos de acordo… 


E a tal respeito, recordo que Adriano Moreira, na conferência evocativa dos 50 anos, em 15 de Março passado, na Sala Portugal da Sociedade de Geografia, aquando da cerimónia oficial e perante as autoridades civis e militares, salientou ( e bem!) a frase do padre António Vieira, a propósito da Instituição Militar e dos Militares: “Pode ser que os queiras algum dia e não os tenhais”.


Manuel Bernardo (Cor. Ref)
Junho de 2011


PS: Por considerar terem um conteúdo credível e de acordo com realidade portuguesa, anexo as alocuções do Doutor António Barreto, em Castelo Branco e do Dr. João de Almeida no Encontro de Combatentes, no Restelo/Lisboa, em 10 de Junho passado.


Discurso do Doutor António Barreto, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Castelo Branco, 10 de Junho de 2011


Nada é novo. Nunca! Já lá estivemos, já o vivemos e já conhecemos. Uma crise financeira, a falência das contas públicas, a despesa pública e privada, ambas excessivas, o desequilíbrio da balança comercial, o descontrolo da actividade do Estado, o pedido de ajuda externa, a intervenção estrangeira, a crise política e a crispação estéril dos dirigentes partidários. Portugal já passou por isso tudo. E recuperou. O nosso país pode ultrapassar, mais uma vez, as dificuldades actuais. Não é seguro que o faça. Mas é possível. 


Tudo é novo. Sempre! Uma crise internacional inédita, um mundo globalizado, uma moeda comum a várias nações, um assustador défice da produção nacional, um insuportável grau de endividamento e a mais elevada taxa de desemprego da história. São factos novos que, em simultâneo, tornam tudo mais difícil, mas também podem contribuir para novas soluções. Não é certo que o novo enquadramento internacional ajude a resolver as nossas insuficiências. Mas é possível. 


Novo é também o facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros, para dialogar, para encontrar denominadores comuns e chegar a compromissos contrasta com a facilidade e o oportunismo com que pedem aos cidadãos esforços excepcionais e renúncias a que muitos se recusam. A crispação política é tal que se fica com a impressão de que há partidos intrusos, ideias subversivas e opiniões condenáveis. O nosso Estado democrático, tão pesado, mas ao mesmo tempo tão frágil, refém de interesses particulares, nomeadamente partidários, parece conviver mal com a liberdade. Ora, é bom recordar que, em geral, as democracias, não são derrotadas, destroem-se a si próprias!


Há momentos, na história de um país, em que se exige uma especial relação política e afectiva entre o povo e os seus dirigentes. Em que é indispensável uma particular sintonia entre os cidadãos e os seus governantes. Em que é fundamental que haja um entendimento de princípio entre trabalhadores e patrões. Sem esta comunidade de cooperação e sem esta consciência do interesse comum nada é possível, nem sequer a liberdade.


Vivemos um desses momentos. Tudo deve ser feito para que estas condições de sobrevivência, porque é disso que se trata, estejam ao nosso alcance. Sem encenação medíocre e vazia, os políticos têm de falar uns com os outros, como alguns já não o fazem há muito. Os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente.


Vivemos os resultados de uma grave crise internacional. Sem dúvida. O nosso povo sofre o que outros povos, quase todos, sofrem. Com a agravante de uma crise política e institucional europeia que fere mais os países mais frágeis, como o nosso. Sentimos também, indiscutivelmente, os efeitos de longos anos de vida despreocupada e ilusória. Pagamos a factura que a miragem da abundância nos legou. Amargamos as sequelas de erros antigos que tornaram a economia portuguesa pouco competitiva e escassamente inovadora. Mas também sofremos as consequências da imprevidência das autoridades. Eis por que o apuramento de responsabilidades é indispensável, a fim de evitar novos erros.


