terça-feira, 30 de agosto de 2011

M362 – RANGER Eduardo Lopes do 1º Curso de 1969 – Camaradas/Amigos/Irmãos Feridos e Mortos em Combate. Um flagelo de todas as guerras.

RANGER Eduardo Lopes
1º Curso de 1969 

Camaradas/Amigos/Irmãos Feridos e Mortos em Combate
Um atroz e traumatizante flagelo de todas as guerras (4) 


Nesta mensagem continuamos a publicar fotos memoriais do álbum fotográfico pessoal do RANGER Eduardo José dos Reis Lopes, dando assim continuidade às mensagens anteriores – M359, M360 e M361-, onde apresentamos mais este eficaz operacional RANGER, instruído no quartel de Penude, forjado na Serra das Meadas e temperado no Rio Balsemão. 

As fotos retratam o pior de todos os pesadelos dos soldados e que é comum a todos os doentes que sofrem de stress pós-traumático de guerra, em qualquer parte do mundo, sendo comum em todos os exércitos e em todas as comunidades. 

Os Combatentes da Guerra da Ultramar, como é evidente não foram excepção e muitos sofrem desta desgastante e corrosiva doença e continuarão a sofrer até ao seu desaparecimento físico total! 

Morreram cerca de 10.000 Homens em África, durante o período de guerra – 1961 – 1976 -, muitos morreram de acidente, mas cerca de metade faleceram em combate com o inimigo e vítimas das traiçoeiras minas e armadilhas. 

Nas fotos pode ver-se as consequências do rebentamento de uma mina "plantada" pelo MPLA, quando militares da companhia do RANGER Eduardo Lopes procediam á reabertura da picada para a Roça Novo Mundo, de que resultou um morto e dois feridos graves para as NT

O 1º Cabo Enfermeiro, Fernando Sá, ficou desesperado perante a sua impotência de nada mais poder fazer para salvar o nosso camarada ferido.


O transporte em maca


É visível a localização dos ferimentos 


Os rostos da consternação


A colocação dos feridos no heli
Pronto para a partida

Últimas verificações

O último adeus




M361 – RANGER Eduardo Lopes do 1º Curso de 1969 – Uma coluna motorizada (3)


Organizando mais uma coluna motorizada (3)

Nesta mensagem continuamos a publicar fotos memoriais do álbum fotográfico pessoal do RANGER Eduardo José dos Reis Lopes, dando assim continuidade às mensagens anteriores – M359 e M360 -, onde apresentamos mais este eficaz operacional preparado no quartel de Penude, forjado na Serra das Meadas e temperado no Rio Balsemão. 

Na mensagem M359 fizemos uma breve apresentação pessoal e na M360, através de um breve e objectivo texto que nos foi enviado pelo RANGER Eduardo Lopes, narramos o historial da sua carreira militar, que ele julgava ter terminado em 1971, e que foi muito recentemente (14 de Agosto de 2011) valorizada, com a imposição da Cruz de Guerra 4ª Classe, pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional, no Dia da Infantaria e da E.P.I. (Escola Prática de Infantaria). 

As fotos demonstram os preparativos para organizar um coluna motorizada, tentando não esquecer nada importante e relembrando ao pessoal envolvido os habituais cuidados e atenções. 

Uma das constantes chamadas de atenção, era para a constante observação do mato. Qualquer movimento suspeito ou estranho que pudesse ser detectado, denunciando a presença do inimigo. 

As picadas em terra batida eram as mais propícias à montagem das traiçoeiras e destruidoras minas. 

O processo de detecção, geralmente por picagem da terra com picas de madeira (algumas com pregos nas pontas), era bastante fiável e seguro (dependendo da argúcia e experiência dos picadores), mas muito moroso, tornando muito lento a progressão das colunas no terreno.


Monumento aos Mortos em Combate da Unidade

A nossa estância de férias em Balacende

Preparando as equipas a distribuir pelas viaturas. Na primeira viatura, regra geral uma Berliet Tramagal cheia de sacos de areia, a que chamávamos "rebenta minas", além do desgraçado motorista, que daí não podia fugir, poucos mais gostavam de viajar por motivos óbvios.

Já está tudo em cima?

Aqui vamos nós! Seja o que Deus quiser!

Fotografias: © Eduardo Lopes (2011). Direitos reservados.

sábado, 27 de agosto de 2011

M360 – RANGER Eduardo Lopes do 1º Curso de 1969 – Cruz de Guerra de 4ª Classe (2)

RANGER Eduardo Lopes
1º Curso de 1969
Cruz de Guerra de 4ª Classe

Como foi dito na mensagem anterior – M359 -, ao RANGER Eduardo José dos Reis Lopes, foi-lhe imposta, no passado dia 14 de Agosto - Dia da Infantaria e da E.P.I. (Escola Prática de Infantaria), pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional, a Cruz de Guerra 4ª Classe.


