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quinta-feira, 24 de abril de 2014

M581 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Aspectos de Penude

Continuação das mensagens M462, M464, M465, M485 e M496. 



RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 7

Penude 1971 

O RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971 a 1974, integrado na CART 3454 / BART 3861 (Companhia de Artilharia 3454 / Batalhão de Artilharia 3861), nas zonas de Zala e Quinguengue. 

Nesta mensagem apresentam-se 3 raras fotos da velha parada do quartel de Penude, em Maio/Junho de 1971. 


 O velho emblema do portão do quartel
Esta é mesmo para a foto
Aqui arranjando a boina

sábado, 14 de julho de 2012

M501 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola - 5 - Paisagem e População



Continuação das mensagens M462, M464, M465, M485 e M496. 



RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 6

Paisagem e População 

O RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971 a 1974, integrado na CART 3454 / BART 3861 (Companhia de Artilharia 3454 / Batalhão de Artilharia 3861), nas zonas de Zala e Quinguengue. 

Muitos dos nossos ex-militares que cumpriram o Serviço Militar na Guerra do Ultramar, fosse em que região lhe calhasse na sorte (Angola, Moçambique e Guiné), não tinham ao seu alcance os meios indispensáveis para obter fotografias, que, naquele tempo, apenas eram obtidas através de rolos de películas, posteriormente submetidas a revelação para papel em câmaras escuras e apropriadas para o efeito.

Depois porque, na maioria dos casos onde existia pelo menos um desses meios, era nas localidades próximas, que, por vezes, ficavam muito distantes, e, outras vezes, em que havendo locais próximos com essa possibilidade, não era possível efectuar as necessárias deslocações para lá fazer chegar os ditos rolos de películas fotográficas.

Assim, e porque pensamos que TODOS os testemunhos (escritos, documentais e fotográficos), que os Combatentes daquela guerra possam deixar para as novas e as vindoiras gerações é FUNDAMENTAL e um acto PATRIÓTICO, porque temos vindo a constatar ao longo dos últimos anos, que são imensas as distorções criminosas e cobardes, mentiras traiçoeiras e anti-patrióticas, e alterações sobre os FACTOS e ACONTECIMENTOS, que sendo isso mesmo FACTOS, não podem nem devem ser maltratados como o são, por escuros e nojentos motivos políticos, por ignorância e ressabiamentos pessoais de execráveis seres, ou por cobardia e traição à Pátria.

Tanto mais que não fosse, por garantia da verdade do que se passou no terreno, como pelo MÁXIMO respeito que nos merecem os feridos e AINDA MAIS os mortos em combate por Portugal. 

Uma coisa é discutir ideias e conceitos, outra MUITO DIFERENTE é distorcer e alterar os FACTOS, seja porque motivo for! 

É importante que se diga aqui, principalmente àqueles que não sabem História de Portugal (não por culpa deles mas das incompetentes e irresponsáveis políticas de ensino seguida pelos DESgovernos desta nação), que as províncias ultramarinas que Portugal mantinha Mundo-Além, não eram pedaços de terra que Salazar e Caetano arranjaram, para que os portugueses se entretessem a dar uns tiros em africanos e vice-versa. Esses pedaços de terra eram um legado ancestral que muitos portugueses duros, ousados e aventureiros foram conquistando em cerca de 500 anos de fantásticas e inigualável História, e foram sendo explorados e povoados por outros milhares de portugueses, que para lá foram emigrando, trabalhando sol a sol, formando as suas famílias e radicando os seus haveres.


Por isso caro leitor e Camarada, quando ouvir alguém dizer que a guerra era injusta lembre-se do que acabou de ler e, por favor, informe o ignorante ou maldizente, que não nada assim!

Mutos, tal como hoje, não tiveram qualquer oportunidade de trabalho e vida neste nosso cantinho europeu, e tiveram que emigrar, muitos deles com apenas  a roupa que tinham então vestida. PARTINDO DO ZERO! E, que como é do conhecimento dos que viveram esses factos e dos que, entretanto nascidos, se interessam pelo estudo destas coisas, tiveram, com o golpe de 25 de Abril de 1974, foram forçados a abandonar tudo o que lá tinham para fugir das previsíveis perseguições, saques e, tal como aconteceu em Angola e Moçambique, massacres.   

Voltando à conversa dos testemunhos, quando hoje muitos dos Combatentes querem realizar a melhor e mais conveniente catarse daquilo que passaram na guerra, sentem-se limitados às a relatos com textos muito longos e cansativos, mesmo para quem gosta quer saber o que passou então.

Uns mais operacionais que outros, contrariados ou não, do "contra" ou a favor, todos os que viajaram para África - Angola, Moçambique e Guiné -, e contribuíram como o seu esforço, sacrifícios, suor e sangue, como o seu melhor e possível contributo pessoal, dando por vezes aquilo que tinham e o que não possuíam nas suas qualidades combativas, e que tiveram que improvisar ou como por lá se dizia "desenrascarem-se", têm segundo o nosso ponto de vista a consciência tranquila de terem cumprido com a parte que a Nação (mais propriamente o poder político de então) lhes exigiu nessa altura. 