Ao longo dos últimos meses, vivemos acontecimentos extraordinários que deixaram na população marcas de ansiedade. Uma sucessão de factos e decisões criou uma vaga de perplexidade. Há poucos dias, o povo falou. Fez a sua parte. Aos políticos cabe agora fazer a sua. Compete-lhes interpretar, não aproveitar. Exige-se-lhes que interpretem não só a expressão eleitoral do nosso povo, mas também e sobretudo os seus sentimentos e as suas aspirações. Pede-se-lhes que sejam capazes, como não o foram até agora, de dialogar e discutir entre si e de informar a população com verdade. Compete-lhes estabelecer objectivos, firmar um pacto com a sociedade, estimular o reconhecimento dos cidadãos nos seus dirigentes e orientar as energias necessárias à recuperação económica e à saúde financeira. Espera-se deles que saibam traduzir em razões públicas e conhecidas os objectivos das suas políticas. Deseja-se que percebam que vivemos um desses raros momentos históricos de aflição e de ansiedade colectiva em que é preciso estabelecer uma relação especial entre cidadãos e governantes. Os Portugueses, idosos e jovens, homens e mulheres, ricos e pobres, merecem ser tratados como cidadãos livres. Não apenas como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados.


É muito difícil, ao mesmo tempo, sanear as contas públicas, investir na economia e salvaguardar o Estado de protecção social. É quase impossível. Mas é possível. É muito difícil, em momentos de penúria, acudir à prioridade nacional, a reorganização da Justiça, e fazer com que os Juízes julguem prontamente, com independência, mas em obediência ao povo soberano e no respeito pelos cidadãos. É difícil. Mas é possível. 


O esforço que é hoje pedido aos Portugueses é talvez ímpar na nossa história, pelo menos no último século. Por isso são necessários meios excepcionais que permitam que os cidadãos, em liberdade, saibam para quê e para quem trabalham. Sem respeito pelos empresários e pelos trabalhadores, não há saída nem solução. E sem participação dos cidadãos, nomeadamente das gerações mais novas, o esforço da comunidade nacional será inútil.
É muito difícil atrair os jovens à participação cívica e à vida política. É quase impossível. Mas é possível. Se os mais velhos perceberem que de nada serve intoxicar a juventude com as cartilhas habituais, nem acreditar que a escola a mudará, nem ainda pensar que uma imaginária "reforma de mentalidades" se encarregará disso. Se os dirigentes nacionais perceberem que são eles que estão errados, não as jovens gerações, às quais faltam oportunidades e horizontes. Se entenderem que o seu sistema político é obsoleto, que o seu sistema eleitoral é absurdo e que os seus métodos de representação estão caducos. 


Como disse um grande jurista, “cada geração tem o direito de rever a Constituição”. As jovens gerações têm esse direito. Não é verdade que tudo dependa da Constituição. Nem que a sua revisão seja solução para a maior parte das nossas dificuldades. Mas a adequação, à sociedade presente, desta Constituição anacrónica, barroca e excessivamente programática afigura-se indispensável. Se tantos a invocam, se tantos a ela se referem, se tantos dela se queixam, é porque realmente está desajustada e corre o risco de ser factor de afastamento e de divisão. Ou então é letra morta, triste consolação. Uma nova Constituição, ou uma Constituição renovada, implica um novo sistema eleitoral, com o qual se estabeleçam condições de confiança, de lealdade e de responsabilidade, hoje pouco frequentes na nossa vida política. Uma nova Constituição implica um reexame das relações entre os grandes órgãos de soberania, actualmente de muito confusa configuração. Uma Constituição renovada permitirá pôr termo à permanente ameaça de governos minoritários e de Parlamentos instáveis. Uma Constituição renovada será ainda, finalmente, o ponto de partida para uma profunda reforma da Justiça portuguesa, que é actualmente uma das fontes de perigos maiores para a democracia. A liberdade necessita de Justiça, tanto quanto de eleições. 


Pobre país moreno e emigrante, poderás sair desta crise se souberes exigir dos teus dirigentes que falem verdade ao povo, não escondam os factos e a realidade, cumpram a sua palavra e não se percam em demagogia! 


