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terça-feira, 29 de novembro de 2011

M384 - Recensão do Livro: CIOE/CTOE, OPERAÇÕES ESPECIAIS, 50 ANOS


CIOE/CTOE, OPERAÇÕES ESPECIAIS, 50 ANOS
Com a devida vénia agradecimento publicamos aqui o extracto do site “OPERACIONAL”, cujo link se apresenta a seguir, uma recensão da autoria de Miguel Machado, ao livro dedicado pela nossa querida Unidade aos 50 anos das Operações Especiais:


As Operações Especiais do Exército Português têm agora a sua história publicada! O livro que hoje apresentamos é na realidade a obra mais completa até hoje vinda a público sobre o Centro de Instrução de Operações Especiais.

Trata-se sem dúvida de um interessantíssimo documento que vem fazer luz sobre aspectos pouco conhecidos dos antecedentes, sucessivas organizações e conceitos de emprego e doutrinários que as “Operações Especiais do de Lamego” adoptaram desde a sua fundação até à actualidade, a este tempo do Centro de Treino de Operações Especiais.

Em 2010 assinalaram-se 50 anos da criação do CIOE e em boa hora, pela pena de Hélder da Silva Serrão, também ele militar de Operações Especiais do Exército, a unidade decidiu publicar este livro.

É uma obra corajosa como são os militares de Lamego!

E isto porque sendo um livro claramente institucional - antes da introdução escrevem mensagens o Chefe do Estado-Maior do Exército e dois comandantes da unidade envolvidos no projecto do livro que tem prefácio de um tenente-general antigo comandante - não foge a muitas aspectos da história que habitualmente, nesta como em outras unidades militares, não raramente são “esquecidos”. Mesmo que não escape aqui e ali a um estilo relativamente apologético - afinal de contas o autor é “da casa” - talvez por força da formação académica de Hélder Serrão em História, os factos relevantes, positivos e menos positivos estão lá claramente expressos. Estamos perante um trabalho sério.

Isto não o isenta de um ou outro lapso que abaixo concretizaremos, indo aliás ao encontro do que o autor refere na introdução sobre a necessidade de aprofundar mais alguns aspectos. Segundo Hélder Ferrão, “
Este livro está divido em três partes, correspondendo, cada uma, a um período específico e relativamente distinto da vida da Unidade. A primeira é composta por sete capítulos que abrangem os antecedentes do CIOE até ao 25 de Abril de 1974. A segunda arte, constituída por dois capítulos, centra-se nas convulsões do pós-25 de Abril, na extinção do CIOE e na criação da Escola de Formação de Sargentos (EFS), em seu lugar. A terceira parte, materializada num único capítulo, foca-se na recriação do CIOE em 1981 e na sua evolução e consolidação até aos dias de hoje.

Nesta nossa leitura da obra vamos naturalmente abordar alguns aspectos que mais nos despertaram a atenção. O livro é muito mais do que isto sendo um livro para se ler muito mais do que para se ver! As imagens do livro, com dimensões reduzidas servem apenas para ilustrar um ou outro aspecto pontual ou importante, não para descortinar detalhes ou criar impacto visual.

Na primeira parte é interessante constatar que, ao contrário do que muitos autores querem fazer crer, o Exército estava de facto a preparar-se para o conflito em África. Antes do seu eclodir não só o CIOE foi criado como as primeiras Companhias de Caçadores Especiais deram os primeiros passos. As vicissitudes na formação destas companhias, com uma formação muito exigente para os padrões então vigentes no Exército, são aqui bem referidas e o autor não foge também a abordar os motivos que levaram à sua extinção.

O papel dos militares formados em Lamego na Guerra do Ultramar e as circunstâncias a que estavam sujeitos uma vez que eram colocados nas unidades de quadrícula e sob o comando destas, para melhorar o seu “nível médio”, é um aspecto interessante que o autor gostaria de desenvolver. Diga-se no entanto que muito já aqui está escrito e com interessantes testemunhos de militares das Operações Especiais que combateram em África.

O autor explica também o grande espaço atribuído no livro à participação do CIOE nos acontecimentos do 16 de Março e do 25 de Abril de 1974, facto que sendo naturalmente uma opção legítima, não parece ter muito a ver com a especificidade da unidade e de algum modo confere a esse período uma importância muito desproporcionada na história da unidade.

