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terça-feira, 17 de julho de 2012

M508 - Os ex-Combatente​s da Guerra de África integram hoje a legião dos sem abrigo


Mensagem enviada pelo RANGER Luís Nabais

IMAGENS DE UM PAÍS SEM MEMÓRIA PELO SEU PASSADO, SEM RESPONSABILIDADE E SEM VERGONHA!


Com a devida vénia, um filme sobre os ex-combatentes, enviado pelo Dr.Francisco H. da Silva, ex-Alf Mil na Guiné, e posterirmente Embaixador lá também.

Quer acrescentar, porqye estive "metido no problema até há pouco" que a Liga tem feito muito pelos Ex combatentes.

O Sr.General Chito Rodrigues é quem mais tem lutado por todos, e tem conseguido coisas até aqui impensãveis (saúde, apoio psic, roupas, comida) etc1

Nós ADFA temos tomado conta de alguns, de algum modo, e também de alguns africanos que vivem no antigo quartel de transmissões na Graça, em condições miseráveis.Todos aguardam, alguns há mais de 12 anos,serem considerados Deficientes Militares (lutaram ao nosso lado), mas estão à sua sorte!

Tentou-se filmar... conseguiu-se alguma coisa, mas a partir de determinados locais, foi proibido!

Suicídios têm sido muitos...

A C.Vermelha, tirou-nos o Lar (Av. D.Leonor), e poucos estão lá ainda, não sendo os lugares preenchidos novamente por DFA´s.

Só para quem paga...

Vergonha.

Luis Nabais
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A nossa sociedade abandonou-os (abandonou-nos) e está ansiosamente à espera que se finem (ou que nos finemos) para poderem limpar algum suor da testa, seguir adiante e poupar mais uns míseros tostões. É esta a "ditosa Pária , minha amada" que cantava Camões ou o eterno Portugal dos pequeninos, não no sentido de criancinhas mas de gente bera, ruim e mesquinha?

sábado, 13 de março de 2010

M196 - Iniciativas da ADFA em Lisboa: Vítimas de stress pós-traumático da Guerra do Ultramar - Rede Solidária (RANGER Luís Nabais)


Iniciativas da ADFA em Lisboa
Vítimas de stress pós-traumático da Guerra do Ultramar
Rede Solidária
(pelo RANGER Luís Nabais)


Promovendo mais uma das iniciativas da ADFA (Associação dos Deficientes da Forças Armadas), recebemos esta mensagem do nosso camarada Luís Nabais, ex-Alf Mil Op Esp/RANGER, que cumpriu uja comissão militar na Guiné, na CCS/BCAÇ 2885, em Mansoa nos anos 1969 a 1971:
Camaradas,

Queria tornar público, junto dos ex-Combatentes mais vitimados pelas vicissitudes da Guerra do Ultramar, que aproveitem o que nos resta das "esmolas" que este governo, nos vai dando.

Creio que é bem explicativo.

O Porto e Coimbra também têm psicóloga e psiquiatra.

Li, porque me foi também enviado, que a Liga dos Combatentes também tem apoio, pelo que deve também ser publicitada esta iniciativa.

Nós, DFA´s, temos uma possibilidade mais rápida de, para alguns, virem a ser também considerados DFA’s, receber apoio médico gratuito (agora), e, eventualmente, uma reforma, se forem considerados como vítimas de stress de guerra.

Consultem o folheto infra-anexo.

Como sabem faço parte da Direcção da Delegação de Lisboa.

São muitos, como era de prever, os que agora (mais de 35 anos depois do fim da guerra) nos procuram, apenas para que lhes seja prestado apoio psiquiátrico, da Rede Solidária.

A viuvez de alguns, o refúgio na bebida, a vida madrasta, os revezes da vida, etc. têm feito com que muitos se tornem de tal modo marginalizados, solitários e intratáveis, que são as próprias famílias a levá-los lá, quando não os deixam ao puro abandono...

A ideia desta divulgação surgiu-me, quando fui almoçar com o pessoal do meu Batalhão, no passado dia 6 de Março, e vi o estado de degradação psíquica e física, em que se encontram alguns dos meus Camaradas.