Disse-nos o RANGER Eduardo Lopes que foi recebido e tratado com todas as honras e deferências pela família militar, e deixar aqui registado o seu melhor e mais profundo agradecimento ao Sr. C:E.M.E. - General José Luís Pinto Ramalho, ao Sr. Director Honorário de Infantaria – Tenente-General João Nuno J. Vaz Antunes e ao Sr. Comandante da E.P.I. - Coronel Jorge Manuel Barreiro Saramago, a maneira como o receberam na qualidade de Combatente da Guerra do Ultramar.

O RANGER Eduardo Lopes foi incorporado como Cadete Miliciano e após a recruta seguiu para o C.I.O.E., tendo ali cumprido a especialidade de Operações Especiais no 1º turno de 1969 e passou à Reserva Territorial como Tenente Miliciano.

Mobilizado para a Guerra do Ultramar, cumpriu a sua comissão de serviço na R.M.A. - Região Militar de Angola, entre OUT1969 a NOV1971, integrado na CCAÇ 2600 do BCAÇ 2887 (Companhia de Caçadores 2600 do Batalhão de Caçadores 2887), que se formou no R.I.2 em Abrantes. 

O destino do seu batalhão foi Quicabo/Angola, onde se situou a sede do batalhão composta pelas C.C.S e CCAÇ 2599 (Companhia de Comando e Serviços e Companhia de Caçadores 2599). Um pelotão foi destacado para a fazenda Margarido.

A disposição descrita permaneceu assim 18 meses. 

Passemos às palavras do RANGER Eduardo Lopes: 


“Balacende, era um aquartelamento completamente isolado, um verdadeiro “oásis” rodeado de capim morros e mata.

A CCAÇ 2600 (Companhia do RANGER Eduardo Lopes) teve como destino Balacende e a terceira companhia do batalhão – a CCAÇ 2601 -, foi destinada à fazenda Maria Fernanda.

Foi neste teatro de guerra que o meu G.C. (Grupo de Combate) teve uma actividade operacional intensa, tendo efectuado cerca de 32 operações nas zonas do Qifusse, Canacassala, Quiemba, Quijimos, Quiptelo, Quijoão, Missão e Dange, onde criamos no IN (FNLA e MPLA) um clima de constante perigo e insegurança, que se manteve durante o ano e meio que estivemos naquela zona.

Além destas operações participamos em inúmeras acções de menor envergadura, como: montar emboscadas, patrulhamentos de reconhecimento ao longo do Rio Lifune e Rio Dange e protecção à J.A.E.A. Também efectuamos operações a nível da Companhia, ao nível do Batalhão e ao nível de Sector (por exemplos: "Não esqueceremos" e"Vind´a nós"), juntamente com o batalhão estacionado em Nambuangongo (CCAÇ da fazenda Beira Baixa), com a 30ª Companhia de COMANDOS e com os Flechas/DGS/Caxito.

Como ainda nos sobrava tempo, ainda fazíamos escoltas aos "M.V.L.S." e á J.A.E.A., pelo que as picadas Caxito - Quicabo - Sete Curvas – Balacende – Fazenda Beira Baixa - Onzo Nambuagongo - Zala e Balacende – Fazenda Margarido - Fazenda Maria Fernanda – Dange, deixaram de ter segredos para nós. 


Após 18 meses em áreas de assinalada agressividade inimiga o BCAÇ 2887 "rodou" para a fazenda Tentativa, a cerca de 3 quilómetros do Caxito, onde ficou a C.C.S. e minha companhia. A CCAÇ 2600, ficou com um pelotão reforçado destacada na fazenda dos Libongos e na barra do Dande. Na fazenda Tabi, ficou a CCAÇ 2599 com um pelotão destacado na fazenda Horta do Marquês.

A CCAÇ 2601 ficou nas Mabubas.
Neste novo teatro, participamos em duas operações a nível do Comando de Sector ("Estocada Directa" e "Impedir"), fizemos escoltas a "M.V.L.S." nas estradas Caxito - Ambriz e Caxito - Piri - Ucua e proteções á J.A.E.A., não descurando as acções psico-sociais junto da população."
O louvor que originou a atribuição da Cruz de Guerra de 4ª Classe, destaca:

1. Operação no Canacassal em que tendo o IN desencadeado intenso fogo, encontrando-me na rectaguarda da coluna, imediatamente avancei arrastando comigo o G.C. e fazendo fogo de pé (para melhor localizar o IN) neutralizei a emboscada.