Segue-se, já na segunda parte, a formação da Companhia Operacional em Leixões no ano de 1975 - força de reserva de elite da Região Militar do Norte do Exército - e posteriormente de um Batalhão de Operações Especiais sediado no Porto - para o qual pela primeira vez praças receberam formação em “operações especiais”. Esta instrução teve lugar em Lamego na Escola de Formação de Sargentos. A sub-unidade operacional “OE” manteve-se no Regimento de Infantaria do Porto vários anos, sendo essencialmente empenhado no “Verão Quente” em missões de manutenção de ordem pública.

O autor deixa também bem claro, a alteração periódica do conceito de Operações Especiais no Exército Português, consoante a realidade do emprego das forças o determinava.

Detalha e bem a questão dos símbolos, quais eram e quando apareceram ao longo dos na mas não refere, embora se possa intuir, a origem da designação “ranger” que os militares de operações especiais portugueses adoptaram e cultivaram anos e anos seguidos.

É ainda interessante a leitura do período relativo à EFS (1975-1981) e à bem sucedida campanha que alguns oficiais incondicionais do CIOE levaram a cabo, culminando no ressurgir em termos modernos (na altura, claro), da formação em Operações Especiais e mesmo na refundação da Unidade e envio da EFS para outro quartel. Se por um lado o Exército voltava a prepara-se para enfrentar o inimigo convencional e as suas Operações Especiais seriam sem dúvida uma componente importante para o Sistema de Forças Nacional, o caminho percorrido e descrito no livro mostra bem como as decisões foram tomadas.

Aborda, embora de modo sintético, a formação das companhias de comandos em Lamego no CIOE e o período da Escola de Formação de Sargentos. Nestes anos da EFS a situação passou a ser a de se ministrar uma formação do “tipo Operações Especiais”, mas só a praças e oficiais e sargentos milicianos (os actuais RV/RC).

Na terceira parte, a partir de 1982, recomeça formação de pessoal do Quadro Permanente e inicia-se uma verdadeira revolução nas Operações Especiais do Exército em Portugal. Esse será o inicio de um “período de ouro” do CIOE em que a unidade vai ganhar uma enorme projecção a nível do Exército e mesmo no contexto das Forças Armadas, lutando pela exclusividade da actividade “Operações Especiais”. Note-se que à data o Corpo de Tropas Pára-quedistas da Força Aérea dispunha de uma Companhia de Forças Especiais (que se manteve até 1993, até à transferências destas tropas para o Exército) e o Corpo de Fuzileiros da Marinha, um Destacamento de Acções Especiais (que se mantém, hoje).

Toda a instrução é revista e o CIOE passa a ter como encargo operacional uma companhia de operações especiais. Parte dos cursos ministrados em Lamego passam mesmo a ser obrigatórios para todos os oficiais e sargentos do Exército Português e a formação de praças e pessoal de complemento mantêm-se para alimentar o encargo operacional. EM 1985 a GNR passa a formar em Lamego militares destinados ao seu Pelotão de Operações Especiais.

O CIOE vai alargando ao longo dos anos as suas capacidades quer em pessoal quer em instalações e mais cursos vão sendo ministrados. Depois dos Curso de Operações Especiais, surgem os Cursos de Sobrevivência (1983), Montanhismo (1984), Operações Irregulares (1985) Patrulhas de Reconhecimento de Longo Alcance (1985), Operações Psicológicas (1989) e ainda outros. É também em Lamego que se ministra o 1.º Estágio de Sobrevivência para Jornalistas (1995).

Em 1986 há um período de alguma indefinição no Exército sobre o papel das Operações Especiais e a sua articulação com os Comandos e isso reflecte-se na organização do CIOE, o qual passa a ter como encargo um Batalhão de Operações Especiais, o qual incluía subunidades de morteiros pesados e armas anti-carro, apontando claramente para outro tipo de combate que não o “puro” de operações especiais como em Lamego as entendiam. Foram os tempos da criação da Brigada de Forças Especiais. Segundo o autor terá mesmo havido a intenção de esbater a diferenças entre comandos e operações especiais com destino à sua integração nesta grande unidade do Exército.

