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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

M388 - JAIME NEVES - Mais um Herói de Portugal


HERÓIS DE PORTUGAL

Com a devida vénia e agradecimentos, reproduzimos um artigo da autoria do Prof. Doutor Rui de Azevedo Teixeira, publicado na última revista TABU (do semanário O SOL),  sobre o Sr. Brigadeiro COMANDO Jaime Neves. 


Ostracizados e desprezados por uma politicalhada pós-abrilada constituída na sua quase totalidade por TRAIDORES e DESERTORES, desprovido de todo e qualquer  valor patriótico...

Combateram por PORTUGAL.

Deram o seu melhor, como podiam e sabiam, muitas vezes até ao limite das suas forças... 

Algumas vezes com a própria vida.

A paga e as compensações estão à vista desde o 25 de Abril de 1974... ZERO! NADA!

É tempo de vos apresentar mais um HERÓI de Portugal... 







Há muitos mais Heróis portugueses, votados ao esquecimento, que espero divulgar brevemente.
VIVA PORTUGAL!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

M138 - Operação IRENE - Homenagem a 2 "Operações Especiais - SNIPERS", Heróis dos E.U.A.


1. Na mensagem “M137” fala-se de um filme de extrema acção e violência, que resultou numas largas centenas de mortes em combate, ocorridas durante a execução de uma Operação muito especial, a que foi dado o nome de código IRENE.

O filme mais não é que uma reconstituição real, dramática e comovente, que envolveu, a Task Force RANGER que prestava serviço, integrada na força de paz da ONU, com tropas de outros países, em Mogadíscio na Somália.

Para além do filme e seus excelentes actores, regista-se aqui uma homenagem a 2 Homens, ali falecidos em combate, que receberam Medalhas de Honra.

Não pode deixar de impressionar, até os menos sensíveis, a coragem destes 2 sargentos que, conhecedores de que não tinham qualquer hipótese de saírem vivos daquele “formigueiro” inimigo, voluntariaram-se, mesmo assim, para tentar socorrer 4 camaradas, que se encontrariam eventualmente feridos, dentro de um dos 2 helicópteros “Falcões Negros”, que haviam sido derrubados pelo fogo hóstil momentos antes.

Já lá vão 16 anos sobre esta efeméride (1993), mas é caso para dizer: Ainda há Homens que, para protegerem e tentarem salvar os seus Camaradas, tudo dão até a vida se necessário…
Este sim é um valor que define os seres invulgares e supremos desta vida terrena, e estes sim é que são os Homens que merecem o rótulo de... Heróis!

Foi muita pena não terem sobrevivido. Mas, uma das negras hipóteses na Vida de um militar... que nenhum deseja mas que NENHUM deles está livre é, caso assim seja chamado pelos seus superiores aocumprimento de uma missão... morrer em combate!
Paz às suas almas!

2. Fichas e menções militares de 2 dos Heróis que receberam Medalhas de Honra, no seu país, os Estados Unidos da América:

GARY IVAN GORDON (1960-1993)



Posto, Especialidade e Unidade à data da acção: Sargento-Mor, Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos, Líder da Equipa de Snipers na “Task Force Ranger”.

Organização: Sargento-Mor do Exército dos Estados Unidos.

Lugar e data: 3 de Outubro de 1993, Mogadíscio na Somália.

Nascido em: Lincoln no Maine.

Citação: o Sargento-Mor Gordon, das Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos, distinguiu-se em acções mais do que o dever obriga, no dia 3 de Outubro de 1993, servindo como Líder de Equipa de Snipers na Task Force de RANGERS, em Mogadíscio na Somália.

A equipa de snipers do Sargento-Mor Gordon forneceu fogo de precisão a partir do helicóptero principal, durante o assalto e nos dois locais das quedas dos 2 helicópteros, enquanto submetido a fogo intenso de armas automáticas e “roquetadas” disparadas por lança-granadas do inimigo.