País europeu e antiquíssimo, serás capaz de te organizar para o futuro se trabalhares e fizeres sacrifícios, mas só se exigires que os teus dirigentes políticos, sociais e económicos façam o mesmo, trabalhem para o bem comum, falem uns com os outros, se entendam sobre o essencial e não tenham sempre à cabeça das prioridades os seus grupos e os seus adeptos. 


País perene e errante, que viveste na Europa e fora dela, mas que à Europa regressaste, tens de te preparar para viver com metas difíceis de alcançar, apesar de assinadas pelo Estado e por três partidos, mas tens de evitar que a isso te obrigue um governo de fora.
País do sol e do Sul, tens de aprender a trabalhar melhor e a pensar mais nos teus filhos. 


País desigual e contraditório, tens diante de ti a mais difícil das tarefas, a de conciliar a eficiência com a equidade, sem o que perderás a tua humanidade. Tarefa difícil. Mas possível.




Portugueses! Caros Compatriotas!


Foi com o maior orgulho que, inesperadamente, recebi da Comissão Executiva do Encontro Nacional de Combatentes o honroso convite para ser orador nas comemorações do Dia de Portugal e na homenagem à memória de todos quantos, ao longo da nossa História, chamados um dia a Servir, tombaram no campo da honra, em qualquer época ou ponto do globo.

Pertenço a uma geração, nascida durante a segunda Guerra Mundial, que conviveu e participou num período determinante da nossa História e em que a noção de Servir a Pátria e combater sob a Bandeira Nacional acabou por marcar de forma profunda e indelével as nossas vidas de jovens.

Cheguei aliás a Angola com quatro anos de idade em 1947, ali estudei e vivi em família até 1965. Absorvi profundamente África, fiz grandes amigos de todas as origens e culturas, acompanhei diretamente os eventos ligados ao início da Guerra do Ultramar e, não posso deixar de lembrar o envolvimento heróico e determinante da PSP nessa altura e a sua posterior participação, tantas vezes sem querer dar nas vistas, no decorrer do que nos anos seguintes se foi passando em África. Para a PSP gostaria, também eu, de pedir um pensamento muito especial. Acompanhei sempre de perto a evolução da Guerra, tendo cumprido o meu serviço militar entre 1967 e 1970. Perdi alguns amigos, falecidos no campo de batalha, mas sobretudo registei em todos os Combatentes, independentemente da sua graduação ou da Força Militar em que serviam, a valentia, a determinação, a solidariedade e a entrega, a honra e o amor a Portugal, o respeito por conceitos como a Pátria, a Bandeira e a Nação Portuguesa que hoje alguns gostariam de fazer desaparecer das nossas preocupações mais profundas.

Essa “amnésia provocada” é ainda mais preocupante quando notamos todos os que, tendo-se entregado heróica e determinadamente a Portugal, voltaram à sua Pátria, alguns deles portadores de deficiências, mas todos com a assumida sensação de “Dever Cumprido” e que os poderes por vezes teimam em disfarçar ou ignorar.

Foi sempre nas alturas de crise, independentemente de questionar ou tomar posições sobre as suas origens, que as qualidades mais nobres da alma do Povo Português se revelaram em todo o seu esplendor. Saibam os nossos governantes apontar-nos um objectivo grandioso, digno da nossa determinação e bravura, acreditemos nós naquilo que é preciso ser feito, e não há povo nem soldado no mundo mais capaz do que o Português. Sabemos subir montanhas e alcançar cumes; definhamos quando não nos criam condições para renascer das cinzas, qual Fénix. Ainda há pouco tempo tal foi sublinhado na altura da canonização de S. Nuno de Santa Maria, certamente um dos símbolos mais marcantes do Combatente Português.

Portugal, caros Amigos, é dos países mais antigos da Europa e é certamente um dos poucos no Mundo que mantém ainda as suas fronteiras originais de há cerca de 900 anos. Tem uma História notável, que sistematicamente se foi formando com base naqueles valores e preocupações que, em períodos especiais como o da Guerra do Ultramar se sublimaram na natureza dos que então foram chamados a combater para a construção dessa evolução histórica e, sobretudo, da nossa independência.