2. No assalto á base "Checoslováquia", do M.P.L.A., onde se encontrava o "Monstro Imortal" - Comandante da 1ª Região do M.P.L.A. -, este com a sua "Guarda Pessoal" armada de Kalashnikov, PPSH e carabina Simonov fez-nos frente entrincheirados durante cerca de longos 20 minutos, tendo finalmente o meu Grupo de Combate avançado e entrado na base pondo o IN em fuga.

3. Emboscada, á noite, na picada fazenda Beira Baixa – Balacende -, a uma coluna auto de 6 viaturas, a dois G.C., o IN isolou a 4ª viatura e dos 8 ocupantes do Unimog, fez 2 mortos, 2 feridos graves e dois feridos ligeiros. Eu que me encontrava na primeira viatura, reagi avançando com o meu G.C. para a zona de morte e fazendo fogo, impedimos o IN de ir á picada apanhar o armamento dos mortos e feridos

4. Emboscada a cerca de 3 quilómetros de Balacende a uma coluna auto (viaturas civis com taipais) do batalhão "Maçarico" de Nambuangongo, o IN desencadeou violenta acção, cuidadosamente preparada, para desmoralizar tropas recém-chegadas à província de Angola. Encontrando-me no aquartelamento de Balacende, imediatamente com o meu G.C. "arrancamos" em acção de socorro, pondo o IN em fuga regressamos com a coluna para Balacende, onde procedemos á evacuação de um ferido pelo IN e de dois tropas vítimas de insolação. 


Apesar dos destaques referidos julgo que a atribuição da Cruz de Guerra se deveu á intensa actividade operacional desenvolvida pelo meu G.C. (constituído maioritariamente por transmontanos), ao seu espírito decidido e ofensivo, que levou o comandante de batalhão a louvar-me por:

"Possuidor de vincado espírito ofensivo e galvanizador de ânimos, aparecendo sempre nos locais e situações em que as NT corriam maiores riscos, arrastando com determinação e indiferença pelo perigo, os elementos do meu G.C., e, mesmo algumas vezes, a sub-unidade a que pertence"… e acabou com… "As excepcionais qualidades de combatente abnegado e amante do risco tornaram o Alf. Lopes digno de admiração e apreço dos superiores e subordinados, dando-lhe jus a ser apresentado como exemplo militar, cujo exemplo é digno de ser seguido.”Claro que tudo devo á preparação militar adquirida no C.I.O.E. e aos valentes soldados, cabos e furriéis do meu G.C. de que muito me orgulho e honro de ter liderado."

Fotografias: © Eduardo Lopes (2011). Direitos reservados.


Legenda das Abreviaturas:

IN = Inimigo
NT = Nossas Tropas
PAIGC = Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde
CIOE = Centro de instrução de Operações Especiais
GC = Grupo de Combate
JAEA = Junta Autónoma de Estradas de Angola
MVLS = Movimento de Viaturas Logísticas

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

M359 – Apresenta-se o RANGER Eduardo Lopes do 1º Curso de 1969


Mais um Camarada RANGER se apresenta nesta nossa parada virtual.

Chama-se Eduardo José dos Reis Lopes, vive em Cascais e cumpriu a sua comissão de serviço militar na R. M. A. - Região Militar de Angola, entre OUT1969 a NOV1971, integrado na CCAÇ 2600 do BCAÇ 2887 (Companhia de Caçadores 2600 do Batalhão de Caçadores 2887). 

Este ano, foi-lhe atribuída, no passado dia 14 de Agosto - Dia da Infantaria e da E.P.I. (Escola Prática de Infantaria), pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional, a Cruz de Guerra 4ª Classe.Desta sua merecida condecoração daremos conta na mensagem seguinte – M 360.Imortalizando uma presença e um Monumento.Fotos junto de monumentos evocativos aos mortos em combate da sua companhia e batalhão.
NOMES DE HOMENS PARA JAMAIS ESQUECER!
Um apartamento T1 com ar condicionado e colchão soloflex.

Fotografias: © Eduardo Lopes (2011). Direitos reservados.

sábado, 20 de agosto de 2011

M358 – Homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – UM HERÓI NACIONAL - UM COMANDO IMPLACÁVEL da GUERRA DE ÁFRICA


Com a devida vénia e agradecimentos ao jornal TAL & QUAL, publicamos hoje (texto e fotos) mais uma justa homenagem ao TCOR Marcelino da Mata – O COMANDO IMPLACÁVEL da Guiné.


