domingo, 6 de maio de 2012

M447 - Mas um dia que finda na guerra...


AO COMBATENTE


Aquém ou Além... em Terra, na Água ou no Ar

Onde a sua amada Pátria lho requer...

Com um congénito, raro e intrépido senso

Que deram pelo nome de cumprimento do dever...

Arraigado pelo Povo, pela Bandeira, pela Pátria,

Por sua Honra e por sua Dignificação


Seja nas catacumbas das trincheiras em França, ou, 

Nas insondáveis e místicas picadas d’África. 

Nas veias um pleno de História deste Portugal, 

De Heróis que rasgaram mares então medonhos, 

E de bravos Guerreiros ousados e destemidos, 

Que s’agigantaram na opulência das façanhas, 

Cravando, pelo mundo, marcos de universal memória 

Selados, ad eternum, pelo sangue dos nossos Mortos... 



Qu’isto é tal orgulho qu’extravaza a pena do poeta 

Ali… onde o azar canta, a sorte se devaneia delirante, 

E as brisas empestam a doce acre da pólvora queimada 

Onde as noites são infindas, os dias por demais longos 

E as insónias provocam o êxtase do irreal 

Onde infernizam quer a chuva quer o calor ardente 

E a lama e o suor se mesclam com o sarro e os parasitas 

Onde tudo definha entre laivos de pesadelo e loucura, 

E o estridente som das bombardas petrifica 

Onde o sibilar dos estilhaços e das balas buscam as carnes, 

E em salpicos e retalhos as vidas se esvaem 

Onde o pensamento mesmo que escasso bloqueia, 

E o terror e a agonia dobram o aço mais duro 

Onde o Apocalipse assenta arraiais Dantescos, 

Com tais cenários que Maquiavel abominaria o repasto 

Onde se fere, se mata, a morte baila sobre a barbárie 

E as filosofias s’anulam na tragédia e no drama 




Tão tremendo que só um irmão d’armas o interpreta 

Nos seus medos, nos seus rasgos, no seu íntimo... 

Nos seus anseios, nos seus projectos, nas suas migalhas 

Está um Ser... um Sobrevivente... um Lutador, 

Um Sonhador... um Senhor... um Herói... 

Um Patriota... uma Excelência… Um Português... 

Um Combatente! 



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