Consideramos que tão FUNDAMENTAL foi o contributo de um Homem OPERACIONAL, fosse ele de uma unidade de intervenção ou de uma das tropas especiais, como foi o daquele que na rectaguarda assegurava o movimento do tão apreciado e esperado correio, dos fornecimentos de materiais, viaturas, combustíveis, equipamentos, munições e armas, a indispensável alimentação, o eficaz apoio aéreo e marítimo, etc. 

Pelo que foi dito, é fácil deduzir que a dimensão dos álbuns de fotos de cada ex-militar é muito relativo, mas por poucas que sejam as peças, já diz o velho ditado: Grão a grão enche a galinha o papo!  

Assim, foto a foto, palavra a palavra, vamos completando o puzzle possível, daqueles que nos vão dando o que têm, como nesta mensagem em que o RANGER Lino Ribeiro, nos mostra mais alguns aspectos da paisagem e da população local nas regiões de Zala e Quinguengue, em Angola. 








Mini-guião da colecção Carlos Coutinho (2012) © Direitos reservados.
Fotos de Lino Ribeiro (2012) © Direitos reservados. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

M496 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola - 5 - Actividade Operacional


Continuação das mensagens M462, M464, M465 e M485.


RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 5

Actividade operacional 

O RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971 a 1974, integrado na CART 3454 / BART 3861 (Companhia de Artilharia 364 / Batalhão de Artilharia 361), nas zonas de Zala e Quinguengue. 



Na Guerra do Ultramar, como em todas as guerras, os momentos mais temidos por todos os operacionais eram, sem dúvida nenhuma, o estar de baixo de fogo inimigo.

Um simples deslocação entre dois pontos, em que a dúvida permanente da eventualidade da existência das traiçoeiras e mortíferas, era já, por si só, para muitos combatentes um dos mais graves e compreensivos geradores da doença que se convencionou baptizar como stress pós-traumático de guerra. 

Mas também outras situações ajudavam a agravar os sintomas, tal como as saídas para o mato, as patrulhas de rotina e as batidas a zonas suspeitas, a montagem de emboscadas e a participação activa em operações de limpeza de maior ou menor duração, os golpes-de-mão relâmpagos e cirúrgicos a acampamentos e instalações inimigas e os ataques apoiados aos nossos aquartelamentos.

Dizem aqueles Homens mais operacionais que os momentos mais traumáticos, iniciavam-se nas horas, minutos e segundos antes de entrar em acção, devido sobretudo à tensão psíquica - preparação psíquica para o pior (a morte física) -, e tinham continuidade no desconhecimento dos cenários que teriam que enfrentar, combater e eliminar, complementando-se com o perigo e o risco de estar debaixo de fogo inimigo. 

Assim, não admira que muitos dos que estiveram na guerra e que na altura saíram aparentemente ilesos das diversas hostilidades, têm vindo a acusar, ao longo dos últimos anos, mazelas que ficaram então "escondidas" no sub-consciente e despertando para essas terríveis, desgastantes e torturantes marcas. 

A abertura de novas estradas eram sempre pontos de perigo, pois a estratégia inimiga era atacar os construtores, quer para atrasar o mais possível as obras, quer para destruir o que já estava feito. 
  
Como em todas as obras, no Verão era o pó um grande amigo do nosso inimigo e no Inverno era a lama. À falta de máscaras para proteger do pó recorria-se aos lenços do bolso.

As amizades entre tropas portuguesas (metropolitanas e locais) eram consolidadas no dia a dia e muitas delas tornaram-se eternas

A deslocação em Unimogs (burrinhos do mato), principalmente nas picadas de piso irregular era muito problemática e perigosa, devido à evidente falta de segurança, que muitas vezes apenas dependia do pessoal seguir agarrado uns aos outros. A retirada de todos os apêndices das viaturas (tampais e pára-brisas) era estudado, para evitar o aumento de estilhaços em caso de explosão de uma mina e para permitir a saída mais rápida e menos perigosa das viaturas em caso de emboscada. É de adivinhar que no inverno com a formação de longas manchas e poças de lama nas picadas, a movimentação das viaturas e do pessoal era muito retardada e imensamente penosa

Muitas vezes as colunas paravam ao serem detectados movimentos ou pontos suspeitos no mato e nas picadas 

O avanço a corta-mato era muitas vezes a única solução, embora na selva densa se tornasse mais lenta e perigosa, quer pelos perigos apresentados pela natureza (cobras, abelhas, mosquitos, etc.), quer pela maior oferta de máscaras e camuflagem para o inimigo se acoitar

Em muitas das operações era apreendido ao inimigo grandes quantidades de equipamento diverso, evidenciando-se o informativo (mapas, instruções de guerra, cartas, etc.) e outro mais ou menos bélico


Mausers, Simonovs, Kalashnikovs AK-47, canhangulos, facas, catanas, etc. tudo servia para o combate
Mas havia sempre uns momentos para a foto e a boa disposição. Viver a vida com 22/23 anos, num bom ambiente de camaradagem, era mais importante que... passar todo o tempo em preocupação... e SOBREVIVER!