Em 1990 a situação clarificou-se, muito por força, mais uma vez, de uma bem conjugada acção de oficiais oriundos do CIOE, e a aprovação de um novo Regulamento de Operações Não Convencionais, veio recolocar as Operações Especiais do Exército no caminho pretendido, agora melhor sustentadas neste documento doutrinário do ramo. Diz o autor “…a Unidade viu consubstanciados os princípios, missões e formas de actuação das Forças de Operações Especiais, das Actividades Irregulares e das Operações Não Convencionais… …contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento verificado na década seguinte…”.

Nos anos 90 a unidade entra num período de grande actividade de treino operacional, nomeadamente com forças congéneres de vários países aliados, onde muitos portugueses também recebem formação.

É também neste período, certamente o de maior actividade do CIOE desde o fim da Guerra em África, que começa a participação de destacamentos de Operações Especiais em missões internacionais.

Inicialmente com um envolvimento simbólico, como o realizado na Bósnia numa missão a que não foi possível dar seguimento. Aqui o autor comete um lapso referindo o envolvimento do CIOE na missão da Bósnia em 1996, sendo que a unidade apenas em 1997 (09JAN a 17MAR) enviou 2 equipas para este teatro de operações.

Ao abordar a questão do envio para a Noruega, em 1997, de um DOE também comete outro lapso de detalhe: as luvas goretex e polainas do mesmo material foram distribuídas ao Exército na Bósnia logo em 1996 não tendo por isso ligação com a missão do DOE. Aliás o mesmo se passa em relação aos GPS e outro material todo ele adquirido para esta primeira missão de paz na Europa para o Exército Português.

Em 1997 a operação Leopardo, diz o autor, foi “…a primeira sob exclusiva responsabilidade nacional após a Guerra em África, que teve como objectivo a recolha de cidadãos nacionais do Zaire…“. Pois aqui há novo lapso. Em Outubro de 1992 as Forças Armadas Portuguesas realizaram a operação “resgate” em Angola (Luanda, Catumbela, Namibe, Huambo e Lubango) S. Tomé e Brazzaville, tendo inclusive na sequência desta missão falecido um militar português que tem hoje o seu nome no memorial do Forte do Bom Sucesso, como o primeiro militar mortos nas chamas missões de paz. Aliás esta operação “Leopardo”, como se sabe, acabou por não recolher ninguém uma vez que a situação normalizou.

É desta época a aquisição de diverso tipo de armamentos meios de transmissões de elevada qualidade que passaram a equipar os DOE colocando-os, em alguns itens, a um nível sem paralelo no Exército Português.

Exercícios no estrangeiro e mais do que uma operação em África (Guiné, com apoio em Cabo Verde e Senegal) em 1998 e 1999, mantém o CIOE numa actividade operacional bem intensa, demonstrando as suas possibilidades e o valor dos militares das Operações Especiais do Exército.

Em 1999 ainda iniciam uma missão de longa duração - a primeira - no âmbito da NATO, na KFOR (Kosovo), num ciclo semelhante aos das Forças Nacionais Destacadas (6 meses no TO e depois substituição por Destacamento semelhante). Aqui o autor confundiu o nome do primeiro Agrupamento que ali serviu, foi o Bravo não o Alfa, mas explica bem a interessante missão do DOE naquele teatro de operações.

Seguem-se os exercícios da série Felino da CPLP, cabendo ao CIOE acolher o primeiro e ter um papel de primordial importância no seu desenvolvimento. Coube durante anos ao CIOE a representação Nacional neste único exercício da CPLP e, parece-nos, merecia mais desenvolvimento na obra.

Seguiu-se Timor-Leste em 2000 e nova missão “tipo FND” para as OE de Lamego, aqui com a particularidade de “…um Destacamento de Operações Especiais, não declarado mas embebido na unidade portuguesa…” até 2004, apresentando o autor algumas das operações em que o Destacamento participou.

Segue-se a descrição do envolvimento das OE no âmbito das NATO Response Forces, destaque dado ao exercício “Stead Fast Jaguar” em 2006 e o inicio d envolvimento das equipas sniper no Afeganistão em 20º7 e 2008e depois em 2010.

Explica também com detalhe a participação do CIOE na “Comunidade de Operações Especiais - NATO e EU” e o caminho para uma capacidade conjunta de Operações Especiais em Portugal. Interessante porque é um tema pouco abordado fora do meio militar e culmina numa referência ao mais actual conceito nesta área que está em vigor no Exército Português, (de 2007 que o autor classifica de “…verdadeiramente estruturante, vem definitivamente esclarecer as eventuais dúvidas que pudessem persistir quanto ao emprego doutrinário destas tropas (Operações Especiais, Comandos e Pára-quedistas)…“.