Quando o Sargento-Mor Gordon compreendeu que as forças de terra não foram imediatamente disponibilizadas, para assegurar a defesa do segundo local de queda, ele e outro camarada sniper, sem hesitação, pediram para ser apeados e seguirem para o local, afim de protegerem os quatro militares feridos criticamente, apesar de estarem bem cientes do número crescente de pessoal inimigo que se aproximava do sítio.

Depois do seu terceiro pedido de autorização, o Sargento-Mor Gordon recebeu a permissão de executar esta missão voluntariamente.

Quando o entulho e os fogos de terra inimigos, no sítio, causaram a abortagem da primeira tentativa, o Sargento-Mor Gordon foi deixado a cem metros a sul do local da queda. Equipado só com o seu rifle de longo alcance e uma pistola, o Sargento-Mor Gordon e o seu colega, abriram caminho sob fogo intenso do inimigo, por um labirinto denso de barracos e cabanas, para conseguir alcançar os membros da tripulação que estavam criticamente feridos.

O Sargento-Mor Gordon imediatamente alcançou o piloto e os outros membros de tripulação do helicóptero, estabelecendo um perímetro de segurança colocando-se ele e o seu colega sniper, na posição mais vulnerável. O Sargento-Mor Gordon usou o seu rifle para eliminar um número indeterminado de atacantes até ficar sem munições.

O Sargento-Mor Gordon voltou então ao aparelho caído, recuperando algumas armas e munições da tripulação. Apesar das poucas munições, ele ainda forneceu algumas ao piloto ferido. O Sargento-amor Gordon continuou segurando o perímetro e protegendo a tripulação derrubada.

Depois do seu membro de equipa ter sido fatalmente ferido e as suas próprias munições de rifle se esgotarem, o Sargento-Mor Gordon voltou novamente ao aparelho caído, recuperou um rifle com cinco carregadores de munições e deu-os ao piloto, com as palavras, 'boa sorte.'

Então, armado só com a sua pistola, o Sargento-Mor Gordon continuou a lutar até ser fatalmente ferido. As suas acções salvaram a vida do piloto.

O heroísmo extraordinário de Sargento Gordon e a sua devoção ao dever, estiveram de acordo com os padrões mais altos do serviço militar, e reflectem um grande crédito sobre a sua pessoa, a sua unidade e o Exército de Estados Unidos.


RANDALL D. SHUGHART (1958-1993)


Posto, Especialidade e Unidade à data da acção: Sargento de Primeira Classe, Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos e membro da Equipa Sniper na Task Force RANGER.

Organização: Sargento de Primeira Classe do Exército dos Estados Unidos. Lugar e data: 3 de Outubro de 1993, Mogadíscio na Somália.

Nascido em: Newville na Pensilvânia.

Citação: o Sargento de Primeira Classe, Shughart, do Exército dos Estados Unidos, distinguiu-se por acções mais do que o dever obriga no dia 3 de Outubro de 1993, servindo como Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos e Membro da Equipa Sniper, integrada na Task Force RANGER em Mogadíscio, na Somália.

O Sargento de Primeira Classe Shughart forneceu fogo de sniper de precisão do helicóptero principal, durante o assalto a um edifício e em dois locais de queda de helicópteros, enquanto submetido a intenso fogo de armas automáticas e “roquetadas” disparadas por lança-granadas.

Forneceu fogos supressivos críticos no segundo local de queda de um dos helicópteros, quando o Sargento de Primeira Classe Shughart e o seu líder de equipa compreenderam que as forças de terra não estavam imediatamente disponíveis para segurar o local.

O Sargento de Primeira Classe Shughart e o seu líder de equipa, sem hesitação, ofereceu-se para ser apeado e proteger os quatro camaradas feridos criticamente, apesar de estar bem consciente do número crescente do pessoal inimigo que se aproximava do sítio.

Depois do seu terceiro pedido para ser apeado, o Sargento de Primeira Classe Shughart e o seu líder de equipa receberam a permissão de executar esta missão voluntariamente.