Mini-guião da colecção Carlos Coutinho (2012) © Direitos reservados.
Fotos de Lino Ribeiro (2012) © Direitos reservados.

domingo, 24 de junho de 2012

M485 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola - 4 - Preparação e embarque helitransportada de uma operação contra o inimigo


Continuação das mensagens M462, M464 e M465.



RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 4

Preparação de operação helitransportada contra o inimigo 


Lembramos que o RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971 a 1974, integrado na CART 3454 / BART 3861 (Companhia de Artilharia 3454 / Batalhão de Artilharia 3861), nas zonas de Zala e Quinguengue. 



Na Guerra do Ultramar foram utilizados helicópteros de concepção francesa, nomeadamente: Alouettes II e II, e Pumas.

Os helicópteros, como meio de transporte aéreo, permitiam, além de uma rápida mobilidade dos militares entre os mais distantes pontos dos territórios em conflito:

- optimizar sobremodo, em situações especiais, o fornecimento de munições, víveres e água;

- o apoio de fogo de protecção e auxílio às nossas tropas no terreno (especialmente com os célebres "lobos maus" - Alouettes III equipados com metralhadoras de 20 mm); 

- movimentações das tropas operacionais para locais de difícil acesso por meios terrestres e aquáticos;

- a evacuação expedita de feridos;

- o auxílio às populações locais sobe diversos aspectos, com destaque para doentes graves. 

Tropas dirigindo-se para os Pumas



Momentos do embarque
Um a um, os helis recebem os Homens e arrancam ar fora
Mais dois Pumas recebendo o pessoal
Motores em marcha... um Puma iniciando o seu voo 
Um Puma aguarda

Em pleno voo 

Verificação do estado do rotor de um Alouette III 

Fase de abastecimento 

Fotos: © Lino Ribeiro (2012). Direitos reservados.   

sexta-feira, 1 de junho de 2012

M465 - RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971 - Angola - 3 - Ocupação dos tempos livres


RANGER Lino Ribeiro
2º Curso de 1971
Angola 1971/74 - 3

Ocupação dos tempos livres

Nesta mensagem continuamos a apresentar as histórias, memórias e algumas das fotografias do RANGER Lino Ribeiro do 2º Curso de 1971, iniciadas nas mensagems M462 e M464.

Aqui vamos mostrar que nos momentos de tranquilidade, eram proporcionados alguns momentos de lazer, em que a malta se ocupava de diversos modos procurando "matar" o tempo, o melhor que podia e sabia.

Já vimos que o futebol era um dos mais animadores e mobilizadores, mas também a leitura, a escrita de cartas aos familiares, namoradas e amigos, jogar cartas e dominó nas cantinas, etc. completavam a ocupação dos tempos livres.

Este disponibilidade de tempo era relativa conforme o local e a operacionalidade na zona, pois haviam locais em que sair para caçar era impossível devido à proximidade do inimigo, outros em que era um eminente e sério risco de morte, pois o inimigo tinha os seus espiões que controlavam todos os movimentos da nossa tropa. 

Já referimos que o RANGER Lino cumpriu a sua comissão militar em Angola, 1971  a 1974, integrado na Companhia de Artilharia 3454, do Batalhão de Artilharia 3861, nas zonas de Zala e Quinguengue. 

Brevemente nos contará a parte operacional, acompanhada de algumas espectaculares fotos. 

Caçar era além de um entretimento, uma necessidade para garantir carne fresca
Pacassas, gazelas, antílopes, javalis, etc.

Em zonas sem câmaras frigoríficas era um problema manter a carne comestível, pelo que ou se comia ou  acabava por apodrecer. Outra alternativa, se houvesse sal bastante, era salgar a carne, permitindo a sua conserva. Este tipo de conservação exigia boas condições de armazenamento, com ausência de forte humidade e a  temperatura normal.


Caça grossa e pequena, tudo servia para evitar a rotina e o enjoo ao habitual rancho e rações de combate
Depois havia aqueles que dominavam mais a técnica de "apanhar" os bichos distraídos, ou a dormir... eheheheheheh...
Com o bicho morto e mais que muito "matado", quase toda a malta da companhia gostava de tirar as fotos da praxe para mais tarde recordar. 

A caça abundava na zona de Zala e por quase todo o terreno angolano
Escrever às namoradas, madrinhas de guerra, pais e  restante família, não esquecendo os melhores amigos, era um exercício obrigatório, até para manter o bom estado do equilíbrio psicológico.
A leitura de todo o género, como as histórias aos quadradinhos, era outro interessante hobby.    
Dar uns mergulhos, no rio mais próximo, onde não houvessem os tão temidos crocodilos, além de entreter, permitia refrescar os corpos tão esturricados pelo inclemente e abrasivo sol africano. 

Fotos: © Lino Ribeiro (2012). Direitos reservados.