ESTA NARRAÇÃO NÃO É FICÇÃO HOLLYWOODESCA! 





Pior ainda, é que esses mesmos Combatentes nada fazem para ajudar a despertar as atenções e o interesse das pessoas, para esta escandalosa e triste realidade, e outros no cúmulo da indiferença, até pactuam com este estado de coisas.


UMA NOJICE de dar vómitos a todos os que serviram em armas e, orgulhosamente, sentem, vivem e ainda acreditam em Portugal! 


Hoje, felizmente, vai havendo um despertar lento para esta realidade, mas tão lento que um dia, infelizmente, será tarde de mais! 



A Guerra do Ultramar, foi um conflito à qual muitos pseudo-portugueses, cobardes e traidores fugiram com medo, "homens" esses que, ainda por cima  tiveram a distinta lata, ao longo dos últimos anos, se arvorarem, baseados nesta alta traição, de serem os seus verdadeiros heróis.


Esta rara e inacreditável desfaçatez só é permitida num país como o nosso, dado o infeliz, pacato e iletrado povo que tem.

Marcelino da Mata é SÓ o português (civil e militar) mais condecorado em Portugal em todos os tempos. É nítido hoje em dia, principalmente por motivos de dor-de-corno e inveja, o desprezo a que é votado pelas autoridades civis e militares nacionais, a todos os níveis.

Honra e Glória seja feita ao TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA, por aqueles que amam verdadeira e profundamente esta Nação, pois ele, pelos seus feitos em combate, nem ao seu país de origem - a Guiné -, pode voltar e viver descansado, apenas pelo "crime" de... COMO PORUGUÊS QUE SEMPRE SE ASSUMIU... TER USADO A FARDA E AS INSÍGNIAS DE PORTUGAL!

Repete-se: POR ELE TER COMBATIDO POR PORTUGAL! 


Marcelino conquistou-as, com muitas marcas físicas que quase lhe eliminaram a vida, em lutas ferozes e mortíferas contra um inimigo aguerrido, de igual para igual de armas na mão, que combatemos em África - na Guiné -, o P.A.I.G.C. (Partido Africano para a Indepêndcia da Guiné e Cabo Verde).

Sim, combateu por Portugal, ao nosso lado, e muitos portugueses, na condição de militares em Serviço Militar Obrigatório, hoje lhe devem a vida.

PELO MENOS AQUI NESTE CANTINHO NÃO SERÁ ESQUECIDO, COMO NÃO FOI PELO JORNAL TAL & QUAL!

Como poderão ler mais abaixo, numa excelente homenagem daquele jornal, ficarão cientes da traição e cobardia nacional que grassava, e ainda hoje grassa, neste país do pós-25 de Abril.

Esta postagem, em formato Word, contou com a colaboração do meu Camarada da Guerra na Guiné - Manuel Marinho -, a quem aqui endereçamos os nossos melhores e devidos agradecimentos por permitir uma leitura correcta e mais visível do recorte.

Ganhou inúmeras condecorações, não a polir esquinas ou botas em Portugal como muitos hoje as recebem, sem ter arriscado nada pela nação, nem ter produzido qualquer bem útil à sociedade e nacionalidade.
AO RAMBO DA GUINÉ
MARCELINO DA MATA – O COMANDO IMPLACÁVEL 


Mataram-lhe as duas primeiras mulheres na Guiné e já tentaram assassiná-lo em Queluz. É o preço que está a pagar por ter combatido ferozmente no Exército português contra os da sua cor do PAIGC.

Marcelino da Mata, com a Torre e Espada e restantes condecorações, esta semana, em Queluz.

O oficial mais condecorado do Exército português, hoje na reserva em Lisboa, não esquece as torturas de que foi vítima, no Ralis, em 1975, e promete vingança.

Foi em Madrid em 1975, que ele me disse com frio desprendimento, como se me estivesse a dizer as horas: “ O capitão Quinhones não perde pela demora. Quando o encontrar, hei-de matá-lo”.

Entendi que a afirmação fora proferida num momento de sofrimento físico e indignação moral. Pareceu-me uma ameaça excessiva, coisas de filme e que o tempo se encarregaria de dissipar a sede de vingança.

Enganei-me.

Há menos de dois meses, passados, portanto, 11 anos, ele reafirmou as suas intenções perante três juízes do Tribunal Militar de Santa Clara: “ Falta aqui um réu, o capitão Quinhones. Se ele aparecer morto, já sabem que fui eu”.