Quando o entulho e os fogos de terra inimigos na zona causaram a abortagem da primeira tentativa, o Sargento Primeira Classe Shughart e o seu líder de equipa foram deixados a cem metros a sul do local da queda.

Equipado só com o seu rifle de longo alcance e uma pistola, o Sargento Primeira Classe Shughart e o seu líder de equipa, enquanto debaixo do fogo intenso do inimigo, abriram caminho por um labirinto denso de barracos e cabanas, para conseguir alcançar os membros de tripulação criticamente feridos.

O Sargento de Primeira Classe Shughart protegeu o piloto e outros membros de tripulação do avião, estabelecendo um perímetro, que o colocava a ele próprio e ao seu colega sniper na posição mais vulnerável.

O Sargento de Primeira Classe Shughart usou o seu rifle de sniper para eliminar um número indeterminado de atacantes, em volta do perímetro, protegendo a tripulação derrubada.

O Sargento de Primeira Classe Shughart continuou o seu fogo protector até que lhe acabaram as munições e fosse fatalmente ferido. As suas acções salvaram a vida do piloto.

O Sargento de Primeira Classe Shugart demonstrou heroísmo extraordinário e devoção ao dever de acordo com os padrões mais altos do serviço militar e reflectem um grande crédito sobre a sua pessoa, a sua unidade e o Exército de Estados Unidos.

Textos das Citações retirados de:

http://prweb0.voicenet.com/~lpadilla/blackhawk.html

http://www.history.army.mil/html/moh/somalia.html

domingo, 26 de abril de 2009

M98 - DANIEL ROXO - Um mito que foi Herói e uma Lenda da Guerra do Ultramar (Metapédia - Enciclopédia alternativa)

Com a devida menção à origem - a Metapédia - Enciclopédia alternativa -, retirei este artigo sobre aquele que foi um dos últimos portugueses a morrer em combate.

Daniel Roxo


Daniel Roxo era transmontano de nascimento e doou-se completamente à defesa da Pátria.


Morreu em território português de Angola continuando a luta onde o deixaram - no Batalhão 32 do Exército Sul Africano. 

Ele que foi sempre o Comandante aceitou as divisas de Sargento e decidiu (como tantos outros da sua estirpe) continuar o combate.


A sua acção em combate foi épica. A ele e a outros poucos portugueses se deve a grande vitória da ponte 14 (Dezembro de 1975 - no rio Nhia) em que milhares de cubanos e MPLA foram clamorosamente derrotados pelo Batalhão 32. 

Durante a batalha os portugueses do Batalhão 32 sofreram quatro mortos. Os Cubanos e MPLA perderam mais de 400 homens, embora o número exacto seja difícil de determinar pois, como a BBC mais tarde informou, camiões carregados de cadáveres estavam constantemente a sair da área em direcção ao norte. 

Entre os Cubanos mortos estava o comandante da força expedicionária daquele país, o Comandante Raul Diaz Arguelles, grande herói da Cuba de Fidel. E note-se sem a intervenção de meios aéreos! Só com apoio da artilharia.


Foi cronologicamente a última grande batalha em que soldados portugueses (no século XX) se bateram. E bem! 

Trata-se de uma batalha que nas nossas Academias Militares não é estudada (nem sequer conhecida), mas que pelas inovações tácticas e emprego de pequeníssimos grupos de comandos deu resultados bem inesperados (para os cubanos, é claro). No entanto esta batalha é estudada (e bem) nas academias russas, britânicas e americanas (algumas).

Poucos meses depois o nosso Daniel Roxo morria em combate. Antes contudo tinha já recebido a maior condecoração sul africana (equivalente à nossa Torre e Espada). Só no primeiro reconhecimento abateu (sozinho) 11 inimigos a tiro.