A Cooperação Técnico Militar é abordada de modo muito explicativo sobre o seu funcionamento em geral e refere o actual empenhamento do Centro de Treino de Operações Especiais e faz uma retrospectiva do empenhamento do CIOE neste campo.

Termina esta capítulo cronológico com uma referência à transformação do CIOE em Centro de Treino de Operações Especiais e a sua integração na Brigada de Reacção Rápida em 2006.

O livro, como é praxe nestas obras institucionais tem muitos anexos (ver Índice) alguns dos quais bem interessantes, nomeadamente os dos testemunhos que constituem um excelente complemento informativo aos assuntos já abordados na obra.

Não restem dúvidas, estamos perante um livro que é uma mais-valia muito significativa para a história do Exército Português e obrigatório em todas as bibliotecas que se interessem pela temática.

O livro em formato 24X17cm, tem 302 páginas, com fotos a cores e a preto e branco, é uma edição “Edições Esgotadas”, está à venda no mercado livreiro por cerca de 25,00€, e tem o ISBN: 978-989-8502-00-1.

Nota de MR: O livro pode ser adquirido pelos interessados numa das lojas da FNAC.

sábado, 14 de maio de 2011

M333 - CTOE em entrevista ao Jornal de Lamego

O Senhor Comandante do CTOE - Centro de Tropas de Operações Especiais -, Coronel de Infantaria Diogo Sepúlveda Velloso, em entrevista ao Jornal de Lamego pelo 50º aniversário da Unidade, com a devida vénia e agradecimento.

CTOE de Lamego: Muitos jovens sonham com Operações Especiais mas acabam por desistir.


Cinquenta anos após a sua criação, o Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), em Lamego, continua a atrair muitos jovens que sonham pertencer a esta unidade de elite, mas muitos são também aqueles que acabam por desistir.


Numa entrevista à agência Lusa a propósito do 50º aniversário do CTOE, o seu comandante, coronel de infantaria Diogo Sepúlveda Velloso, mostrou-se convicto de que ‘é muito fácil ser das Operações Especiais, basta querer’.


Isto porque, explicou, além da capacidade física, são necessárias ‘uma capacidade de discernimento e uma força de vontade que permitam ultrapassar as dificuldades da formação e depois do treino operacional’.


Muitos não as têm e, por isso, ainda que o CTOE reúna ‘um capital de voluntários bastante elevado’, tem também um grande número de desistências.


‘Hoje a juventude não encaixa bem no perfil dos desafios, da vontade e do ultrapassar. Há um facilitismo quase militante na sociedade ocidental e essa é a grande dificuldade e o grande problema dos jovens’, considerou.


Na opinião de Sepúlveda Velloso, os jovens ‘quando enfrentam rigor, disciplina’ demonstram dificuldades em perceber ‘o que é o altruísmo, a entrega gratuita a um bem comum e a um objectivo comum da eficácia de um grupo’.


‘Vê-se que as pessoas vivem isoladas e têm muita dificuldade em ultrapassar a barreira do individual para o colectivo’, contou, acrescentando que isso leva a muitas desistências, nomeadamente logo nos primeiros períodos, em que a formação é idêntica em todo o Exército.


Segundo o comandante do CTOE, os jovens desistem ‘por coisas tão simples como terem horários, estar frio, porque a namorada ligou’ ou mesmo por terem de andar vestidos todos da mesma forma.


No ano passado, por exemplo, cerca de 600 jovens manifestaram vontade de integrar as Operações Especiais mas depois aparecerem pouco mais de cem à porta do quartel.


‘Desses, eu diria que dos que vieram da vida civil chegam ao final e serão graduados em Operações Especiais cerca de 40′, estimou.


Os que conseguem enfrentar as dificuldades iniciais, têm depois em Lamego uma vida ‘longa e preenchida’, garante Sepúlveda Velloso.


Isto porque a unidade faz por ano, em média, um total de 23 exercícios, 15 dos quais na área da formação e mais oito de dimensão nacional ou internacional.


O responsável explicou que o CTOE está ‘em estado de prontidão para interesses nacionais relativamente elevado’ e tem vindo a integrar todas as NATO Response Force (NRF) desde a sua origem.