Ele é o capitão comando Marcelino da Mata, herói da guerra colonial na Guiné, interveniente em 2414 operações no mato, e o oficial mais condecorado do Exército português: uma Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1ª classe, uma de 2ª e uma de 3ª, aos louvores por actos de bravura em combate, perdeu-lhes a conta – “uns dizem que foram 47, outros 52”.

Um oficial que o conheceu bem na Guiné disse esta semana ao “T&Q”: “ Como era o Marcelino da Mata? Olhe o Rambo, comparado com o Marcelino, parece uma criança de infantário. E não estou a ser espirituoso – é verdade”.

Em Maio de 1975, no rescaldo do 11 de Março, com o país a guinar bruscamente à esquerda, o Ralis (Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa) era uma unidade revolucionária. No juramento de bandeira, os recrutas, barbudos e desalinhados, prometiam estar “ sempre, sempre ao lado do povo”, contra os reaccionários, os fascistas, os capitalistas, os imperialistas.

Comandava a unidade o coronel Leal de Almeida e era sua vedeta principal o capitão Dinis de Almeida, cognominado o “ Fittipaldi das Chaimites”. O general Spínola havia fugido de helicóptero para Espanha juntamente com um punhado de oficiais considerados reaccionários, e ali fundara o MDLP, um movimento dedicado a derrubar o comunismo em Portugal, corporizado no primeiro-ministro Vasco Gonçalves.

Iguais objectivos tinham o ELP (Exército de Libertação de Portugal, também sediado em Madrid mas mais político do que militar).

Foi neste pano de fundo que o então alferes comando Marcelino da Mata, um guineense trazido para Portugal para não ser fuzilado pelo PAIGC, foi preso por Dinis de Almeida e levado para o Ralis. – “Queriam saber que ligações o coronel Jaime Neves tinha com o ELP” – disse-me esta semana Marcelino da Mata. E rememorou: Estive um dia inteiro nas mãos de dois militares, o capitão Quinhones e o furriel Duarte, de dois civis, cujos nomes nunca soube, e de uma mulher de cabelos compridos, calças de camuflado, uma camiseta que dizia COPCON e uma pistola Walter com o coldre aberto.

Foi ela quem comandou as sessões de tortura: bateram-me com cadeiras de ferro e partiram-me costelas, a bacia e atingiram-me a coluna: por ideia dessa mulher, que ainda não sei quem é, deram-me choques eléctricos no nariz, nos ouvidos e nos órgãos sexuais, o que me deixou impotente durante três anos. Soube depois que na operação estiveram envolvidos elementos do MRPP. Identifiquei o capitão e o furriel Duarte porque o coronel Leal de Almeida os chamou pelo nome enquanto me espancavam”.

Depois de sete meses preso no forte de Caxias, Marcelino da Mata escapou a uma tentativa de rapto na sua residência em Queluz e fugiu para Espanha, onde foi acolhido pelo MDLP. Foi tratado por um médico espanhol e outro francês e trabalhou como mecânico em Talavera. Afirma nunca ter sido operacional do MDLP.

Nesse verão quente de 1975, eu deslocara-me a Madrid para fazer uma reportagem sobre o que era aquele movimento spínolista de que tanto se falava em Portugal, sem que alguém se lembrasse de lhe bater à porta e fazer as perguntas que entendesse.

Num primeiro andar da Calle Lagasca, no centro de Madrid, o seu chefe operacional, o comandante Alpoim Calvão, conduziu-me a um quarto. Sobre a cama, sem se poder mexer, estava Marcelino da Mata a recuperar dos espancamentos sofridos no Ralis.

Foi quando me disse que havia de matar o capitão Quinhones.

Esta semana, passados 11 anos, perguntei-lhe se o tempo havia cicatrizado essa ferida.

“ De maneira nenhuma. Ainda em Julho passado o reafirmei no Tribunal de Santa Clara, no julgamento do coronel Leal de Almeida” – foi a inesperada resposta dada com a mesma convicção de 1975, apenas amaciada por um ligeiro sorriso.

“ Assim que eu voltei de Espanha, o furriel Duarte soube e fugiu para o Canadá. O capitão Quinhones? Um dia hei-de encontrá-lo”.

Contactado anteontem pelo “T&Q” no seu novo regimento, o agora major Quinhones disse-me.” Não estou autorizado a falar, mas sempre lhe digo que não tive nada a ver com isso. Nunca bati no Marcelino da Mata nem em ninguém”.

Regressado em 1976 a Portugal, o oficial guineense, ainda alferes, foi integrado no Regimento de Comandos, na Amadora. Executava todos os deveres de um oficial do quadro permanente sem ser… português.