Um abraço, e olhem… aproveitem o que ainda nos resta da Rede Solídária.


terça-feira, 31 de março de 2009

M72 - RANGER Luís Nabais 1966 - 1971

O RANGER Luís Nabais cumpriu a sua comissão na Guiné, entre 1969 e 1971, na CCS do BCaç. 2885, enviou o seguinte texto e fotos:

No meu tempo as coisas não eram bem como no teu M.R.

Fiz o curso de Oficiais Milicianos em Mafra em 1966 e segui para Beja dar instrução a recrutas (2 turnos), tendo depois formado Batalhão.

Era então que nos surgia o "terror" dos Rangers.

Era habitual o aspirante miliciano mais velho de cada companhia ir para Lamego, enquanto o mais novo ia frequentar o curso de minas e armadilhas em Tancos.

A antiguidade media-se pela classificação em Mafra, e não havia voluntários, a não ser à força.

É certo que iam sempre, não um mas dois (um aspirante e um sargento) por companhia, que eram submetidos a testes físicos, para determinar quem ficava .

Era quem mais se baldava nos testes, já que aquilo, em Penude, era tido como um inferno.

Portanto, os aspirantes levavam para lá já uns meses muito largos de tropa, bem como o sargento (regra geral um furriel miliciano), também seleccionado em testes idênticos.

Soube que, posteriormente, as coisas mudaram no C.I.O.E., e pelo que leio no teu blogue e noutros do género, para bem melhor.

Quando se acabava o curso, onde durante 3 longos e penosos meses éramos treinados como máquinas de guerra a nível de companhia, e no fim da rigorosa e duríssima instrução distribuíam-nos, triste e incompreensivelmente, por diversas companhias e batalhões, onde sentíamos a sensação de que algo falhava. É como diz um camarada noutra mensagem mais antiga: tínhamos uma preparação acima do normal, mas apenas dois de nós integrávamos um pelotão. E o resto da malta a que nos juntavam que treino tinham?

O curso RANGER era dado só a graduados e assim sentíamo-nos mal! Facilmente constatávamos que cada grupo de combate era completamente desequilibrado!



De que nos servia a capacidade de reacção, se os restantes homens não estavam ao nosso nível?

Quando me perguntam, eu digo que gostei de ser RANGER, e garanto que nunca comi tão bem na tropa como na Messe de Oficiais (no centro de Lamego).

Gostei, e pronto.

Nunca falei nesta fase da minha vida, e dificilmente voltarei a falar no assunto (o que lá vai, lá vai), mas queria deixar este depoimento dizendo que, no meu tempo - 1966 -, nós não éramos voluntários, mas sim seleccionados à... "força".

Segundo me contaste MR, em 1973, além dos voluntários (havia sempre alguns "malucos"), os restantes instruendos e cadetes necessários para completar os 5 grupos de combate (2 de cadetes e 3 de instruendos, que constituíam a companhia de instrução no C.I.O.E.), eram "escolhidos" entre os demais recrutas, tanto no R.I.5 - Caldas da Rainha, como em Mafra e, posteriormente, submetidos "voluntariamente" a provas psicotécnicas e físicas.

A minha guerra
Terminada a instrução e formado o batalhão, já como alferes miliciano, cumpri a minha comissão na Guiné, em Mansoa, entre 1969 e 1971, na CCS do BCaç. 2885.

Um destes dias conto-te mais qualquer coisa sobre as coisas boas e más desta minha inesquecível e aventurosa experiência.

O meu após guerra



Findo o período de guerra retomei, aos poucos, a vida normal, tendo-me dedicado com grande paixão e afinco a uma modalidade que muito aprecio "tiro com arco".

Consegui ser campeão nacional dois anos seguidos, em 1980 e 1981.

Fui ao Campeonato da Europa onde fiquei num honroso 30º lugar em 1979.

Consegui ainda a 4ª marca mundial em tiro de caça (caça simulada com alvos representando animais), mas com um número de tiros/alvos que deixou de existir no ano seguinte, não tendo sido homologado.

Pelo RANGER Luís Nabais