Durante uma patrulha perto do rio Okavango, o seu Wolf (veículo anti minas semi blindado) rebentou uma mina e foi virado ao contrario, matando um homem e esmagando Roxo debaixo dele. O resto da tripulação tentou levantar o veiculo para o libertar mas era demasiado pesado. Breytenbach, (antigo comandante dos Búfalos, no seu livro (Eles vivem pela Espada - They Live by the Sword, pp. 105) escreveu:

Danny Roxo, mantendo-se com o seu carácter intrépido, decidiu tirar o melhor partido das coisas, acendendo um cigarro e fumando-o calmamente até que este acabou, e então morreu - ainda esmagado debaixo do Wolf. Ele não se tinha queixado uma única vez, não tinha dado um único gemido ou grito, apesar das dores de certeza serem enormes.

Assim morreu o Sargento Danny Roxo, um homem que se tinha tornado numa lenda nas Forças de Segurança Portuguesas em Moçambique, e que rapidamente se tinha tornado noutra lenda nas Forças Especiais Sul Africanas.

Retirado de "http://pt.metapedia.org/wiki/Daniel_Roxo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

M38 - GUINÉ - A Minha Guerra - RANGER José Pereira de Carvalho - Guiné 1972/197414 (Publicado no jornal Correio da Manhã, em 14 de Dezembro 2008)

A Minha Guerra - José Casimiro Pereira de Carvalho - Guiné 1972/1974 

"Combati no inferno verdadeiro" 


Alombei com camaradas mortos, vi outros serem abatidos, socorri alguns em Guileje e Gadamael e evitei que dois soldados mais novos fossem para a matança.

Fiz a recruta em Leiria, no Regimento de Infantaria 7, e de seguida fui escolhido para frequentar o Curso de Sargentos Milicianos nas Caldas da Rainha. Depois fui nomeado para Tavira, mas não cheguei a ir porque fui escolhido para tirar o Curso de Operações Especiais nos Rangers de Lamego, que terminei com 15,28 valores. Mais tarde, em Estremoz, como cabo miliciano, dei instrução num pelotão da Companhia de Cavalaria 8351 (‘Os Tigres de Cumbijã). Fui nomeado para servir no Comando Territorial Independente da Guiné e transferido para a Companhia de Cavalaria 8350 (‘Os Piratas de Guileje’). 


Embarcámos em Outubro de 1972 e, já em Bissau, seguimos para Cumeré, e duas semanas mais tarde embarcámos numa lancha de desembarque para Gadamael, donde seguimos para Guileje. Aqui, em sobreposição com ‘Os Gringos’, tivemos um período de muito trabalho em patrulhas. Mas passámos uns meses descansados. Andei a caçar pássaros com uma caçadeira que o chefe da tabanca me emprestava (só pagava os cartuchos). Apanhava aos 50 pardais com cada tiro e os jubis (miúdos) agarravam os que ficavam feridos. Era cada arrozada! 


Mas os tempos iriam piorar. Um dia, o alferes Lourenço, ao manusear uma granada duma armadilha, rodeado de militares - eu estava emboscado com o meu grupo -, ela explodiu-lhe na mão e matou-o instantaneamente. Já no quartel, ao ajudar a pegar no cadáver, este quase se partiu em dois. Que dor senti, chorei como nunca. Era o prenúncio do que nos esperava. Um dia fomos atacados pelo inimigo com canhões sem recuo, e um Fiat G91 da Força Aérea Portuguesa foi contactado pelo comandante capitão Abel Quintas, que lhe indicou o rumo das saídas (zona de explosão dos projécteis a saírem das bocas de fogo) e ele seguiu. Mais tarde soube que tinha sido abatido por um míssil Strella terra-ar. Intervieram os pára-quedistas e o grupo do Marcelino (‘Os Vingadores’ das Operações Especiais), numa confusão de tropas como nunca tinha visto. Pedi ao Marcelino para me levar na operação de resgate do piloto tenente Pessoa, que aceitou, mas o meu comandante não foi na conversa, não obstante o Marcelino ter dito que me trazia de regresso, nem que fosse às costas. 