“Agora já sou, mas foi um problema enorme para me darem a nacionalidade; eu, que na Guiné jurei bandeira como português comentou”. Há muitos militares guineenses a quem ainda não deram a cidadania.

Estão há anos à espera, mas aos “fotocópias” deram num instante.

Fotocópias? “Sim, os “monhês”, os indianos; nós chamámos-lhes “fotocópias” porque têm aquela cor, não são pretos nem brancos”. E continua a recordar, revelando uma memória de precisão: “Sofri muitas pressões para sair da tropa. Estou convencido de que foi devido a manobras do PAIGC. Como oficial do Exército português, era embaraçoso para eles eliminarem-me, mas assim que saí começou a dança (ver caixa).

Um dia fui chamado a um brigadeiro do Serviço de Pessoal. Queria que eu assinasse um papel, pedindo a passagem à reserva. Disse-lhe que não assinava. Ameaçou-me de não me deixar sair e chamou um alferes e um tenente que entraram no gabinete. Eu lembrei-lhe que ele sabia muito bem que eu sairia quando quisesse. E para pôr ponto final no assunto, puxei pela pistola: o alferes dirigiu-se imediatamente à porta, abriu-a e eu saí ”.

Finalmente, em 1979, conseguiram dá-lo como “não apto”, devido a um ferimento num braço que nunca o impediu de ser o terror do mato guineense.

Ultrapassados há muito os prazos de promoção, saiu com o posto de capitão, auferindo a respectiva reforma, mais cerca de 18 contos como deficiente.

Hoje, com 46 anos, Marcelino da Mata suplementa a reforma com uns biscates aqui e ali, para sustentar a mulher e 15 filhos. Presentemente olha pelo físico do proprietário de um restaurante lisboeta. “Estive quatro meses a fazer a segurança da firma Tomás de Oliveira, no parque onde guardam as máquinas pesadas no bairro das Galinheiras” – conta. A Associação de Comandos arranjou-me o lugar porque ninguém queria ir para lá. A gatunagem prendia os guardas às árvores e roubava gasóleo para depois vender. Eu ainda andei lá aos tiros mas não houve mais roubos. O meu ordenado era de 100 contos mas a Associação ficava com 50. Cortei com eles”.

Mesmo assim, Marcelino da Mata considera-se um privilegiado. Ele acha injusto que outros guineenses, ex-militares do Exército português, não tenham a nacionalidade portuguesa nem qualquer reforma do Estado. “ Eles vivem em condições miseráveis”- acusa ele, sem nunca fundamentar os seus desabafos em considerações políticas ou ideológicas. No passado dia 21 de Agosto, Marcelino da Mata foi notícia por ter encabeçado uma manifestação à porta do Estado-Maior General das Forças Armadas, em defesa dos guineenses desprezados pelo Exército.

Na altura ninguém lhes deu ouvidos, mas na passada segunda-feira o ministro da defesa chamou-o. Logo a seguir, o general Almeida Bruno, comandante-geral da PSP e ex-combatente na Guiné, contactou-o pedindo-lhe uma lista de todos os ex-militares guineenses para que lhes seja concedida a nacionalidade portuguesa, condição essencial para que possam ser reformados ou reintegrados, igualmente lhe pediu uma lista das viúvas de guineenses mortos em combate para que lhes seja atribuída a respectiva pensão de sangue.

Marcelino da Mata está agora mais confiante no futuro dos seus camaradas guineenses em Portugal. “ Mas levou tanto tempo”- diz com indisfarçável amargura.

UMA MÁQUINA DE GUERRA

Marcelino da Mata tinha 19 anos quando um seu irmão, que havia faltado à incorporação militar, lhe pediu que fosse ao Centro de Recrutamento em Bissau saber em que situação se encontrava. Marcelino foi e o sargento não perdeu tempo.

“O teu irmão faltou mas tu ficas cá”.

Assim começou a sua carreira militar que, por sinal só não durou apenas dois anos por culpa dos guerrilheiros nacionalistas: “Já eu tinha 21 anos quando decidi fugir e aliar-me ao PAIGC, que na altura se chamava FLING (Frente de Libertação para a Independência Nacional da Guiné)”- conta Marcelino da Mata”. Mas eles decidiram exercer represálias por eu estar no Exército português e fuzilaram o meu pai e a minha irmã, que estava grávida de oito meses. Fiquei do lado português”.