Explicou que, neste momento, a unidade de Lamego tem vários militares espalhados pelo mundo, nomeadamente um na componente de Operações Especiais do Afeganistão, uma equipa sniper junto da Quick Reaction Force que foi para o Afeganistão com os Comandos e o destacamento de Operações Especiais junto da força que está no Kosovo.


O CTOE participa também em missões de cooperação técnico-militar em Moçambique, no Centro de Formação das Forças Especiais, e no projecto dos Comandos da Brigada de Forças Especiais de Angola, acrescentou.




terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

M308 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - 06SET2010 – Visita do Exmo. Sr. Presidente da República (3)

CIOE/CTOE
50º aniversário das Operações Especiais
O Sr. Presidente da República Prof. Dr. Cavaco Silva Condecorou o C.T.O.E. - em Lamego -, 6 de Setembro de 2010Com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis

Capa de revista "Jornal do Exército" nº 598 de Agosto/Setembro de 2010, especialmente dedicada a esta efeméride (reprodução com a devida e agradecida vénia a esta centenária instituição)
Discurso do Presidente da República nas Cerimónias de Comemoração do 171º aniversário da presença militar ininterrupta em Lamego e do 50º aniversário das Operações Especiais
Lamego, 6 de Setembro de 2010
Senhor Ministro da Defesa Nacional,
Senhor Presidente da Câmara de Lamego,
Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército,
Excelência Reverendíssima,
Bispo de Lamego,
Senhor Comandante do Centro de Tropas de Operações Especiais,
Senhoras e Senhores,
Militares,
É sempre com particular satisfação que visito Lamego, esta histórica, nobre e linda cidade das Beiras. Saúdo calorosamente a população do concelho.
Quando, à chegada, vislumbro o Castelo, no cimo do monte mais alto da cidade, velando ainda pelas suas terras e pelos seus habitantes, penso em Lamego também como um esteio da nossa nacionalidade, no carácter e na alma fortes do seu povo e no heroísmo resistente e humilde dos seus militares.
Neste período das Festas, Lamego engalanada torna-se especialmente acolhedora, com a hospitalidade das suas gentes a ter paralelo apenas na beleza que os olhos podem contemplar e na riqueza das manifestações da sua cultura tradicional, que tão bem a caracterizam e identificam.
Lamego é uma cidade exemplar na forma como recebe e se relaciona com os militares e tem hoje mais um motivo de festa, com as comemorações dos 171 anos de presença militar ininterrupta e do 50º aniversário das unidades de Operações Especiais aqui localizadas.
O Regimento de Infantaria 9, em Lamego desde 6 de Setembro de 1839, foi a primeira unidade do Exército aquartelada nesta cidade. O seu comportamento heróico na I Guerra Mundial, nomeadamente em Neuve Chapelle, em Março de 1918, valeu-lhe o lugar de honra na sua Brigada: a prerrogativa de formar à direita de todos os batalhões.
Participou em várias campanhas na defesa da Pátria, aquém e além-mar. Na década de 60 do século passado, com a evolução da arte da guerra e do contexto estratégico internacional, tornou-se necessário criar uma unidade militar do Exército que dominasse com mestria as novas capacidades exigidas no âmbito das operações especiais e, particularmente, no da contra-subversão.
Surge assim, em 1960, o Centro de Instrução de Operações Especiais, com a divisa «QUE OS MUITOS, POR SER POUCOS, NAM TEMAMOS».
A aposta na qualidade e na excelência dos recursos humanos começou cedo, com alguns militares fundadores das Operações Especiais a visitar a Argélia, onde a França combatia então a insurreição, de onde retiram lições fundamentais para a elaboração dos manuais de contra-subversão do Exército, apreendendo conceitos ainda hoje válidos para aquele tipo de combate, tão presente nos teatros de operações actuais.
Durante 15 anos, saíram de Lamego quadros e subunidades combatentes - Caçadores Especiais e Comandos - que, em África, nos teatros de operações de Angola, Moçambique e Guiné, deram provas inequívocas de heroísmo e demonstraram possuir elevada noção do dever, em toda a sua intensa actividade operacional.
O Centro de Instrução de Operações Especiais, actual Centro de Tropas de Operações Especiais, participou activamente nas operações que, em 25 de Abril de 1974, conduziram à restauração da democracia em Portugal. No passado recente, a actividade desta Unidade continuou a ser notória, com o seu empenhamento em operações de evacuação de cidadãos nacionais e de apoio à paz.
Intensa formação e treino, ministrados por quadros competentes e com grande motivação, permitiram criar e manter um corpo de tropas de elite altamente especializado e de elevadíssima prontidão, que constitui um instrumento de grande valia ao dispor da defesa nacional e da política externa portuguesa, com provas sobejamente dadas em combate e em teatros de operações de elevado risco.
Na Guiné, no Senegal, em Cabo Verde, na República do Congo, em São Tomé, na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo e em Timor-Leste, entre outros locais, esta Unidade tem estado sempre presente onde quer que Portugal dela precise.
Os elementos das operações especiais fazem jus à sua divisa, não temendo o inimigo pelo seu número, nem as múltiplas missões que lhes são cometidas, pela sua exigência ou complexidade. Este pequeno grupo de militares cumpre o seu dever com coragem, determinação e patriotismo, pois sabe que está na vanguarda da defesa de Portugal e dos Portugueses.
É, assim, de inteira justiça o público reconhecimento que lhes irei prestar nesta cerimónia, ao conceder ao Centro de Tropas de Operações Especiais o título de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis e ao impor o respectivo distintivo no Estandarte Nacional à sua guarda.
Sendo o valor e o profissionalismo das Forças Armadas largamente reconhecidos pelos Portugueses, Lamego é, um dos melhores exemplos de grande afinidade da Instituição Castrense com a população e com as autoridades locais.
O apoio, o respeito e o carinho que os militares sempre sentiram por parte das gentes de Lamego tem sido, certamente, um factor de motivação para o exercício da sua missão em defesa da coesão e segurança nacionais.
Aqui, percebem-se as Forças Armadas como aquilo que na realidade são: não um corpo estranho à sociedade, mas antes parte integrante do povo de que emanam. São os nossos familiares e amigos que se dispuseram dar o seu esforço e a própria vida para que possamos todos cumprir Portugal.
Uma palavra final de louvor aos militares do Centro de Tropas de Operações Especiais que, à semelhança dos seus antepassados do “Nove”, têm deixado pelos caminhos da História um rasto de valor e bravura, mas também de uma profunda humanidade, em todas as campanhas onde têm participado.
Encorajo os presentes, civis e militares, para que continuem a trabalhar em conjunto. Apelo aos portugueses para que ponham de lado as divisões, pois é de coesão e união de esforços que Portugal necessita para fazer face às dificuldades que enfrenta. Juntos somos melhores, juntos somos mais fortes, juntos venceremos os obstáculos que se nos deparam, como sempre o fizemos ao longo da nossa História.
Bem hajam.