Em Portugal, os combates não se esgotam quando termina o ruído das armas. E, no silêncio da paz, os períodos de angustiada reflexão que se seguem levando a uma busca mais determinada sobre a essência da natureza humana, o seu lugar no mundo, o respeito pelo Homem na sua verdadeira dimensão e dignidade e mesmo o entendimento dos nossos próprios adversários, foram uma vez mais seguidos, no decorrer do nosso processo histórico, por novos combates afinal para profunda afirmação e manutenção da nossa identidade.

Desde a nossa Fundação, no início do Século XII, passando pela conquista e consolidação, presente nas descobertas, no domínio do mar e na expansão, evidente na Restauração e na nossa secular presença internacional, nas invasões francesas e no liberalismo, no fim da Monarquia e na República, nas Guerras de África e na Guerra do Ultramar e claramente nos nossos dias de hoje, todos esses valores fazem parte da nossa natureza. Conscientes das nossas obrigações internacionais, das relações com as comunidades que falam a nossa língua, dos que sentem e participam da nossa cultura, da nossa presença na Europa tisnada pela nossa dimensão universal pretendemos que esses valores estejam mais presentes do que nunca.

É pois com esse profundo sentir, com a carga emocional de todos aqueles que ficaram para trás para que nós pudéssemos continuar, que recordo e chamo aqui à colação os nomes que se encontram gravados não só neste Monumento aos Combatentes, mas também no coração da Pátria. Perderam a vida em combate, é verdade, mas realmente não morreram. A sua presença continua connosco, faz parte do nosso reconhecimento e da nossa admiração, vivem nas nossas almas profundamente portuguesas.

Essa será a grande homenagem que poderemos prestar a todos os Combatentes. Aos que partiram e aos que felizmente estão connosco. Gritar-lhes que tudo quanto fizeram não foi em vão! Lembrar-lhes que foram e são um elo de ligação determinante na nossa evolução histórica. Um elo que nos dá a garantia de que Portugal existe, que continuará a existir em toda a sua essência e que tal deverá ser uma mensagem de confiança, de esperança e de determinação para as gerações mais novas. Que estas o percebam e o assumam!

Muito obrigado, caros Combatentes,

A vossa missão assim cumprida faz com grite uma vez mais com toda a minha alma:

VIVA PORTUGAL!

M346 - 10 de Junho - Dia de Portugal e dos Combatentes do Ultramar em Belém/Lisboa


Dia de Portugal e dos Combatentes do Ultramar
em Belém/Lisboa

sexta-feira, 24 de junho de 2011

M345 - FAFE 2011 - Convívio/Radical RANGER - 27, 28 e 29 de Maio

RANGER FAFE 2011Convívio/Radical27, 28 e 29 de Maio
 
Um grupo de RANGERS de Fafe, entre eles o Alexandre Rocha, Júlio Palma, Afonso e outros, organizaram e dinamizaram, no terreno, mais um raid radical anual, junto a apropriada, atractiva, estratégica e belíssima barragem da Queimadela, localizada a cerca de 15 km, a norte, da não menos majestosa e acolhedora cidade de Fafe.

O comando operacional instalou-se no "PARQUE DE CAMPISMO DE QUEIMADELA, EM FAFE" e todas as actividades foram desenvolvidas na zona periférica da barragem local.

A boa disposição, a camaradagem, o espírito RANGER e o apetite reinaram por ali durante o fim-de-semana, garantindo assim mais um evento bem sucedido.

Este radical encerrou com um animado e ruidoso almoço, no passado dia 29 de Maio.


O RANGER Alexandre Rocha, ladeado pelo Palma e pelo Afonso, avança com o nosso grito de guerra!
O Presidente da Direcção da AOE no uso da palavra Aspectos do pessoal abancado na tenda principalOs prémios/lembranças foram bem recebidos e festejados pelos concorrentes

PARA O ANO HAVERÁ MAIS… CONTAMOS CONTIGO!








quinta-feira, 23 de junho de 2011

M344 - 34ª Confraternização Anual da A.O.E. - Associação de Operações Especiais - 30 de Junho a 2 de Julho



UM DOS MAIORES EVENTOS MUNDIAIS DO GÉNERO

A A.O.E. - Associação de Operações Especiais, deve ser a única associação em Portugal e talvez por esse mundo fora, cuja festa dura vários dias.