As represálias do PAIGC intensificaram-se à medida que a eficácia militar de Marcelino da Mata ia espalhando o pânico entre as foças nacionalistas. “ A minha primeira mulher foi morta quando seguia num barco civil não armado. O PAIGC separou-a de umas vinte mulheres que iam a bordo e fuzilou-a” – recorda. A minha segunda mulher foi morta quando saía do mercado. Tinha ido às compras. Encostaram-lhe uma pistola à cabeça e dispararam. Estou de novo casado e tenho 15 filhos dos três casamentos. Estão todos comigo, aqui em Queluz”.

O capitão comando diz eu desde o derrube de Luís Cabral na Guiné nunca mais foi alvo de atentados. O oficial que o conheceu no mato guineense sintetiza: “ O PAIGC tinha como objectivo prioritário, eliminá-lo, compreende-se: o Marcelino era uma implacável máquina de guerra que causava estragos diabólicos ao inimigo. A acção dele foi muito importante na guerra colonial, independentemente da justeza da posição portuguesa. Ele fez coisas que ainda hoje parecem irreais”.

Marcelino da Mata fala da sua acção militar na Guiné, exceptuando duas coisas: as operações secretas que cumpriu em casos selectivos de eliminação física e o comportamento menos corajoso de alguns oficiais portugueses, hoje muito conhecidos. Ele fala da invasão da Guiné – Conakry em1971,comandado por Alpoim Calvão e aprovada por Spínola. (“ Falhou a tomada da emissora, mas libertamos os 28 prisioneiros portugueses”), duas incursões no Senegal em missões de busca e destruição de acampamentos inimigos (“Dávamos-lhes nos cornos e trazíamos o armamento aprendido”) e dos oficiais portugueses “ com eles no sítio”; o capitão António Ramos, ex-ajudante dos generais Spínola e Eanes, o general Carlos Azeredo, comandante da Região Militar Norte, e o coronel Carlos Fabião, hoje colocado num posto administrativo.

Descrição de uma operação típica:

- Quando sabíamos de um acampamento do PAIGC com, por exemplo, 20 ou 30 homens, eu escolhia três ou quatro do meu grupo e lá íamos.

- Só três ou quatro?

- E chegavam. Um deles era o corneteiro.

- ?!...

- Quando estávamos perto do acampamento eu mandava tocar a corneta. Quando lá chegávamos, os do PAIGC já estavam preparados, mas aquilo era um instante.

- Mas porquê avisá-los com a corneta?

- Porquê?!... Para lhes dar uma oportunidade. Não se encosta a arma a um gajo que está a dormir. Dá-se-lhe uma oportunidade para se defender.

Marcelino da Mata apenas lamenta os oficiais negros fuzilados pelo PAIGC após a independência.”Eles eram portugueses e bateram-se por Portugal. O Mário Soares, o Eanes e o Cavaco Silva pediram há dias ao governo de Bissau que não fuzilassem um guineense condenado à morte. Na manifestação junto ao EMGFA, eu perguntei-lhes por que razão não tinham intercedido a favor dos portugueses negros que o PAIGC fuzilou. O apelo que fizeram agora foi uma ingerência nos assuntos internos de outro país, ou não foi”?

Marcelino da Mata vive hoje com dificuldades. E se pudesse voltava para África. “ Para a Guiné não posso ir, mas gostava de ir para um país africano onde pudesse ser instrutor militar. Ainda sou novo e podia viver sem tantas dificuldades. Vamos a ver…”.



Mas, segundo Marcelino da Mata, o PAIGC não desistiu de eliminá-lo, já em Portugal. “Já tinha deixado o Regimento de Comandos e passado à reserva, quando uma noite, vinha eu para casa, um carro galgou o passeio e tentou atropelar-me. Desviei-me e anotei a matricula que dei à judiciária. Era falsa. Pouco tempo depois, também à noite, ouvi um tiro vindo de uns arbustos e senti a bala passar-me por cima. Era um básico que não sabia atirar à cabeça. Deu outro tiro e nada. Eu fiz fogo duas vezes para os arbustos mas o tipo fugiu”.


Pelos contactos e conversas que mantemos com a juventude de hoje, facilmente nos apercebemos que a Guerra do Ultramar é para os jovens portugeses um completo tabu, coisa que não admira dado o país de ignorantes e hipócritas em que vivemos, por um lado, e, por outro, o ostracismo a que foram votados os ex-Combatentes por Portugal, resultado de políticas anti-patrióticas adoptadas nos últimos 37 anos pelos diversos (des)governantes deste descambado país.

É do conhecimento geral que às novas gerações, há muitos anos, foi vedado nas escolas o acesso à História de Portugal, pela politicalhada e seus apaniguados do pós-25 de Abril de 1974.