Entretanto, fui nomeado para comandar os reabastecimentos, antes do isolamento, entre Cacine e Gadamael. Andava eu a curtir o Sol em lanchas de desembarque, quando Guileje, no Sul da Guiné, foi abandonada, por ordem do então major Coutinho e Lima – que por isso foi mandado prender pelo general Spínola -, seguindo as nossas tropas e a população para Gadamael Porto, a 18 km de distância, onde passados uns dias começou a matança no verdadeiro inferno. Foi um horror que a minha cabeça ainda hoje se recusa a qualificar e quantificar. Em Gadamael não havia casamatas (abrigos subterrâneos) como em Guileje, só valas. Os bombardeamentos eram tão intensos que nem dava para acreditar e, depois de ouvirmos as saídas, passavam apenas 22 ou 23 segundos até as granadas caírem em cima de nós. Num dos voos para uma vala, onde nos escondíamos, senti as nádegas húmidas e ao pôr a mão ficou encharcada em sangue. Gritei que estava ferido e fui evacuado num barco patrulha da Marinha para Cacine, onde verificaram que tinha um estilhaço de um morteiro de 122 mm. Como não havia necessidade de ser transferido para Bissau, fui nomeado chefe de limpeza. 


Quando começaram a chegar as vítimas deste holocausto, e como ouvia os meus camaradas a embrulhadar (bombardeados), deu-me um clique na cabeça, peguei numa Kalashnikov, virei-me para um oficial e disse: ‘ou me mandam já para Gadamael onde morrem os meus homens ou varro já esta m...’ Não me lembro dos momentos seguintes, mas sei que depois me vi num Sintex (barco em forma de banheira de fibra de vidro), a caminho de Gadamael. Aqui, num dos bombardeamentos, já no fim, vi um soldado a cair e, ainda com o fumo no ar e o eco das explosões nos ouvidos, saí em correria louca, alombei com ele às costas e corri para a enfermaria. Ao colocá-lo no chão, vi que não tinha metade do crânio e os miolos escorriam pelas minhas costas. Nessa enfermaria jazia um militar morto por bombardeamentos em Guileje e que mais tarde foi enfiado em dois bidões soldados juntos, tal o estado do cadáver. Na enfermaria, os cadáveres eram tantos e o cheiro tão nauseabundo que era constantemente regada com creolina. Num dos ataques, o capitão Quintas (comandante de ‘Os Piratas de Guileje’, cujo nome e emblema foram criados por mim) foi ferido muito gravemente. Ajudei-o a chegar ao cais, debaixo de fogo, arranjei um Sintex e, como não tinha depósito, corri, debaixo dum bombardeamento terrível, a arranjar um. O barco seguiu então para Cacine levando mais feridos.


Noutra altura, um oficial chamou meia dúzia de homens e mandou-os fazer uma patrulha ao longo de um rio e emboscarem-se numa zona de uma antiga pista de aviação. Eu, ao sair com o alferes Branco, reparei em dois soldados que estavam para ir e ordenei-lhes que ficassem porque ainda eram muito novos para morrer. Quando o alferes nos mandou emboscar, ouvi um barulho estranho vindo do mato, atirei-me ao chão e gritei que estávamos a ser atacados. Ainda vi a cara do alferes a ser atingida por uma rajada. Foi um tiroteio terrível. Um grupo de pára-quedistas foi em nosso socorro e quando chegou encontrou quatro corpos: o alferes Branco, o cabo Neves e os soldados Serafim e Anselmo. 


A minha companhia foi evacuada e esteve para regressar à Metrópole, mas foi decidido que devíamos fazer outra Instrução de Actividade Operacional. Eu fui para Prabis com 12 homens, outros para Quinhamel ou Bijemita, depois fomos para Colibuia-Cumbijã. Eu fui destacado para render o furriel Cláudio Moreira das Operações Especiais. Entretanto, aconteceu o 25 de Abril e fui para Paúnca para a Companhia de Caçadores 11 (‘Os Lacraus’), até ao fim da comissão.

FAMÍLIA VISITA TODOS OS ANOS OS RANGERS EM LAMEGO
José Casimiro Pereira de Carvalho mora em Vermoim, na Maia, e é casado há 33 anos. Tem duas filhas, a Kika, de 31 anos (administrativa) e a Sofia, de 26 (economista). Tem uma neta, da primeira filha, com dois meses (Beatriz).