TODOS os RANGERS se devem honrar e orgulhar deste feito e fazer por a merecer - COMPARECENDO MASSIVAMENTE -, dado o enorme empenho e trabalho a que obriga este tipo de organização, por alguns elementos da A.O.E. e muitos do C.T.O.E.


Apesar de todas as vissicitudes e da grave crise que afecta o país e assim todos os portugueses, mais uma vez com a prestimosa e indispensável colaboração da nossa estimada Unidade - o C.T.O.E. Centro de Tropas de Operações Especiais, mais uma vez este ano se vai realizar mais este evento que se espera seja bastante animado e concorrido.


Tristezas não pagam dívidas, por isso vamos aparecer em Lamego, em massa, num dos dias, ou mais que se puder, desta nossa convivência fraterna!


XXXIV CONFRATERNIZAÇÃO DA A.O.E.
30 de Junho a 2 de Julho

PROGRAMA

Quinta-feira; 30 de Junho 2011

das 09h00-17h00: Mostra Multimédia – “CTOE- Actividade Operacional da Última Década”, no Largo de Camões

Sexta-feira; 01 de Julho 2011

das 09h00-17h00: Mostra Multimédia – “CTOE-Actividade Operacional da Última Década", no Largo de Camões;
das 09h00-17h00: Exposição de Material e Actividades do CTOE, no Largo de Camões
das 15h00-19h00: Abertura da sede da A.O.E. para regularização da situação de Sócio, na Sede da A.O.E.
às 07H00: Alvorada Festiva nos Aquartelamentos
às 08H00: Içar da Bandeira Nacional nos três Aquartelamentos
às 09H45: Celebração da Missa do Dia da Unidade com Bênção das Boinas, na Igreja de Santa Cruz
às 10H45: Guarda de Honra à AE que preside (Parada Exterior de Santa Cruz)
às 11H10: Tomada dos lugares na Tribuna pelos convidados, no Aquartelamento de Santa Cruz
às 11H20: Forças em Parada prontas, no Aquartelamento de Santa Cruz
ás 11H30: Início da Cerimónia Militar:
· Honras Militares à AE que preside
· Integração do Estandarte Nacional e sua incorporação na Formatura Geral
· Homenagem aos militares mortos em combate
. Recepção das antigas Bandeiras Regimentais
. Cerimónia de Homenagem com execução dos toques regulamentares
· Alocução pelo Comandante da Unidade
· Leitura da mensagem (eventual)
· Imposição de condecorações
· Imposição de insígnias aos militares que concluíram o Curso de Sniper
· Leitura dos Mandamentos do Militar de Operações Especiais
· Atribuição de insígnias OpEsp ao Pai dos Formandos que tenham concluído o Curso e que também tenham sido militares de OEsp
· Imposição de boinas e insígnias aos militares que concluíram o Curso de Operações Especiais
· Canto do Hino das Operações Especiais
· Desfile das Forças em Parada em continência à AE
· Exposição/Demonstração de Capacidades


No Aquartelamento de Santa Cruz
às 21H30: Lançamento do Livro “CIOE/CTOE Operações Especiais, 50 Anos “, no Teatro Ribeiro Conceição
SAIBA COMO TER UM NO SITE: http://aoe.pt/


às 22H30: Concerto pela Orquestra Ligeira do Exército (OLE), no Teatro Ribeiro Conceição


Pernoita: O pessoal pode servir-se do Acampamento Grátis, mediante as normas impostas pelo C.T.O.E. em áreas militares, no Aquartelamento de Penude
Sábado; 02 de Julho 2011


das 09h00-17h00: Exposição de Material e Actividades do CTOE, no Largo de Camões
às 09H00 – Marcha RANGER: Caminhada de nível intermédio acessível a crianças a partir dos 6 anos.
Material essencial: Calçado e vestuário adequado para este tipo de prova;
- Cantil com água (ração individual);
- Protector Solar ( MUITO IMPORTANTE).
- "Espírito RANGER"
A marcha inicia-se no Aquartelamento de Penude.