Há rapaziada hoje, que diz que o 25 de Abril foi feito pelo Salazar e que Salgueiro Maia foi ponta-direita do Benfica!?

É UMA VERGONHA NACIONAL... INADMISSÍVEL E REPUGNANTE... que parece passar ao lado dos actuais políticos, que assobiam para o lado como nada se passasse e tenha a ver com eles. 

Também muitos dos que combateram nessa guerra fazem de conta que não sabem e vêem nada sobre esta matéria, por interesses políticos e outros bem mais obscuros.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

M357 – AOE (Associação de Operações Especiais) – espaço de TODOS os RANGERS - 10º Jantar/Encontro/Convívio - 6 de Agosto de 2011



NO 1º SÁBADO DE AGOSTO – DIA 6


10º Jantar Encontro/Convívio
Associação de Operações Especiais (AOE)
Espaço de TODOS os RANGERS 


UMA ASSOCIAÇÃO ONDE TODOS TRABALHAM, SE DIVERTEM E CONFRATERNIZAMESPAÇO DE TODOS OS RANGERS


O nosso lema, no "Espaço de TODOS os RANGERS", é: Aqui se demonstra o verdadeiro espírito de “FAMÍLIA RANGER”. O resto é conversa para inglês ouvir!


No mês de Julho, devido à festa anual da nossa Associação, em Lamego, que decorreu nos dias 1, 2 e 3 de Julho, coincidindo assim com o primeiro sábado do mês, não se realizou o nosso habitual jantar/convívio mensal no “Espaço de TODOS os RANGERS” (local que nos foi cedido pela DOMUS-Social da Câmara municipal do Porto).


Assim, apesar do mês de Agosto ser o período por excelência para o gozo de férias para a maioria do povo português, no passado dia 6 apresentaram-se para o rancho mais de duas dezenas e pessoas, que, segundo consta, deram bem conta do combate a duas panelas cheias de boa comida preparada pelo nosso habitual cozinheiro de serviço RANGER Manuel Lopes.


O extermínio de tal inimigo (duas paneladas de rancho) foi completamente cumprido!



O RANGER Lopes referencia o inimigo (pelo menos 2), identifica-o e dá as suas coordenadas ao pessoal.

O pessoal mira o inimigo, combina prepara a melhor estratégia de ataque e PIMBA QUE JÁ COMES!

Os nossos Convidados, Familiares e Amigos bem dispostos e assanhados contra o inimigo dizem: VENHAM ELES QUE NÓS CÁ ESTAMOS PARA JUDAR!
QUANTOS SÃO? QUANTOS SÃO ELES?
ATÉ OS COMEMOS! TODOS!
Diz o RANGER Barbosa: JÁ FORAM COMIDOS! TRITURADOS! ESTRAÇALHADOS! ESMIGALHADOS! ARRASADOS!
EM SETEMBRO QUE VENHAM OUTROS QUE ELES VÃO VER COMO É!!!
O nosso COR RANGER Pereira diz: NUNCA PENSEI QUE VOCÊS FOSSEM TÃO VALENTES! PELO MENOS A COMER RANCHO NÃO HÁ QUEM VOS BATA!


O pelotão de execução foi composto pelos seguintes tropas, demais adjuntos e assalariados:
  • RANGER Cândido Teixeira & Fátima,

  • COMANDO Fernando Lopes e Fernando Filho
  • RANGER Manuel Lopes & Paula

  • RANGER Albano Pereira 1º/81

  • RANGER Avelino Horácio Pereira 3º/73

  • RANGER António Rocha 1º/81

  • RANGER Manuel Pinho 3º/71

  • RANGER António Barbosa e Luísa 4º/72

  • RANGER Pais Monteiro e Lurdes 2º/71

  • RANGER Froufe Andrade 4º/67

  • RANGER Coelho 1º 2000, Suzana e Diogo

  • RANGER Fernando Araújo 4º/72

  • RANGER Leonel Rocha 1º/74 & Ana


Fotografias: © António Barbosa (2011). Direitos reservados.


ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS E UM JÁ PASSOU... VIVAM A VIDA… CONVIVAM… RIAM… DIVIRTAM-SE… E JUNTEM-SE A NÓS... NO ESPAÇO DE TODOS OS RANGERS


Até ao próximo dia 3 de Setembro de 2011 (sábado) no 11º Jantar/ENCONTRO/Convívio... se Deus quiser!


Reservas para: RANGER Lopes - 220 931 820 / 964 168 857 ou RANGER Ribeiro - 228 314 589 ou 965 059 516