Nasceu em Cedofeita, Porto. Completou o ciclo preparatório, trabalhou em hotelaria e quando foi para a tropa estava no Hotel Castor, no Porto. Quando regressou, era furriel miliciano de Operações Especiais (Ranger).  

Convidado para seguir a vida militar, não aceitou e foi trabalhar como empregado de mesa no restaurante Barcarola. Entretanto, foi para a BT-GNR, onde esteve durante 26 anos, até à reforma, em 2003. Agora, passa o tempo a ajudar um amigo que trabalha em aço inox para mobiliário. Todos os anos a família vai a Lamego, aos Rangers, porque adora a instituição.

domingo, 14 de dezembro de 2008

M37 - Guiné - MAIO DE 1973 - O INFERNO DE GUILEJE

Enviado pelo meu camarada ex-Combatente e amigo Manuel Henrique, mais 12 páginas sobre a Guiné - neste caso a descrição do vietname português, que foi um inferno em Guileje (Extraído do excelente livro Guerra Colonial do Diário de Notícias).  




































































































segunda-feira, 13 de outubro de 2008

M33 - MEMÓRIAS DE UM EX-FURRIEL G.E. (GRUPOS ESPECIAIS)




A mais alta de todas as traições
 Muitos africanos foram os nossos melhores amigos
Tinham orgulho em envergar uma farda portuguesa
Na instrução eram afincados, cumpridores, e...
No combate davam tudo... até a vida... com nobreza!


Após a revolução dos cravos
Reinava no país a anarquia
Assaltavam-se as Instituições
O povo em “partidos” se dividia

Gente a falar do que não sabia
Ou que não sabia do que falava
Que ora dizia uma coisa
E passados minutos... negava

No meio de todas as convulsões
O poder político era “restaurado”
Os governos tomavam decisões
Aos repelões... uns p’ra cada lado

E assim, no meio deste “arraial”
Foi assinado, se bem me lembro
O acordo p’ra descolonização
Nesse ano, em 9 de Setembro

Só para se ter uma leve ideia
Do resultado deste “processo”
Olhe-se para o drama de Timor
O grotesco de um insucesso

Mas se Timor é a “cara” da moeda
A “coroa” anda envergonhada
Vamos virá-la e falar nela
Iluminar uma traição abafada

Uma ignóbil e cobarde traição
A história qu’aqui se vai contar
Parte do povo ignora... naturalmente
Outra sabe... mas prefere não falar

Assim, começando pelo princípio
Na “nossa” África colonial
Os africanos eram baptizados, e…
Registados... em nome de Portugal

Portugueses para todos os efeitos
Eram convertidos ao burgo cristão
Eram detidos, julgados e punidos
Por leis e juízes da nossa Nação

Pois era, muitos desses africanos
Nas nossas escolas estudavam
Dignos de respeito e estima, e…
No nosso meio trabalhavam

Eram tratados com igualdade
E cumpriam serviço military
Prestavam juramento de bandeira
Juravam, também, a Pátria honrar

Na tropa ostentavam com orgulho
As mesmas insígnias e fardas
Tornavam-se aprumados, vaidosos
Seguravam firmes as espingardas

Combatiam fiéis ao nosso lado
Ao nosso lado feridos tombaram
Alguns estropiados p´ra sempre
Outros... a vida sacrificaram

Em Angola, Moçambique e Guiné
Foram louvados e condecorados
Foram graduados do Exército
E, como Heróis foram saudados

Logo após a descolonização
Estes “pretos” foram abandonados
Portugal deixou de os considerar “seus”
Os “deles” acusavam: “- São renegados!”

Votados ao desprezo e à humilhação
Fria e cruelmente torturados
Apátridas ao “seu” novo “Partido”
Foram sumariamente executados!

