Apresenta-se o RANGER Abílio Sousa Rodrigues
Aqui simulando tiro com uma pistola Walter P38 - calibre 9 mm.
Com todo o pessoal formado, cento e tal homens "CHEIOS DE CORAGEM", foi-nos dito que quem queria ir para aqui e para ali, devia dar um passo em frente.
Para Lisboa? Nãoooo!
Para Chaves? Eh... eh... naaaaaaaaaaaaaa...
Vila Real? Eh... eh... naaaaaaaaaaaaaa...
Para Lamego... RANGERS... porque nãooooooooooo!
Depois de muita indecisão... oferecemo-nos trinta e tal bravos. Bravos estes que juraram união eterna.
Lá partimos em direcção a Lamego, perante o espanto de "prontos" e oficiais que nos apelidaram de MALUCOS.
Nesta experimenta a sensação de voar (sem asas) num espectacular slide. O local é uma encosta junto à barragem de Vilar
Depois de uma "suave" viagem de Berliet, Marão acima (naquele tempo ainda não havia o luxo das auto-estradas), chegamos ao C.I.O.E., aonde fomos apelidados de "encomendas" pois éramos voluntários.
Iniciou-se logo aí a psicoterapia, com frases do género: «Vindes para enfardar... o melhor é vocês desertarem... pois os "senhores do puerto" - como nos chamavam na instrução -, não sabem onde vieram parar».
Os "jagunços" ainda se lembram?
Claro que sim aqueles homens jamais esquecerão aqueles "engraçados" momentos.
Ali, na recruta, recebi o número de ordem 365, o mesmo que os dias do ano.
Nome de guerra: Abílio.
Em seguida, marchamos para a C.O.E. - Companhia de Operações Especiais, que naquele tempo - 1983 -, era a habitual casa dos RANGERS.
De referir que quando lá chegamos já o resto da malta tinha feito a "Largada" e já tinham uma ideia do que era aquilo, portanto a partir daqui foi sempre a doer.
Fiz o curso com bom aproveitamento - distinguido com o prémio de aptidão física.
Quase todos os que foram comigo concluíram o curso.
Foi por "obra e graça" de um , cujo nome era Pinto - dos lados de São João da Pesqueira - , que tinha por mim um ódio de "estimação" irracional, talvez por não ter como eu lhe disse na cara, nessa altura, "pedalada" para alguns de nós excluiu-me da escola de cabos.
Nesse ano, fez connosco o curso, um grupo de elementos da G.N.R, onde se destacaram, entre outros, o Carlos Lopes, o Pica e o Sargento Reis, só para citar alguns bons camaradas.
Um Bem-haja a todos eles.
Passado um ano tive um acidente em Lamego, que teve o condão de terminar com o meu sonho de ser RANGER no activo militar, pois daí resultou uma deficiência num dos meus joelhos em quase 50%.
Mas no meu coração está gravado, até à morte, o emblema dos RANGERS de Portugal.
RANGER ATÉ AO FIM!
P.S. - De referir que tinha na altura o recorde da pista RANGER, a quem tanto gosto de chamar a "minha" pista. Também obtive um dos melhores tempos da pista REF.
Era Comandante da 3ª Cia. - Capitão Mendes
Eram Comandantes do 4º Grupo de Combate - Aspirante Pinto e o Furriel Peixoto
Ora aqui está numa guardazinha à porta de armas do C.I.O.E.
No dia 17JAN1983, uma 2ª feira fria de Inverno, apresentou-se no quartel do R.I.P. (Regimento de Infantaria do Porto), na Senhora da Hora - Porto -, o cidadão Abílio Sousa Rodrigues, ao qual foi dado o número mecanográfico 096956/83.
Para quem morava a 10 minutos do referido quartel, melhor era impossível.
Como o que é bom acaba depressa, e depois de termos tido uma prova mini-fantasma (a modos que uma praxe na tropa), que nos foi ministrada pelos "heróis da companhia", viemos passar o fim-de-semana a casa.
Na segunda-feira seguinte, regressamos às lides castrenses e aí tudo se começou a alterar... para pior.
Fotos: Abílio Rodrigues (2009). Direitos reservados.