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

M267 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - 06SET2010 - O Exmo. Sr. Presidente da República em Lamego (2)


50º aniversário das Operações EspeciaisO Sr. Presidente da República Prof. Dr. Cavaco Silva Condecorou o C.T.O.E. - em Lamego -, 6 de Setembro de 2010Com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis

O Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lamego - Engº Francisco Lopes
O RANGER TGEN Cardeira Rino dirige-se para a tribuna de honra O Sr. TGEN Almeida Bruno dirige-se para a tribuna de honraO Sr. Ministro da Defesa
O RANGER TGEN Valente O RANGER TGEN Pinto ferreira Aspecto da exposição
A farda camuflada dos Caçadores Especiais Algum do equipamento utilizado nas campanhas da Guerra do Ultramar, em África

terça-feira, 21 de setembro de 2010

M265 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - 06SET2010 - O Exmo. Sr. Presidente da República em Lamego



50º aniversário das Operações Especiais
O Sr. Presidente da República Prof. Dr. Cavaco Silva Condecorou o C.T.O.E. - em Lamego -, 6 de Setembro de 2010
Com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis


O Sr. Presidente da República passou revista ao Batalhão e proferiu um discurso alusivo ao historial da Unidade e ao presente acontecimento.


Ver mais pormenores na Página Oficial da Presidência da República Portuguesa,que contém basta informação sobre a República Portuguesa e a sua história, bem como da actividade do Sr. Presidente da República.