Odiados por um simples facto
Que nunca lhes foi perdoado
Gostarem e lutarem pelos “portugas”
Seu único e último... pecado

Perante a velada indiferença
Dos políticos e das Nações
É tempo da História julgar
A MAIS ALTA DE TODAS AS TRAIÇÕES

Haverá porventura... gesto humano mais divinal…
Q’um homem possa fazer para outro auxiliar…
Que disponibilizar o seu mais supremo bem... a vida?
Jamais deixemos a sua memória alguém desonrar!

domingo, 12 de outubro de 2008

M32 - FLECHAS, GE.s e MILÍCIAS (in JORNAL DE NOTÍCIAS de 15FEV1996 - Jorge Ribeiro)







 FLECHAS, GE.s GEP.s e MILÍCIAS 
(in JORNAL DE NOTÍCIAS de 15FEV1996)
Pelo jornalista Jorge Ribeiro








quinta-feira, 2 de outubro de 2008

M16 - RAMBOS DE CARNE E OSSO - 100% PORTUGUESES

RAMBOS DE CARNE E OSSO - 100% PORTUGUESES

OS TERRORES DE TODAS AS GUERRAS 

GENERAL COMANDO ALMEIDA BRUNO
COMANDANTE FUZO ALPOIM CALVÃO
TCOR COMANDO MARCELINO DA MATA

OS MILITARES PORTUGUESES MAIS CONDECORADOS DE SEMPRE NA HISTÓRIA DE PORTUGAL

Com a devida vénia e agradecimentos publicamos mais um extracto do jornal Tal & Qual, contendo outra excelente e rara reportagem sobre os maiores, mais louvados e condecorados Combatentes por Portugal de todos os tempos, em que Portugal se fundou como país soberano.

Por motivos todos eles classificados de anti-patrióticos, originados por pseudo-portugueses de pacotilha, traidores e cobardes, pouco se fala deste Homens.

Muitos dos média lusos (jornais, TVs, revistas, etc.) nunca dedicaram uma única página, uma imagem sequer, a estes Homens.

É bem sintomático do miserável e abjecto país que formamos.

Felizmente á alguns, entre eles o jornal Tal & Qual, que periodicamente lhes dedicam pedaços do seu espaço informativo.




terça-feira, 30 de setembro de 2008

M10 - Um Herói da Guiné: Capitão João Bacar Jaló

João Bacar Djaló em Catió, 1967, ainda Tenente 

Um dos Herói da Guerra da Guiné
Capitão João Bacar Jaló (1929 a 1971) 



Já muito se disse no blogue sobre um dos maiores Heróis da Guerra na Guiné, o Capitão Graduado João Bacar Jaló (JBJ), Comandante da 1ª Companhia de Comandos Africanos. 

No entanto, creio que o documento que hoje aqui anexo (cuja única indicação é que é uma publicação do SPEME), onde se apresenta uma sua pequena biografia ajudará, com certeza, a complementar o nosso conhecimento daquele homem, que serviu exemplarmente mais de 22 anos o nome de Portugal e o Exército Português, tendo falecido em combate, em 16 de Abril de 1971. 

Gostava de fazer um apelo a quem melhor conheça o modo como ele morreu, para que nos ajude a esclarecer se o que me contaram é verdade, e que é a seguinte: O JBJ quando saía para uma missão levava, habitualmente, várias granadas presas no suspensório ao nível do peito. Nesse dia 16 de Abril, tal como diz na brochura, ele acorria em socorro de um dos seus homens feridos, progredindo em sua direcção e, ao passar sob uma arvorezita, um dos seus galhos engatou-se numa das argolas das granadas, acabando por a despoletar. 

Ao aperceber-se do clique da espoleta da granada, e da eminente explosão da mesma, o JBJ gritou para os homens que o rodeavam: - CUIDADO! – tendo-se lançado de imediato para o solo tentando abafar sob o seu corpo a consequente explosão.

Mais me contaram, que todas as outras granadas que ele transportava, explodiram também por “simpatia”, tendo-lhe mutilado horrivelmente o corpo. 











Foto e legenda: © Benito Neves. Direitos reservados.