A partir das 13h00: Almoço Convívio "Feira das Regiões"
- Cada Ranger e seus familiares traz um farnel com os produtos da sua região e partilha com os restantes num intercambio gastronómico e de convívio ao sabor do "Espírito Ranger".
Actividades Promovidas:
- Comissão de Trabalhos de FAFE: Porco no Espeto, arroz de feijão e animação Musical;
- Comissão de Trabalhos do PORTO: Amostra da Exposição Fotográfica a decorrer na "Casa do RANGER no Porto";
- Comissão de Trabalhos de LISBOA: Animação musical e promoção para o jantar de "Sobrevivência Ranger"
- Comissão de Trabalhos para o C.I.P.O.E.: Apresentação de material multimédia das actividades da A.O.E., mostra do desporto de airsoft.
- Comissão de Trabalhos para as "Operações Especiais Motorizadas": mobilização e promoção de actividades a programar para os Ranger's aficionados por motas.
RANGER traz a tua mota!!!


Actividades promovidas pelo C.T.O.E.


- Torre de montanhismo a operar, com excepção de Slide, no Aquartelamento de Penude
às 20h00: Opção "A" - Jantar de escolha Livre
Opção "B" - Jantar "Sobrevivência Ranger"
Comissão de Trabalhos de Lisboa - Os sócios interessado devem consultar durante a tarde o Ranger Pinto, para se organizarem e efectuarem compras de mantimentos para fazerem um jantar improvisado baseado nos conceitos de sobrevivência. Estará á disposição carvão e um grelhador e outros apoios necessários.
Nota: A comparticipação financeira para este evento não está incluída no preço da Inscrição e decorrerá na Cidade e arredores de Lamego
Noite Vadia: Noite de actividade livre na cidade de Lamego com promoções nos estabelecimentos que patrocinam a Confraternização. Na Cidade e arredores de Lamego
Pernoita: Acampamento Grátis, mediante as normas impostas pelo C.T.O.E. em áreas militares, no Aquartelamento de Penude


Domingo; 03 de Junho 2011

às 10H00: Apresentação de cumprimentos ao Exmo. Cmdt do CTOE, no Aquartelamento de Santa Cruz
às 10H30: Assembleia Geral da A.O.E. no Salão de Conferências.
NOTA: Os Sócios devem consultar a convocatória na página da A.O.E. assim como outra documentação inerente ao decorrer deste acto.

às 12H00: Cerimónia de Homenagem aos Mortos, no Aquartelamento de Santa Cruz
- Descerramento de placa evocativa da Confraternização, no Aquartelamento de Santa Cruz
às 13H00: Almoço no Refeitório de Santa Cruz
Desconcentração no Aquartelamento de Santa Cruz 



Notas Importantes: O acesso nas áreas militares está condicionada a uma credencial emitida no acto de inscrição. A circulação de bens e pessoas só se fará mediante esta credencial e a áreas pré-definidas. O controlo é efectuado por contingente anexo ao C.T.O.E. 

Preço de Inscrição
Por Pessoa: 15,00€
Menores de 12 anos: Grátis

domingo, 19 de junho de 2011

M343 - 10 de Junho em Belém/Lisboa, Junto ao Monumento em Honra dos Combatentes da Guerra do Ultramar (1)


"QUE OS MUITOS POR SER POUCO NAM TEMAMOS" in Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões


Da esquerda para a direita: RANGERS Chapouto, Costa,Fernandes, Inverno, Barbosa, Fitas, Sousa e Mendes Santos
Foi triste e vergonhosa a falta de uma maciça representação RANGER junto ao Monumento erigido em honra do Combatentes da Guerra do Ultramar, no dia 10 de Junho de 2011, dedicado à homenagem aos seus mortos nessa guerra!
Não aparecem porquê?