Siga pelo link (clique uma vez sobre):



domingo, 19 de setembro de 2010

M264 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - Desfilam frente ao Exmo. Sr. Presidente da República

50º aniversário das Operações Especiais 

O Sr. Presidente da República Prof. Dr. Cavaco Silva Condecorou o C.T.O.E. - em Lamego -, 6 de Setembro de 2010


Com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis.
O dispositivo das tropas foi superiormente comandado pelo Sr. 2º CMDT do CTOE - TCOR RANGER Valdemar Lima 

As forças em parada desfilaram perante a tribuna de honra. 
Forças em Parada
Forças em desfile

Os porta-estandartes
Estandarte de Portugal
O povo de Lamego afluiu e aplaudiu
Desfile com galhardia

Lamego e os RANGERS
Foi grande a afluência popular e de muitos convidados ao local das cerimónias.
A Associação de Operações Especiais fez-se representar, sobressaindo-se o guião e alguns antigos veteranos da Unidade.
Diz o nosso lema: "Que os muitos por ser poucos nam temamos." 


Éramos poucos... mas éramos bons...
É em alturas como esta que os ex-militares da Unidade têm a rara oportunidade de demonstrar o seu melhor apreço e estima, que nutrem pelo "seu" C.I.O.E. / C.T.O.E.
Fotos: © José Félix (2010). Direitos reservados

sábado, 18 de setembro de 2010

M263 - C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais - O Sr. Presidente da República condecorou o C.T.O.E.

50º aniversário das Operações Especiais
O Sr. Presidente da República
Prof. Dr. Cavaco Silva

Condecorou o C.T.O.E. - em Lamego -, 6 de Setembro de 2010


Com o grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis.

No decorrer da cerimónia usou da palavra o Sr. Comandante do Centro de Tropas de Operações Especiais, a que se seguiu o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lamego, encerrando as intervenções o Sr. Dr. Pof. Aníbal Cavaco Silva.

Em seguida, as forças em parada desfilaram perante a tribuna de honra.

Findo o desfile, o Sr. Presidente e a Dra. Maria Cavaco Silva visitaram a exposição fotográfica alusiva aos 50 anos das Operações Especiais em Lamego.

Na cerimónia estiveram também presentes o Sr. Ministro da Defesa Nacional e o Sr. Chefe do Estado-Maior do Exército, assim como outras personalidades civis, militares e religiosas.
Homenagearam-se os mortos em combate, bem como se assinalou o 171º aniversário da presença militar ininterrupta na cidade de Lamego.
Foi grande a afluência popular e de muitos convidados ao local das cerimónias.

A Associação de Operações Especiais fez-se representar, sobressaindo-se o guião e alguns antigos veteranos da Unidade.

Diz o nosso lema: "Que os muitos por ser poucos nam temamos. 

Éramos poucos... mas éramos bons...

É em alturas como esta que os ex-militares da Unidade têm a rara oportunidade de demonstrar o seu melhor apreço e estima, que nutrem pelo "seu" C.I.O.E. / C.T.O.E.


O porta-guião RANGER Manuel Lopes e seu filho João

O porta-guião da A.O.E . RANGER Manuel Lopes

Pergunta o Sr. Presidente: - Então e os Senhores quem são?


- Somos elementos da Associação de Operações Especiais! - responderam o RANGER Lopes e RANGER Abílio Rodrigues.
P.R. - Então quem é que esteve no Ultramar?


RANGER A.R. - Só o MR é que esteve na Guiné Sr. Presidente!


P.R. - Sim senhor, vamos então tirar uma fotografia!



Uma dia em que estivemos alegres e ficamos muito satisfeitos com a simpatia do Sr. Prof. Cavaco Silva. 

sábado, 4 de setembro de 2010

M256 - RANGERS DE PORTUGAL - C.T.O.E. - LAMEGO - Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo 4

RANGERS DE PORTUGAL

C.T.O.E. - Centro de Tropas de Operações Especiais
LAMEGO


Uma Unidade de Elite do Exército Português e do Mundo
2010
50º ANIVERSÁRIO
2010 - O ANO DOS RANGERS DE PORTUGAL
Com a devida vénia e o melhor agradecimento ao "Jornal do Exército" (uma das publicações mais antigas do género em todo o mundo), publicamos a seguir um lúcido e fantástico artigo, a 10 páginas, da autoria do RANGER Alferes RC Helder da Silva Serrão, que saiu na citada revista do último trimestre.
NOTA: A leitura das páginas pode ser efectuada a partir da ampliação (zoom), clicando 1 vez sobre cada uma delas.