Vergonha política?


Vergonha pessoal?


Pergunta: Como é que a maioria dos RANGERS, que tanto falam em honrar e dignificar a sua especialidade, se escondem no dia 10 de Junho em qualquer canto deste país, ou se dedicam a outras frívolas actividades, que não lembrar aqueles que deram de si o que de melhor tinham - a vida -, em nome desta nossa Pátria?

Num dia feriado nacional.

Feriado que é um dia em que a quase totalidade dos portugueses não trabalha!

Dia em que não se trabalha, para que os portugueses possam e devam comemorar condignamente o Dia de Portugal!

E o que a grande maioria dos portugueses faz é ir para a praia, pescar, passear os tarecos e os lulus... enfim dedicar-se a tudo menos... à sua obrigação pátria.

Pergunta: Porque é que alguns RANGERS na hora de desfilarmos em honra dos nossos mortos desaparecem da nossa concentração lá, em Belém, junto ao Monumento?

Muitas pessoas presentes nas cerimónias nos questionam sobre esta disjunção...

Mais perguntam aos que foram Combatentes na Guerra do Ultramar, como é que, deste modo, querem ser honrados e respeitados pela restante população portuguesa?

É claro que não sabemos responder!

O que sabemos, repito, é que é vergonhoso e indigno!

Assim restou uns poucos, firmes e bons, que se deslocaram junto ao Monumento, fazer as honras às Operações Especiais, desfilando condignamente frente à magnífica estrutura que ali se ergue gritando o nosso tema de guerra, para que, caso os nossos mortos nos ouçam em qualquer sítio, que assim Deus o permita, saibam e se sintam orgulhosos de que há AINDA quem não os esqueceu e lhes dedicou, num dos 365 dias no ano, aquele grito que um dia os uniu na parada do quartel de Penude!
E JAMAIS OS ESQUECEREMOS ENQUANTO HOUVEREM SAÚDE E FORÇAS PARA LÁ ESTARMOS ESPECIALMENTE NESTE DIA!


E continuaremos a gritar: "PRESENTES!"


À frente do pessoal, vê-se o RANGER Barbosa que decidido e galhardamente empunhou o nosso estandarte

Logo atrás o RANGER Fitas, peito cheio e lágrima no olho, pelos seus Homens falecidos em combate na Guiné, seguidos dos RANGERS Inverno, Fernandes, Costa e Chapouto 

Ao lado esquerdo o RANGER Sousa

Em primeiro plano o RANGER Fernandes e mais atrás o RANGER Inverno
Mais atrás os RANGERS Chapouto, Costa e Castro ~

Em 10 de Junho de 2012, se Deus quiser... lá estaremos novamente... em Belém/Lisboa... junto ao Nosso Monumento, com aesperança que mais RANGERS se juntarão ao guião 

sábado, 18 de junho de 2011

M342 - Apresenta-se o Fur Mil GE Abílio Morais


Hoje apresenta-se o GE Morais (GE é a abreviatura de Grupo Especial).


O GE Abílio Morais entrou para a tropa em 06OUT70, no R.I.5 - Caldas da Rainha, para frequentar o C.S.M. - Curso de Sargentos Milicianos e finda a recruta seguiu para o C.I.S.M.I., em Tavira.

Em JUL71 seguiu para o Regimento de Caçadores Paraquedistas, em Tancos, para ingressar no Curso de pára-quedismo.



Em MAI72, já no RI8 Braga, foi mobilizado para Moçambique, ficando destacado entre JUN72 e AGO72, no Dondo – Beira.


Até Janeiro de 1974, esteve no Destacamento do Guro, Manica/Sofala, entre Vila Gouveia e Changara, regressando ao Dondo, Beira.


Em 07SET74 regressou a Lisboa passando à disponibilidade em 07OUT74.


Da sua vida no GE guardou no seu álbum de memórias as seguintes fotos:

Beira > Chota > Largada de G.E.P. (Grupos Especiais Paraquedistas), num curso de paraquedismo
Dondo > C.I.G.E. (Centro de Instrução de Grupos Especiais) > Desfile de G.E.s na parada, em preparação para o 10 de Junho de 1972, que decorreria na cidade de Lourenço MarquesDondo >C.I.G.E. > Eu à porta-de-armas
Guro > Eu com o Fur Mil Orlando Silva
Guro > Eu com o Fur Mil Catamassa que tinha sido guerrilheiro da Frelimo

Guro > Eu com o Fur Mil Santos Costa, numa das operações mais atenta conscienciosa de um bom operacional e da qual podia depender, em plena missão, a própria vida, por motivos evidentes: a limpeza da nossa arma, a G3

Guro > Eu com o Fur Mil Santos Costa desmontando a G3, para uma melhor e mais correcta limpeza

Dondo > Estação do Caminho de Ferro, com elementos do GE de Olivença (Alf Mil Mascarenhas) Guro > No DestacamentoDondo > Na porta-de-armas do C.I.G.E. (Centro de Instrução de Grupos Especiais) Guro > No Destacamento

M341 – AOE (Associação de Operações Especiais) – O 9º Jantar/Encontro/Convívio decorreu em 4 de Junho de 2011


NOS 1º SÁBADOS DE CADA MÊS


JANTAR/CONVÍVIO A PARTIR DAS 19H30Associação de Operações Especiais (AOE)
UMA ASSOCIAÇÃO ONDE TODOS TRABALHAM, CONFRATERNIZAM E SE DIVERTEMESPAÇO DE TODOS OS RANGERS


9º Jantar Encontro/Convívio


4 de Julho de 2011

Um aspecto nocturno do Espaço de Todos os RANGERS de Portugal, localizado na cidade do Porto

Desta feita coube ao RANGER Abelha do 1º curso de 1972 e instrutor do 2º curso, que cumpriu a sua comissão militar na Guiné, em Tite, 1972/74, intervir na habitual alocução mensal.


Esta intervenção insere-se no programa estabelecido para os jantares/convívios, em que foi definido que um RANGER de cada vez, nos fale, na primeira pessoa do singular, da sua experiência enquanto militar em Penude no decorrer do seu curso e, se for caso disso, das suas missões, quer em Portugal, quer no estrangeiro, com o por exemplo a sua comissão na Guerra do Ultramar, em Timor, na Bósnia, no Afeganistão, etc.


Não faltaram a esta formatura e ao rancho os seguintes tropas, demais adjuntos e assalariados:


COMANDO Fernando Lopes, Fernanda e Fernando Filho
RANGER Abílio Rodrigues 1º/83 e Fátima
RANGER Albano Pereira 1º/81
RANGER António Rocha 1º/81 e Daniel
RANGER Anunciação 3º/78 e Teresa
RANGER Avelino Horácio Pereira 3º/73
RANGER Carlos Sousa 2º/67
RANGER Carvalheiras 1º/78, Teresa & Sérgio
RANGER Coelho 1º 2000, Suzana e Diogo
RANGER Fernando Araújo 4º/72
RANGER Jorge Coutinho e Esposa 2º/73
RANGER Leonel Rocha1º/74 & Esposa Ana
RANGER Magalhães Ribeiro 4º/73, Esposa Fernanda e Fernando Barbosa
RANGER Manuel Abelha 1º/72
RANGER Manuel Lopes 1ª/86, Paula, João & Maria, Cecília
RANGER Paulo Duarte, Pai e Mãe


Fotografias: © MR (2011). Direitos reservados.

ATENÇÃO:


Devido à nossa Confraternização Anual, nos próximos dias 1, 2 e 3 de Julho, em Lamego, não haverá o jantar convivío do mês de Julho.

Assim, até ao próximo dia 6 de Agosto de 2011 (sábado) no 10º Jantar/Convívio... se Deus quiser!

ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS E UM JÁ PASSOU...


NADA NEM NINGUÉM DURA ETERNAMENTE


VIVAM AGORA, HOJE, A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS...
NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS